Estudo 12 – Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Vontade Divina

Estudo 12 – Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Vontade Divina
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MEDITAÇÃO

O QUE O FILHO DE DEUS PRATICOU EM SEU INTIMO DA CHEGADA REIS MAGOS, E PASSANDO PELA APRESENTAÇÃO NO TEMPLO, ATÉ A VOLTA A NAZARÉ

DESEJO E SÚPLICAS DE JESUS.

Avizinhava-se o tempo da chegada dos Reis Magos, esposa caríssima, e eu sentia desejo muito grande de sua vinda. Já fizera muitas preces a meu Pai de que lhes movesse o coração e os inflamasse de ardente desejo de vir reconhecer-me como verdadeiro Filho de Deus; mas não receberam esta luz antes de chegarem à gruta. Tiveram ânsia ardorosa de ver-me, conhecer-me e adorar-me, mas não me consideraram verdadeiro Filho de Deus enquanto não me viram. Contemplava os bons Reis que se encaminhavam para mim com tanto empenho, seguindo a estrela com alegria tão intensa. Observava todos os seus padecimentos e as incomodidades de tão longa viagem, e sentia por eles grande compaixão. Suplicava ao Pai desse a toda a sua descendência, a saber, os gentios, a mesma graça e favor que lhes concedia, a fim de que chegassem a adorar-me a mim, o verdadeiro Deus.

CONSOLAÇÕES E PENAS DE JESUS.

Quanto me alegrava ver a ansiedade dos Reis, e que por intermédio deles muitos seriam iluminados espiritualmente, para conhecerem o Criador! Muito me angustiava, contudo, observar os seus sofrimentos, muitos deveras em tão longa e agitada viagem. Ofertava ao Pai meu contentamento e minha pena, e suplicava que, em virtude desta, assistisse sempre àqueles bons Reis e aliviasse-lhes a pena suportada no caminho, fazendo com que tudo lhes parecesse fácil por meio do amor e do desejo que ardiam em seus corações. O Pai fazia tudo isso com elevada providência e disposição e eu ficava consolado.

Em todo o tempo da viagem não deixei de olhá-los sempre com olhos amorosos e convidá-los a virem depressa conhecer-me. Os convites e os estímulos da graça penetravam-lhes efetivamente no coração, de tal modo que teriam querido voar para logo conseguirem prestar-me homenagem, tributar-me os dons e simultaneamente consagrar-me o coração. Constituía para mim, esposa caríssima, muita alegria ver tão bem correspondido o convite que lhes dirigia, não tanto por meio da estrela quanto por intermédio da graça eficaz que o Pai lhes concedeu em muita abundância. Tanto mais volvia para eles os olhares com amor, e eles se tornaram mais ardentes e inflamados de desejo e amor para comigo. Sentiam potentes e amorosas setas penetrarem-lhes o coração, sem entenderem de onde tão grande amor e desejo procediam; participavam e fruíam de um santo ardor e atônitos não sabiam, nem podiam investigar-lhe a razão.

Tomo 1 Vida Intima de Ns Senhor Jesus Cristo-55

Fá-lo por intermédio de seus ministros, ou por meio de santas inspirações e com o auxílio poderoso da graça, conforme é mais vantajoso à salvação da alma em semelhante necessidade. Será preciso, pois, que a alma corresponda logo  ao auxílio divino, a exemplo destes Reis, que não tardaram a se  o que lhes fora insinuado sobre o lugar do nascimento e por isto reencontraram de repente  a estrela desaparecida. Não fazem, porém, assim todos os meus irmãos, pois desprezam a quem os admoesta, não dão dão ouvidos as inspiraçõees divinas e recusam os convites da graça; e por isto muitos são os que, começando a desviarem-se do caminho, não sabem mais retornar ao estado primitivo, e assim por culpa própria precipitam-se de mal a pior e, sem advertí-lo, reduzem-se ao estado de condenação, e então depois, para soerguê-los e reconduzí-los ao estado de vida perfeita, exige-se um milagre do poder divino. Via, esposa minha, todas as desordens de meus irmãos e tinha grande pesar. Lastimava a perdição de tantos que, tendo começado bem, acabam mal por não darem ouvido aos convites da graça divina. Oferecia a dor experimentada a meu Pai e suplicava-lhe descarregasse sobre mim os castigos merecidos por meus irmãos. Qual não foi, de fato, o turbilhão de flagelos desencadeados sobre mim com toda a violência no tempo de minha paixão, se bem que mesmo no decorrer da vida tenha experimentado açoites bem ásperos e contínuos! O Pai o fazia para realizar os meus desejos constantes de satisfazer à justiça divina pelos débitos de meus irmãos e aplacá-lo por eles; jamais reclamei que usasse de misericórdia para comigo, porque aspirava a que a exercesse toda inteira em favor de meus irmãos, querendo fosse a justiça toda exercida para comigo; como de fato o Pai fez, exigindo que a justiça fosse satisfeita com todo o rigor. Aprazia-me muito tal satisfação, tanto mais que dava a conhecer claramente a todos quanto amava o Pai, a sua glória e honra, e quanto ainda amava os irmãos, porque por eles havia descido do céu à terra, fazendo-me homem para redimí-los e salvá-los.

OS MAGOS ADORAM A JESUS.

Havendo chegado a hora esperada da chegada dos Reis à gruta, onde estava a contemplá-los, rezei ao Pai se dignasse conceder-lhes luzes e nova graça, para acreditarem no mistério em mim oculto, isto é, o da divindade que em mim se achava. Fê-lo o Pai, de modo admirável, porque os Reis viram o lugar tão vil e abjeto e, guiados pela estrela, não julgaram indigno entrar; e aí, à primeira vista, estupefatos com a maravilha, ingressaram repletos de alegria e de santo temor. Tendo entrado, fixei o olhar neles com grande amor e afabilidade, unidas, no entanto, a uma majestosa firmeza, a qual estava conexa com a minha majestade. Ao mesmo tempo, fitei-os com os olhos mais poderosos de minha divindade e convidei-os assim a adorar-me. Os bons Reis, repletos de soberana consolação e aterrados pela majestade em mim revelada, prostraram-se efetivamente por terra e adoraram-me profundamente. No instante em que eles me adoraram, pedi ao Pai se dignasse renová-los interiormente e revestí-los de graça nova e mais potente. Os magos foram mudados interiormente, em lágrimas do júbilo, ele tiveram os olhos fixos em minha pessoa, ´ficaram prostrados por terra e não haveriam ousado levantar, já sabia o que devia fazer, minha Mãe, que me segurava no colo, lhos ordenou a pegarem-me. Tendo-se erguido, os bons Reis a se aproximar ! Apesar de sentirem meus suaves convites, que internamente os incitava a se aproximarem de mim. A majestade, porem, mantinha os em santo temor. Mas, convidados por minha Mãe, puderam se colocar à vontade para me contemplar e ficarem plenamente consolados e satisfeitos.

FÉ E AMOR DOS MAGOS.

Foram bem instruídos por minha dileta Mãe, embora com poucas palavras, e plenamente informados acerca de minha pessoa; logo acreditaram no mistério divino,  de novo prostrados adoraram-me e confessaram-me por verdadeiro Filho de Deus e seu supremo Monarca. Abraçaram minha Lei e detestaram a idolatria. Ofereceram-me em tributo os dons e juntamente a própria pessoa, o coração. Mostrei-lhes, por este fato, muita benígnidade e gratidão, aceitando parte dos dons e entrando de posse de todo o seu coração, para não deixá-los jamais, se bem que devessem pessoalmente distanciar-se de mim. Admiti-os ao beijo dos pés e dei-lhes muitas demonstrações de amor, o qual, na verdade, era muito grande. Ao mesmo tempo tratava com o Paí, suplicando desse-lhes o dom da perseverança na fé e no amor. Ofertei-lhe suas vidas em confirmação da fé e para a dilatação das mesmas; e simultaneamente pedi-lhe concedesse aos Reis sentimentos semelhantes. Meu Pai lhos deu de modo tal que naquele mesmo instante teriam sacrificado a própria vida, se necessário, em confirmação da verdade que haviam conhecido. Além disso, roguei-lhe se dignasse receber todos os dons que os meus irmãos lhe houvessem feito, como eu recebi os dons dos Reis; e embora tudo o que a criatura lhe der é seu, concedido por Ele, não obstante muito apraz ao Pai as coisas oferecidas para sua honra, glória e amor. Apesar de ser tudo seu, não obstante a criatura sendo árbitro do que recebeu do Pai para a própria subsistência, apropriando-se disso para lho oferecer, torna-o muito grato e aceitável; quando, porém, a criatura lho oferece de bom coração, com reta intenção. Tendo me atendido o Pai e prometido receber tudo o que meus irmãos lhe oferecessem, por vil e de pouca importância que fosse, segundo a possibilidade do ofertaste — sendo-me declarado agradar-lhe um copo d’água dado por seu amor — supliquei-lhe se dignasse dar a todos um coração despreendido de todas as coisas do mundo, a fim de poderem lho oferecer livre, sem apegos terrenos, como deveras os bons Reis me ofereceram o coração. O Pai prometia-me fazer tudo isso, e o tem realizado. No entanto, meus irmãos deixam o coração ser atraído pela cobiça e o afeto às coisas terrenas, e porque o inclinam às coisas vis e baixas, provocam estas maior impressão ao coração do que as inspirações divinas, sendo as coisas mundanas outros tantos espinhos a sufocarem a semente da palavra e das inspirações divinas. Via tudo Isso e sentia grande pesar. Afligia-me muito ver o pouco fruto que meus irmãos colheriam das graças concedidas pelo Pai às minhas instâncias. Quanta pena me causava ver o coração do homem, criado para amar o Pai, todo apegado às coisas terrenas, seus afetos completamente dirigidos às coisas materiais.

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