Estudo 61 Livro do Céu Vol. 30 a 36 – Escola da Divina Vontade

Escola da Divina Vontade
Estudo 61 Livro do Céu Vol. 30 a 36 – Escola da Divina Vontade
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30-14
Janeiro 24, 1932
Cada visita de Jesus é portadora de verdades celestes. Quem vive na Divina Vontade está sob a chuva do ato novo de Deus. Exemplo da flor. Cada ato feito na Divina Vontade é um degrau. Ofício de mãe.

(1) Sentia-me toda pensativa sobre as tantas verdades que Jesus bendito me disse sobre sua
Divina Vontade, e enquanto sentia em mim o sagrado depósito de suas verdades, sentia ao mesmo tempo um santo temor do como as guardava em minha pobre alma, e muitas vezes malamente exposto, sem a atenção que convém a verdades que contêm valor infinito, e oh! Como gostaria de imitar os bem-aventurados, que enquanto conhecem tanto da Divina Vontade, não dizem nada a nenhum dos pobres peregrinos, têm-nas todas com eles, beatificam-se, felicitam-se, mas lá de cima não mandam nem uma palavra para fazer conhecer uma só verdade das muitas que conhecem. Mas enquanto isso eu pensava, meu amável Jesus, visitando minha pequena alma, com toda bondade me disse:

(2) “Minha filha, cada palavra que te disse sobre minha Divina Vontade, não foi outra coisa que
tantas visitas que te fiz, deixando em ti a substância do bem que cada uma de minhas palavras
contém, e não me confiando de ti, porque tu és incapaz de guardar uma só minha palavra, me
deixava em custódia do valor infinito de minhas verdades que punha em tua alma. Por isso seus
temores não são justos, estou Eu em guarda de tudo, são verdades celestiais, coisas do Céu,
desabafos de amor reprimidos de minha Vontade, e de tantos séculos. E antes de me decidir a
falar-te, já tinha decidido ficar em ti para guardar o que punha em ti, você entra na ordem
secundária, o primeiro guardião sou Eu. Agora, sendo estas minhas visitas portadoras de coisas
celestiais, as levarás contigo à pátria celestial como triunfo de minha Vontade, e como garantia de que seu reino não somente virá sobre a terra, senão que estabeleceu o princípio de seu reinar.
Aquelas que ficarão sobre o papel ficarão como memória perene de que minha Vontade quer reinar em meio às humanas gerações, e serão estímulos, incitações, súplicas divinas, força irresistível, mensageiros celestiais, condutores do reino de meu Fiat Divino, e também reprovações potentes a quem deveria ocupar-se em fazer conhecer um bem tão grande, e que por indolência e por vãos temores não deixá-las-ão girar pelo mundo inteiro, a fim de que levem a jubilosa nova da era feliz do reino da minha Vontade. Por isso abandone-se em Mim e deixe-me fazer”.
(3) Depois continuava meus atos na Divina Vontade, na qual tudo o que tem feito na Criação está
tudo em ato, como se agora a estivesse criando, para dá-las como desabafo de seu amor à
criatura, e como sou muito pequena não posso tomá-las todas juntas, e vou pouco a pouco até
onde posso chegar; e o divino amor espera-me em cada coisa criada para repetir e duplicar o ato
criante e dizer-me: “Olha quanto te amo, para ti as criei, por ti conservo o ato criante em ato, para te dizer não só com palavras, mas com os fatos: ‘Te amo’, te amo tanto que estou afogado de amor, anseio, deliro, porque quero ser amado, tanto, que com criar a Criação antes de ti, te
preparava o caminho todo de amor, com manter o ato criante em ato, te digo a cada instante te
amo e quero amor”. Por isso eu percorria as coisas criadas, para não deixar dolorido o artífice
amoroso por não ter recebido o seu amor que tinha posto em cada coisa criada, e que o tinha
posto por mim, e tendo chegado ao ato exuberante do amor da criação do homem, eu me sentia sob a chuva deste amor intenso, e meu sempre amável Jesus me disse:

(4) “Filha bendita, nosso modo com as criaturas não se muda jamais, como foi no princípio ao
externar-se na criação, assim continua e continuará sempre, sempre. Agora, quem entra em nossa Vontade toca com a mão nosso ato criante, sempre em ato, e nosso amor sempre novo em ato de dar-se à criatura; mas não é só nosso amor, senão o grande amor nosso, nos faz tirar de nosso seio e põe em vida sobre elas nova bondade, nova potência, nova santidade, nova beleza, de modo que temos a criatura sob a chuva de nossos atos novos, sempre novos e sempre em ato.
Assim, toda a Criação está sempre em ato de se repetir e de se dar a elas. E assim como nossos
modos são sempre iguais e não se mudam jamais, o que fazemos com os bem-aventurados no
Céu, alimentando sua bem-aventurança com nosso novo ato sem cessar, assim fazemos para
quem vive em nossa Divina Vontade na terra, alimentamos sua vida com nova santidade, nova
bondade, novo amor, a temos sob a chuva de nossos atos novos e sempre em ato, com esta
diferença: Que os bem-aventurados nada adquiram de novo, só nadam nas novas alegrias do seu
Criador; ao contrário, a viadora afortunada que vive em nosso Querer, está sempre em ato de fazer novas conquistas. Então, quem não faz e não vive em nossa Vontade Divina se torna estranha da família celestial, não conhece os bens de seu Pai Celestial, e apenas as gotinhas toma do amor e dos bens de seu Criador, ela se torna filha ilegítima que não tem plenos direitos nas posses de seu Pai Divino. Só minha Vontade dá o direito de filiação, e a liberdade de tomar o que quer da casa de seu Pai Celestial. Quem vive em nossa Vontade é como a flor que permanece na planta, e a mãe terra sente o dever de dar lugar à raiz da flor em sua própria casa, de alimentá-la com seus humores vitais que ela possui, de tê-la exposta aos raios do sol para lhe dar cor, e espera o orvalho noturno para que sua flor receba humores suficientes para fazê-la resistir aos beijos ardentes do sol, para fazê-la desenvolver e receber o colorido e o perfume mais intenso e mais belo; assim que a mãe terra se pode dizer que é o alimento e a vida da flor. Assim é a alma que vive em nossa Vontade, devemos dar-lhe o lugar em nossa casa, e mais que mãe alimentá-la, crescê-la, e dar-lhe tanta graça de poder sustentar e estar exposta diante e dentro à luz ardente da imensidão de nossa Vontade. Mas quem não faz e não vive Nela, é como a flor arrancada da planta e posta nos vasos, pobre flor, já perdeu a sua mãe que com tanto amor a alimentava, a tinha exposta ao sol para aquecê-la e dar-lhe cor, e embora haja água no vaso, não é a mãe que a dá, por isso não é água que alimenta, e com tudo e que é conservada no vaso, mas está sujeita a murchar e morrer.
Tal é a alma sem minha Vontade, lhe falta a Mãe Divina que a gerou, lhe falta a virtude
alimentadora e fecundadora, lhe falta o calor materno que a aquece e com sua luz lhe dá suas
pinceladas de beleza para fazê-la bela e florida. Pobre criatura sem as ternuras e o amor de quem lhe deu a vida, como crescerá débil e sem beleza, e como murcha no verdadeiro bem”.

(5) Depois disto girava na Divina Vontade para encontrar todos os atos das criaturas para pôr neles meu amor, e pedir em cada ato de criatura o reino da Divina Vontade sobre a terra, e meu doce Jesus acrescentou:

(6) “Minha filha, minha Divina Vontade no ato da criatura quando é invocada, tira a dureza à
vontade humana, adoça seus modos, reprime os modos violentos, e com sua luz esquenta as
obras endurecidas pelo frio do humano querer. Portanto, quem vive na minha Divina Vontade
prepara a graça preventiva às gerações humanas para que a conheçam, e cada ato seu nela forma o degrau para subir, primeiro ela e as criaturas junto aos conhecimentos do Fiat Supremo. Assim, quem vive em minha Divina Vontade, Ela lhe dá as virtudes maternas e lhe dá o ofício de fazer para Deus e para as criaturas o ofício de verdadeira mãe. Vê então a necessidade de teus atos em minha Vontade, para formar uma escada longa que deve tocar o Céu, de modo a violentar com sua mesma força divina, que meu Fiat venha sobre a terra e forme seu reino, fazendo encontrar sobre esta escada o primeiro povo que o receba e se preste a fazê-lo reinar em meio a eles. Sem escada não se pode subir, por isso é necessário que uma criatura a faça para dar o campo para fazer subir aos outros, e para fazer que esta se preste, devemos dar-lhe o ofício de mãe, que amando as criaturas como suas filhas, as quais lhe foram dadas por minha Divina Vontade, ela aceite o mandamento e não poupe nem fadigas, nem sacrifícios, e se for necessário ainda a mesma vida por amor destes filhos. Muito mais que ao dar o ofício de mãe, meu Querer Divino dota a alma de amor materno e a faz sentir no próprio coração estes filhos, e lhe dá ternura divina e humana para vencer a Deus e à criatura, e uni-los juntos para fazê-los fazer sua Divina Vontade. Não há maior honra que possamos dar à criatura do que a maternidade, ela é portadora de gerações e damos-lhe a graça de formar-se nosso povo predileto. E embora a maternidade diga dor, mas sentirá a alegria toda divina de ver sair de dentro da dor os filhos da minha Vontade. Por isso repete sempre os teus atos, e não recues, o retroceder é dos vilões, dos medíocres, dos inconstantes, não dos fortes, muito menos dos filhos da minha Vontade”.

31-14
Novembro 6, 1932
Deus faz ações e não palavras. Quem trabalha na Divina Vontade trabalha na eternidade, quem trabalha fora dela atua no tempo. As palavras de Jesus são obras.

(1) Minha pequena mente se sentia cheia das doces lições de meu amável Jesus, e pensativa
queria suscitar-me dúvidas e temores, e se bem sei que quando Jesus quer, faz chegar à alma
onde quer e como quer, nem há leis para Ele, nem se faz ditar leis por ninguém, nem presta
atenção aos interesses humanos, mas bem faz sempre coisas novas para confundi-los, nem
permite que ninguém se adiante à potência de seu amor, quem quer que seja, por quantas dúvidas e dificuldades possam dizer e fazer, ao contrário, zomba deles e os faz permanecer em seu dizer e realiza os fatos com a alma que escolheu, mas com tudo isso, minha fragilidade recordava minhas dolorosas vicissitudes e me sentia perturbada e dizia: “Quem sabe quantas dúvidas surgirão sobre este modo de falar de Jesus”. E me sentia toda aflita e oprimida, mas Jesus que vigia minha pobre alma, repetindo sua visita, com toda bondade me disse:

(2) “Filha bendita, não se preocupe com nada, minha Vontade tem a virtude de fazer morrer tudo aquilo que a Ela não pertence, e de mudar em vida de luz as mesmas fraquezas e misérias da criatura, tudo o que te digo não é virtude dela, mas é virtude e poder da minha Vontade que tudo pode; a minha Vontade é simbolizada pelo sol, que, à medida que se liberta as trevas, as faz
desaparecer e morrer, e à medida que investe a terra, assim dá a todas as coisas a sua vida de
luz, assim o meu Querer, enquanto a criatura se faz investir pela potência de sua luz, bem as
trevas a deixam, seus males morrem e são mudados em vida de luz, e quem isto não entende
significa que é analfabeto, e por isso não entende nem o que é minha Vontade, nem o que pode
fazer, nem onde pode chegar quem vive nela e que se faz investir de sua luz. Por isso deixa-os
falar, Eu farei as obras e eles ficarão com as palavras, se não fizeram um estudo profundo, o que
queres que compreendam? Talvez sejam sábios, doutores de outras coisas, mas de minha
Vontade serão sempre ignorantes, por isso deixemo-los de lado e pensemos em fazer não
palavras, mas fatos verdadeiros.
(3) Você deve saber que quem atua em minha Divina Vontade, suas obras, seus atos, suas
adorações, seu amor a Deus, vêm feitos e formados no âmbito da eternidade, porque minha Divina Vontade é eterna, e tudo o que se pode fazer nela não sai de dentro da eternidade, e ficam
confirmadas para sempre como obras, adorações, amor divino e perene, se podem chamar obras da criatura transfundidas em Deus, nas quais o próprio Deus operou, o humano não entra nem no Querer Divino nem na eternidade, e se entra deve perder a vida para readquirir a vida e as obras do próprio Deus, por isso quem vive em nosso Querer é visto por Nós não no tempo, mas na eternidade, e por decência e honra nossa, seus atos devem ser atos nossos, seu amor, nosso amor. Sentimos que a criatura vem em nosso Querer para nos dar a ocasião de nos fazer agir e de lhe dar nosso amor para nos fazer amar com nosso mesmo amor. Tudo deve ser nosso e tudo o que faz deve ser cunhado com a imagem do seu Criador, ao contrário quem trabalha fora da minha Vontade Divina age no tempo, ama, adora no tempo, vem visto no tempo, e tudo o que se faz no tempo, são obras sem confirmação, pelo contrário, devem esperar pelo julgamento para serem confirmadas ou condenadas, ou então purificadas pelo fogo do purgatório, e são vistas como obras de criaturas nas quais pode faltar plenitude de santidade, plenitude de amor e plenitude de valor infinito. Todo o contrário para quem vive e trabalha em nossa Vontade, sendo atos nossos, tudo é plenitude de santidade, de amor, de beleza, de Graça, de luz e de Valor infinito. Há tal distância entre um e o outro, que se todos a compreendessem, oh! como estariam atentos a viver em nosso Querer, a fim de que ficassem vazios do ato humano e cheios do ato constante de uma Vontade Divina. Por isso atenta-te, e não faças nada que não seja peneirado e esvaziado pela luz da minha vontade, e me darás o sumo contento de me pores em ação, e de me fazeres agir como o Deus que sou. Por isso n‟Ela espero-te sempre, para dar o passo para te vir ao encontro, para te estender os braços, a fim de que opere em ti, para abrir a boca e entreter-me contigo em doce conversação para te manifestar os arcanos secretos do meu Fiat Supremo”.
(4) Depois disto estava pensando em tudo o que meu sumo Bem Jesus me havia dito, como se
quisessem surgir em mim dúvidas e dificuldades, e Ele com uma maestria indescritível me disse:
(5) “Minha boa filha, não te admires do que te digo, tudo é possível à minha Vontade, o impossível não existe, desde que a criatura se faça conduzir por Ela tudo está feito. Tu deves saber que tudo o que te digo deve servir para formar, ordenar, harmonizar o reino da minha Divina Vontade; estou repetindo o modo que tive na Criação: „Pronunciava o Fiat e calava, e se bem dizem dias, naqueles tempos o dia não existia, portanto podiam ser também em épocas em que formei a grande máquina do universo, falava e operava, e era tanta minha complacência da obra que produzia minha palavra, que com um Fiat meu me dispunha e me arrebatava outro Fiat meu, e depois outro mais, tanto que meu Fiat só se deteve quando viu que nada faltava a sua obra, mas bem tudo era suntuosidade, beleza, ordem e harmonia, e para alegrar-me minhas obras fiquei como vida e fazendo guarda a mim mesmo Fiat. Meu próprio Fiat com seu poder me amarrou em minhas obras, e me fez inseparável delas. O todo está em pronunciar meu primeiro Fiat, dar minhas primeiras lições, depositar na alma a potência e a obra de meu Fiat, e quando comecei, posso dizer que não me detenho mais, até terminar a obra. O que terias dito se eu tivesse feito a Criação a meio? Não teria sido uma obra digna de Mim, nem um amor exuberante o meu, por isso um Fiat atrai e arrebata ao outro, forma na criatura o vazio onde põe a ordem, a harmonia do meu Fiat que age, a dispõe e se impõe sobre Mim para fazer-me dar outras lições, para poder formar tantos atos juntos, os quais unidos entre eles formam a nova criação mais bela, mais esplendorosa que a máquina do universo, a qual deve servir para o reino de minha própria Vontade. Por isso cada palavra minha é uma obra, é um desabafo de amor a mais, é um pôr fim ao meu primeiro Fiat começado, o qual, dando a mão o primeiro e o último que será pronunciado, formarão a trama da nova criação do meu reino no fundo da alma, que será transmitido à posteridade, portador do mesmo universo, de bens, de santidade, de graças às gerações humanas. Veja então o que significa uma palavra a mais, uma palavra a menos, uma lição a mais, uma lição a menos. São obras, as quais se não vêm recebidas, com não levá-las em conta, meu Fiat não atrai e arrebata a pronunciar outros Fiat, e portanto não será completa, e Eu esperarei e repetirei minhas lições, e se as repito é sinal de que não tiveram em conta o que te disse, e eu não quero que falte nada, porque está estabelecido tudo o que devo dizer-te sobre minha Vontade. Por isso seja atenta e deixe-me fazer o que quero”.
(6) Depois disto estava pensando no que está escrito no início deste capítulo, isto é, que quem
trabalha na Divina Vontade trabalha na eternidade, quem trabalha fora dela trabalha no tempo, e pensava entre mim: “E por que esta grande diferença?” E o meu sumo amor Jesus acrescentou:
(7) “Minha filha, é fácil compreendê-lo. Suponha que lhe fosse dado um metal de ouro, com o qual você, trabalhando-o, formaria tantos belos objetos de ouro, mas se em vez do ouro lhe fosse dado um metal de cobre, de ferro, você não poderia trocar o cobre e o ferro em metal de ouro, portanto faria objetos de cobre, ou de ferro. Agora compare os objetos de ferro com os de ouro, qual é a diferença de valor? Se bem que tenha gasto o mesmo tempo em trabalhá-los, tem feito objetos similares, mas pela diversidade do metal, os de ouro superam de modo surpreendente em valor, em beleza, em finura, aos de ferro. Agora, quem ainda faz o bem com a sua vontade humana, visto que se encontra no tempo vivendo a sua vida, pode-se dizer que tudo o que faz são obras temporais, sujeitas a mil misérias, serão sempre obras humanas de mínimo valor, porque lhes falta o fio de ouro de luz da minha Vontade. Ao contrário, quem trabalha nela, terá o fio de ouro em seu poder, não somente isto, mas terá a seu Criador que age em seu ato, terá não o tempo, mas a eternidade em seu poder. Portanto a diferença entre a Vontade Divina e a humana, não há comparação entre uma e outra. É propriamente isto viver em minha Vontade, Ela tem o ato primeiro e que age na criatura, faz como um professor que quer desenvolver o tema que deu a seu aluno, ele mesmo lhe dá o papel, lhe põe a pena na mão, põe a sua mão sobre a mão do aluno e desenvolve o tema, escrevendo juntamente a mão do professor e a do aluno. Agora, não se deve dizer que o professor esteve trabalhando, e pôs naquele tema sua ciência, sua bela caligrafia, de modo que nenhum poderá encontrar sombra de defeito? No entanto, o aluno não se afastou, recebeu a obra do professor, fez-se conduzir a mão sem nenhuma resistência, mas bastante feliz ao ver as belas idéias, os preciosos conceitos em que se sentia arrebatar. Agora não se deve dizer que o afortunado aluno possui o valor, o mérito do trabalho de seu professor? Assim acontece a quem vive em minha Vontade: a criatura deve receber o ato que quer fazer meu Querer, não se deve fazer a um lado, e Ela deve pôr o necessário que convém a seu ato divino, e é tanta nossa bondade, que a fazemos possuidora de nossos mesmos atos. Ao contrário, a quem não vive em nosso Querer, acontece como quando o professor dá o tema a seu aluno, mas não se faz ele ator do tema do aluno, deixa-o à sua liberdade, de modo que pode cometer erros e o faz segundo sua pequena capacidade, porque não sente sobre e dentro de si, nem a capacidade, nem o ato que age de seu professor, e o tema não é outro, porque nossa Graça não deixa jamais à criatura mesmo no pequeno bem que faz, e segundo as disposições da criatura, se presta ou como ato que age, ou como ato assistente, porque não há bem que se faça que não venha ajudado e sustentado pela Graça Divina”.

32-14
Junho 15, 1933

A intenção forma a vida da ação, forma o véu para esconder a ação divina. O ator escondido.

(1) Minha pobre mente está sempre ocupada pelo Fiat Divino, que não só quer fazer-se vida, mas
também alimento, porque não basta a vida, pois sem ter com que saciar a fome, seria morrer de
fome. Eis por que frequentemente me dá o alimento suculento e celestial de alguma outra verdade
que diz respeito ao Querer Divino, a fim de que não só me alimente, mas que faça crescer sua Vida
em mim, e oh! quantas vezes sinto a necessidade de que o bendito Jesus me diga alguma coisa
que diz respeito a seu Querer, porque me sinto morrer de fome, e meu amável Jesus, porque Ele
mesmo quer e me dá esta fome, ao visitar minha pequena alma me disse:
(2) “Minha filha, teu desejo de ser alimentada por minha palavra alimentadora fere-me o coração, e
Eu, ferido, corro a ti para te dar meu alimento divino que só Eu posso te dar. Minha palavra é vida e
forma em ti a Vida Divina, é luz e te ilumina e fica em ti a virtude iluminadora que te dá sempre luz,
é fogo e te faz surgir o calor, é alimento e te alimenta.
(3) Agora, você deve saber que Eu não olho a ação externa da criatura, mas a intenção que forma
a vida da ação, ela é como a alma da ação, ela se torna como o véu da intenção. Acontece como a
alma ao corpo, que não é o corpo que pensa, que fala, palpita, age e caminha, mas a alma dá vida
ao pensamento, à palavra, ao movimento, assim que o corpo é véu da alma, a cobre e se faz
portador dela, mas a parte vital, a ação, o passo, é da alma. Tal é a intenção, verdadeira vida das
ações. Agora, se você chama a minha Divina Vontade como vida de sua mente, como batida de
seu coração, como ação de suas mãos e assim de todo o resto, você formará a vida da inteligência
de minha Vontade em sua mente, a vida de suas ações em suas mãos, seu passo divino em seus pés, de modo que tudo o que fizer servirá de véu à Vida Divina que com sua intenção formou no
interior de seus atos, mas que coisa é esta intenção? É a tua vontade que fazendo um apelo à
minha se esvazia de si mesma, e forma o vazio em seu ato para dar o posto à ação da minha
vontade, e fazendo-se véu esconde nas ações, mesmo nas mais ordinárias e naturais, a ação
extraordinária de um Deus, tanto que de fora se veem ações comuns, mas se o véu do querer
humano for retirado, a Virtude que opera a ação divina se encontra cerrada, e isto forma a
santidade da criatura, não a diversidade das ações, não as obras que fazem rumor, não, mas a
vida comum, as ações necessárias da vida, das quais a criatura não pode prescindir, todas são
véus que podem esconder nossa Vontade, e fazer-se campo onde Deus mesmo se abaixa para
fazer-se autor oculto de suas ações divinas. E assim como o corpo vela a alma, assim a vontade
vela a Deus, esconde-o e forma, através de suas ações ordinárias, a cadeia das ações
extraordinárias de Deus em sua alma. Por isso seja atenta, chama em tudo o que fazes à minha
Vontade, e Ela não te negará jamais seu ato, para formar em ti, quanto a criatura é possível, a
plenitude de sua santidade”.

33-14
Abril 28, 1934

A Divina Vontade em cada ato que faz, chama todas as criaturas para dar o bem que seu ato contém. Exemplo do sol.

(1) Estou sempre em minha querida herança do Fiat, sinto seu doce império que me tem absorvida
e tão investida, que não me deixa tempo para me doer das privações do meu amado Jesus, para
mim muito dolorosas. A multiplicidade e infinidade de seus atos contínuos se impõem sobre mim,
para me manter presente e participar do bem que contêm e me dizer quanto me amam, e me
perguntar: E você, quanto nos ama? Então minha mente se perdia e ficava arrebatada ao ver que
sempre queria me dar do seu, e por isso me queria presente em seus atos; que bondade, que
amor! Depois, meu Soberano Jesus, me surpreendeu e disse:
(2) “Minha pequena filha de meu Querer, teu Jesus tem o trabalho de manifestar os segredos de
minha Vontade Divina, e manifestar seu amor que dá, porque não sabe estar nem pode estar se
não dá do seu de maneira contínua à criatura. Tu deves saber que quando minha Vontade faz um
ato, chama em seu ato todas as criaturas, as quer a todas Consigo para dar a cada uma o bem que
possui aquele ato, assim que todas são encerradas em seu ato, e recebem o bem da herança
divina, com esta diferença, que quem está em nossa Vontade voluntariamente e por amor, dele fica
possuidora, e quem não está, o bem não fica perdido, senão que espera a sua herdeira, quem
sabe se decide a fazer vida em nossa Vontade para dar-lhe a possessão, e por generosidade toda
divina lhe damos o interesse do bem que lhe tínhamos designado, isto é, os efeitos, para fazer que
não morra de fome dos bens de seu Criador, porque nossa Vontade possui em natureza a virtude
universal, e por isso em cada ato seu chama a todos, abraça todos, envolve todos, e dá todos os
seus bens divinos. Símbolo e imagem é o sol, que tendo sido criado por meu Fiat com sua virtude
universal, dá sua luz a todos, não a nega a ninguem, e se alguém não quiser tomar o bem de sua luz, o sol não destrói a luz que a esse tal pertence, nem a pode destruir, mas espera até que esse
tal se decida a tomar o bem da luz, e então não se nega, rápido se dá, e até que não se decida a
tomar diretamente o bem da luz, lhe dá o interesse por outras coisas criadas nas quais o sol tem
seu ato primeiro, em todas as coisas criadas, a um dá a fecundidade e a maturação, a outro o
desenvolvimento e a doçura, não há coisa criada à qual o sol não lhe dê do seu, por isso a criatura
tomando o alimento, servindo-se das plantas, toma os efeitos e os interesses que lhe dá a luz que
a ele pertence e que voluntariamente não toma. Mais que sol é minha Vontade, em todos os atos
que faz chama e tem presentes todas as criaturas, e a todas dá seus bens divinos.
(3) Agora quem vive em nossa Vontade, como possui como sua propriedade o bem que em cada
ato meu Querer lhe deu, sente em si a natureza do bem, já que o bem está em seu poder; a
bondade, a paciência, o amor, a luz, o heroísmo do sacrifício estão a sua disposição, e se tem a
ocasião de exercitá-los, sem esforço os exercita, e se não tem a ocasião de exercitá-los possui-os
sempre, como tantas nobres princesas que formam a honra, a glória das propriedades que lhe deu
minha Vontade. Acontece como ao olho que possui a vista, se é necessário que veja, que se ajude
com a vista, o faz, se não é necessário não perde a vista, mas tem seu olho como glória e honra
porque possui seu olho que vê. Possuir minha Vontade e não possuir as virtudes como em sua
natureza, é quase impossível, seria como um sol sem calor, como um alimento sem substância,
como uma vida sem batimento cardíaco. Por isso quem possui minha Vontade possui tudo, como
dons e propriedades que leva consigo meu Querer Divino”.

34-14
Novembro 3, 1936

Reflexos entre o Criador e a criatura. Inseparabilidade entre ambos. Deus a cada instante
pede à criatura que receba a Vida de sua Vontade. Quem se decide a viver d’Ela, Deus cobre tudo o que tem feito com sua Vontade Divina.

(1) Estou sempre entre os braços do Querer Divino, sinto sua Potência criadora dentro e fora de
mim, que não dando tempo a nenhuma outra coisa, não quero, não peço outra coisa para mim e
para todos, senão que venha a reinar a Divina Vontade sobre a terra. Meu Deus, que força
magnética possui, que enquanto se dá tudo, investe por toda parte, mas ao mesmo tempo toma
tudo o que pertence à pequenez da pobre criatura. Enquanto minha mente estava imersa na
multidão de tantos pensamentos a respeito do Fiat Divino, meu sempre amável Jesus, visitando
minha pequena alma, todo bondade me disse:
(2) “Minha filha bendita, nosso amor infinito é sempre excessivo e chega ao incrível, basta dizer-te
que é tanto, que não fazemos outra coisa que refletir continuamente na criatura, ela vive sob
nossos contínuos reflexos: Se nos movemos, nosso movimento incessante reflete nela para dar-lhe
vida; nosso amor reflete nela para dizer-lhe continuamente ‘te amo’; nossa força reflete nela para
sustentá-la; em suma, nossa sabedoria reflete e a dirige, nossa luz reflete e a ilumina, nossa
bondade reflete e a compadece, nossa beleza reflete e a embeleza, nosso Ser Supremo se volta
sem cessar jamais sobre a criatura; mas isto não é tudo, assim como Nós refletimos nela, assim ela
reflete em Nós, assim que se pensa sentimos o reflexo de seus pensamentos, se fala reflete em
Nós sua palavra, sentimos o reflexo de seu batimento até em nosso seio, o movimento de suas
obras, o pisar de seus passos; há tal inseparabilidade entre o Ser Divino e o humano, que
continuamente um se derrama no outro; é tanto nosso amor, que nos colocamos em condições
como se não pudéssemos estar sem a criatura. Mas isto não é nada ainda, se nosso amor não dá
em excessos, não se contenta; agora, sabendo que se a criatura não possui a Vida de nosso
Querer Divino há grande diferença entre seus reflexos e os nossos, pondo-se Ele em atitude de
amor suplicante, quando a criatura pensa lhe roga que faça reinar nossa Vontade em sua mente,
se fala lhe suplica que a faça reinar em suas palavras, se pulsa, age e caminha, lhe suplica que
faça reinar em tudo à minha Divina Vontade, em suma, em cada coisa que faz tem um gemido, um
suspiro, uma oração, que envolvendo-a continuamente lhe diz: ‘Receba meu Fiat, faça-te investir por meu Fiat, ah! possui o meu Fiat, faz-me ver em ti a Vida do meu Fiat reinante, dominante e
festivo, rogo-te que não me negues o teu querer, e Eu te darei o meu’. E se o obtém, como se
tivesse obtido a coisa mais preciosa, encerra-o em seu amor, vela-o com sua luz, e dá início a sua
festa perene na criatura, muda seus gemidos e suspiros em alegrias, e pondo-se em guarda, como
triunfante escuta nela as notas de seu amor, Nós nos amamos com um só amor, temos e fazemos
a mesma Vida, seu Fiat é seu e meu’. Então surge nela a harmonia, a ordem do seu Criador.
Nossa Vontade, nosso amor obteve seu propósito, não lhe resta outra coisa que gozar a sua
amada criatura. Por isso minha filha, nos importa tanto o dar nossa Vontade como vida, que é
nosso longo suspiro de todos os séculos, mais bem nosso suspiro eterno, que almejamos a criatura
com o portento de nossa Vida nela, sentíamos a alegria, a felicidade de tantas vidas nossas
bilocadas, multiplicadas e formadas nelas. De outra maneira não teria sido grande coisa a Criação,
e se tantas coisas criamos e tiramos à luz do dia, foi porque deviam servir ao portento dos
portentos de formar em virtude de nosso Fiat nossa Vida na criatura, e se isto não fora, teria sido
para nós como se nada tivéssemos feito. Por isso alegra a teu Jesus, dá paz a meu amor que dá
sempre em delírio, e unificando-te Comigo, suspira, roga, pede que minha Vontade reine em ti e
em todos”.
(3) E enquanto dizia isto, pegava num véu de luz e cobria-me toda, e eu não sabia sair de dentro
dele. Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e oh! quantas doces e queridas
surpresas passavam por minha mente, oh! se soubesse dizê-las com palavras deixaria
surpreendido a todo o mundo, e todos amariam possuir a Divina Vontade, mas ai de mim! a
linguagem do Céu não se adapta à linguagem da terra, e por isso sou obrigada a seguir adiante, e
meu amado Jesus retornando a sua pequena e pobre filha ignorante, com um amor indescritível
me disse:
(4) “Filha do meu Querer, escuta-me, presta-me atenção, quero dizer-te o ato mais belo, mais
terno, e de amor intenso do meu Fiat; tu deves saber que todos os atos, pensamentos, palavras,
passados, presentes e futuros, estão todos presentes diante do Ente Supremo, então a criatura
ainda não existia no tempo, e suas ações brilhavam diante de Nós, e por que isso? Porque o ato
primeiro da criatura o faz meu Fiat, não há pensamento, palavra, obra, que meu Fiat não inicie.
Pode-se dizer que primeiro está formada em Deus com todos os seus atos, e então a levamos à
luz do dia. Agora, a criatura com sua vontade se separa dos atos divinos, mas não pode destruir
que a vida de seus atos tenha tido por princípio o Fiat, todos eram sua propriedade, mas que
tomando sobre ela os direitos mudou em humanos os atos divinos, mas se o homem não sabe
quem deu a vida a seus atos, meu Querer não desconhece seus atos. Assim que escuta o maior
excesso do Amor de meu Querer: Enquanto a criatura se decide com firmeza imutável a querer viver de minha Vontade, fazendo-a reinar e dominar nela, nossa Bondade infinita é tanta, nosso
Amor que não sabe resistir a uma decisão verdadeira da criatura, muito mais que não quer ver atos
diferentes do nosso nela, cobre tudo o que fez até então com a minha Vontade, modela-os,
transforma-os em sua luz, de modo que vê que com o prodígio do seu Amor transformante tudo é
sua Vontade na criatura, e com Amor todo Divino continua formando sua Vida e seus atos na
criatura. Não é isto um amor excessivo e assombroso de meu Querer, e ao mesmo tempo, para
fazer decidir a todos, inclusive aos mais ingratos a fazer viver minha Vontade neles, sabendo que
quer pôr tudo a um lado e cobrir e suprir o que falta de minha Vontade neles? Isto diz também
absolutamente que a nossa Vontade quer reinar no meio das criaturas, que não quer prestar
atenção a nada, nem a que lhes falta, querendo dar não como pagamento que vai buscando se o
merece ou não, senão como dom gratuito de nossa grande liberalidade, e como cumprimento de
nossa mesma Vontade. E o cumprir nossa Vontade, para Nós é tudo”.

35-14
Outubro 31, 1937

Um ato de Vontade Divina contém tal poder e amor, que se Deus não fizesse um prodígio, a criatura não poderia conter este ato infinito. O passaporte.

(1) Minha pobre mente continua navegando o mar do Querer Divino, me parece que quer dizer
sempre coisas novas do que quer e pode fazer na criatura onde Ele reina. E como o doce Jesus
sente muito deleite ao falar de sua Vontade, enquanto vê a criatura disposta, que quer ouvir sua
história, toma a primeira parte de narrador para fazê-la conhecer e amar, por isso repetindo sua
breve visita me disse:

(2) “Minha filha, se te quisesse falar sempre de meu Fiat, teria sempre coisas novas para te dizer,
porque sendo eterna sua história, não termina jamais nem o que é em Si mesmo, nem o que pode
fazer na criatura. Agora, você deve saber que um ato de minha Vontade na criatura contém tal
poder, graça, amor, santidade, que se meu Querer não operasse um prodígio a criatura não
poderia contê-lo, porque é um ato infinito, e ao finito não lhe é dado abraçar tudo. Escuta até onde
chega seu amor, assim que a criatura se presta, chama-a em seu ato, minha Vontade Divina age, e
ao agir chama a sua infinitude, a sua Vida eterna, a sua potência que sobretudo se impõe, a sua
imensidão que chama e abraça a todos e a tudo, nenhum se pode pôr à parte do seu agir, e
quando tudo está encerrado, minha Vontade forma a sua obra. Veja então que coisa é um ato
d‟Ela, é um ato infinito, eterno, armado de poder divino, tão imenso que nenhum pode dizer eu não
estava naquele ato. Agora, esses atos não podem ficar sem produzir uma grande glória divina a
nossa Majestade Suprema e um bem imenso às criaturas, e como são atos feitos junto com a
criatura, agem como Deus e atam a Deus e à criatura, a Deus para dar e à criatura para receber,
são como pretextos a nosso amor, o que nos diz: „A criatura nos deu lugar em seu ato, nos deu a
liberdade de fazer o que queremos’. Por isso nosso amor se impõe sobre Nós para fazer-nos dar o
que somos, também para honrar a Nós mesmos e por honra de nossa Vontade obrante. Nosso
amor chega a tais pretextos e delirios de amor, que não quer que jamais terminemos de dar, e nos
põe diante de nossa imensidão que não termina, nossa potência que tudo pode dar, nossa
sabedoria que tudo pode dispor; estes atos são atos divinos e podem formar o passaporte às
demais criaturas para fazê-las entrar no reino de nosso Querer, estes atos darão filhos a nosso
reino, assim que por quantos mais atos sejam feitos n‟Ele, mais será povoado, e todo o bem
redundará naqueles que foram os primeiros a dar vida a minha Vontade em seus atos. Agora, tu
deves saber que os primeiros passaportes foram formados por Mim e por minha Mãe Celestial aos
primeiros filhos de meu Querer, os quais contêm minha assinatura escrita com meu sangue e com
as dores da Virgem Santíssima; em todos os outros passaportes também corre minha assinatura,
de outra forma não seriam reconhecidos. Por isso quem vive em meu Querer tem por princípio
minha Vida, por batimento meu amor, por dote minhas obras e passos, por palavra minha mesma
Vontade, sinto-me a Mim mesmo nela, e oh! como a amo e me sinto correspondido com meu
mesmo amor, e a alma sente tal alegria e contentamento porque me ama não mais com seu
pequeno amor, senão com meu eterno amor, me abraça com minhas obras, corre a meu lado com
meus passos, sente que sua vida sou Eu, tudo encontra em Mim, e Eu encontro tudo nela. Por isso
seja atenta minha filha se queres fazer-te e fazer-me feliz”.
(3) Depois disto me sentia um pouco mais sofredora, e tossia forte, e a cada golpe de tosse pedia
que a Divina Vontade viesse a reinar sobre a terra, e meu amado Jesus, todo ternura, me apertou entre seus braços dizendo:
(4) “Minha filha, Eu sabia que a cada golpe de tosse me pedirias minha Vontade, e meu coração
me sentia ferido e estourado de amor, e me sentia dar em teu tossir minha imensidão que me
envolvia e me pedia minha Vontade, sentia minha potência e minha infinitude que me faziam pedir
por todos minha Vontade reinante, então Eu era obrigado a dizer: „Minha vontade, venha reinar,
não demore mais‟. Sinto tanta violência que não faço outra coisa que fazer e dizer o que faz e diz a
criatura, por isso quero que me peça minha Vontade em suas penas, no alimento que toma, na
água que bebe, no trabalho que faz, no sonho, quero que empenhes o teu fôlego e teu batimento
em pedir-me que a minha Vontade venha reinar. Então tudo será para você ocasião de pedir-me a
minha Vontade, também no sol que enche de luz os teus olhos, no vento que sopra sobre ti, no céu
que vês estender-se sobre a tua cabeça, tudo deve ser para ti ocasião de pedir-me a minha
Vontade reinante no meio das criaturas; com isto me porás tantas roupas em minhas mãos, e a
primeira peça será todo teu ser, porque não te moverás se não me pedires que minha Vontade seja
conhecida e suspirada por todos”.

 

36-14
Junho 16, 1938

Como o Querer Divino quer dar sempre à criatura, e quer receber; entrega de ambas as
partes, direitos que perde e impérios que adquire. Como Deus encontra tudo no ato feito em Sua Vontade.

(1) Meu voo no Querer Divino continua, sinto que não me dá tempo, mas que sempre quer me dar
do seu, mas quer também receber sempre o meu, e se não tenho o que dar, porque sou o puro
nada, quer minha vontade em ato de dá-la sempre, e esta é toda sua felicidade: Receber como
dom a vontade da criatura, e se for necessário, quer as mesmas coisas que deu para receber
sempre, e contenta-se em recebê-las para dá-las novamente, mas duplicadas com novo amor, com
nova luz, com nova santidade. Oh Vontade Divina, quanto me amas e quanto te queria amar! Eu
me sentia abismada no Fiat, e meu sempre amável Jesus, visitando minha pequena alma, todo
bondade me disse:
(2) “Minha pequena filha de minha Vontade, você não sabe até onde me faz chegar meu amor por
quem vive n’Ela, quantas invenções me faz fazer e quantas combinar, chego a lhe fazer novas
surpresas para ter sempre o que fazer com ela, e para tê-la sempre surpreendida e ocupada de
Mim, não lhe dou tempo, hora lhe digo uma verdade, hora lhe faço um dom, hora lhe faço ver nossa beleza que a arrebata, nosso amor que geme, que arde, que delira porque quer ser amado,
em suma, não lhe dou tempo, mas o que mais quero, é que também ela não dê tempo a Mim,
quero sempre dar. Agora escuta o que faço para dar e receber sempre, chamo a criatura a viver
em minha Vontade e faço-lhe dom de sua santidade, de sua luz, de sua Vida, de seu amor, de
suas alegrias infinitas, por quanto ela possa conter; depois de que viveu por algum tempo,
encontrando-a fiel, vou ter com ela e digo-lhe: ‘Entrega-me o que te dei’. E ela que quer fazer-me
ver quanto me ama, sem hesitar um instante, dá-me prontamente tudo, até o seu fôlego, o seu
batimento, o seu movimento, tudo, tudo me dá, nada fica para si, e fica feliz por ter dado tudo ao
seu Jesus. Eu tomo tudo, olho e volto a olhar o que me deu para me alegrar e felicitar-me em seus
dons, coloco-os em meu coração para me alegrar como propriedade de minha filha. Mas você acha
que Eu fico feliz? Por parte da criatura, sim, fico contente, mas por parte minha, não, jamais, meu
amor não me dá paz, cresce, transborda e me faz dar nos excessos maiores, e sabe o que faço?
Faço a entrega do meu Ser à minha amada criatura, duplico-lhe tudo o que me deu, dou-lhe amor,
luz, santidade em dobro, entrego-lhe o meu respiro, meu movimento, minha própria Vida, de modo
que respiro em seu respiro, me movo em seu movimento, amo em seu amor, não há nada que não
faça nela. Fazer algo sem ela não o quero, me sentiria como se não a amasse em todas minhas
coisas, e isto a meu amor seria insuportável, a quem me deu tudo devo dar tudo; e te parece pouco
que teu Jesus te entregue sua Vida para te fazer viver de Mim, e me faça entregar a tua para viver
de ti? E tudo isto quase para encontrar pretextos para poder dar sempre e receber sempre, para ter
ocasião de lhe dizer a minha longa história da minha Vontade e a minha eterna história de amor; e
isto não para lhe dar uma simples notícia, para lhe fazer ver como sou bom, santo, poderoso, mas
sim para dotá-la de meu amor, de minha Vontade, de minha santidade, bondade e beleza minhas.
Não é isto um amor excessivo que dá no inacreditável? O somente querer tê-la Comigo já é meu
maior amor, porque se a quero ter Comigo é porque quero dar-lhe do meu, e como ela não tem
nada que seja digno de Mim, dou-lhe do meu a fim de que fazendo-o seu me possa dizer: ‘Tu me
deste, e eu te dou’. Não é isto um amor para amolecer e enternecer os corações mais duros? Só
seu Jesus pode e sabe amar desta maneira, ninguém pode dizer que pode me igualar em meu
amor. E Eu, isto só posso fazer com quem vive em meu Querer, porque cada ato que faz n’Ele é
um sol que surge com toda a plenitude da glória e da santidade, e Eu vou refugiar-me nestes sóis
para deleitar-me e tomar repouso, e encontrando a minha amada criatura investida por estes sóis,
como me parece bela, muito mais que vivendo em meu Querer nada há de humano nela, perde os
direitos sobre sua vontade e sobre tudo o que é humano, todos os direitos sobre seu querer são
nossos, e ela adquire o império sobre tudo o que é divino. E, oh! como é belo, como estamos
contentes e felizes ao vê-la imperar com direito sobre tudo o que nos pertence, impera sobre nosso amor e toma dele quanto quer para nos amar, e impera sobre este nosso amor para fazer-se amar;
impera sobre nossa sabedoria e nos faz dizer coisas, verdades jamais ditas de nosso Ser
Supremo; impera sobre nossa bondade e nos faz chover mais que chuva benéfica sobre todas as
criaturas; seu império é doce e potente sobre nosso seio paterno e nos faz chegar a dizer: ‘Quem
te pode resistir nossa filha? O quer você, o queremos Nós’. Por isso, se queres tudo, não saias
jamais de nossa Vontade, tudo será teu e tu serás toda nossa”.
(3) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, em suas grandes maravilhas, e em como
às vezes, enquanto se navega seu mar, tudo é serenidade, paz profunda, seu sol divino
resplandecente de luz, mas tudo é silêncio, e como sua palavra é vida, a criatura sente a falta da
nova vida que queria receber. Mas enquanto pensava assim, o meu doce Jesus acrescentou:
(4) “Minha filha, o sol do meu Querer fala sempre, a luz não se cala, fala com o seu calor, com a
sua fecundidade e ao imprimir na alma que vive n’Ele as suas variadas belezas; e além disso estou
Eu, que sou o portador da sua palavra, e que me desviando da inteligência humana, facilito com
palavras mais adaptáveis a altura da palavra da luz de meu Fiat, por isso onde reina não pode
calar-se, tem seu dizer contínuo, ou por caminhos de luz ou por meio de minha palavra; ou melhor,
quando não estás atenta não ruminas bem, não comes, e portanto não digeres o que te digo,
então, não ruminando-o esqueces e dizes que não te disse nada. Agora, você deve saber que em
cada palavra ou ato feito em minha Vontade, vêm abraçados todos os séculos, todas as criaturas
são encerradas e estão presentes, o passado e o futuro não existem para Nós nem para quem vive
em nosso Querer, além disso, nossas verdades encerram todos os tempos, todos os séculos, e são
as portadoras de todas as criaturas no ato de quem vive em nosso Fiat, por isso encontramos
naquele ato a Nós mesmos, encontramos o amor e a glória que todos nos deveriam dar, por isso,
quando a criatura está por agir e por receber o ato trabalhador do Fiat Divino, os Céus se abaixam
por reverência e ficam admirados ao ver um Querer Divino trabalhador no ato humano, e todos se
sentem que tomam parte nesse ato. Assim que tudo encontramos no ato feito pela criatura em
nossa Vontade, encontramos nossa potência que nos honra como merecemos, nossa imensidão
que tudo encerra e põe tudo a nossa disposição, nossa sabedoria que nos exalta, com as notas
mais belas, nosso Ser Divino, aos anjos que nos louvam, aos santos que arrebatados repetem
‘santo, santo, três vezes santo o Senhor nosso Deus, que com tanta bondade age e faz alarde de
seu amor no ato da criatura’. Podemos dizer que nada nos falta, nossa glória é completa e nosso
amor encontra seu doce repouso e a correspondência perfeita. Por isso tanto suspiramos que viva
em nosso Querer, e nos parece como se não tivéssemos feito nada na Criação, porque nos falta o
ato maior que podemos fazer, qual é nossa Vida repetida no ato humano, no qual nos
encontraremos a Nós mesmos, encontramos tudo e todos. Não há bem que não daremos à nossa amada criatura, e não haverá amor e glória que ela não nos dará. Ela encontrará tudo o que quer
em Nós, e Nós encontraremos tudo nela. Filha, poder dar tudo e dar somente uma pequena parte
de nossos bens, é uma dor para Nós, é ter nosso amor restringido e impedido e só porque falta
nossa Vontade como vida na criatura; não poder receber tudo dela é a pena maior de nossa obra
criadora. Assim que o exige nosso amor, nossa potência e sabedoria, toda nossa obra criadora,
que a criatura viva em nosso Querer. Por isso não terminarão os séculos se nosso Fiat não formar
antes seu reino, e enquanto dominará dará todos os bens e dará o domínio destes seus bens às
gerações humanas. Por isso, rogai, e tua vida seja um ato contínuo de minha Vontade para obter
que venha a reinar”.

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