10-24
Junho 21, 1911
Não há santidade se a alma não morre em Jesus.
(1) Estava a pensar na Mãe Celestial, quando tinha o meu sempre amável Jesus morto nos seus braços, no que fazia e como se ocupava de Jesus. E uma luz acompanhada de uma voz dentro de mim dizia:
(2) “Minha filha, o amor operava potentemente na minha Mãe. O amor consumia-a toda em Mim, nas minhas chagas, no meu sangue, na minha própria morte e fazia-a morrer no meu amor; e o meu amor, consumindo o amor e toda a minha Mãe, fazia-a ressurgir de amor novo, ou seja, toda do meu amor. Assim que seu amor a fazia morrer, meu amor a fazia ressurgir a uma vida nova toda em Mim, de uma maior santidade e toda divina. Assim, não há santidade se a alma não morre em Mim; não há verdadeira vida se não se consome toda em meu amor”.
11-24
Junho 28,1912
No céu que é a alma, o Sol é Jesus.
(1) Continuando meu habitual estado, meu bendito Jesus veio e me disse:
(2) “Minha filha, a alma que faz minha Vontade é céu, mas céu sem sol e estrelas, porque o Sol sou Eu e as estrelas que embelezam este céu são minhas mesmas virtudes. Que belo é este céu, de fazer apaixonar qualquer um que o possa conhecer! E muito mais fico Eu apaixonado, porque como Sol me ponho no centro deste céu e vou tirando-o continuamente de nova luz, de novo amor, de novas graças. Belo este céu ao ver resplandecer o Sol, isto é quando me manifesto e acaricio a alma e o cúmulo dos meus carismas, a abraço, e tocado por seu amor desfaleço e me repouso nela, Todos os santos vêm em torno de Mim enquanto descanso e ficam surpresos ao olhar este céu onde Eu sou o Sol, e ficam extasiados por este portento prodigioso, que nem na terra nem no Céu se pode encontrar coisa mais bela, mais agradável para Mim e para todos. Belo este céu se o Sol se esconde, isto é se a privo de Mim, oh! Como se admira então a harmonia das estrelas, porque o ar deste céu não está sujeito a nuvens, a temporais, a tempestades, porque o Sol escondido está escondido no centro da alma, e seu calor é tão ardente que destrói as nuvens, temporais e tempestades. O ar deste céu é sempre tranquilo, sereno, aromático, as estrelas que mais resplandecem são paz perene e amor sem termo. Escondida, ou ela no Sol, e desaparecem as estrelas; ou o Sol nela, e então vê-se a harmonia das estrelas. Belo de qualquer maneira, este céu é a minha alegria, o meu repouso, o meu amor, o meu paraíso”.
12-24
Outubro 23, 1917
Primeiro ato que Jesus fez ao receber-se Sacramentado.
(1) Esta manhã, depois de ter recebido o bendito Jesus estava dizendo-lhe: “Minha vida Jesus, diga-me, qual foi o primeiro ato que fez quando recebeu a Si mesmo Sacramentalmente”.
(2) E Jesus: “Minha filha, o primeiro ato que fiz foi o de multiplicar minha Vida em tantas Vidas minhas por quantas criaturas possam existir no mundo, a fim de que cada uma tivesse uma Vida minha unicamente para ela, que continuamente reza, agradece, dá satisfação, ama, por ela sozinha, como também multiplicava as minhas penas por cada alma, como se só por ela sofresse e não por outros. Naquele momento supremo de receber-me a Mim mesmo, Eu dava a todos, e a sofrer em cada um dos corações minha Paixão, para poder subjugar os corações por meio de penas e de amor, e dando-lhes todo o meu divino, vinha a tomar o domínio de todos. Mas, ai de mim! meu amor ficou desiludido por muitos e espero com ânsia os corações amantes, que recebendo-me se unam Comigo para multiplicar-se em todos, desejando e querendo o que quero Eu, para tomar ao menos deles o que não me dão os outros, e para receber o prazer de tê-los conforme meu desejo e a minha vontade. Por isso minha filha, quando me receberes faz o que fiz Eu, e Eu terei satisfação de que ao menos sejamos dois que queremos a mesma coisa”.
(3) Mas enquanto dizia isto, Jesus estava muito aflito, e eu disse-lhe: “Jesus, que tens tu que estás tão aflito?”
(4) “Ai, ai, quantos males como torrente impetuosa inundarão os países, quantos males, quantos males! A Itália está a atravessar horas tristes, tristíssimas. Estreitem-se mais a Mim, estejam de acordo entre vós, rogai a fim de que os males não sejam piores”.
(5) E eu: “Ah! meu Jesus, que será do meu país? Não será que já não me queres como antes, porque me amando Tu perdoavas em algo os castigos”.
(6) E Ele quase chorando: “Não é verdade, te quero bem”
13-24
Outubro 16, 1921
Assim que Jesus foi concebido, fez renascer todas as criaturas n’Ele.
(1) Encontrando-me em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus me fazia ver como de dentro de sua Santíssima Humanidade saíam todas as criaturas, e toda ternura me disse:
(2) “Minha filha, olha o grande prodígio da encarnação, assim que fui concebido e se formou minha humanidade, assim fazia renascer todas as criaturas em Mim, assim que em minha Humanidade, enquanto renasciam em Mim, sentia todos seus atos distintos: Na mente continha cada pensamento de criatura, bons e maus, os bons confirmava-os no bem, rodeava-os com a minha graça, investia-os com a minha luz, a fim de que, renascendo da santidade da minha mente, fossem dignos partos da minha inteligência; os maus os reparava, fazia a penitência que lhes correspondia, Multiplicava os meus pensamentos ao infinito para dar ao Pai a glória por cada pensamento das criaturas. Em meus olhares, em minhas palavras, em minhas mãos, em meus pés e até em meu coração, continha os olhares, as palavras, as obras, os passos, os corações de cada um, e renascendo em Mim tudo ficava confirmado na santidade de minha humanidade, tudo reparado, e por cada ofensa sofri uma pena especial. E, tendo feito renascer todos em Mim, carreguei-os em Mim todo o tempo da minha vida, e sabes quando os tive? Os pari sobre a cruz, no leito de minhas acerbos dores, entre espasmos atrozes, no último suspiro de minha Vida, e assim como morri, assim renasciam todos a nova vida, todos selados e marcados com todo o obrar de minha humanidade; e não contente com tê-los feito renascer, a cada um dava tudo o que Eu tinha feito para tê-los defendidos e seguros. Vês a santidade que o homem contém? A santidade da minha humanidade, jamais teria podido dar à luz filhos indignos e ao contrário de Mim, por isso amo tanto o homem, porque é parto meu, mas o homem é sempre ingrato e chega a não conhecer o Pai que o pariu com tanto amor e dor”.
(3) Depois disto tudo se fazia ver em chamas, e Jesus ficou queimado e consumido naquelas chamas, e não se via mais, não se via outra coisa que fogo, mas depois se via renascer de novo, e depois ficava outra vez consumido no fogo. Então acrescentou:
(4) “Minha filha, Eu ardo, o amor me consome, é tanto o amor, as chamas que me queimam, que morro de amor por cada criatura. Não foi só pelas penas pelo que morri, senão que as mortes de amor são contínuas, não obstante não há quem me dê seu amor por refrigério”.
14-24
Abril 21, 1922
Efeitos da oração feita na Santíssima Vontade de Deus.
(1) Tudo o que escrevi e escrevi é somente para obedecer, e muito mais por temor de que meu Jesus, desgostoso, pudesse encontrar pretexto para me privar d’Ele, só Ele sabe quanto me custa. Agora, passei um dia sem Jesus, apenas alguma sombra sua, oh! Deus, que pena, e dizia entre mim: “Como tão depressa faltou à sua palavra de não me deixar! Oh! Santa Vontade Eterna, traz-me o meu sumo bem, o meu tudo”. E era tanta a pena que sentia, que me sentia consumir pela dor, mas neste estado tratava de fundir-me em seu Santo Querer. Enquanto estava nisto veio, fazendo-se ver que chorava amargamente, com o coração partido em muitos pedaços, eu ao vê-lo chorar pus a um lado a minha raiva e abraçando-o e secando-lhe as lágrimas lhe disse: “Que tens Jesus que choras? Diz-me, o que te fizeram?”
(2) E Ele: “Ah! minha filha, querem desafiar-me, é um horrível desafio que me estão a preparar, e isto pelos chefes; é tanto a minha dor que me sinto destroçado em pedaços o meu coração. Ah! como é justo que a minha justiça se descarregue contra as criaturas, por isso venha junto Comigo no meu Querer, fiquemo-nos entre o Céu e a terra e adoremos juntos a Majestade Suprema, abençoemo-la e prestemos-lhe homenagem por todos, a fim de que Céu e Terra possam encher-se de adorações, homenagens e bênçãos e todos possam receber os efeitos”.
(3) Então passei uma manhã rezando junto com Jesus em seu Querer, mas, oh surpresa! Enquanto rezávamos, uma era a palavra, mas o Querer Divino a difundia sobre todas as coisas criadas e em todas ficava sua marca; a levava ao empírico e todos os bem-aventurados não só recebiam a marca, senão lhes era causa de nova bem-aventurança; descia no subsolo da terra e até ao Purgatório, e todos recebiam os efeitos, mas quem pode dizer como se rezava com Jesus, e todos os efeitos que produzia? Então, depois de ter rezado juntos, disse-me:
(4) “Minha filha, viste o que significa rezar no meu Querer? Como não há ponto em que meu Querer não exista, Ele circula em tudo e em todos, é vida, ator e expectador de tudo; assim os atos feitos em meu Querer se tornam vida, ator e expectador de tudo, até da mesma alegria, bem-aventurança e felicidade dos santos, levam por toda parte a luz, o ar balsâmico e celestial que faz sair alegrias e felicidade, por isso não saia jamais de meu Querer, Céu e terra te esperam para receber nova alegria e novo esplendor”.
15-24
Maio 23, 1923
A Vontade de Deus é plenitude, e quem nela vive deve concentrar tudo em si.
(1) Suas privações continuam, e apenas tendo-se feito ver meu doce Jesus lhe disse:
(2) “Diz-me meu amor, em que te ofendi que foge longe de mim? Ah! meu coração sangra pela intensidade da dor”.
(3) E Jesus: “Acaso te desviaste da minha vontade?”
(4) E eu: “Não, não, o Céu me livra de tal desgraça”.
(5) E Ele: “E por que então me pergunta em que me ofendeu? A culpa entra quando a alma se subtrai de minha Vontade. Ah! minha filha, para tomar plena posse da minha Vontade deves concentrar em ti todos os estados de ânimo de todas as criaturas, e conforme passas um estado de ânimo, assim tomas o domínio. Isto aconteceu na minha Mãe e na minha Humanidade, quantas tristezas, quantos estados das almas estavam concentrados em Nós? Minha querida Mamãe muitas vezes ficava no estado da pura fé, e minha gemente Humanidade ficava como triturada sob o peso enorme de todos os pecados e penas de todas as criaturas, mas enquanto sofria ficava com o domínio de todos os bens opostos a esses pecados e penas das criaturas, e minha amada Mãe ficava Rainha da fé, da esperança e do amor, dominadora da luz, tanto de poder dar fé, esperança, amor e luz a todos. Para dar é necessário possuir, e para possuir é necessário concentrar em si aquelas penas, e com a resignação e com o amor mudar em bens as penas, em luz as trevas, em fogo as friezas. Minha Vontade é plenitude, e quem deve viver nela deve entrar no domínio de todos os bens possíveis e imagináveis, quanto a criatura é possível. Quantos bens não posso dar a todos, e quantos a minha inseparável mãe não pode dar? E se não damos demais é porque não há quem tome, porque tudo o sofremos, e enquanto estávamos na terra nossa morada foi na plenitude da Divina Vontade. (6) Agora cabe a você fazer nosso mesmo caminho e morar onde Nós moramos; você acredita que seja coisa de nada, ou como todas as outras vidas, ainda santas, o viver em Nosso Querer? Ah! Não, não, é o todo, aqui convém abraçar tudo, e se alguma coisa te escapa não podes dizer que vives na plenitude da nossa Vontade, por isso sê atenta e segue sempre o voo no meu Eterno Querer”.
16-24
Outubro 16, 1923
Para que a Divina Vontade desça à terra, é necessário que a vontade humana suba ao Céu, e para subir ao Céu é necessário esvaziá-la de tudo o que é humano.
(1) A dor da privação do meu Jesus concentra-se mais no meu pobre coração. Que longas noites sem Ele, sem Jesus me parecem noites eternas, sem estrelas e sem sol, só me resta se amável Querer onde me abandono e encontro meu repouso nas densas trevas que me circundam. E Jesus, Jesus, vem ao meu coração dilacerado, pois não posso mais sem Ti! Então, enquanto nadava no mar imenso da dor de sua privação, meu Jesus movendo-se dentro de mim, e segurando as minhas mãos nas suas ele apertou-as fortemente ao seu coração e disse-me:
(2) “Minha filha, para descer a minha Vontade à terra, é necessário que a tua vontade suba ao Céu, e para subir ao Céu e viver na pátria celestial é necessário esvaziá-la de tudo o que é humano, de tudo o que não é santo, puro e reto. Nada entra no Céu a fazer vida comum com Nós, se não é tudo divinizado e transformado tudo em Nós; nem minha Vontade Divina pode descer à terra e desenvolver sua Vida como em seu próprio centro, se não encontrar a vontade humana vazia de tudo, para enchê-la de todos os bens que meu Querer contém. Ela não será outra coisa que um véu sutilíssimo que me servirá para me cobrir e habitar dentro, quase como hóstia consagrada, na qual eu formo a minha vida, faço todo o bem que quero, rezo, sofro, gozo, e a hóstia não se opõe, deixa-me livre, seu ofício é prestar-se a ter-me escondido e em silêncio aderir a conservar a minha Vida Sacramental.
(3) Este é o ponto onde estamos, seu querer entrar no Céu, e o meu a descer à terra; por isso o seu não deve ter mais vida, não deve ter razão de existir. Isto aconteceu a minha humanidade, que enquanto tinha uma vontade humana, esta estava toda atenta a dar vida a Vontade Divina, jamais se arbitrou por si só, nem sequer respirar por si só, senão que mesmo o Eu dava e tomava na Vontade Divina, e por isso o Querer Eterno reinou em mim Humanidade como no Céu assim na terra, nela fez sua Vida terrestre, e minha vontade humana, sacrificada toda à Divina, impeliu que a tempo oportuno descesse à terra para viver no meio das criaturas como vive no Céu. Não queres tu dar o primeiro lugar na terra à minha vontade?”
(4) Agora, enquanto dizia isto, parecia-me encontrar-me no Céu, e como que a partir de um ponto só via todas as gerações, e eu, prostrando-me ante a Majestade Suprema tomava seu mútuo amor, sua adoração perfeita, a santidade sempre uma de sua Vontade, e as oferecia em nome de todos como correspondência do amor, da adoração e da submissão e união que cada criatura deveria ter com seu Criador. Queria unir Céu e Terra, Criador e criatura, a fim de que se abraçassem e se dessem o beijo da união de suas vontades. Então meu Jesus tem adicionado:
(5) “Esta é a tua tarefa, viver entre nós e fazer teu tudo o que é nosso e dá-lo a nós por todos os teus irmãos; então nós, atraídos pelo que é nosso, podemos ficar vinculados com as gerações humanas e lhes dar de novo o beijo supremo da união da sua vontade com a nossa, beijo que lhe demos na Criação”.
17-24
Dezembro 1, 1924
A Divina Vontade rejeitada pelas criaturas sente a morte do bem que quer fazer.
(1) Sentia-me extremamente amarga, e enquanto rezava, chorava a minha dura sorte de estar privada d’Aquele que forma toda a minha vida. Meu estado é irremediável, ninguém se move a piedade de mim, tudo é justiça, e além disso, quem se quererá mover a piedade de mim, se Aquele que é a fonte da piedade me nega? Agora, enquanto eu chorava e rezava, senti-me segurando as mãos nas mãos de Jesus, e elevando-me ao alto disse:
(2) “Venham todos a ver um espetáculo tão grande e jamais visto nem no Céu nem na terra: Uma alma morrendo continuamente por puro amor meu”.
(3) Ao falar de Jesus se abriram os Céus e toda a hierarquia celeste me olhava, também eu me olhava e via minha pobre alma murcha e morrendo como uma flor que está por murchar sobre seu caule, mas enquanto morria, uma secreta virtude me dava vida; ah! Talvez seja a justiça punitiva de Deus que justamente me castiga. Oh, meu Deus, meu Jesus, tenha piedade de mim, piedade de uma pobre moribunda! É a sorte mais dura que me toca entre todos os mortais: morrer sem poder morrer! Depois, meu doce Jesus quase por toda a noite me teve em seus braços para me dar força e me ajudar em minha agonia. Eu acreditava que finalmente tinha compaixão de mim e me levava com Ele, mas em vão. Depois que me reanimou um pouco, me deixou dizendo:
(4) “Minha filha, minha Vontade está recebendo contínuas mortes por parte das criaturas, Ela é vida, e como vida quer dar a vida da luz, mas a criatura rejeita esta luz, e de fato, não recebendo-a, Esta luz morre para a criatura e a minha Vontade sente a pena de morte que a criatura deu a esta luz. Minha Vontade quer fazer conhecer os méritos, as virtudes que contém e a criatura rechaça este conhecimento com os méritos e as virtudes que contém, e minha Vontade para a criatura morre a este conhecimento e aos méritos e às virtudes que contém meu Querer, e minha Vontade sente a pena da morte que a criatura deu às virtudes e méritos de meu Querer; e assim se quer dar amor e não é recebido, sente a morte dada ao amor; se quer dar a santidade, a graça, sente dar-se pela criatura a morte à santidade e à graça que quer dar, assim é contínua a morte que sente ao bem que quer dar. E além disso, você não sente em você a morte contínua que sofre minha Vontade? Vivendo tu n’Ela estais obrigada, como por natureza, a participar nestas mortes sofridas pela Minha Vontade, e a viver num estado de contínua agonia”.
(5) Ao ouvir isto, disse: “Jesus, meu amor, não me parece que assim seja, é a tua privação que me mata, que me tira a vida sem me fazer morrer”.
(6) E Jesus: “Minha privação, por um lado, minha Vontade, por outro, que tendo-te absorvida nela, faz-te partícipe de suas penas. Minha filha, no verdadeiro viver em meu Querer não há pena que minha Vontade receba das criaturas, que não faça partícipe a alma que vive nela”.
18-24
Fevereiro 11, 1926
A vontade humana é a traça que rói todos os bens e a chave que abre todos os males. Cada ato de vontade humana não unida com a de Deus, forma um abismo de distância entre o Criador e a criatura.
(1) Estava pensando entre mim: “Por que tanto temor em mim, tanto de sentir falta da vida, se jamais for, não fizesse em tudo e por toda a Santíssima Vontade de Deus? O único pensamento me destrói, o que será se chegar a me subtrair ainda por um só instante da Vontade Suprema e adorável de meu Criador?” Enquanto pensava isto, o meu amável Jesus saiu de dentro de mim, e tomando as minhas mãos entre as suas as beijou com um amor indescritível, depois as apertou ao seu peito, forte, e toda ternura me disse:
(2) “Minha filha, como é bela minha Vontade obrante em tuas mãos, teus movimentos são feridas para Mim, mas feridas divinas, porque saem do fundo de minha Vontade dominante, obrante e triunfante em ti, então me sinto ferido como por outro Eu mesmo. Com justa razão temes se por um só instante saísses da Vontade Suprema, oh! como descerias no baixo, quase te reduzirias do estado de Adão inocente ao estado de Adão culpado, e como Adão tinha sido criado como cabeça de todas as gerações, a sua vontade subtraída do seu Criador formou a traça na raiz da árvore de todas as gerações, por isso todos sentem as ruínas que formou a traça da vontade humana desde o princípio da criação do homem. Cada ato de vontade humana não conectada com a de Deus forma um abismo de distância entre o Criador e a criatura, portanto, distância de santidade, de beleza, de nobreza, de luz, de ciência, etc. Então Adão não fez outra coisa com subtrair-se da Divina Vontade, que pôr-se à distância do seu Criador, esta distância o enfraqueceu, o empobreceu, desequilibrou tudo e levou o desequilíbrio a todas as gerações, porque quando o mal está na raiz, toda a árvore está obrigada a sentir os efeitos malignos, os humores nocivos que há na raiz. Então minha filha, tendo-te chamado a ti como primeira e chefe da missão da minha Vontade, esta minha Vontade deve pôr em ti o equilíbrio entre tu e o Criador, e portanto tirar a distância que há entre a vontade humana e a Divina, para poder formar em ti a raiz da árvore sem humores maus, fazendo correr nele só o humor vital da minha Vontade, a fim de que a árvore não seja prejudicada na vegetação, no desenvolvimento e na preciosidade dos seus frutos. Agora, se você quisesse fazer um ato de sua vontade não conectada com a minha, viria a formar a mariposa à missão que te confiei, e como um segundo Adão arruinaria a raiz da árvore de minha Vontade que quero formar em você, e prejudicarias a todos aqueles que quererão enxertar-se a esta árvore, porque não encontrariam toda a plenitude de minha Vontade em quem dela teve o princípio. Por isso sou Eu que ponho este temor em tua alma a fim de que minha Vontade seja sempre dominante em ti, e todas as manifestações que te fiz estejam sempre em vegetação para formar raízes, tronco, ramos, flores e frutos divinos sem a sombra de tua vontade humana. Assim regressarás à tua origem no seio de teu Criador toda bela, crescida e formada com a plenitude da Vontade Suprema, e a Divindade, satisfeita em ti da obra da criação do homem, fará sair de ti e da missão a ti confiada seu povo eleito do Fiat Voluntas Tua como no Céu assim na terra, por isso sê atenta minha filha, e não queiras arruinar a obra de minha Vontade em ti; Amo-a tanto e custa-me tanto, que usarei todo o meu zelo infinito e estarei Eu mesmo a guarda da minha Vontade, a fim de que a tua jamais tenha vida”.
(3) Eu fiquei surpreendida e compreendia com clareza o que significa um ato de vontade humana em comparação de um ato de Vontade Divina, e como a alma com o fazer a sua perde a fisionomia de seu Criador, e despojando-se da beleza com a qual foi criada veste-se de míseros trapos, arrasta-se com dificuldade no bem, adquire a semelhança diabólica, nutre-se com alimentos porcos. Meu Jesus, dai a graça a todos de jamais fazer a própria vontade, o que é chamar a vida todas as paixões. Então, quase tremendo tratava de me abismar mais dentro na Suprema Vontade, e chamava a minha Mãe Celestial em minha ajuda, a fim de que junto comigo pudéssemos, em nome de todos adorar à Vontade Suprema por todas as vontades humanas opostas a Ela. Agora, enquanto fazia isso, o Céu se abriu e meu Jesus saiu de dentro de mim tudo em festa e me disse:
(4) “Filha de meu Querer, você deve saber que quando reina íntegra minha Vontade na alma, tudo o que a alma faz é o desenvolvimento da Vida de minha Eterna Vontade nela, assim que não foi você quem chamou a minha Divina Mãe, senão minha mesma Vontade que a chamou, e sentindo-se chamada por uma Vontade Divina, que sempre foi íntegra e triunfante nela, advertiu súbito que uma da família celestial a chamava na terra, e disse a todo o Céu: ‘Vamos, vamos, é uma de nossa família que nos chama a cumprir os deveres da família à qual pertencemos’. E aqui, olhe para todos em torno de nós, a Virgem, os santos, os anjos, para fazer seu ato de adoração que você quer fazer, e a Divindade para recebê-lo. Minha Vontade tem tal poder que encerra tudo e faz com que todos façam a mesma coisa, como se fosse um só ato. Por isso a grande diferença que há entre quem faz reinar a minha Vontade nela e entre quem vive do próprio eu. Na primeira está uma Vontade Divina que reza, que obra, que pensa, que olha, que sofre; a cada movimento seu move Céu e terra e une tudo junto, de maneira que todos sentem a potência da Divina Vontade obrante na criatura, descobrem nela a nobreza, a semelhança, a filiação de seu Criador, e como filha da família celestial todos a protegem, a assistem, a defendem e a suspiram junto com eles na pátria celestial. O contrário para quem vive da própria vontade, ela é a chave do inferno, das misérias, da inconstância; onde ela abre, não sabe abrir outra coisa senão onde está o mal, e se acaso faz algum bem, é aparente, porque dentro está a mariposa do próprio querer que rói tudo. Por isso, ainda que te custe a vida, não saias jamais, jamais de minha Vontade”.
19-24
Maio 27, 1926
O Querer Divino envolve tudo e todos na unidade de sua luz. Como toda a Criação possui a unidade, e quem deve viver no Querer Divino possui esta unidade.
(1) Estava fazendo meus atos habituais no Querer Supremo, e uma luz inacessível envolvia meu pequeno ser, e fazendo-me como presentes todas as obras de meu Criador, eu tinha um “te amo” por cada coisa criada, um movimento por cada movimento, uma adoração e um agradecimento de reconhecimento por toda a Criação; no entanto compreendia que era a mesma luz que me fornecia aquele te amo por cada coisa, aquele movimento, aquela adoração, eu só estava em poder da luz e ela me engrandecia, Eu encolhia e fazia da minha pequenez o que eu queria. Agora, enquanto me encontrava neste estado, eu estava dolorida porque não via a meu doce Jesus e pensava entre mim: “Jesus me deixou, e nesta bendita luz eu não sei para onde voltar meus passos para encontrá-lo, porque não se vê nem onde começa nem onde termina; ó luz santa, faz-me encontrar Aquele que é toda minha vida, meu sumo Bem”! Mas enquanto eu desabafava com a dor da privação de Jesus, todo bondade saiu de dentro de mim, e todo ternura me disse:
(2) “Minha filha, por que temes? Eu não te deixo, mas sim o Querer Supremo que me eclipsa em ti. A luz de minha Vontade é interminável, infinita, não se encontram seus confins, nem onde começa nem onde termina, em troca minha Humanidade tem seus confins, seus limites, e por isso sendo minha Humanidade menor que minha Eterna Vontade, Eu fico envolvido nela e como eclipsado, e enquanto estou contigo dou o campo de ação a meu Querer e gozo de seu obrar divino na pequenez de tua alma, e preparo uma nova lição que te dar para te fazer conhecer sempre mais as maravilhas de meu Supremo Querer; por isso quando nades nele está segura de que estou contigo, Mas faço contigo o que tu fazes, e para lhe dar todo o campo de ação Eu estou em ti como escondido, para gozar-me seus frutos. Agora, tu deves saber filha minha que a verdadeira luz é inseparável; olha, também o sol que está na atmosfera tem esta prerrogativa e possui a unidade da luz, tem tão compactada à luz em sua esfera, que não perde nem um átomo, e apesar de descer ao baixo enchendo de luz toda a terra, a luz não se divide jamais, é tão compacta em si mesma, unida, inseparável, que jamais perde nada de sua luz solar, tão é verdade, que expande seus raios todos juntos fazendo fugir por todas as partes da terra às trevas, e ao retirar sua luz retira todos seus raios, não deixando nem sequer as pegadas de seus átomos. Se a luz do sol fosse divisível, há muito tempo teria se empobrecido de luz e não teria mais a força para iluminar toda a terra, e se poderia dizer: ‘apague luz dividida, terra desolada’. Assim o sol pode cantar vitória e possui toda a sua força e todos os seus efeitos na unidade da sua luz, e se a terra recebe tantos admiráveis e inumeráveis efeitos, de poder chamar-se ao sol vida da terra, tudo isto acontece pela unidade da luz que possui, que há tantos séculos não perdeu nem sequer um átomo de luz dos quais Deus lhe confiou, e por isso é sempre triunfante, majestoso e fixo, sempre estável em louvar na sua luz o triunfo e a glória da luz eterna do seu Criador. Agora minha filha, o sol é o símbolo de meu Eterno Querer, e se este símbolo possui a unidade da luz, muito mais minha Vontade que não é símbolo, mas a realidade da luz, e o sol pode ser chamado a sombra da luz inacessível da minha Vontade. Você viu sua imensidão, e que não só se vê um globo de luz como no sol, mas uma vastidão imensa, a qual o olho humano não pode chegar a ver nem onde começa nem onde termina, porém toda esta interminabilidade de luz é um ato só do Eterno Querer. Está tão compacta toda esta luz incriada, que se torna inseparável, indivisível, assim, mais do que sol possui a unidade eterna, na qual vem fundado o triunfo de Deus e de todas as nossas obras. Agora, este triunfo da unidade do Supremo Querer, o centro de sua sede, de seu trono, é o centro da Trindade Sacrossanta, deste centro divino partem seus raios fulgidíssimos e investem toda a pátria celestial, e todos os santos e anjos estão investidos pela unidade do meu Querer, e todos recebem os efeitos inumeráveis, que arrebatando-os todos a si, forma deles uma só unidade com a unidade suprema da minha Vontade; estes raios investem toda a Criação e formam a sua unidade com a alma que vive na minha Vontade. Olhe, a unidade desta luz de minha Vontade que está no centro das Três Divinas Pessoas, está já fixada em você, Então uma é a luz e o ato, uma é a Vontade. Agora, enquanto fazes teus atos nesta unidade, estão já incorporados àquele ato só do centro das Três Divinas Pessoas, e a Divindade está já contigo para fazer o que tu fazes; a Mãe Celestial, os santos e anjos e toda a Criação, Todos em coro repetem seu ato e sentem os efeitos da Vontade Suprema. Olha, escuta o prodígio nunca visto daquele ato só que enche Céu e terra, e que a mesma Trindade, unindo-se com a criatura, se põe como primeiro ato do ato da criatura”.
(3) Enquanto eu estava nisto, eu via a luz eterna fixada em mim, e ouvia o coro de todo o Céu e de toda a Criação em sua linguagem muda, mas quem pode dizer tudo, e o que compreendia da unidade da luz do Supremo Querer? E Jesus adicionou:
(4) “Minha filha, cada ato para ser bom e santo, seu princípio deve vir de Deus, e eis que a alma que vive em meu Querer, na unidade desta luz, sua adoração, seu amor, seu movimento e tudo o que possa fazer começa na Trindade Divina, Assim que recebe o princípio de seus atos do próprio Deus, e eis que sua adoração, seu amor, seu movimento, é a mesma adoração que têm entre elas as Três Divinas Pessoas, e o mesmo amor recíproco que reina entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo; seu movimento é aquele movimento eterno que jamais cessa e que dá movimento a todos. A unidade desta luz põe tudo em comum, e o que faz Deus faz a alma, e o que faz a alma faz Deus, Deus por virtude própria, a alma em virtude da unidade da luz que a envolve; por isso o prodígio do viver em meu Querer é o prodígio de Deus mesmo, é prodígio primário, todos os outros prodígios, todas as outras obras, mesmo boas e santas, ficam eclipsadas, desaparecem diante dos atos feitos na unidade desta luz. Imagine o sol, que na unidade de sua luz expande seus raios invadindo toda a terra, e às criaturas que pusessem de frente à fulgurante luz do sol todas as luzes que há no baixo da terra, luz elétrica, luzes privadas, por quantas quisessem pôr sua luz ficaria mesquinha diante do sol, quase como se não existissem, e nenhum se serviria de todas aquelas luzes para dar luz a seu passo para caminhar, à mão para trabalhar, ao olho para ver, mas todos se serviriam do sol e todas aquelas luzes ficariam ociosas, sem fazer bem a nenhum. Assim são todas as outras obras que não são feitas na unidade da luz de meu Querer, são as pequenas luzes diante do grande sol, que quase não se lhes presta atenção; porém aquelas luzes que estando o sol não servem para nada e não fazem nenhum bem, desaparecido o sol adquirem seu pequeno valor e fazem seu pequeno bem, são luz nas trevas da noite, servem ao obrar do homem, mas jamais são sol, nem podem fazer o grande bem que pode fazer o sol. O fim da Criação era, que tendo saído todas as coisas de dentro da unidade desta luz do Fiat Supremo, todas deviam ficar na unidade d’Ele, só a criatura não quis conhecer esta finalidade e saiu da unidade da luz do sol de meu Querer, e reduziu-se a mendigar os efeitos desta luz, quase como terra que mendiga do sol a vegetação e o desenvolvimento da semente que esconde em seu seio. Que dor minha filha, que dor, de rei reduzir-se a mendigo e mendigar de quem devia estar a seu serviço!”.
(5) Jesus todo aflito e sofredor fez silêncio, e eu compreendia toda a dor que o atravessava, sentia em mim sua dor que me penetrava até nas mais íntimas fibras de minha alma, mas eu queria a qualquer custo aliviar a Jesus, e retornei a meus acostumados atos na unidade de seu Querer, sabendo que Ele passa facilmente da dor à alegria quando minha pequenez se submerge na luz inacessível de Sua Vontade. Então Jesus amou junto comigo e o amor acalmou sua dor e retomou a palavra:
(6) “Minha filha, já que te estou a crescer no meu Querer, ah! , não queiras dar-me jamais esta dor tão penetrante de sair da unidade da luz do Fiat Supremo, promete-me, jura-me que serás sempre a recém nascida da minha Vontade”.
(7) E eu: “Meu amor, consola-te, eu prometo, eu juro, e Tu deves prometer-me de me ter sempre em teus braços e abismada em teu Querer, não deves deixar-me jamais se queres que eu seja sempre, sempre a pequena filha de tua Vontade, pois eu tremo e temo de mim mesma, muito mais, pois quanto mais falas deste Querer Supremo, tanto mais sinto que não sou boa para nada, e a nulidade do meu nada se faz sentir mais”. E Jesus suspirando acrescentou:
(8) “Minha filha, este sentir de mais teu nada não se opõe ao viver em meu Querer, É mais um dever seu. Todas as minhas obras estão formadas sobre o nada, e por isso o Tudo pode fazer o que quiser. Se o sol tivesse razão e lhe perguntasse: Que fazes de bom? Quais são os teus efeitos? Quanta luz e calor contém? Responderia: ‘Eu não faço nada, só sei que a luz que Deus me deu está investida do Querer Supremo, e faço o que quiser, me estendo onde quiser e produzo os efeitos que quiser, e enquanto faço tanto, eu fico sempre nada e tudo o faz o Querer Divino em mim’. E assim como todas as minhas obras, toda a sua glória é ficar em nada, para dar todo o campo à minha vontade, para a fazer trabalhar. Só o homem quis fazer sem a Vontade de seu Criador, quis fazer agir seu nada, crendo-se bom a qualquer coisa; e o Todo, sentindo-se posposto pelo nada saiu do homem, que se reduziu de superior a todos, a estar por debaixo de todos, por isso faz que teu nada esteja sempre em poder de meu Querer se queres que a unidade de sua luz trabalhe em ti e chame a nova vida a finalidade da Criação”.
20-24
Novembro 14, 1926
Como não seguir o Querer Divino na Criação, falta o reflexo de suas obras. Como são necessárias grandes graças para a Santidade do viver no Santo Querer.
(1) Estava fazendo meus habituais atos no Querer Divino e pensava em mim: “Se eu passasse um dia sem fazer estes atos, qual seria o bem que perderia e o mal que faria?” E o meu sempre amável Jesus disse-me:
(2) “Minha filha, sabes o que farias? Não fazendo teus atos em minha Vontade te faltaria o reflexo de toda a Criação, e faltando-te o reflexo, esse dia não se estenderia em ti o céu, nem surgiria o sol, nem correria em ti o mar, nem tua terra floresceria, nem se ouviria em ti a alegria, a música, o canto dos habitantes do ar, a doce sinfonia das esferas, minha Vontade não encontraria seu eco em ti, portanto sentiria a dor de que a pequena filha de seu Querer, esse dia não lhe deu a correspondência de um céu por seu amor, porque faltou o reflexo do seu; não lhe fez surgir o sol por correspondência de sua luz eterna; não lhe fez sentir correr o mar, nem ouvir seu doce murmúrio, nem o serpenteio dos mudos habitantes das ondas. A minha Vontade sentir-se-ia privada de todos os seus atos em ti, do reflexo das suas obras, e não poderia fazer eco em ti e na sua dor, diria: Ah! minha pequena filha hoje não me deu um céu como eu lhe dei Eu, nem sol, nem mar, nem flores, nem canto, nem música, nem alegria como eu lhes dei assim que saiu de minha semelhança, suas notas não harmonizaram com as minhas, Eu a amei com tantas manifestações e com amor incessante, ela não. Vê o que faria? A minha vontade não toleraria em ti, na sua pequena filha, o vazio das suas obras”.
(3) E eu, ouvindo isto, disse-lhe: “Meu Jesus, meu amor, que jamais seja que eu dê esta dor à tua adorável Vontade, Tu me ajudarás, me darás mais graça e eu estarei mais atenta para receber este reflexo, este eco que faz a tua Santa Vontade em toda a Criação, para corresponder com o meu”. E Jesus continuando o seu falar acrescentou:
(4) “Minha filha, tu deves saber que se necessitam grandes graças para poder formar na alma a santidade de viver em meu Querer, as demais santidades com pequenas graças se formam, porque não é uma Vontade imensa e eterna que devem abraçar e possuir, mas sim suas pequenas partículas, seus mandatos, sua sombra, ao contrário nesta devem possuir como vida própria minha Vontade, devem cortejá-la e fazer de seus atos, atos próprios, assim que se necessitam mares de graça para formar esta santidade; minha Vontade deve bilocar-se para estender seu mar no fundo da alma, e depois estender o outro mar de Si mesma para poder receber o que convém à sua santidade, à sua luz interminável, à sua imensidão sem confins. E a boa vontade da alma não é outra coisa que o fundo do mar, que formando a praia rodeia as águas para formar o mar. Minha filha, para sustentar e conservar uma Vontade Divina na alma, se necessita demasiado, e a Divindade, sabendo que a criatura não tem coisas equivalentes para uma Vontade tão santa, não poupa nada, tudo é posto nela à sua disposição para formar a santidade de viver no meu Querer. O próprio Deus faz de primeiro ator e espectador, a minha humanidade cede tudo, tudo o que fez, sofreu e adquiriu, que são mares sem fim, para ajuda desta santidade toda divina, a própria Mãe Rainha põe à disposição seus mares de graça, de amor e de dor como ajuda, e se sente honrada de que sirvam à Vontade Suprema para lhe fazer cumprir a Santidade do Fiat Eterno na criatura. Céu e terra querem dar e dão, porque sentindo-se todos investidos por esta Vontade, desejam, anseiam ajudar a afortunada criatura para fazê-la cumprir a finalidade da Criação, a origem da santidade que o Supremo Querer queria na criatura. Por isso por parte de teu Jesus nada te faltará, muito mais que é um desejo meu longamente querido, desejado e suspirado por seis mil anos, que queria ver na criatura nossa imagem copiada, nossa Santidade impressa, nossa Vontade obrante, nossas obras encerradas nela e cumprido nosso Fiat. Queria o prazer e tomar o gosto de ver na criatura nosso reflexo, de outra maneira a Criação seria para Nós sem deleite, sem entretenimento, sem harmonia; nosso eco não encontraria a via para ressoar, nossa santidade não encontraria onde imprimir-se, a nossa beleza onde brilhar, o nosso amor onde desabafar, a nossa sabedoria e mestria não encontrariam onde trabalhar e desenvolver-se. Portanto, todos os nossos atributos ficariam impedidos no seu trabalho, porque não encontrariam matéria apta para formar o seu trabalho, para ter o seu reflexo mas na alma onde reina a minha vontade, Ela a dispõe como matéria apta para fazer que todos nossos atributos possam desenvolver seu trabalho deleitável”.











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