2-76
Setembro 25, 1899
Medo de que seus escritos possam ser encontrados nas mãos de outros.
(1) Em minha mente estava pensando: “Se estes escritos chegassem às mãos de alguém, talvez dissesse: “Deve ser uma boa cristã porque o Senhor lhe faz tantas graças”, sem saber que apesar de tudo isto sou ainda muito má. Eis como as pessoas podem ser enganadas tanto no bem como no mal. Ah Senhor, só Você conhece a verdade e o fundo dos corações!”
Enquanto isso pensava veio o bendito Jesus e me disse:
(2) “Amada minha, e se as nações soubessem que tu és a minha defensora, e a delas?”
(3) E eu: “Meu Jesus, que dizes?”
(4) E Ele: “Como! Não é verdade que você me defende das penas que elas me dão ao te colocar no meio entre Eu e elas, e toma sobre você o golpe que Eu estava para receber em Mim, e o que Eu devia descarregar sobre elas? E se alguma vez não os recebes sobre ti é porque não to permito, e isto com grande pena, até te lamentares Comigo; podes porventura negá-lo?”
(5) “Não Senhor, não posso negá-lo, mas vejo que é uma coisa que Você mesmo infundiu em mim, por isso digo que o fato não é que eu seja boa, e me sinto toda confusa ao ouvir que me diz estas palavras”.
* * * * * *
2-77
Setembro 26, 1899
Causa pela qual Jesus não leva em conta as oposições. Visão abstrata e intuitiva da alma.
(1) Esta manhã, tendo vindo o meu adorável Jesus, transportou-me para fora de mim mesma, mas com o meu profundo pesar, via-o de costas, e por quanto lhe pedi que me deixasse ver o seu santíssimo rosto me era impossível. Em meu interior ia dizendo: “Quem sabe, talvez sejam minhas oposições à obediência de escrever, pelo que não se digna fazer ver seu rosto adorável”. E enquanto isso dizia, chorava. Depois de me ter feito chorar, virou-se e disse:
(2) “Eu não levo em conta suas oposições, porque sua vontade está tão fundida com a minha que não pode querer senão o que quero Eu; por isso enquanto te repugna, ao mesmo tempo se sente atraída como por um ímã a fazê-lo, Assim, suas repugnâncias não servem para outra coisa que para tornar mais bela e resplandecente a virtude da obediência, por isso não as tomo em conta”.
(3) Depois vi seu belíssimo rosto, e em meu interior sentia um contentamento indescritível, e dirigindo-me a Ele lhe disse: “Dulcíssimo Amor meu, se eu sinto tanto deleite ao verte, o que terá sentido nossa Mamãe Rainha quando se fechou em seu seio puríssimo? Que felizes, quantos agradecimentos não lhe deu?”
(4) E Ele: “Minha filha, foram tais e tantas as delícias e as graças que derramei nela, que basta dizer-te que o que Eu sou por natureza, nossa Mãe o chegou a ser por graça; muito mais, pois não tendo culpa, minha graça pôde dominar Nela livremente, assim que não há coisa de meu Ser, que não confiei a Ela”.
(5) Naquele instante me parecia ver a nossa Rainha Mãe como se fosse outro Deus, com esta única diferença: que em Deus é natureza própria, e em Maria Santíssima é graça conseguida.
Quem pode dizer como fiquei espantada? Como minha mente se perdia ao ver um portento de graça tão prodigioso? Então, dirigindo-me a Ele lhe disse: “Amado Bem meu, nossa Mãe teve tanto bem porque te fazia ver intuitivamente; eu gostaria de saber como te mostras a mim, com a vista abstrata ou intuitiva. Quem sabe se é também abstrata”.
(6) E Ele: “Quero fazer-te compreender a diferença que há entre uma e outra. Na abstrata a alma olha para Deus, na intuitiva entra dentro Dele e consegue as graças, isto é, recebe em si a participação do Ser Divino; e tu, quantas vezes não participaste do meu Ser? Esse sofrer que em você parece como se fosse natural, essa pureza que chega até sentir como se não tivesse corpo, e tantas outras coisas, não te dei quando te atraí a Mim intuitivamente?”
(7) “Ah! Senhor, é verdade, e eu, que agradecimentos te dei por tudo isto? Qual foi a minha correspondência? Sinto vergonha só de pensar nisso, mas ah! me perdoe e faça que me possam conhecer no Céu e na terra como um sujeito de suas infinitas misericórdias.
3-75
Maio 27, 1900
O amor e a graça penetram nas profundezes do ser do homem.
(1) Esta manhã, sentindo-me mais do que nunca afligida pela privação do meu sumo Bem, assim que me fez ver, disse- me:
(2) “Assim como um vento impetuoso investe nas pessoas e penetra até nas vísceras, de modo a sacudir toda a pessoa, assim meu amor e minha graça voando sobre as asas dos ventos, invistam e penetram no coração, na mente e nas mais profundas partes do homem. Com tudo isso, o homem ingrato rejeita minha graça e me ofende, oh! qual não é a minha acerbo dor?”
(3) Eu estava toda confusa e aniquilada em mim mesma e não ousava dizer uma só palavra, só pensava: “Como é que não vem?” E também: Se ele vier, não vejo claramente, parece que perdi a claridade, quem sabe se verei o seu lindo rosto revelado como antes?” Enquanto assim pensava, meu benigno Jesus acrescentou:
(4) “Minha filha, por que temes, se teu estado está nos Céus pela união de nossos querer?”
(5) E querendo me animar e compadecer meu estado doloroso me disse:
(6) “Tu és meu novo Jó. Não te oprimas muito se não me vês com clareza .Disse-te desde o outro dia, que não venho como é habitual porque quero castigar as nações, e se tu me visses com clareza compreenderias o que Eu estou fazendo, e teu coração, como recebeu o enxerto do meu, por isso sei o que tu virias a sofrer, como o meu coração está a sofrer porque sou forçado a punir as minhas criaturas. Então, para poupar-lhe essas dores, eu não me faço ver com clareza”.
(7) Quem pode dizer as feridas que deixou meu pobre coração? Ah Senhor, dá-me a força para suportar a dor!
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3-76
Maio 29, 1900
Ameaça de castigos.
(1) Continuo a estar no mesmo estado, sentia-me toda oprimida e tinha toda a necessidade de um apoio para poder suportar a privação do meu Sumo Bem. O bendito Jesus, tendo compaixão de mim, por alguns minutos mostrou o seu rosto de dentro do meu coração, mas não com clareza, e fazendo-me ouvir a sua suave voz disse-me:
(2) “Tem ânimo mais um pouco minha filha, deixa-me terminar de castigar e depois virei como antes”.
(3) Enquanto dizia isto, em minha mente pensava: “Quais são os castigos que começou a mandar?” E Ele acrescentou:
(4) “A chuva contínua é mais do que granizo, que está a fazer e vai trazer tristes consequências para as pessoas”.
(5) Dito isto desapareceu e eu me encontrei fora de mim mesma, dentro de um jardim, e dali de dentro se viam as colheitas e as vinhas secas, e dentro de mim ia dizendo: “Pobre gente, pobre gente, como farão?” Enquanto dizia isto, dentro daquele jardim estava um menino que chorava e gritava tão forte que ensurdecia Céu e Terra, mas ninguem tinha compaixão dele, ainda que todos o ouvissem que chorava tanto, não o levavam em conta e o deixavam sozinho e abandonado. Um pensamento passou pela minha cabeça: “Quem sabe? Como melhor será Jesus”. Mas não estava segura. Então, aproximando-me Dele lhe disse: “Que tens que chorar menino amado? Queres vir comigo, já que todos te deixaram abandonado às tuas lágrimas e à dor que te oprime tanto que te
faz gritar tão forte?” Mas o que, quem poderia acalmá-lo? Apenas entre soluços respondeu que sim, que queria vir. Então eu o peguei pela mão para conduzi-lo junto comigo, e no momento que fiz isso, me encontrei em mim mesma.
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3-77
Junho 3, 1900
A falta de estima pelas pessoas é falta de verdadeira humildade.
(1) Encontrando-me no mesmo estado, esta manhã, por um pouco vi meu adorável Jesus, que estava dentro de meu coração e dormia, e seu sonho atraía a minha alma a adormecer junto com Ele, tanto que sentia todas as potências interiores adormecidas, sem obrar mais. Às vezes me esforçava para sair daquele sonho, mas não podia, quando por um pouco se despertou o bendito Jesus e ordenou por três vezes seu alento dentro de mim, e me parecia que Ele ficava tudo absorvido em mim. Depois me parecia que Jesus atraiu outra vez dentro Dele esses três alentos que me havia enviado, e eu me encontrei toda transformada Nele. Quem pode dizer o que
acontecia em mim por estes sopros divinos? Daquela união inseparável entre Jesus e eu, não tenho palavras para expressá-la. Depois disso parece que eu poderia acordar e Jesus, quebrando o silêncio me disse:
(2) “Minha filha, olhei e voltei a olhar, procurei e voltei a procurar, percorrendo toda a terra, mas em
ti fixei os meus olhares e encontrei as minhas complacências, e escolhi-te entre milhares”.
(3) Depois, dirigindo-se a certas pessoas que via, repreendeu-as dizendo-lhes:
(4) “A falta de estima pelas outras pessoas é falta de verdadeira humildade cristã e de docilidade, porque um espírito humilde e doce sabe respeitar a todos e interpreta sempre bem os atos dos demais”.
(5) Dito isso, ele desapareceu sem sequer dizer uma palavra. Seja sempre abençoado que ele quer, e tudo seja para a sua glória.
4-82
Setembro 2, 1901
Jesus fala da Igreja e da sociedade presente.
(1) Esta manhã o meu adorável Jesus fazia-se ver unido com o Santo Padre e parecia que lhe
dizia:
(2) “As coisas até aqui sofridas não são mais que tudo o que Eu passei desde o princípio de minha
Paixão até que fui condenado à morte; meu filho, não te resta outra coisa que levar a cruz ao
Calvário”.
(3) E enquanto dizia isto, parecia que Jesus bendito tomava a cruz e a colocava sobre as costas do
Santo Padre, ajudando-o Ele mesmo a levá-la. Agora, enquanto isso, ele agregou:
(4) “A minha Igreja parece estar a morrer, especialmente no que diz respeito às condições sociais,
que aguardam ansiosamente o grito de morte; mas coragem, meu filho, depois de teres chegado
ao monte, quando levantarem a cruz, todos tremerão e a Igreja deixará o aspecto de moribunda e
recuperará o seu pleno vigor. Só a cruz será o meio para isto, como só a cruz foi o único meio para
preencher o vazio que o pecado tinha feito e para unir o abismo de distância infinita que havia entre
Deus e o homem, assim nestes tempos só a cruz fará levantar a fronte da minha Igreja, corajosa e
resplandecente para confundir e pôr em fuga os inimigos”.
(5) Dito isto desapareceu, e depois de um pouco voltou meu amado Jesus, todo aflito, e continuou
dizendo:
(6) “Minha filha, quanto me dói a sociedade presente, são meus membros e não posso fazer menos
do que amá-los; acontece-me como a um tal que tivesse um braço, uma mão infectada e chagada,
talvez a odeie, a abomine? Ah! Não, mas procura-lhe todos os cuidados, quem sabe quanto gaste
para ver-se curado, e enquanto não chega a obter a cura é causa de fazê-lo sofrer todo o corpo, de
tê-lo oprimido, afligido. Assim é minha condição, vejo meus membros infectados, chagados, e por
isso sinto dor e pena, e por isso me sinto mais atraído a amá-los. Oh, como é diferente meu amor
das criaturas! Eu sou obrigado a amá-las porque são coisa minha, mas elas não me amam como
coisa delas, e se me amam, me amam por seu próprio bem”.
(7) Depois disso desapareceu e eu me encontrei em mim mesma.
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4-83
Setembro 4, 1901
Ardores do coração de Jesus pela
glória da Majestade Divina e pelo bem das almas.
(1) O meu adorável Jesus continua a vir, e esta manhã mal o vi senti um desejo de lhe perguntar se
me tinha perdoado os meus pecados, por isso lhe disse: “Doce amor meu, quanto anseio ouvir da
tua boca se me perdoaste os meus tantos pecados”. E Jesus aproximou-se do meu ouvido, e com
o seu olhar parecia que perscrutava todo o meu interior e disse-me:
(2) “Tudo está perdoado e eu perdoo-te, não te resta outra coisa senão alguns defeitos cometidos
inadvertidamente por você, e eu também perdoá-los”.
(3) Depois disto parecia que Jesus se punha atrás de mim, e me tocava os rins com sua mão os
fortificava. Quem pode dizer o que sentia com aquele toque? Somente sei dizer que sentia um fogo
refrigerante, uma pureza unida a uma força; depois que me tocou os rins lhe pedi que fizesse o
mesmo ao coração, e Jesus para agradar-me condescendeu, e depois me parecia como se Jesus
bendito estivesse cansado por minha causa, e lhe disse: “Doce vida minha, estás cansado por
minha causa, não é verdade?”
(4) E Ele: “Sim. Pelo menos sê grata pelas graças que te estou dando, porque a gratidão é a chave
para poder abrir com prazer os tesouros que Deus contém; mas deves saber que isto que fiz te
servirá para te preservar da corrupção, para te corroborar e para dispor tua alma e teu corpo à
glória eterna”.
(5) Depois disto parecia que me transportasse de mim mesma e me fazia ver a multidão das
nações e o bem que podiam fazer e não fazem, e portanto a glória que Deus deve receber e não
recebe, e Jesus todo aflito acrescentou:
(6) “Amada minha, o meu coração arde pela honra da minha glória e pelo bem das almas. Por todo
o bem que omitem, tantos vazios recebe minha glória, e suas almas embora não façam o mal, não
fazendo o bem que poderiam fazer são como aquelas salas vazias, que embora sejam belas, mas
não há nada para admirar que atraia o olhar, e portanto nenhuma glória recebe o dono, e se fazem
um bem e outro o omitem, são como aquelas salas todas despovoadas, em que apenas algum
objeto se descobre sem nenhuma ordem. Amada minha, entra a tomar parte destas penas, dos
ardores que meu coração sente pela glória da Majestade Divina e pelo bem das almas, trata de
preencher estes vazios de minha glória, e poderás fazê-lo não deixando passar um momento da
tua vida que não esteja ligado à minha, isto é, em todas as tuas ações, seja oração ou sofrimento,
repouso ou trabalho, silêncio ou conversação, tristeza ou alegria, mesmo o alimento que tomes, em
suma, em tudo o que te possa acontecer porás a intenção de me dar toda a glória que em tais
ações deveriam dar-me e de suprir o bem que deveriam fazer e não fazem, tentando repetir a
intenção por quanto glória não recebo e por quanto bem omitem. Se você fizer isso, vocêpreencherá de alguma forma o vazio da glória que devo receber das criaturas, e meu coração
sentirá um refrigério ao meu ardor, e por este refrigério correrão rios de graça em proveito dos
mortais, que lhes infundirão maior força para fazer o bem.
7) Depois disto, encontrei-me em mim mesma.
6-84
Novembro 29, 1904
A Divindade de Jesus em sua Humanidade desceu no abismo mais profundo de todas as humilhações humanas, e divinizou e santificou todos os atos humanos.
(1) Esta manhã, estava oferecendo todas as ações da humanidade de Nosso Senhor para reparar
todas as nossas ações humanas feitas, ou indiferentes sem um fim sobrenatural, ou pecaminosas,
para impedir que todas as criaturas façam suas ações com a intenção e união das ações de Jesus
bendito, e para preencher o vazio da glória que a criatura deveria dar a Deus se fizesse isso.
Enquanto fazia isso, meu adorável Jesus me disse:
(2) “Minha filha, minha Divindade em minha Humanidade desceu no abismo mais profundo de
todas as humilhações humanas, tanto que não houve nenhum ato humano, por quão baixo epequeno, que Eu não divinizara e santificara. E isto para restituir ao homem dobrada soberania, a
perdida na Criação, e a que lhe adquiri na Redenção. Mas o homem sempre ingrato e inimigo de si
mesmo, ama o ser escravo em vez de soberano, enquanto podia com um meio tão fácil, isto é com
a intenção de unir suas ações às minhas, tornar suas ações merecedoras do mérito divino, delas
faz um desperdício e perde a divisa de rei e a soberania de si mesmo”.
(3) Dito isto desapareceu e encontrei-me em mim mesma.
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6-85
Dezembro 3, 1904
Duas perguntas para saber se é Deus ou o demónio que trabalha em Luísa.
(1) Continuando meu habitual estado, me encontrei fora de mim mesma, atirada na terra, de cara
ao sol, seus raios me penetravam dentro e fora fazendo-me ficar como extasiada. Depois de muito
tempo, tendo-me cansado daquela posição, me arrastava por terra porque não tinha força para
levantar-me e caminhar; depois de muito esperar veio uma virgem, que me tomando pela mão me
conduziu dentro de uma habitação, sobre uma cama, onde estava o menino Jesus que
pacificamente dormia. Eu, contente por tê-lo encontrado me aproximei dele, mas sem acordá-lo.
Depois de algum tempo, tendo despertado, pôs-se a passear sobre o leito, e temendo que
desaparecesse disse: “Querido do meu coração, Tu sabes que és a minha vida, ah! Não me deixe”.
(2) E Ele: “Estabeleçamos quantas vezes devo vir”.
(3) E eu: “Único bem meu, que dizes? A vida é sempre necessária, por isso sempre, sempre”.
Enquanto estava nisto vieram dois sacerdotes, e o menino se pôs nos braços de um deles me
ordenando que eu falasse com o outro, este queria contas de meus escritos, e um por um os
estava revisando, então eu, temendo, lhe disse: “Quem sabe quantos erros eles têm”.
(4) E ele com uma seriedade afável disse: “O que, erros contra a lei cristã?”
(5) E eu: “Não, erros de gramática”.
(6) E ele: “Isso não importa”.
(7) E eu tendo confiança adicionei: “Temo que tudo seja ilusão”.
(8) E ele, olhando-me nos olhos, disse: “Achas que preciso de rever os teus escritos para saber se
és iludida ou não? Eu com duas perguntas que te faça conhecer se é Deus ou o demônio quem
obra em ti. Primeiro, você crê que todas as graças que Deus te fez você as mereceu, ou bem,
foram dom e graça de Deus?”
(9) E eu: “Tudo pela graça de Deus”.
(10) “Segundo, acreditas tu que em todas as graças que o Senhor te fez, a tua boa vontade precedeu a graça, ou a graça precedeu você?”
(11) E eu: “Certamente, a graça sempre me precedeu”.
(12) E ele: “Estas respostas me fazem saber que não é ilusão”.
(13) Naquele momento eu me encontrei em mim mesma.
11-88
Março 6,1915
Jesus suspende em parte o estado de vítima de Luisa para dar curso à Justiça.
(1) Estando em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus veio por pouco, e como o
confessor não estava bem de saúde, e tendo interrompido meu estado, não como uma vez quando voltava em mim pelo chamado pela obediência, por isso disse a Jesus: “O que queres
que faça? Devo ficar, ou então tentar voltar para mim quando eu me sinto livre?”
(2) E Jesus: “Minha filha, queres tu que aja como antes, que não só te ordenava estar firme, mas
que te amarrava de tal modo que não podias voltar em ti, senão somente com a obediência? Se
o fizesse assim agora, meu Amor se encontraria em estreitos e minha Justiça encontraria um
obstáculo para desafogar plenamente sobre as criaturas, e você poderia me dizer: “Como me
tens atada como vítima de sofrimento por amor teu e pelas criaturas, assim te ato, em modo de
deter a tua Justiça para que não se descarregue sobre as criaturas”. Assim, as guerras, os
preparativos que outras nações estão fazendo para entrar em guerra terminariam todas em um
jogo. ¡ Não posso, não posso! Na melhor das hipóteses, se quiseres estar lá ou se o confessor te
quiser ter, se assim o fizerem terei alguma consideração por Corato, evitarei alguma coisa, mas
entretanto as coisas vão avançando mais e minha Justiça quer que não estejas mais neste
estado, para poder imediatamente mandar outros flagelos e fazer entrar a outras nações em
guerra e humilhar a soberba das criaturas, porque onde acreditam que haverá vitórias
encontrarão derrotas. ¡ Ah, meu amor o chora, mas minha Justiça exige sua satisfação! Minha
filha, paciência”.
(3) E havendo dito isto desapareceu. Mas quem pode dizer como fiquei? Sentia-me a morrer,
porque se saísse sozinha do meu estado, poderia pensar que eu teria sido a causa de fazer
aumentar os flagelos, e portanto de fazer entrar outras nações em guerra, especialmente a Itália.
¡ Que dor, que pena! Sentia todo o peso da suspensão do meu estado por parte de Jesus e
pensava entre mim: “Quem sabe, talvez Jesus não permita que o confessor esteja bem para pôr
em guerra a Itália”. Quantas dúvidas e temores, e tendo saído por mim mesma de meu estado,
passei uma jornada de lágrimas e de intensa amargura.
+ + + +
11-89
Março 7,1915
Castigos. Os filhos da Igreja serão seus mais ferozes inimigos.
(1) O pensamento dos flagelos e de que eu os pudesse fomentar por sair por mim do meu
estado, trespassava-me o coração. O confessor continuava sem estar bem, e eu rezava e
chorava, e não sabia decidir-me. O bendito Jesus vinha como relâmpago e fugia e me deixava
livre. Finalmente, movido a compaixão veio e me compadecendo e me acariciando me disse:
(2) “Minha filha, tua constância me vence. O amor e a oração me amarram e quase me fazem
guerra, por isso vim entreter-me um pouco contigo, não podendo resistir mais; pobre filha, não
chores, eis-me aqui todo para ti, paciência, ânimo, não te abatas. Se tu soubesses quanto sofro,
mas a ingratidão das criaturas a isto obriga-me, os pecados enormes, a incredulidade, o querer
quase desafiar-me, e tudo isto é o mínimo, se te dissesse da parte religiosa, quantos
sacrilégios! Quantas rebeliões! segurem-se. Quantos que se fingem filhos meus e são meus
mais encarniçados inimigos! Estes falsos filhos são usurpadores, interessados, incrédulos, seus
corações são cloacas de vícios, e estes filhos serão os primeiros a desencadear a guerra contra
a Igreja e buscarão matar a sua própria Mãe, oh, quantos já estão prontos para libertá-la! Por
agora a guerra é entre governos, nações, mas dentro de pouco farão guerra à Igreja, e seus
maiores inimigos serão seus próprios filhos. Meu coração está dilacerado pela dor, mas apesar
disso tolero que passe esta borrasca e que a face da terra, as igrejas, sejam lavadas pelo
sangue daqueles mesmos que a sujaram e poluíram. Também tu junta-te à minha dor, reza e
tem paciência enquanto vês passar esta tempestade”.
(3) Mas quem pode dizer a minha dor? Sentia-me mais morta que viva. Seja sempre bendito
Jesus e seja feito sempre seu Santo Querer.











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