Luisa Piccarreta e os sacerdotes

Escola da Divina Vontade
Luisa Piccarreta e os sacerdotes
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Viver a unidade na Igreja. Luisa e o Sacerdócio

A unidade é o tema que nos acompanha nestes dias. A Divina Vontade nos chama à comunhão, à totalidade, à unidade perfeita com Deus e entre nós mesmos. No grande mosaico da Igreja, cada vocação, cada carisma, cada história pessoal é uma peça única e irrepetível, chamada a brilhar na beleza do todo.
O Papa Francisco afirma que a variedade de vocações é um grande tesouro para a Igreja. Todas elas são chamadas a edificar o Corpo de Cristo. A unidade não é uniformidade, mas harmonia na diversidade. (Ângelus, 7 de maio de 2017)
A unidade na diversidade não significa uma fusão indistinta: é harmonia, é reconhecer e acolher com alegria os diferentes dons que o Espírito Santo concede a cada um de nós e colocá-los a serviço de todos na Igreja.
É o caso de duas vocações particulares: a vocação leiga e mística da Serva de Deus Luisa Piccarreta e a vocação sacerdotal; duas vocações que podem parecer diferentes, mas que, no plano de Deus, compartilham uma única missão: preparar os corações para o Reino da Divina Vontade.
A vida da Serva de Deus Luisa Piccarreta caracteriza-se por um chamado especial, que se manifesta de duas formas: a entrega total de si mesma e o viver na Divina Vontade. De fato, por um lado, Luisa encarna a figura da alma vítima que se consagra inteiramente a Deus para a glória do Reino e a salvação das almas; por outro, ela assume a tarefa de “secretária” da Divina Vontade, encarregada de receber, testemunhar e difundir as Verdades divinas que o próprio Jesus lhe comunicou.
Em Luisa, assim como em cada um de nós, flui uma fonte sempre viva: o amor infinito de Cristo, que se
entregou completamente por nós.
Na Carta aos Hebreus, o autor explica que Jesus, ao vir ao mundo, assumiu livremente a missão de cumprir a Vontade do Pai, substituindo os antigos sacrifícios pela oferta de si mesmo.
“Vim para fazer a tua vontade, meu Deus” (Hebreus 10, 5-7).
Jesus realizou plenamente a oferta de si mesmo em sua Paixão. É Ele quem nos amou primeiro, é Ele quem
abriu os braços na Cruz, sussurrando a cada um de nós: “Você é precioso aos meus olhos e por você eu me entrego completamente”. Ao oferecer-se e entregar-se totalmente ao Pai, Jesus tornou-se, ao mesmo tempo, Sacerdote e Vítima.

Pelo Batismo, também nós somos feitos participantes do sacerdócio de Cristo. Também nós somos chamados a fazer de nossas vidas uma oferta de amor, a vivê-las em comunhão com Deus e a oferecê-las pelos nossos irmãos e irmãs.
Há almas que, por um plano divino particular, são chamadas a viver essa oferta de maneira mais profunda e plena. Esse é o caso da Serva de Deus Luisa Piccarreta. Ela foi escolhida pelo Senhor para entrar em uma intimidade extraordinária com a Sua Vontade e para testemunhar, com sua vida oculta e de sacrifício, a beleza de uma existência inteiramente oferecida a Ele.
Luisa é uma vítima de amor. Ela é aquela que se deixou amar por Deus e retribuiu o amor de Deus, não apenas com o seu próprio amor, mas com o próprio amor de Deus. A entrega de si mesma alcança uma nova plenitude com Luisa: não apenas aceitar o que Deus quer, mas permitir-se ser transformada em um instrumento dócil, para que o próprio Jesus possa viver, amar, rezar e agir nela.

Jesus lhe diz:
“…Tu és como aquelas flores que não tiram da terra nem mesmo as suas raízes. Vivendo desta maneira, suspensa no ar, tu alegras o Céu e a terra; e, ao olhares para o Céu, dele apenas te deleitas e te nutres de tudo o que é celeste; e, ao olhares para a terra, sentes compaixão dela e a ajudas tanto quanto podes, da tua parte.
No entanto, em comparação com a fragrância do Céu, percebes imediatamente o mau cheiro que emana da terra, e o detestas…” (Vol. 4 – 18 de setembro de 1900)
E ainda:
“Sou Eu — sou Eu quem repete a minha Vida em ti. Sinto o anseio de ser amado por ti — não com um
amor de criatura, mas com o meu próprio amor. Por isso, eu te transformo, quero-te na minha Vontade, porque
em ti quero encontrar alguém que me represente e represente todas as criaturas. Quero-te como um órgão
que se presta a todos os sons que quero produzir…” (Vol. 12 – 25 de dezembro de 1918)
A vida do sacerdote é também um reflexo constante do amor de Cristo pela sua Igreja e pela humanidade, um amor que se manifesta plenamente na entrega total de si mesmo para a glória do Reino e a salvação das almas.
São João Crisóstomo afirma:
“Então, quem é o sacerdote? É o defensor da verdade, está junto aos anjos, glorifica com os arcanjos, faz subir os sacrifícios ao altar do alto, participa do sacerdócio de Cristo, remodela a criatura, restaura-a à imagem de Deus, recria-a para o mundo do alto e, o que é ainda maior, é divinizado e diviniza.” (São João Crisóstomo, Orationes 2,73)
Participando do sacerdócio de Cristo, o sacerdote é aquele que é chamado a conformar-se com Ele, o Sumo e Eterno Sacerdote. Sua tarefa é ser um *alter Christus*, um outro Cristo; e, como tal, deve participar intimamente do mistério do sacrifício. Isso significa não apenas pronunciar as palavras da consagração, mas também assumir como seu o espírito de entrega total que animou toda a obra de Jesus.
O sacerdote é chamado não apenas a agir como Cristo, mas a viver como Cristo, a pensar como Cristo, a amar como Cristo. Na *Pastores Dabo Vobis*, São João Paulo II enfatiza que a identidade sacramental deve traduzir-se numa conformação total da própria vida à do Bom Pastor.
“Ele (o sacerdote) é uma imagem viva e transparente de Cristo sacerdote.” (Pastores Dabo Vobis)
Isso revela uma profunda complementaridade entre a missão sacerdotal e a missão de Luísa como vítima. Ambos são chamados a uma profunda identificação com Cristo. 3
«Quero fazer de ti uma Imagem Perfeita de Mim», diz Jesus a Luisa (Vol. 1)
«Que todas as tuas obras brilhem com as mesmas intenções que as minhas, puras e santas, para que, encontrando a minha própria
imagem em ti, Eu possa derramar livremente a influência das minhas graças» (Vol. 2 – 4 de julho de 1899)
Se o sacerdote age através do poder sacramental conferido pela Ordem Sagrada, Luisa representa como
toda a Igreja — e cada pessoa batizada — é chamada a participar do sacerdócio de Cristo através
da oferta da própria vida.
Jesus escolheu Luisa como alma vítima e preparou-a gradualmente para esta missão. Os primeiros volumes do
Livro do Céu referem-se ao espírito de mortificação, aniquilamento de si mesma, esvaziamento, sacrifício, e depois
chegam aos três matrimónios místicos e ao dom dos estigmas invisíveis:
«A primeira coisa que quero que mortifiques é a tua vontade… Quero que te mantenhas sacrificada como
vítima diante de Mim, para que a tua vontade e a Minha se tornem uma só…» (Vol. 1)
«Quero que sejas como uma criança envolta em faixas, que não consegue mover nem o pé para
dar um passo, nem a mão para trabalhar, mas espera tudo da sua mãe. Da mesma forma, tu
ficarás junto de Mim como uma criança, pedindo-Me sempre que te assista, que te ajude; sempre
confessando-Me o teu nada – em suma, esperando tudo de Mim.» (Vol. 1).
Podemos extrair algumas informações históricas importantes sobre Luisa da biografia oficial «Il Sole
della Mia Volontà» (O Sol da Minha Vontade), escrita por Maria Rosaria Del Genio e publicada pela
Editora do Vaticano. Em particular, emergem dois episódios fundamentais, ocorridos quando Luisa era pouco mais que uma menina, mas que marcariam profundamente toda a sua vida.

1) O primeiro: quando Luisa tinha apenas 13 anos, foi imersa no imenso mar da Paixão de Jesus.
Da varanda de sua casa, Luisa viu JESUS ​​PASSANDO, CARREGANDO A CRUZ.
O Senhor levantou os olhos para ela e pediu a sua ajuda. A resposta de Luisa foi imediata e total: ela queria libertá-Lo de Seus algozes e pediu para compartilhar o sofrimento d’Ele. “Dá-me o Teu sofrimento”, disse ela, “não é justo que Tu sofras tanto e eu, uma pecadora,
permaneça sem sofrer!” (Vol. 1)

2) O segundo: em Torre Disperata, quando Luisa tinha 17 anos, começou o que ela mesma chamou de
“vida nova”. – A aceitação de sua condição de vítima.
Pouco depois, enquanto estava na fazenda de sua família em Torre Disperata, Luisa teve uma visão dramática: Jesus, quase despedaçado por Seus inimigos, foi deposto nos braços da Virgem Maria.
Nossa Mãe Celestial convidou Luisa a aproximar-se e perguntou-lhe: “Aproxima-te para beijar as chagas de meu Filho. Ele te escolhe como vítima e, se muitos O ofendem, tu, ao oferecer-te para sofrer o que Ele sofre, dar-Lhe-ás um alívio em meio a tanto sofrimento. Não aceitas?”
(Vol. 1).
Ao beijar as chagas d’Ele, Luisa ofereceu-se como vítima e, a partir de então, Jesus começou a compartilhar Seus sofrimentos com ela. Quando Jesus lhe comunicava Seus sofrimentos, Luisa perdia a consciência e permanecia petrificada, conseguindo sair desse estado apenas por intervenção divina.

Um aspecto central da missão de Luisa é a sua profunda interdependência com o sacerdote, conforme desejado pelo próprio Jesus. Após um longo período de “petrificação”, que durou cerca de dezoito dias, um sacerdote agostiniano, o Padre Cosma Loiodice, foi chamado. Por meio do sinal da cruz, ele ordenou a Luisa, “por obediência”, que retornasse ao seu estado normal. Inicialmente, Luisa atribuiu o ocorrido à santidade do sacerdote. No entanto, quando, em outra ocasião, um sacerdote diferente também conseguiu despertá-la com uma bênção, Luisa compreendeu uma verdade mais profunda: sua libertação não dependia da santidade pessoal do sacerdote, mas da autoridade sacerdotal conferida por Deus.
Jesus deseja que Luisa seja libertada de seu estado de petrificação por meio de Seus ministros, pois o sacerdote não é apenas uma testemunha, mas também coopera com Ele ao oferecer a vítima, para que ela possa cumprir sua missão diante de Deus. Daí a interdependência entre eles.
Jesus explica: “Minha amada, eis o símbolo da Sacrossanta Trindade: Eu, o Pai e tu. O meu amor, mesmo *ab aeterno* [desde a eternidade], nunca esteve só, mas sempre unido em perfeita e recíproca união com as Pessoas Divinas, pois o verdadeiro amor nunca permanece sozinho… Se soubesses quanto Me deleito e tenho prazer em poder continuar, nas criaturas, aquele amor que reinava desde a eternidade — e que ainda reina — na Santíssima Trindade. É também por isso que te digo que quero o consenso da intenção do confessor unido a Mim, para poder continuar esse amor de maneira mais perfeita.” (Vol. 4, 23 de outubro de 1900)
Luisa permaneceria sujeita à autoridade sacerdotal até o fim de sua vida — uma submissão que ela mesma descreveria como “a cruz mais pesada que já tive de carregar em minha vida”. Esse vínculo ganharia forma ao longo do tempo por meio da assistência espiritual de seu confessor oficial.
Embora Luisa expressasse o quanto lhe era doloroso depender dos sacerdotes — especialmente para ser despertada de seu estado habitual —, ela sempre demonstrou profunda estima e docilidade para com seus confessores, manifestadas por meio da virtude da obediência. Para ela, a obediência é o caminho que conduz a Deus. “A Vontade de Deus faz com que se tome posse do que é divino, mas a obediência é a chave para abrir a porta e entrar nessa posse.” (Vol. 8 – 3 de outubro de 1907)

A verdadeira união com Deus e com a Sua Vontade eterna ocorre por meio da obediência à Igreja e aos seus pastores.
Luisa nos ensina que não pode haver vida autêntica na Vontade Divina sem essa comunhão filial e amorosa.

OS CONFESSORES DE LUISA: INSTRUMENTOS DO PLANO DIVINO

 

Com o auxílio da biografia oficial, examinaremos quem foram os confessores oficiais de Luisa. Veremos como eles desempenharam um papel central e providencial na jornada mística da Serva de Deus Luisa Piccarreta. De fato, longe de serem figuras aleatórias, eles foram escolhidos e guiados por Deus para apoiar
Luisa em sua missão e para transmitir a mensagem da Vontade Divina à Igreja.
“…Por meio de ti, quero depositar esta doutrina celestial nos meus ministros, como meus novos apóstolos,
para que primeiro eu possa formar com eles o elo de ligação com a minha Vontade, e depois eles possam
transmiti-la no meio dos povos. Se não fosse assim, ou se não devesse ser assim, eu não teria insistido tanto
para que escrevesses, nem teria permitido a vinda diária do sacerdote; teria deixado toda a minha obra
apenas entre Mim e ti. Portanto, sê atenta e deixa-Me livre para fazer em ti o que Eu quiser.” (Vol. 19 – 15 de junho de 1926)
 Como mencionamos anteriormente, o primeiro sacerdote a assistir Luisa foi o padre agostiniano Padre Cosma Loiodice (1882-1886).

Como a própria Luisa diria mais tarde, a assistência dele caracterizava-se pelo amor e pelo conforto diante do grande sofrimento que ela vivenciava. No entanto, como nunca lhe perguntara nada a esse respeito, ele desconhecia os diálogos interiores que animavam a vida dela.

O Padre Cosma foi substituído pelo Padre Michele De Benedittis (1886-1898).

Um ponto de virada decisivo ocorreu com o Padre Michele. Pela primeira vez, Luisa começou a revelar o seu “interior” e a relatar as suas visões. Foi o próprio Jesus quem lhe ordenou que revelasse o que Ele lhe dizia. O Padre Michele assumiu plenamente o papel de diretor espiritual, solicitando ser informado sempre que Jesus quisesse que Luisa sofresse, visto que ela também devia obediência ao seu confessor.

 O Padre Michele De Benedittis foi substituído pelo Padre Gennaro De Gennaro (1898–1922).
O Padre Gennaro seria o confessor mais importante para a missão específica de Luisa. Em 1899, ele lhe impôs a obediência de registrar por escrito tudo o que acontecia entre ela e Jesus.
Essa obediência foi fundamental: por meio dela, foi confiada a Luisa a tarefa de comunicar à Igreja os “Conhecimentos” sobre a “santidade de viver na Vontade Divina”.
A escrita tornou-se “um dos maiores sacrifícios” para Luisa. Ela não dominava a arte da escrita, cometia erros ortográficos e, sobretudo, sentia uma “grande repugnância” em revelar a intimidade de suas conversas com Jesus. Apenas a obediência a sustentava, com a certeza de que ela seria desculpada e justificada diante de Deus e das pessoas. “O que você teme? Não o auxiliei nas outras vezes? Minha luz o envolverá
por toda parte, e assim você poderá manifestá-la…
Enquanto Ele dizia isso, não sei como, vi o confessor perto de Jesus; e o Senhor lhe disse:
Veja, tudo o que você faz passa para o Céu. Portanto, veja com que pureza você deve
agir, pensando que todos os seus passos, palavras e obras se apresentam diante da minha presença;
e se forem puros — isto é, se forem feitos por Mim —, Eu neles encontro imenso
deleite e os sinto ao meu redor como muitos mensageiros que continuamente Me lembram de você.
Mas, se forem feitos por motivos baixos e terrenos, sinto-Me incomodado com eles…
‘Mantenha os olhos sempre no alto; você é do Céu — trabalhe para o Céu!’” (Vol. 2)
Dom Gennaro permaneceu ao lado de Luisa ininterruptamente por 24 anos, até 10 de março de 1922, dia de sua
morte. Luisa tinha um vínculo profundo com ele, e sua morte lhe causou grande sofrimento.
 Após a morte de Dom Gennaro, Dom Francesco De Benedittis assumiu a função (1922-1926).
Dom Francesco desempenhou um papel importante na planejada publicação dos Volumes. Ele
colaborou com o Padre Annibale na cópia integral dos manuscritos. No entanto,
acompanhou Luisa por apenas quatro anos, pois faleceu prematura e repentinamente em 30 de janeiro de 1926.
Em uma carta ao Padre Annibale, Luisa disse que ele a guiava com grande amor. Ela o considerava
um santo.
A terra não era digna de possuí-lo; por isso, o Senhor o levou para o Céu consigo.
(Cf. Vol. 18 – 30 de janeiro de 1926)
 Dom Francesco De Benedittis foi substituído por Dom Benedetto Calvi (1926-1947).
Dom Benedetto era pároco da Igreja de Santa Maria Greca e capelão das Irmãs do Divino
Zelo, onde Luisa, novamente por obediência, viveu por dez anos (7 de outubro de 1928 a 7 de outubro de 1938). Ele
foi o último confessor de Luisa e, juntamente com o Padre Rogacionista Pantaleone Palma, deu novo
impulso à publicação de seus escritos. Em 1930, “Nel Regno della Divina Volontà”… Foi publicada a obra *Storia di un’anima* (No Reino da Divina Vontade: História de uma Alma), contendo os primeiros volumes do Diário. Em 1932, foi publicada a obra *La Vergine Maria nel Regno della Divina Volontà* (A Virgem Maria no Reino da Divina Vontade). Em 1934, Dom Benedetto editou a 5ª edição de *O Relógio da Paixão*, com o Tratado sobre a Divina Vontade em anexo.
Em um escrito inédito de Dom Benedetto, há uma descrição de seus sentimentos após conhecer Luisa:
“Ao aproximar-se dela, sente-se imediatamente uma aura de pureza. Quem a visitou durante os seus cerca de 70 anos de martírio no leito sentiu uma fragrância celestial emanar de seu rosto. Ela exibia a expressão simples de uma pomba branca como a neve, que só tocava o chão para voar em direção ao céu.” (*O Sol da Minha Vontade* – ver p. 63)
Além disso, há uma carta sua datada de 24 de março de 1947, na qual ele comunica a um certo Tommasino, que havia emigrado para a América, o falecimento de Luisa:

“Meu caríssimo Tommasino… Luisa já não está mais entre nós… ela está no céu, na luz imensa da Divina Vontade, gloriosa e triunfante na glória dos Santos… Estive com ela até o último momento… ela faleceu em meus braços enquanto eu pronunciava, em vão, a absolvição final… Ela morreu como morrem os santos, como um ato final na Divina Vontade… Morreu uma santa! Perdemos a nossa Luisa… Unidas em vida com a Divina Vontade, unidas na morte no cemitério, unidas para sempre; confio na misericórdia de Deus, na glória da Divina Vontade.” (*O Sol da Minha Vontade* – ver pp. 185-186)

Foi a entrega total de si mesma a Deus que preparou o coração de Luisa para receber um dom ainda maior: viver na Divina Vontade. Jesus a escolheu desde a eternidade para que, vivendo na Sua Vontade, ela Lhe desse
amor divino, reparação e satisfação divina, que se encontram apenas na Sua Vontade Eterna.
“Minha filha, também tu és única em minha mente, e serás também única na história. Não haverá, nem antes nem depois de ti, outra criatura para quem Eu disponha, como que forçado pela necessidade, a assistência dos meus ministros. Tendo-te escolhido para depositar em ti a santidade, os bens, os efeitos e a atitude da minha Suprema Vontade, era apropriado, justo e conveniente para a própria santidade que a minha Vontade contém, que um dos meus ministros te assistisse e fosse o primeiro depositário dos bens que a minha Vontade contém, para fazê-los passar do seu seio para todo o corpo da Igreja… Portanto, assim como Nós confiamos a Nossa Mãe a São João, para que Ela pudesse depositar nele — e dele para a Igreja — os tesouros, as graças e todos os
meus ensinamentos… assim fiz contigo: visto que o ‘Fiat Voluntas Tua’ deve servir a toda a Igreja,
confiei-te a um ministro meu, para que possas depositar nele tudo o que te manifesto sobre a minha Vontade.” (Vol. 15 – 11 de julho de 1923). A relação entre Luisa e o sacerdote não era unilateral, mas um dom mútuo. Luisa não poderia ter cumprido sua missão sem a orientação e o discernimento dos sacerdotes; os sacerdotes não
teriam recebido a luz do conhecimento sobre a Vontade Divina sem o testemunho e as palavras de Luisa.
Todo relacionamento, se vivido em Deus, torna-se um canal de graça, um dom mútuo e um crescimento
comum em santidade.
No Vol. 14, na passagem datada de 13 de março de 1922, Luisa encontra-se “fora de si”, em um vale
florido, onde encontra seu confessor falecido (Don Gennaro de Gennaro, que havia morrido três dias
antes, em 10 de março de 1922), o qual lhe fala sobre as verdades divinas como raios de luz e sobre o bem
que recebeu ao ouvi-las:
“…Deves saber que, quando Jesus fala contigo e te manifesta as Suas verdades, raios de luz
caem sobre ti. Naquela época, quando as manifestavas a mim — não possuindo a virtude d’Ele —,
tu as manifestavas gota a gota; e, no entanto, a minha alma permanecia toda repleta daquelas gotas de luz.

Essa luz me dava um maior impulso, mais desejo de ouvir mais verdades, para poder receber mais
luz, pois as verdades trazem um perfume celestial e uma sensação divina — e isso, apenas ao ouvi-las. O que será para aqueles que as põem em prática? É por isso que eu amava — eu desejava tanto ouvir o que Jesus te dizia, e queria contar aos outros: era luz e perfume o que eu sentia, e queria que os outros também deles participassem. Se soubesses o grande bem que a minha alma recebeu ao ouvir as verdades que Jesus te dizia!”

As verdades divinas continuam a iluminar o confessor mesmo além da morte; uma luz que flui e se renova, sinal de vida eterna e de participação contínua na Vontade Divina. Dom Gennaro continua dizendo a ela:
“Como ela [minha alma] ainda goteja luz e emana uma fragrância celestial, que não apenas me refresca, mas serve de luz para mim e para aqueles que estão ao meu redor. E, à medida que você realiza seus atos na Vontade Divina, eu participo deles de modo especial, pois sinto a semente da Sua Santíssima Vontade que você semeava em mim.”
Por meio da correspondência de Luisa, redescobrimos também a Semente da Vontade Divina que ela semeou
nas almas dos confessores e dos sacerdotes em geral que a acompanhavam. De fato, há inúmeras cartas
que refletem o profundo amor de Luisa pelos sacerdotes — um amor espiritual puro, dócil e respeitoso,
no qual lemos um único convite que ela lhes dirige: viver no *Fiat* Divino para que possam extrair
d’Ele toda a sua obra.
Em uma carta datada de 10 de janeiro de 1944, Luisa escreve:
“Reverendíssimo Monsenhor,
Não sei como agradecer-lhe pela sua atenção — por lembrar-se da pequena serva de Jesus —, nem sei como retribuir-lhe. Só posso rezar para que o querido Jesus faça com que o senhor viva da Vontade Divina, pois somente Ela pode nos fazer felizes e tornar-nos santos com a Sua própria santidade. Tanto mais que o único desejo de Jesus é que vivamos na Sua Vontade, pois, se nela vivemos, Ele pode nos dar tudo o que quiser. Jesus quer manifestar o Seu amor, mas a nossa vontade é pequena e Ele não sabe onde depositá-lo. Ele quer nos conceder graças surpreendentes, mas a nossa vontade é incapaz de…”

É a partir desse espírito de amor, oração e reparação que Luisa cultivava em relação aos sacerdotes que, no âmbito da Associação Luisa Piccarreta, floresceu uma missão especial inspirada pela Irmã Assunta Marigliano, chamada “Mães Místicas para os Sacerdotes”.
Seguindo o exemplo da Virgem Maria, que acolheu Jesus em sua vida, a “mãe mística” adota espiritualmente um sacerdote cujo nome é conhecido apenas por Deus. Ela o acolhe em seu coração, nutre-o com a oração, guarda-o com amor e o sustenta com a sua oferta, dando continuidade, ao longo do tempo, à maternidade espiritual que Luisa exercia para com os ministros de Deus, tornando-se assim pequenas luzes no grande Sol da Divina Vontade.
No livro *A Virgem Maria no Reino da Divina Vontade*, no 20º dia, nossa Mãe Celeste afirma:
“A maternidade significa e representa o verdadeiro amor — um amor heroico, um amor que se sacrifica para dar vida àquele que gerou. Se isso falta, a palavra maternidade é estéril, vazia e reduzida a meras palavras; na prática, ela não existe. Portanto, minha filha, se desejas gerar todos os bens, deixa que o *Fiat* assuma a sua vida operativa em ti; ele te dará a maternidade, e amarás a todos com amor de mãe. E eu, tua Mãe, te ensinarei a tornar fecunda em ti essa maternidade plenamente santa e divina.”
Todos nós — leigos, pessoas consagradas, sacerdotes — somos chamados a fazer surgir essa maternidade divina em nós mesmos; mas isso só é possível se a Divina Vontade assumir uma vida ativa em nós, se a nossa vontade permitir ser absorvida e transformada por Deus. Então, como Maria, nos tornaremos instrumentos vivos do *Fiat*, gerando vida divina nas almas. A missão de Luisa e a do sacerdote, embora diferentes, encontram-se em um ponto comum: ambos são chamados a dar espaço à Vontade de Deus, para que Ela reine neles e, por meio deles, na Igreja e no mundo. E esse chamado não diz respeito apenas a alguns poucos. É um chamado para todos. A santidade é um dom oferecido a todo batizado. Cabe a nós nos dispormos, abrirmos nossos corações e acolhermos este convite de amor, para que Deus possa dizer de nós o que disse a Luisa:

“O desígnio que tenho sobre ti não é de coisas prodigiosas, nem de muitas coisas que Eu poderia realizar
em ti para manifestar a minha obra; antes, o meu desígnio é absorver-te na minha Vontade, tornando-te uma só coisa com Ela, e fazer de ti um exemplo perfeito de conformidade da tua vontade com a Minha” (Vol. 3 – 21 de maio de 1900)

XXX
Senhor Deus, Criador da minha alma, Tu que és um pintor sublime, aceita hoje o meu coração como uma tela que Te pertence.
Concede-me que eu Te entregue a minha vontade, para que ela seja o pincel com o qual possas pintar livremente a Tua imagem em mim.
Mas Tu, ó Jesus, dá-me a Tua Vontade, para que eu a use como pincel em minhas mãos e pinte a minha imagem no Teu Coração.
Concede-me, então, o dom do amor: que ele seja a tinta viva e variada que dá cor e esplendor à minha vida transformada em Ti.
Ó Senhor, guia as minhas ações e o meu coração, para que eu me torne cada vez mais semelhante a Ti.

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