Estudo 16 – Livro do Céu Vol. 1 ao 11 – Escola da Divina Vontade

Escola da Divina Vontade
Estudo 16 – Livro do Céu Vol. 1 ao 11 – Escola da Divina Vontade
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MEDITAÇÃO

LIVRO DO CÉU VOLUME 1

(124) Depois de que passei algum tempo neste estado descrito acima, cerca de seis ou sete meses, os sofrimentos aumentaram mais, tanto que me vi obrigada a estar na cama, freqüentemente se multiplicava aquele estado de perder os sentidos, e quase não tinha nem uma hora livre, me reduzi a um estado de extrema debilidade, a boca se apertava de tal modo que não a podia abrir e em algum momento livre que tinha apenas algumas gotas de algum líquido podia tomar, se é que o conseguia, E depois era obrigada a devolvê-lo pelos vómitos que sempre tive.

Depois de que estive dezoito dias neste estado contínuo, mandou-se chamar o confessor para me confessar. Quando o confessor veio me encontrou nesse estado de letargia. Quando me recuperei me perguntou o que tinha, somente lhe disse, calando todo o resto, e como continuavam as moléstias dos demônios e as visitas de Nosso Senhor, então lhe disse: “Padre, é o demônio”. Ele me disse para não ter medo, porque se for ele, o padre liberta-te. Assim dando-me a obediência e perseguindo-me com a cruz e ajudando-me a mover os braços, porque sentia todo o corpo petrificado como se tudo se tivesse tornado numa só peça, conseguiu que os braços retomassem o movimento, Conseguiu fazer com que a boca se abrisse depois de estar imóvel para tudo. Atribuí isto à santidade do  meu confessor, que na verdade era um santo sacerdote, considerei-o quase um milagre, tanto que dizia entre mim: “Olha, estavas prestes a morrer”.
Porque na verdade me sentia mal, e se tivesse durado esse estado, eu acho que teria deixado a vida. Se bem me lembro que estava resignada e quando me vi libertada senti um certo pesar porque não tinha morrido.
(125) Depois que o confessor se foi, e eu fiquei livre voltei ao mesmo estado de antes, e assim acontecia, às vezes semanas, às vezes quinze dias e até meses em que era surpreendida de vez
em quando por aquele estado durante o dia, mas por mim mesma consegui libertar-me; depois quando era surpreendida com mais frequência, como disse mais acima, então os familiares
mandavam chamar o confessor, pois tinham visto que a primeira vez tinha ficado libertada por ele, quando todos acreditavam que não me haveria de recuperar mais daquele estado, E, em vez disso, até pude ir à igreja, por causa disto chamavam o confessor e então ficava livre. Nunca me passou pela mente que para tal estado se necessitasse o sacerdote para libertar-me, nem que meu mal fosse uma coisa extraordinária; é certo que quando perdia os sentidos via Jesus Cristo, mas isto atribuía-o à bondade de Nosso Senhor e dizia para mim mesma: “Olha como o Senhor é bom para mim, que neste estado de sofrimentos vem a dar-me a força, de outra maneira como poderia sustentar-me, quem me daria a força?” Também é verdade que quando devia cair nesse estado, na manhã da Comunhão Jesus me dizia isso, e caindo nesse estado de Ele mesmo me vinham os sofrimentos, mas não dava importância a nada. Só de pensar alguma vez em dizê-lo ao confessor eu acreditava ser a alma mais soberba que existisse no mundo se me atrevia a falar destas coisas de ver a Jesus Cristo; e sentia tal vergonha que foi impossível dizer algo a esse confessor apesar do bom e santo que era. Tanto é verdade, que não acreditava que se necessitasse do sacerdote para me libertar e que isto acontecia pela santidade do confessor, que quando chegou o tempo, ele foi ao campo, então uma manhã, depois da Comunhão o Senhor me fez entender que devia ser surpreendida por esse estado, Convidou-me a fazer-lhe companhia com a participação nas suas dores, mas eu subitamente lhe disse: “Senhor, como farei? O confessor não está, quem deve me libertar? Quer acaso me fazer morrer?” E o Senhor me disse somente:
(126) “Sua confiança deve estar somente em Mim, esteja resignada, pois a resignação faz a alma luminosa, faz estar em seu lugar às paixões, de modo que Eu, atraído por esses raios de luz, vou à alma e a uniformo toda em Mim, e a faço viver de minha mesma Vida”.

2-18
Maio 2, 1899

Como na Igreja está refletido todo o Céu.

(1) Esta manhã Jesus dava muita compaixão, estava tão aflito e sofredor que eu não me atrevia a lhe fazer nenhuma pergunta, nos olhávamos em silêncio, de vez em quando me dava um beijo e eu a Ele, e assim continuou a fazer-se ver algumas vezes. A última vez me fez ver a Igreja dizendo-me estas palavras:
(2) “Na minha Igreja está representado todo o Céu: Assim como no Céu uma é a cabeça, que é Deus, e muitos são os santos, de diferentes condições, ordens e méritos, assim na minha Igreja, uma é a cabeça, que é o Papa, e até na tiara que rodeia sua cabeça está representada a Trindade Sacrossanta, e muitos são os membros que desta cabeça dependem, ou seja, diferentes dignidades, diferentes ordens, superiores e inferiores, desde o menor até o maior, todos servem para embelezar a minha Igreja, e cada um, segundo o seu grau, tem um ofício que lhe foi dado, e com o exato cumprimento das virtudes vem dar de si na minha Igreja um esplendor odoroso, de modo que a terra e o Céu ficam perfumados e iluminados, e as pessoas ficam tão atraídas por esta luz e por este perfume, que é quase impossível não se render à verdade. Deixo-te a ti considerar aqueles membros infectados, que em vez de produzir luz dão trevas, quantos destroços fazem na minha Igreja!”
(3) Enquanto Jesus assim me dizia, vi o confessor junto a Ele, Jesus com o seu olhar penetrante olhava-o fixamente; depois, dirigindo-se a mim, disse-me:
(4) “Quero que tenha plena confiança com o confessor, mesmo nas mínimas coisas, tanto que entre Eu e ele não deve haver diferença alguma, porque na medida de sua confiança e da fé que der a suas palavras, assim Eu entrarei em contato”.
(5) No momento em que Jesus dizia estas palavras lembrei-me de certas tentações do demônio que haviam produzido em mim um pouco de desconfiança, mas Jesus com seu olho vigilante, de imediato me tomou novamente junto a Si, e nesse mesmo instante senti-me a tirar de dentro de mim essa desconfiança. Seja sempre bendito o Senhor, que tem tanto cuidado desta alma tão miserável e pecadora.

3-17
Dezembro 2, 1899

Eloquente elogio da cruz.

(1) Encontrando-me muito aflita por certas coisas que não é lícito dizer aqui, o amável Jesus, querendo aliviar-me na minha aflição veio com um aspecto todo novo, me parecia vestido de cor celeste, todo adornado de sinos pequenos de ouro, que ao baterem umas nas outras ressoavam com um som jamais ouvido. Ante o aspecto de Jesus e o harmonioso som me senti encantar e aliviar em minha aflição, que como fumaça se afastava de mim. Eu teria permanecido ali, em silêncio, tanto me sentia encantar as potências de minha alma, se o bendito Jesus não tivesse rompido meu silêncio ao me dizer:
(2) “Minha querida filha, todos estes sinos são tantas vozes que te falam do meu amor e que te chamam a amar-me. Agora, deixe-me ver quantos sinos você tem, que me falem de seu amor e
que me chamem a te amar”.
(3) E eu, toda cheia de vergonha, disse-lhe: “Ah Senhor! Que dizes? Eu não tenho nada, não tenho outra coisa senão defeitos”.
(4) Então Jesus compadecendo-se da minha miséria, continuou a dizer-me:
(5) “Tu não tens nada, é verdade, pois bem, quero adornar-te Eu com os meus sinos, a fim de que possas ter tantas vozes para me chamar e para me demonstrar o teu amor”.
(6) Assim parecia que como uma faixa adornada destes sininhos me apertava a cintura. Depois disto, fiquei em silêncio e Ele acrescentou:
(7) “Hoje quero entreter-me contigo, diz-me alguma coisa”.
(8) E eu: “Você sabe que todo meu contentamento é estar junto Contigo, e tendo-te a Ti tenho tudo, por isso possuindo-te a Ti, parece-me que não tenho outra coisa que desejar, nem que dizer”.
(9) E Jesus: “Faze-me ouvir a tua voz que recria o meu ouvido, conversemos um pouco juntos, Eu te falei tantas vezes da cruz, hoje deixa-me ouvir-te falar da cruz”.
(10) Eu me sentia toda confusa, não sabia o que dizer, mas Ele me enviou um raio de luz intelectual, e para agradá-lo comecei a dizer: “Meu amado, quem te pode dizer que coisa é a cruz?
, só a tua boca pode falar dignamente da sublimidade da cruz, mas já que queres que eu fale, está bem, faço-o: A cruz sofrida por Ti libertou-me da escravidão do demônio e me desposou com a
Divindade com nó indissolúvel; a cruz é fecunda e me sustém a graça; a cruz é luz e me desaponta do temporal, e me descobre o eterno; a cruz é fogo, e tudo o que não é de Deus o transforma em cinzas, até me esvaziar o coração do menor fio de erva que possa estar nele; a cruz é moeda de inestimável preço, e se eu tenho, Esposo Santo, a fortuna de possuí-la, me enriquecerei de moedas eternas, até me tornar a mais rica do paraíso, porque a moeda que corre no Céu é a cruz sofrida na terra; a cruz faz-me conhecer mais a mim mesma, e não só isso, mas dá-me o conhecimento de Deus; a cruz enxerta-me todas as virtudes; a cruz é a nobre cátedra da Sabedoria incriada, que me ensina as doutrinas mais altas, sutis e sublimes; assim que só a cruz me revelará os mistérios mais escondidos, as coisas mais recônditas, a perfeição mais perfeita escondida aos mais doutos e sábios do mundo. A cruz é como água benéfica que me purifica, não só isso, senão que me fornece o nutrimento às virtudes, faz-me crescer e só me deixa quando me conduz à vida eterna. A cruz é como orvalho celeste que me conserva e me embeleza o belo lírio da pureza; a cruz é o alimento da esperança; a cruz é a tocha da fé obrante; a cruz é aquele lenho sólido que conserva e mantém sempre aceso o fogo da caridade; a cruz é aquele pau seco que faz desvanecer e pôr em fuga toda fumaça de soberba e de vanglória, e produz na alma a humilde violeta da humildade; a cruz é a arma mais poderosa que fere os demônios e me defende de suas garras. Assim que a alma que possui a cruz, é de inveja e admiração aos mesmos anjos e santos;
de raiva e desdém aos demônios. A cruz é o meu paraíso na terra, de modo que se o paraíso de lá, dos bem-aventurados, são as alegrias; o paraíso daqui são os sofrimentos. A cruz é a corrente de ouro puríssimo que me une Contigo, meu sumo Bem, e forma a união mais íntima que se possa dar, até fazer desaparecer meu ser e me transforma em Ti, meu objeto amado, tanto de sentir-me perdida em Ti e vivo de tua mesma vida”.
(11) Depois de dizer isto, (não sei se são desatinos) meu amável Jesus ao me ouvir, tudo se comprazia e levado por um entusiasmo de amor, toda me beijava e me disse:
(12) “Bravo, bravo a minha amada filha, disse bem. Meu amor é fogo, mas não como fogo terreno que onde quer que penetre tudo o torna estéril e reduz tudo a cinzas. Meu fogo é fecundo e só esteriliza o que não é virtude, mas a tudo o mais dá vida e faz germinar as belas flores, faz produzir os mais requintados frutos e converte a alma no mais delicioso jardim celestial.
(13) A Cruz é tão poderosa e comuniquei-lhe tanta graça, que a tornei mais eficaz que os próprios sacramentos, e isto porque ao receber o sacramento do meu corpo, são necessárias as disposições e o livre concurso da alma para receber as minhas graças, que muitas vezes podem faltar, mas a cruz tem a virtude de dispor a alma à graça”.

4-16
Outubro 4, 1900

Jesus sofre ao castigar o homem porque são suas imagens.

(1) Depois de ter passado um dia de privação e com escasso sofrimento, sentia-me convencida de que o Senhor não queria ter-me mais neste estado; no entanto a obediência, mesmo nisto, não quer ceder, e quer que continue a estar nele, ainda que deva morrer. Seja sempre bendito o Senhor e em tudo seja feito seu santo e amável Querer. Então, esta manhã, ao vir o bendito Jesus, fazia-se ver em um estado que dava compaixão, parecia que sofria em seus membros, e seu corpo era cortado em tantos pedaços que era impossível numera-los; e com voz lastimosa dizia:
(2) “Minha filha, que sinto! O que sinto! são penas inenarráveis e incompreensíveis à natureza humana; é carne de meus filhos que é dilacerada, e é tanto a dor que sinto, que me sinto dilacerar
minha própria carne”.
(3) E enquanto isso gemia e doía. Eu sentia-me enternecedor ao vê-lo neste estado, e fiz tudo o que pude por compadecê-lo e rogar-lhe que me participasse suas tristezas. Agradou-me em parte e apenas pude dizer-lhe: “Ah Senhor, não te dizia eu, que não lançasses mão dos castigos, porque o que mais me desagrada é que ficarás ferido nos teus próprios membros? Ah, desta vez não houve modos nem orações para aplacar-te!” Mas Jesus não prestou atenção a minhas palavras, parecia que tinha uma coisa séria no coração que o levava a outra parte, e num instante me transportou fora de mim mesma, levando-me a lugares onde Ocorriam massacres sangrentos.
Oh, quantas cenas dolorosas se viam no mundo, quantas carnes humanas atormentadas, feitas em pedaços, pisoteadas como se pisa a terra e deixadas sem sepultar; quantas desgraças, quantas misérias! e o pior era que outras coisas mais terríveis deviam acontecer. O bendito Senhor olhou, e comovendo-se tudo começou a chorar amargamente. Eu, não podendo resistir chorei junto com Ele a triste condição do mundo, tanto que minhas lágrimas se misturavam com as de Jesus. Depois de ter chorado um bom momento, admirei outro traço da bondade de Nosso Senhor: Para fazer que deixasse de chorar ocultou seu rosto de mim, secou-se as lágrimas, e logo voltando-se de novo com rosto alegre me disse:

(4) “Amada minha, não chores, basta, basta, o que vês serve para justificar a minha Justiça”.

(5) E eu: “Ah Senhor, digo bem que já não é Vontade tua o meu estado, em que aproveita o meu estado de vítima se não me for dado livrar os teus caríssimos membros e isentar o mundo de
tantos castigos?”
(6) E Ele: “Não é como você diz; também Eu fui vítima, e apesar de sê-lo não me foi dado livrar ao mundo de todos os castigos; abri-lhe o Céu, o livrei da culpa, sim, levei sobre Mim suas penas, mas é justiça que o homem receba sobre si parte daqueles castigos que ele mesmo se atrai pecando.
E, se não fosse pelas vítimas, não só mereceria o simples castigo, ou seja, a destruição do corpo, mas também a perda da alma; e eis a necessidade das vítimas, que quem se quiser servir delas, porque o homem é sempre livre na sua vontade, pode encontrar o perdão da pena e o porto de sua salvação”.
(7) E eu: “Ah Senhor, como gostaria de ir antes que avancem mais estes castigos!”
(8) E Ele: “Se o mundo chega a tal impiedade de não merecer nenhuma vítima, seguro que te levarei”.
(9) Ao ouvir isto disse: “Senhor, não permita que permaneça aqui, e assistir a cenas tão dolorosas”.
(10) E Jesus, quase me repreendeu acrescentou: “Em vez de me pedir que os liberte, você diz que quer vir; se Eu levasse todos os meus, o que seria do pobre mundo? Certamente não teria mais o que fazer com ele, e não lhe teria mais nenhuma consideração”.
(11) Depois disso eu pedi por várias pessoas, Ele desapareceu e eu retornei em mim mesma.

5-17
Agosto 3, 1903

Quanto mais a alma se despoja das coisas naturais, tanto mais adquire as coisas sobrenaturais e divinas.

(1) Encontrando-me no meu habitual estado, assim que chegou o meu adorável Jesus fazia-me ouvir a sua dulcíssima voz que dizia:
(2) “Quanto mais a alma se despoja das coisas naturais, tanto mais adquire as coisas sobrenaturais e divinas; quanto mais se despoja do amor próprio, tanto mais conquista do amor de Deus; quanto menos se fatiga em conhecer as ciências humanas, em gozar os prazeres da vida, tanto de conhecimento de mais adquire das coisas do Céu, da virtude, e tanto mais as gostará convertendo as amargas em doces. Em suma, todas são coisas que andam de mãos dadas, de modo que se nada se sente de sobrenatural, se o amor de Deus está apagado na alma, se nada se conhece das virtudes e das coisas do Céu, e nenhum gosto se sente por elas, a razão é bem conhecida”.

6-19
Fevereiro 12, 1904

Lamentações da alma, Jesus tranquiliza-a.

(1) Continuando em meu estado habitual, sofrendo mais, veio o bendito Jesus e de todas as partes de sua humanidade saíam tantos riachos de luz que se comunicavam a todas as partes de meu corpo, e destes rios que eu recebia saíam de mim outros tantos rios que se comunicavam à Humanidade de nosso Senhor. Enquanto estava nisto encontrei-me rodeada por uma multidão de santos, que olhavam para mim e diziam entre eles: “Se o Senhor não concordar com um milagre não poderá viver mais, porque lhe faltam os humores vitais, o curso do sangue já não é natural, por isso, segundo as leis naturais deve morrer”. E rogavam a Jesus bendito que fizesse este milagre, que eu continuasse a viver, e nosso Senhor lhes disse:
(2) Pela comunicação dos rios, como vêem, significa que tudo o que ela faz, até as coisas naturais estão identificadas com a minha humanidade, e quando eu faço chegar a alma a este ponto, de tudo o que opera a alma e o corpo nada se perde, tudo permanece em Mim; enquanto que se a alma não chegou a identificar-se em tudo com a minha humanidade, muitas obras que faz se
perdem. E tendo-a feito chegar a este ponto, por que não posso eu levá-la?”
(3) Agora, enquanto diziam isto, pensava entre mim: “Parece que todos estão contra mim, a obediência não quer que eu morra, estes estão rogando ao Senhor que não me leve, que querem
de mim? Eu não sei por que quase à força querem que esteja nesta terra, afastada do meu sumo bem”. E toda me afligia. Enquanto isso pensava Jesus me disse:

(4) “Minha filha amada, não queira te afligir, as coisas do mundo ficam tristíssimas e sempre mais piorarão, se chegar o ponto em que deva dar livre desabafo a minha justiça te levarei, e então não escutarei mais a nenhum”.

6-20
Fevereiro 21, 1904

Promessa.

(1) Diante da presença da Santíssima Trindade, da Rainha-Mãe Maria Santíssima, do meu anjo guardião, e de toda a corte celestial, e por obedecer ao meu confessor, prometo que se o Senhor
por sua infinita misericórdia me fizer a graça de morrer, quando me encontrar com meu Esposo Celestial, rogarei e suplicarei o triunfo da Igreja e a confusão e conversão de seus inimigos; que em nosso país triunfe o partido católico e que a igreja de São Cataldo se reabra ao culto, que meu confessor fique livre de seus habituais sofrimentos, com uma santa liberdade de espírito e a
santidade de um verdadeiro apóstolo de nosso Senhor, e que, se o Senhor permite que me envie a Ele, pelo menos uma vez por mês, para lhe referir as coisas celestiais e coisas pertencentes ao bem da sua alma. Eu prometo, quanto está do meu lado e eu juro.

7-18
Maio 18, 1906

A alma sofre enquanto Jesus repousa.

(1) Estava sofrendo tanto na alma e no corpo, que eu mesma não sei como é que vivo, então vi em meu interior o bendito Jesus que repousava e dormia tranquilamente; eu o chamava, o
puxava, mas Ele não me prestava atenção. Depois de muito esperar me disse:
(2) “Minha querida, não queiras perturbar o meu repouso, não me disseste que queres sofrer em meu lugar, e que queres sofrer em tua humanidade tudo o que eu devia sofrer na minha se
estivesse vivo, tentando confortar meus membros sofredores com teus sofrimentos, Você está sofrendo para me deixar livre? Por isso enquanto você sofre Eu repouso”.
(3) E enquanto isso dizia, dormiu mais profundamente, e desapareceu. Isto que me disse são as minhas contínuas intenções nos sofrimentos.

8-16
Novembro 3, 1907

A alma na Divina Vontade deve comparecer a tudo.

(1) Esta manhã, encontrando-me no meu estado habitual, senti o meu amável Jesus mover-se dentro de mim, e repetia:
(2) “Vamos mais adiante”.
(3) Eu ao ouvir isto me encolhi de ombros dizendo: “Senhor, por que diz vamos mais adiante? Mas bendiga, irei mais adiante nos castigos, eu tenho medo de pôr nisto minha vontade”.
(4) E Ele: “Minha filha, minha Vontade e a tua são uma, e se digo vamos mais adiante nos castigos, não digo o mesmo no bem que faço às criaturas, que é, oh! quanto mais do que Os castigos? e nos muitos outros castigos que não mando, você não está unida Comigo? Então, quem está unido no bem, não deve estar unido nas mortificações? Entre Eu e você não deve haver divisões. Você não é outra coisa que aquela pequena erva que Deus se tem comprazido em dotar com uma maravilhosa virtude, e assim como à pequena erva da que não se conhece a virtude que contém pisa e nem sequer se olha, assim quem não conhece o dom que coloquei em ti e a virtude que contém minha erva, não só te pisa, senão que não compreende quanto me agrado Eu com dar valor às coisas menores”.
(5) Depois disto parecia que apoiava a sua cabeça sobre a minha, e eu disse: “Ah, faz-me sentir os teus espinhos!”
(6) E Ele: “Queres que te bata?”
(7) E eu: “Sim”. Neste momento vi nas mãos de Jesus uma vara com bolas de fogo, e eu vendo o fogo: “Senhor, tenho medo do fogo, bate-me só com a vara”.
(8) E Ele: “Não queres ser espancada, Eu vou-me embora”.
(9) E desapareceu sem me dar tempo para lhe pedir que me batesse como a Ele lhe agradasse.
Oh! como fiquei pensativa e aflita, mas Ele que é tão bom me perdoará.

9-15
Outubro 4, 1909
O pensamento de si mesmo deve ser interrompido para fazer o que Jesus faz.

(1) Continuando meu estado de aflição e de perda de meu bendito Jesus, estava segundo meu costume toda ocupada em meu interior nas horas da Paixão, justo na hora em que Jesus carrega o pesado madeiro da cruz. Todo mundo me estava presente: Presente, passado e futuro, minha fantasia parecia ver todas as culpas de todas as gerações que pressionavam e quase esmagavam o benigno Jesus, assim que a cruz não era outra coisa que uma folha de palha, uma sombra de peso em comparação com o peso de todos os pecados; eu tentei me estreitar a Jesus e dizia:
“Olha minha vida, meu bem, estou eu em nome de todos eles. Vês quantas ondas de blasfêmias?
E eu, para te reparar, te abençoo por todos. Vês quantas ondas de amargura, de ódios, de desprezos, de ingratidão, de pouquíssimo amor? E eu quero adoçar-te por todos, amar-te por todos, agradecer-te, adorar-te, honrar-te por todos, mas os meus reparos são frios, mesquinhos, finitos; tu que és o ofendido és Infinito, por isso também os meus reparos, meu amor, quero torná-los infinitos, e para torná-los infinitos, imensos, intermináveis, me uno a Ti, com tua mesma Divindade, e mais, junto com o Pai e com o Espírito Santo e te bendigo com vossas bênçãos, te amo com vosso amor, te adoço com vossas mesmas doçuras, te honro, te adoro como fazeis entre as Divinas Pessoas”. Mas quem pode dizer todos os desatinos que dizia? Não terminaria jamais se quisesse dizer tudo. Quando me encontro nas horas da Paixão, sinto que, juntamente com Jesus, também eu abracei a imensidão do seu agir, e por todos e por cada um glorifico a Deus, reparo, impetro por todos, e por isso é-me difícil dizer tudo. Então, enquanto fazia isso, o pensamento me disse: “Pensas nos pecados dos outros, e os teus? Pensa em ti, repara por ti”. Por isso tentei pensar nos meus males, nas minhas grandes misérias, nas privações de Jesus, que são causa dos meus pecados, e distraindo-me das coisas habituais do meu interior chorava a minha grande desventura. Enquanto eu estava nisto, meu sempre amável Jesus se moveu em meu interior, e com voz sensível me disse.
(2) “Queres tu julgar-te? O obrar do teu interior não é teu, senão meu, tu não fazes outra coisa que seguir-me, o resto faço tudo por Mim. O pensamento de ti mesma deve ser tirado, não deves fazer outra coisa senão o que quero Eu, e Eu pensarei em teus males e em teus bens. Quem pode fazer-te melhor, tu ou eu?”

(3) E mostrava que se desgostava. Então pus-me a segui-lo, mas pouco depois, chegando a outro ponto do caminho do calvário, no qual mais do que nunca me internava nas diversas intenções de Jesus, o pensamento me disse: “Não só deves tirar o pensamento de santificar-te, mas também o de salvar-te, não vês que por ti mesma não és boa para nada? Em que te aproveitará fazer pelos demais?” Eu, dirigindo-me a Jesus, disse-lhe: “Meu Jesus, o teu sangue não é para mim, as tuas dores, a tua cruz? Tenho sido tão má que tendo pisado sob meus pés com minhas culpas, Tu talvez as tenhas esgotado para mim, ah, perdoa-me, mas se não queres perdoar-me deixa teu Querer e estarei contente, tua Vontade é tudo para mim; fiquei só sem Ti, e só Tu podes conhecer a perda que tive, não tenho ninguém, as criaturas sem Ti me aborrecem, sinto-me nesta prisão do meu corpo como escrava em correntes; pelo menos por piedade não me tires o teu Santo Querer”.
E enquanto eu pensava isso eu me distraí de novo de meu interior, e Jesus me fez ouvir sua voz, alta, forte e imponente que dizia:
(4) “Não queres terminar com isso? Queres tu estragar a minha obra em ti?”
(5) E não sei, mas como se tivesse posto silêncio em minha mente tratei de segui-lo e de terminar com esses pensamentos.

10-21
Maio 19, 1911

A confiança arrebata Jesus. Ele quer que a alma se esqueça de si mesma e se ocupe só d’Ele.

(1) Continuando meu habitual estado, meu sempre amável Jesus se fazia ver todo aflito, e eu estava junto a Ele para compadecê-lo, amá-lo, abraçá-lo e consolá-lo com toda a plenitude da confiança, e meu doce Jesus me disse:
(2) “Minha filha, tu és o meu contentamento, assim me agrada, que a alma se esqueça de si mesma, de suas misérias, que se ocupe só de Mim, de minhas aflições, de minhas amarguras, de meu amor, e que com toda confiança se esteja junto a Mim. Esta confiança me arrebata o coração e me inunda de muita alegria, porque como a alma se esquece de si por Mim, assim Eu esqueço tudo por ela e a faço uma só coisa para Mim, e chego não só a dar-lhe, mas a fazer-lhe tomar o que quer. Ao contrário a alma que não esquece tudo por Mim, mesmo suas misérias e se quer estar ao redor de Mim com todo respeito, com temor e sem a confiança que me arrebata o coração, e como se quisesse estar com temerosa compostura Comigo e toda reservada, a este tal nada lhe dou e nada pode tomar, porque falta a chave da confiança, da liberdade, da simplicidade, coisas todas necessárias, para Mim para dar, e para ela para tomar; portanto, com as misérias vem e com as misérias fica”.

11-18
Maio 9,1912

Como nos podemos consumir no amor.

(1) Esta manhã, encontrando-me no meu estado habitual, estava pensando como podemos nos consumar no amor, e o bendito Jesus ao vir me disse:
(2) “Minha filha, se a vontade não quer outra coisa que a Mim só, se a inteligência não se ocupa de outra coisa que de me conhecer a Mim, se a memória não se recorda de outra coisa senão só
de Mim, aqui consumadas as três potências da alma no amor.” Assim também dos sentidos: Se fala só de Mim, se escuta só o que se refere a Mim, se se gostam somente das coisas minhas,
se se obra e se caminha só por Mim, se o coração me ama só a Mim, se os desejos me desejam só a Mim, eis a consumação do amor formada nos sentidos. Minha filha, o amor tem um doce
encanto quem ama, qualquer coisa que a vontade encontra, se é amor, se torna toda olho, se não, se volta cega, tola e não compreende nada; assim a língua, se deve falar de amor sente-se correr em sua palavra tantos olhos de luz e se faz eloquente, se não, torna-se balbuciante e termina por emudecer; e assim de todo o resto”.

11-19
Maio 22,1912

O verdadeiro amor não está sujeito a descontentamento.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, brevemente veio o bendito Jesus, e sentindo em mim um certo descontentamento me disse:
(2) “Minha filha, o verdadeiro amor não está sujeito a descontentamentos, mas sim, dos mesmos descontentamentos toma ocasião para mudá-los nos mais belos contentamentos por virtude do
amor, muito mais, que sendo Eu o contente dos contentes, não posso tolerar algum descontentamento na alma que me ama, pois sentindo Eu seu descontentamento como se fosse mais meu que seu, sou obrigado a dar-lhe a coisa que a faz feliz para tê-la toda uniforme a Mim, de outra maneira haveria algumas fibras, batimentos, pensamentos discordantes, dessemelhantes, que fariam com que se perdesse o mais belo de nossa harmonia, e Eu não posso tolerar tudo isto em quem verdadeiramente me ama. Além disso, o verdadeiro amor por amor obra e por amor não obra, por amor pede e por amor cede, assim que o verdadeiro amor faz terminar tudo no amor, por amor morre e por amor ressurge”.
(3) E eu: “Jesus, parece que queres evitar-me com este falar, mas deves saber que eu não cedo; por agora por amor cede Tu a mim, faz-me um ato de amor e cede ao que me é tão necessário e que a tanto estou obrigada, do resto cedo tudo diante de Ti, de outra maneira ficaria descontente”.
(4) E Jesus: “Queres vencer por caminhos de descontentamentos”.
(5) Sorriu e desapareceu.

 

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¨Mãe celeste, Rainha Soberana do Fiat Divino, toma-me pela mão e mergulha-me na Luz do querer Divino. Tu serás a minha guia, minha terna Mãe, e me ensinarás a viver e a manter-me na ordem e no recinto da Divina Vontade. Amém, Fiat.¨

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