Do Ente ao Ser – Idolatria!

Vontade Humana
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Da Sabedoria à Idolatria: O Caminho da Criação ao Criador

A Liturgia nos presenteia com dois trechos do Livro da Sabedoria que, em contraponto, revelam a glória e a miséria da busca humana pelo transcendente. No capítulo sétimo, um hino sublime à Sabedoria eterna, gerada da própria substância de Deus — “um sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do todo-poderoso” (Sb 7,25) —, que os padres da Igreja utilizarão para contemplar o mistério do Verbo, o Logos divino.

Já no capítulo treze, a face oposta: a denúncia da idolatria. O texto sagrado é taxativo: “São insensatos, por natureza, todos os homens que ignoram a Deus” (Sb 13,1). A palavra grega aqui para “insensato” — anoetos — aponta para uma ausência radical de inteligência (nous). Para a Escritura, a verdadeira insensatez não é a dúvida filosófica, mas a ignorância voluntária de Deus. É a incapacidade de realizar a mais elementar das operações intelectuais: partir das coisas visíveis para conhecer “Aquele que é”.

Esta expressão — “Aquele que é” — ecoa a autorrevelação de Deus a Moisés (Ex 3,14) e ressoa em toda a tradição filosófica e teológica. Ela designa não um ser entre outros, mas o Ipsum Esse Subsistens, o próprio Ser subsistente, como precisará Santo Tomás de Aquino. Tudo o que existe participa do ser; Ele é o Ser. Tudo o que vemos é contingente, mutável, composto; Ele é necessário, imutável, simples. A criação, em sua beleza, ordem e poder, não é senão um reflexo, uma participação ínfima e analógica de seus atributos.

O autor sagrado aponta então o duplo caminho da razão para ascender a Deus, caminhos que a filosofia clássica também percorreu:

  1. Pelo ser das coisas: Contemplar a existência, a ordem e a inteligibilidade intrínseca do cosmos, e perguntar-se pela fonte necessária de todo ser contingente.

  2. Pelas obras e pela arte: Maravilhar-se com a harmonia, a complexidade e a beleza da criação — desde a arquitetura de um floco de neve até o giro das galáxias — e reconhecer nela a mão de um Artífice supremo, infinitamente mais poderoso e sábio que suas obras.

A idolatria, portanto, começa com uma parada no caminho. É o espanto que, em vez de se elevar, se apega. É tomar a criatura pelo Criador. Adorar o sol, as forças da natureza, o “giro das estrelas”, é como confundir a pintura com o pintor, a sinfonia com o compositor. O brilho da criatura, que deveria ser um degrau, torna-se uma parede. O homem “deixa-se seduzir pela aparência, pois é belo aquilo que vê” (Sb 13,7).

Aqui reside uma crítica profunda à mentalidade moderna. Enquanto antigos filósofos, como Pitágoras, Platão ou Aristóteles, buscavam nas estruturas matemáticas e nas formas do mundo um acesso ao imaterial e ao eterno, o homem contemporâneo reduziu a realidade ao mensurável. A “res extensa” cartesiana triunfou. Tudo é quantificado, calculado, esquadrinhado. Perdemos a capacidade de perceber as qualidades do ser, sua profundidade metafísica e sua beleza transcendental. O resultado é um mundo “esquelético”, funcional, mas espiritualmente vazio. Temos uma ciência vasta do “como”, mas uma cegueira quase total diante do “porquê” último.

O convite da Palavra de Deus hoje é um convite à reconversão do olhar. É redescobrir o universo não como um mecanismo autossuficiente, mas como um lugar habitado pela presença vestigial do Criador. É sair do asfalto e do relógio que nos aprisionam numa realidade artificial e redescobrir o mundo “real” — incontrolável, imponderável, majestoso.

A criação é o primeiro livro da Revelação. Cada criatura é uma palavra que, se lida com a inteligência do coração, conduz ao Verbo. No sétimo dia, Deus descansou e contemplou sua obra, vendo que era “muito boa” (Gn 1,31). O “descanso” sabático é, em sua essência, esse olhar contemplativo que, através da beleza feita, sobe até a Beleza não-feita.

Que sejamos, pois, peregrinos atentos. Que não nos detenhamos no brilho do cântico, mas ouçamos nele a voz do Cantor. Que a maravilha diante de uma flor, a admiração diante do céu estrelado ou o assombro diante da inteligência humana sejam para nós não fim, mas início — degraus de uma ascensão que, partindo da criatura, passa pela essência e pelo ser, para finalmente encontrar repouso em Aquele que É.

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