10-23
Dor de Jesus pelos sacerdotes. Amor que se esconde, ai!
(1) Passando dias amargos de privação do meu adorável Jesus, rogava-lhe que se agradasse em vir; e apenas como um relâmpago veio e me disse:
(2) “Amor que se esconde, ai!”
(3) E rogando-lhe pela Igreja e que tivesse piedade de tantas almas que vão pelo caminho da perdição, porque querem fazer guerra à Igreja e aos seus ministros, Jesus acrescentou:
(4) “Minha filha, não te aflijas, é necessário que os inimigos purifiquem a minha Igreja, e depois que a tenham purgado, a paciência, as virtudes dos bons serão luz aos inimigos, e se salvarão aqueles e estes”.
(5) E eu: “Mas ao menos não permitas que as faltas de teus ministros as conheçam os leigos, de outra maneira afligirão mais a tua Igreja”.
(6) E Jesus: “Minha filha, não me peça isto porque me indigno, quero que a matéria saia fora, não posso mais, não posso mais, os sacrilégios são enormes, com cobri-los daria campo para que cometessem males maiores; você terá paciência para suportar minha ausência, a fará de heroína, quero confiar em ti que és minha filha, enquanto Eu me ocuparei em preparar os flagelos para leigos e sacerdotes”.
11-23
Junho 9,1912
Para a alma que faz a Divina Vontade e vive do Querer Divino não há mortes.
(1) Sentindo-me um pouco sofredor estava dizendo a meu sempre amável Jesus: “Quando me levarás Contigo?¡ Ah, logo Jesus, faça que a morte me tire esta vida e me reúna Contigo no Céu!”
(2) E Jesus: “Minha filha, para a alma que faz minha Vontade e vive em meu Querer não há nem existem mortes. A morte está para quem não faz a minha vontade, porque deve morrer a tantas coisas: a si mesmo, às paixões, à terra; mas quem faz a minha vontade não tem a que coisa morrer, já está habituado a viver do Céu, não é outra coisa que deixar seus trapos, como um que deixasse os vestidos de pobre para vestir-se com as vestes de rei para deixar o exílio e chegar à pátria, porque a alma que faz minha Vontade não está sujeita à morte, não tem juízo, sua vida é eterna, O que a morte devia fazer, o amor o fez antecipadamente, e o meu Querer reordenou tudo em Mim, de maneira que não tenho do que julgá-la. Por isso esteja em minha Vontade, e quando menos pensar te encontrarás em minha Vontade no Céu”.
12-23
Outubro 20, 1917
Como a alma pode fazer-se hóstia por amor de Jesus.
(1) Tendo recebido a meu Jesus, estava pensando como poderia devolver amor por amor, e me era impossível o poder restringir-me, diminuir-me, como faz Jesus na hóstia por amor meu; isto não está em meu poder, como está no de Jesus. E meu amado Jesus me disse:
(2) “Minha filha, se não podes restringir-te toda tu dentro do breve giro de uma hóstia por amor meu, podes muito bem restringir-te toda tu na minha Vontade, para poder formar a hóstia de ti na minha Vontade. Cada ato que fizeres em minha Vontade me formarás uma hóstia, e Eu me alimentarei de ti como tu de Mim. Que coisa forma a hóstia? Minha Vida nela. O que é o meu Testamento? Não é toda a minha Vida? Assim também tu podes fazer-te hóstia por amor meu; por quanto mais atos fizeres em minha Vontade, tantas hóstias de mais formarás para restituir-me amor por amor”.
13-23
Outubro 13, 1921
Todas as palavras de Jesus são fontes que levam e brotam para a Vida eterna.
(1) Estava oprimida ao pensar que sou obrigada a dizer e a escrever ainda as menores coisas que o bom Jesus me diz, e ao vir me disse:
(2) “Minha filha, cada vez que Eu te falo tento abrir uma força em teu coração, porque todas minhas palavras são fontes que levam e brotam à vida eterna, mas para formar-se estas fontes em teu coração, tu deves colocar também do teu, isto é, deves mastigá-las muito bem para poder colocá-las em teu coração e abrir nele a fonte; pensando-as e repensar-las tu formas a mastigação; com dizê-las a quem tem autoridade sobre ti e sendo assegurado que é minha palavra, tu sem dúvida a passas e abres a fonte para ti, e conforme as ocasiões de tuas necessidades, te serve dela e bebe a grandes goles na fonte de minha verdade; com escrevê-las abres os canais que podem servir a qualquer que queira tirar-se a sede para não deixá-lo morrer de sede. Agora, com não as dizer você não as pensa, e ao não as mastigar não pode passar, por isso corre perigo de que a fonte não se forme e que a água não brote, e quando tiver necessidade daquela água, a primeira a sofrer a sede será você, e se não escrever, não abrindo os canais, de quantos bens não privarás os outros?
(3) Agora, enquanto escrevia pensava entre mim: “Faz algum tempo que meu doce Jesus não me fala de sua Santíssima Vontade, mas de outras verdades; eu me sinto mais levada a escrever sobre seu Santíssimo Querer, sinto mais gosto e sinto como se fosse exclusivamente minha, e seu Querer me basta para tudo”. E meu sempre benigno Jesus ao vir me disse:
(4) “Minha filha, não deves te maravilhar se sentir mais gosto e te sentes mais levada a escrever sobre meu Querer, porque ouvir, dizer, escrever sobre meu Querer é a coisa mais sublime que possa existir no Céu e na terra, é o que mais me glorifica e toma todos os bens juntos e toda a santidade de um só golpe, em troca as outras verdades encerram cada uma seu bem distinto, bebem-se de gole em gole, sobem degrau por degrau, adaptam-se ao modo humano, ao contrário minha Vontade, é a alma que se adapta ao modo divino, não são goles que se bebem, mas mares; não degraus que se sobem, mas vôos que num abrir e fechar de olhos tomam o Céu, Oh minha vontade, minha vontade! Só ao ouvi-la de ti me traz tanta alegria e doçura, e sentindo-me circundado por minha Vontade que contém a criatura, como por outra imensidão minha, sinto tanto gosto que me faz esquecer o mal das outras criaturas, por isso deves saber que grandes coisas te manifestei da minha Vontade, mas que ainda não as mastigaste bem e não as digeriste, de modo a tomar toda a substância para formar o sangue da tua alma. Quando tiveres formado toda a substância, voltarei de novo e te manifestarei outras coisas mais sublimes de minha Vontade, e enquanto espero que as digais bem, te terei ocupada com outras verdades que me pertencem, para que se as criaturas não se querem servir do mar, do sol de minha Vontade para vir a Mim, se possam servir das forças, dos canais para vir a Mim e tomar para seu bem as coisas que me pertencem”.
14-23
Abril 17, 1922
O Querer Divino torna-se ator e constitui a alma rainha de tudo.
(1) Continuando o meu habitual estado, encontrei-me fora de mim mesma e encontrei o meu doce Jesus, a minha vida, o meu tudo; dele saíam inúmeros sóis de luz que o circundavam. Eu voei no meio daquela luz, e lançando-me em seus braços o apertei forte, forte, dizendo-lhe: “Finalmente te encontrei, agora não te deixo mais. Você me faz esperar muito e eu sem Ti fico sem vida, mas sem vida não posso estar, por isso agora não te deixo mais”. E apertava-o com mais força, por medo de que fugisse, e Jesus, como se estivesse a abraçar-me, disse-me:
(2) “Minha filha, não temas, tampouco Eu te deixo mais, se você não sabe estar sem Mim, tampouco Eu sei estar sem ti, e para que esteja segura de que não te deixo, quero te acorrentar com minha mesma luz”.
(3) Eu estava tão imersa e entrelaçada na luz de Jesus, que me parecia que não poderia encontrar o caminho para sair dela. Como me sentia feliz e quantas coisas compreendia naquela luz, faltam-me as palavras para me expressar, só recordo que me disse:
(4) “Filha de meu Querer, esta luz que você vê não é outra coisa que minha Vontade, que quer consumir tua vontade para te dar a forma de nossa imagem, isto é, das Três Divinas Pessoas, de modo que te transformando toda em Nós, deixaremos em ti nosso Querer como ator divino que nos semeie em nossas obras e nos dê a correspondência do que fazemos Nós, assim que sairão de Nós nossas imagens, e nosso Querer obrante em ti fará outro tanto.¡ Oh! como a finalidade da Criação será completada, o eco do nosso Querer será o eco do nosso Querer possuído por ti, a correspondência será recíproca, o amor será recíproco, estaremos em plena harmonia, a criatura desaparecerá em seu Criador e então nada faltará a nossa alegria, a nossa felicidade, pelas quais fizemos sair fora à Criação, o façamos ao homem a nossa imagem e semelhança terá seu efeito, e só nosso Querer, como atuante na criatura, dar cumprimento a todos os requisitos, e a Criação nos trará a finalidade divina e a receberemos em nosso colo como obra nossa, como a fizemos sair. E além disso, se não podes estar sem Mim, é o eco de meu amor que ressoa em teu coração, porque não sabendo estar sem ti, te chama e tu, sacudida, buscas Aquele que tanto te ama, e Eu ao ver-me buscado sinto o eco de teu amor no meu, e sinto-me atraído a enviar-te nova corrente de amor para que mais me procures”.
(5) E eu: “Ah! Meu amor, às vezes por quanto te busco Você não vem, por isso agora que te encontrei não te deixo mais, não voltarei mais a meu leito, não posso, muito me fez esperar e temo que retornando Você repetirá suas privações”. E apertava-o com mais força, repetindo: “Não te deixo mais, não te deixo mais”. E Jesus, se bem gozava dos meus abraços, disse-me:
(6) “Filha amada minha, tu tens razão em que não podes estar sem Mim, sem a tua vida; mas, e da minha Vontade, que faremos? Desde que seja a minha vontade que te queira de volta à tua cama, não temas, eu não te deixarei; deixarei entre ti e eu a corrente da luz da minha vontade, e tu, quando me quiseres, tocarás a corrente da luz do meu Querer, e eu imediatamente sobre as asas dela virei a ti; por isso regressa, não por outra coisa, senão só para que meu Querer cumpra seus desígnios e faça o caminho que quer fazer em ti, te acompanharei eu mesmo para te dar a força de te fazer voltar”.
(7) Mas, mas, oh! bondade de Jesus, parecia que se não tinha meu consentimento, tampouco Ele queria me fazer voltar, e apenas disse: “Jesus, faça o que quiser”. Encontrei-me em mim mesma.
(8) Agora, todo o dia me senti circundada de luz, e quando o queria tocava a luz e Ele vinha. No dia seguinte me transportou para fora de mim mesma e me fazia ver todas as coisas criadas, das quais Jesus era não só o Criador e dominador, senão que dele saía a vida da conservação de todas as coisas, a corrente da potência criadora estava em contínua relação com elas, e se esta faltasse, todas as coisas se resolveriam no nada. Então meu doce Jesus me disse:
(9) “À filha de meu Querer dar-lhe a supremacia sobre tudo, meu domínio e o seu devem ser um só, se Eu sou Rei, ela deve ser rainha, e se de tudo te dei conhecimento, é porque quero que não só conheça meus domínios, mas que junto comigo domines e concorras à conservação de todas as coisas criadas. Meu Querer, assim como se estende de Mim sobre todos, quero que se estenda desde ti”.
(10) Depois me fez notar um lugar no mundo do qual saía um fumo negro, e me disse:
(11) “Olhe, ali há homens de estado que querem decidir a sorte dos reinos, mas fazem sem Mim, e onde não estou Eu não pode haver luz, não têm outra coisa que a fumaça de suas paixões que os cega principalmente, por isso nada de bom concluirão, mas todo o servirá para exasperar-se reciprocamente e suscitar mais graves consequências. Pobres povos, dirigidos por homens cegos e interessados, estes homens serão apontados como uma fábula da história, bons só para levar ruína e desordem, mas retiremo-nos, deixemo-los a expensas deles mesmos, a fim de que possam conhecer o que significa fazer sem Mim”.
(12) Então Ele desapareceu e eu me encontrei em mim mesma.
15-23
Maio 18, 1923
Como é difícil encontrar uma alma que queira sofrer. Carrascos de almas que há na Igreja.
(1) Sentia-me muito afligida e quase privada do meu doce Jesus; que duro martírio é a sua privação! Martírio sem esperança de tomar o Céu por assalto como o tomam os mártires, o que torna doce todo seu sofrer; em troca sua privação é martírio que desune, que queima, que fere e que abre um abismo de separação entre a alma e Deus, que em vez de adoçar o sofrer, o amarga, o amarre, de modo que enquanto se sente morrer, a mesma morte foge longe, ó Deus, que pena! Agora, enquanto me encontrava no imenso abismo da privação do meu Jesus, assim que se moveu em meu interior lhe disse: “Ah! meu Jesus, já não me amas”. E ele, não me dando ouvidos, fazia-se parecer todo aflito, como se tivesse na mão uma coisa negra que estava prestes a atirá-la sobre as criaturas, depois me tomava o coração entre suas mãos, me apertava fortemente, me o traspassava, e meu coração esperava com ânsia suas penas como refrigério e bálsamo às penas sofridas por sua privação. ¡¡ Oh, como temia que deixasse de me fazer sofrer e me jogasse de novo no abismo de sua separação! Então, depois disto, disse-me:
(2) “Minha filha, eu não presto atenção às palavras, mas aos atos, acreditas tu que é fácil encontrar uma alma que de verdade queira sofrer? ¡Oh, como é difícil! De palavra há quem queira sofrer, mas nos fatos fogem quando uma dor as oprime ou outras penas as rodeiam, oh! como queriam libertar-se, e Eu permaneço sempre o Jesus isolado nas penas, e é por isso que quando encontro uma alma que não foge do sofrimento e quer fazer-me companhia nas minhas penas, é mais, espera e espera que lhe dê o pão da dor, Isto me dá o delírio do amor e me faz chegar a fazer loucuras e a ser tão magnânimo com esta alma, de fazer ficar estupefatos Céu e Terra. Achas tu que era algo indiferente ao meu coração, que tanto ama, que enquanto estavas privada de Mim me esperavas, não para outra coisa senão para que te levasse as minhas angústias?”
(3) Enquanto dizia isto, fez-me ouvir que passava o Santíssimo pela rua e me deu um aperto mais forte ao coração, e eu:
(4) “Meu Jesus, que se passa? Para onde vais e quem te leva?”
(5) E Ele, todo triste: “Vou a um enfermo, levado por um carrasco de almas”.
(6) E eu espantada: “Jesus, que dizes? Como, os teus ministros carrascos de almas?”
(7) E Ele: “E quantos carrascos de almas há em minha Igreja: Estão os carrascos apegados aos interesses, que fazem carnificina de almas, porque com seu exemplo em lugar de fazer desapegadas às almas de tudo o que é terra, as interessam de mais; estão os imoderados, que em lugar de purificar as almas as desfiguram; estão os carrascos dos passatempos, dedicados aos prazeres, aos passeios e demais, que em lugar de fazer coletadas às almas e de infundir-lhes o amor à oração e ao retiro, as distraiam; todas estas são carnificinas de almas. ¡ Quanta dor meu coração sente ao ver que aqueles mesmos que deviam ajudar e santificar as almas, são a causa de sua ruína!”
16-23
Outubro 4, 1923
Para que a Divina Vontade se torne vida da alma, esta deve fazer desaparecer a
própria vontade, e seu querer não deve existir mais.
(1) Sentia-me destruída pela dor da sua privação, com o triste pensamento de que Jesus não tinha vindo mais. ” Oh! como é doloroso pensar que não deveria ver mais Aquele que forma toda minha vida, minha felicidade, todo meu bem. Enquanto estava nisto, meu doce Jesus se moveu Dentro de mim, ele disse:
(2) “Minha filha, como posso deixar-te se na tua alma está aprisionada a minha vontade, e dando vida a todos os seus atos desenvolve sua Vida como em seu próprio centro? Então, em um ponto da terra já está minha Vida. ” Ah! se não estivesse esta Vida minha sobre a terra, minha justiça se desafogaria com tal furor de aniquila-la”.
(3) Quando ouvi isto, disse: “Meu Jesus, a tua Vontade está em todo o lado, não há ponto onde não se encontre, e você diz que está aprisionada em mim?”
(4) E Jesus: “Certamente que está em toda parte com a sua vastidão, com a sua omnividência e com o seu poder, e qual rainha tudo domina a Si submete, não deixando escapar ninguém do seu império, mas como Vida, na qual a criatura forma a sua, para desenvolver a sua na Vida de minha Vontade e formar uma Vida da Divina Vontade sobre a terra, não existe. Para muitos minha Vonta-de, não fazendo-a, é como se não existisse, acontece como se alguém tivesse água em seu própria estadia e não a bebe, o fogo e não se aproximou para aquecer, o pão e não come, com tudo e que tenha consigo estes elementos que podem dar vida ao homem, não tomando-os pode morrer de sede, de frio e de fome; outros tomam-nos muito raramente e são fracos e doentes, outros todos os dias, e estes são saudáveis e robustos, assim que tudo está, quando se possui um bem, em se a vontade humana o quer tomar e o modo como o quer tomar, e à medida que vai usando-o assim vai recebendo os efeitos. Assim é da minha Vontade, para fazer-se vida da alma ela deve fazer desaparecer a própria vontade na minha, seu querer não deve existir mais, minha Vontade deve entrar em todos seus atos como ato primeiro, a qual se dará à alma, agora como água para tirar a sede com suas águas divinas e celestiais; agora como fogo, não só para aquecê-la mas para destruir nela tudo o que é humano, e reedificar nela a Vida de Minha Vontade; e agora como alimento para alimentá-la e torná-la forte e robusta. Oh! como é difícil encontrar uma criatura que ceda todos os seus direitos para dar só a meu Querer o direito de reinar; quase todos querem reservar alguma coisa do próprio querer, e por isso minha Vontade, não reinando completamente nelas, não pode formar sua Vida em todas as criaturas”.
17-23
Novembro 27, 1924
A imutabilidade de Deus, e a mutabilidade das criaturas.
(1) Estava pensando na imutabilidade de Deus e na mutabilidade das criaturas. Que diferença! Agora, enquanto eu pensava assim, meu sempre benigno Jesus se moveu dentro de mim dizendo:.
(2) “Minha filha, olha, não há ponto onde meu Ser não se encontre, não tenho para onde me mover, nem à direita, nem à esquerda, nem adiante, nem atrás; nenhum vazio existe que não esteja cheio por Mim. Minha firmeza, não encontrando ponto onde não esteja Eu, sente-se inabalável; é minha Imutabilidade eterna. Esta imutabilidade imensa me faz imutável nos prazeres, o que eu gosto, eu gosto sempre; imutável no amor, no gozar, no querer, amada uma vez uma coisa, gozada, querida, não há perigo de que me mude, para mudar deveria restringir minha imensidão, o que não posso nem quero. Minha imutabilidade é a auréola mais bela que coroa minha cabeça, que se estende sob meus pés, que presta eterna homenagem a minha Santidade imutável. Diga-me, há algum ponto onde você não me encontre?”.
(3) Enquanto dizia isto, diante de minha mente se fazia presente esta imutabilidade Divina, mas quem pode dizer o que compreendia? Temo dizer desatinos e por isso melhor passo adiante.. Ao me falar depois sobre a mutabilidade da criatura me dizia:.
(4) “Pobre criatura, como é pequeno seu lugarzinho! E além de pequeno não é nem sequer estável e fixo seu lugar, hoje em um ponto, amanhã atirada a outro; esta é também a causa de que hoje ama, lhe agrada uma pessoa, um objeto, um lugar, e amanhã muda e talvez até despreze o que ontem lhe agradava e amava. Mas você sabe o que torna a pobre criatura mutável? A vontade humana a torna volúvel no amor, nos prazeres, no bem que faz. A vontade humana é aquele vento impetuoso que move a criatura como uma cana vazia a cada sopro, ora à direita, ora à esquerda. Por isso ao criá-la quis que vivesse da minha Vontade, a fim de que detendo este vento impetuoso da vontade humana, a fizesse firme no bem, estável no amor, santa no agir; queria fazê-la viver no imenso território da minha Imutabilidade, mas a criatura não se contentou, quis seu pequeno lugarzinho e se tornou o brinquedo de si mesma, dos demais e de suas mesmas paixões. Por isso rogo, suplico à criatura que tome esta minha Vontade, que a faça sua a fim de que retorne àquela Vontade imutável de onde saiu, a fim de que não mais volúvel se torne, senão estável e firme. Eu não me mudei, por isso a espero, a anseio, a quero sempre em minha Vontade”.
18-23
Fevereiro 7, 1926
A Divina Vontade reinante na alma a eleva sobretudo, a põe em sua origem, e a alma amando com o amor de Deus, ama todas as coisas com o seu mesmo amor, e é constituída possuidora e rainha de tudo o que foi criado.
(1) Estava segundo meu costume Fundindo-me no Santo Querer Divino, e tomando o eterno te amo de meu doce Jesus, e fazendo meu, girava por toda a Criação para imprimi-lo sobre cada coisa, a fim de que tudo e todos tivessem uma só nota, um só som, uma só harmonia: “Te amo, te amo, te amo por mim e por todos, até meu Criador que tanto me amou”. meu amável Jesus saiu de dentro de mim, e me apertando ao seu coração, toda ternura me disse:.
(2) “Minha filha, como é belo o te amo de quem vive em minha Vontade, sinto o eco do meu junto com o seu sobre todas as coisas criadas, por isso sinto a correspondência do amor da criatura por tudo o que fiz, e além disso, amar significa possuir o que se ama, ou querer possuir a coisa amada; assim que tu amas a Criação toda porque é minha, e Eu te faço amá-la porque quero fazê-la tua. Teu repetido te amo para Mim sobre cada coisa criada, é o caminho e o direito de posse para possuí-la. A Criação toda ao sentir-se amada, reconhece a sua dona, por isso faz festa ao sentir-se repetir sobre ela teu amo; o amor faz reconhecer o que é seu, e se dão só àqueles por quem são amadas, e minha Vontade reinante na alma é a confirmação de que o que é meu é seu. Agora, quando uma coisa é possuída entre duas pessoas, se necessita sumo acordo, a uma não pode fazer sem a outra, e eis a necessidade de sua inseparável união, das contínuas comunicações sobre o que há que fazer com o que possuem. ¡Oh! como a minha Vontade reinante na alma a eleva acima de tudo, e amando com o amor de um Deus sabe amar todas as coisas com o seu mesmo amor, e é constituída possuidora e rainha de tudo o que foi criado..
(3) Minha filha, neste estado feliz criei o homem, minha Vontade devia suprir a tudo o que faltava nele, e elevá-lo à semelhança de seu Criador. E é precisamente esta a minha visão sobre ti, fazer-te voltar à origem como criamos o homem, por isso não quero divisão alguma entre Eu e tu, nem que o que é meu não seja teu; mas para dar-te os direitos quero que reconheças o que é meu, a fim de que amando tudo e correndo em todas as coisas teu te amo, toda a Criação te reconheça; ouvirão em ti o eco do princípio da criação do homem, e fazendo-se felizes ambicionaram fazer-se possuir por ti.
(4) Eu te faço como um rei, que desprezado por seus povos, ofendido, esquecido, estes povos não estão mais sob o regime das leis do rei, e se alguma lei observam, é a força que se impõe sobre eles, não o amor; assim o pobre rei é obrigado a viver em seu palácio, isolado, sem o amor, a sujeição e o avassalamento de sua vontade sobre os povos; mas entre tantos, ele adverte que um só se mantém íntegro em fazer-se submeter em tudo e por tudo pela vontade do rei, é mais, repara, chora pela vontade rebelde de todo o povo, e gostaria de refazer o rei fazendo-se ato por cada criatura, para que encontre nele tudo o que deveria encontrar em todo o resto da cidade. Então o rei sente amar a este, tem-no sempre ante seus olhos para ver se é constante e não por um dia, senão por um período de vida, porque só a constância é sobre o que o rei pode confiar e estar seguro do que quer fazer da criatura. Sacrificar-se, fazer o bem um dia, é coisa fácil para a criatura, mas sacrificar-se e fazer o bem toda a vida, oh, como é difícil! E se isso acontecer, é uma virtude divina obrante na criatura. Então, quando o rei se sente seguro daquele, chama-o a si no seu palácio, dá-lhe tudo o que deveria dar a todo o povo, e pondo de lado todos os demais faz sair dele a nova geração do seu povo eleito, Os quais não terão outra ambição senão viver somente da vontade do rei, todos subjugados a ele, como tantos partos de suas entranhas. Não te parece minha filha, que é precisamente isto que estou a fazer por ti? Esse contínuo te chamar em minha Vontade, a fim de que não a tua viva em ti mas na minha; aquele querer de ti, que sobre todas as coisas criadas e desde o primeiro até o último homem que virá, encontre a nota de teu amo, de tua adoração a teu Criador, de tua reparação por cada ofensa, não diz claramente que quero tudo para te dar tudo, e que elevando-te sobretudo quero que regresse em ti minha Vontade íntegra, bela, triunfante, como saiu de Nós no princípio da Criação? Minha Vontade foi o ato primeiro da criatura, a criatura teve seu ato primeiro em minha Vontade, e por isso quer fazer seu curso de vida nela, e se bem foi sufocada no início de seu nascimento na criatura, mas não ficou extinta, e por isso espera seu campo de vida nela; Não queres ser o primeiro campinho dela? “Por isso seja atenta, quando quiser fazer alguma coisa não a faça jamais por você mesma, senão me peça que a faça minha Vontade em você, porque a mesma coisa, se a faz você soa mal, da de humano, em troca se a faz minha Vontade soa bem, harmoniza com o Céu, é sustentada por uma graça e poder divinas, é o Criador que opera na criatura, seu perfume é divino, e elevando-se abraça a todos com um só abraço, de modo que todos sentem o bem do agir do Criador na criatura”.
19-23
Maio 23, 1926
O Querer Divino é germe de vida, e onde entra produz a vida, a
Santidade assim como a Virgem teve seu tempo, quem deve conseguir
O Fiat Supremo tem o seu tempo.
(1) Estava a acompanhar o meu doce Jesus na sua dolorosa agonia no jardim, especialmente quando se descarregou sobre a sua Santíssima Humanidade todo o peso das nossas culpas, até lhe fazer verter vivo sangue Oh! como teria querido aliviá-lo de penas tão dilacerantes. E enquanto o compadecia me disse:.
(2) “Minha filha, minha Vontade tem o poder de dar morte e de dar vida, e como minha Humanidade não conhecia outra vida, senão a Vida de minha Vontade Divina, conforme as culpas se punham sobre Mim, assim Ela me fazia sentir uma morte distinta por cada culpa. Minha Humanidade gemia sob a pena da morte real que me dava minha Suprema Vontade, mas esta Vontade Divina, sobre aquela mesma morte que me dava fazia ressurgir a nova vida de graça às criaturas, assim sem importar quão má e terrível seja a criatura, se tem a sorte de fazer entrar nela um ato de minha Vontade, ainda que seja no mesmo ponto da morte, sendo Ela Vida, lança o germe da vida na alma, assim que possuindo este germe de vida, há muito por que esperar a salvação da alma, porque a potência de minha Vontade terá cuidado que este seu ato de vida que entrou na alma não pereça e se possa converter em morte, porque minha Vontade tem o poder de dar morte, Mas ela e todos os seus atos são intangíveis e não sujeitos a nenhuma morte. Agora, se um único ato de minha Vontade contém o germe da vida, qual não será a fortuna de quem não um só ato, mas continuados atos de minha Vontade abraça em sua alma? Ela não recebe apenas o germe, mas a plenitude da vida e põe em segurança a sua santidade”.
(3) Depois minha pobre mente se perdia no Santo Querer Divino fazendo nele meus acostumados atos, me parecia que tudo era meu, e conforme girava por todas as coisas criadas para imprimir por toda parte meu “amo-te”, minha adoração, minha glória a meu Criador, assim adquiria novos conhecimentos de quanto Deus tem feito pela criatura e quanto nos tem amado; a Vontade Suprema parecia que se deleitava em fazer conhecer as novas surpresas de seu amor, a fim de que pudesse seguir seus atos para me dar o direito de possuir o que saiu de sua Vontade criadora, e minha pequenez se perdia em seus imensos bens. Enquanto eu estava nisto, o meu doce Jesus saiu de dentro de mim e disse-me:.
(4) “Minha filha, quando minha Mãe Rainha veio à luz do dia, todos estavam voltados para Ela, e como se tivessem um só olhar, todas as pupilas olhavam Aquela que devia enxugar seu pranto com levar-lhes a Vida do suspirado Redentor, toda a Criação estava concentrada nela, Sentindo-se honrada de obedecer a suas ordens; a mesma Divindade era toda para Ela e toda atenta a Ela, para prepará-la e formar nela, com graças surpreendentes, o espaço onde o Verbo Eterno devia descer para tomar carne humana. Portanto, se em Nós não houvesse a virtude de que enquanto trabalhamos, tratamos com algum, falamos, enquanto damos a uma não omitimos às outras, todos nos teriam dito: Deixa-nos a todos nós de um lado, pensa nesta Virgem, dá, concentra tudo nela, a fim de que faça vir Aquele no qual estão postas nossas esperanças, nossa vida e todo nosso bem’. Por isso se pode chamar aquele tempo em que veio à luz do dia a Soberana Rainha, o tempo de minha Mamãe. Agora, minha filha, se pode chamar seu tempo, todos estão voltados para você, escuto a voz de todos como se fosse uma só, que me rogam, me apressam a que minha Vontade readquira seus direitos divinos absolutos sobre ti, a fim de que adquirindo seu total domínio, possa verter em ti toda a plenitude dos bens que tinha estabelecido dar se a criatura não se houvesse subtraído de sua Vontade. Assim que todo o Céu, a Celestial Mãe, os anjos e santos, todos estão voltados para ti pelo triunfo de minha Vontade, porque sua glória no Céu não será completa se minha Vontade não chegar a ter seu completo triunfo sobre a terra, tudo foi criado para o cumprimento total da Suprema Vontade, e até que Céu e terra não retornem neste anel do Eterno Querer, sentem-se como a metade de suas obras, de sua alegria e bem-aventurança, porque não tendo encontrado o Divino Querer seu pleno cumprimento na Criação, não pode dar o que tinha estabelecido dar, isto é, a plenitude de seus bens, de seus efeitos, alegrias e felicidade que contém. Eis por que todos suspiram, minha mesma Vontade é toda para ti e toda atenta a ti, não te nega nada de graças, de luz e o que se necessita para formar em ti o maior dos prodígios, como é o seu cumprimento e o seu total triunfo. Que crês tu que seja mais prodígio: que uma pequena luz fique encerrada no sol, ou que o sol fique encerrado na pequena luz?”.
(5) E eu: “Certamente que seria mais prodigioso que a pequena luz se fechasse nela ao sol, antes me parece impossível que isto possa acontecer”.
(6) E Jesus: “O que é impossível para a criatura é possível para Deus. A pequena luz é a alma e minha Vontade é o sol, agora, Ela deve dar tanto à pequena luz, para poder formar dela um cerco e que minha Vontade fique encerrada neste cerco, e como a natureza da luz é de estender seus raios em qualquer lugar, enquanto triunfa neste cerco, estenderá seus raios divinos para dar a todos a Vida de minha Vontade, este é o prodígio dos prodígios que todo o Céu suspira. Por isso dá amplo campo à minha Vontade, não te oponhas em nada, a fim de que o que foi estabelecido por Deus na obra da Criação tenha seu cumprimento”.
20-23
Novembro 10, 1926
Quem vive no Querer Divino encerra em si toda a Criação e é o refletor do seu Criador.
Dois efeitos do pecado.
(1) Meus dias se alternam sempre entre as privações e as breves visitas de meu doce Jesus, e muitas vezes são como relâmpago que foge, e enquanto foge fico com o prego transpassado de, quando voltará? E suspirando chamo-o: “Meu Jesus, vem, regressa à tua pequena exilada e regressa de uma vez por todas, regressa para me levar ao Céu, não me deixes mais no meu longo exílio porque não posso mais”. Mas quando o chamava, em vão eram as minhas chamadas. Então, abandonando-me no Santo Querer Divino fazia quanto mais podia meus acostumados atos, girando por toda a Criação, e meu doce Jesus movendo-se a compaixão de minha pobre alma, que não podia mais, tirou um braço de dentro de meu interior e todo piedade me disse:
(2) “Minha filha, coragem, não pares, o teu voo no meu Eterno Querer seja contínuo. Tu deves saber que minha Vontade em todas as coisas criadas faz seu ofício contínuo, e em cada coisa seu ato é distinto, não faz no céu o que faz no sol, nem no sol o que faz no mar, minha Vontade tem em cada coisa seu ato especial, e se bem minha Vontade é uma, seus atos são inumeráveis. Agora, a alma que vive n‟Ela vem para encerrar em si todos os atos que faz em toda a Criação, assim deve fazer o que Ela faz no céu, no sol, no mar, etc., tudo deve fechar nela para fazer que a alma siga todos seus atos, e não só isso, mas para ter o ato de correspondência da criatura. Então, se seu ato não for contínuo minha Vontade não te espera, segue seu curso, mas em ti deixa o vazio de seus atos, e entre você e Ela fica uma certa distância e dessemelhança.
(3) Agora, tu deves saber o grande bem que encerras ao fechar em ti tudo o que faz minha Vontade na Criação, enquanto tu segues seus atos recebe o reflexo do céu e se forma e se estende em ti o céu, recebe o reflexo do sol e se forma em ti o sol, recebe o reflexo do mar e forma-se em ti o mar, recebe-se o reflexo do vento, da flor, de toda a natureza, em suma de tudo e, oh! como se eleva do fundo da tua alma o céu que protege, o sol que ilumina, aquece e fecunda, o mar que inunda e que forma as ondas de amor, de misericórdia, de graça e de fortaleza a favor de todos, o vento que purifica e leva a chuva sobre as almas incendiadas pelas paixões, a flor da adoração perpétua ao teu Criador, por isso é o prodígio dos prodígios. Viver no meu Querer é o verdadeiro triunfo do Fiat Supremo, porque a alma se torna o refletor do seu Criador e de todas as nossas obras, porque a nossa Vontade só triunfa completamente quando põe na alma o que Ela pode e sabe fazer, quer ver não só Aquele que a criou, mas a todas as suas obras, não está contente se lhe falta ainda a mais mínima coisa que a Ela pertence; as almas do Fiat Supremo serão nossas obras, não incompletas mas completas, serão os novos prodígios, jamais vistos nem conhecidos, nem pela terra nem pelo Céu; qual não será o encanto, a surpresa dos mesmos bem-aventurados quando virem entrar em sua Pátria Celestial a primeira filha do Fiat Divino? Qual não será sua alegria, sua glória, ao ver que leva consigo seu Criador com todas as suas obras, isto é, o céu, o sol, o mar, toda a terra florida com suas variadas belezas? Reconhecerão nela a obra completa da Eterna Vontade, porque só Ela sabe fazer estes prodígios e estas obras completas”.
(4) Depois continuava meu abandono no Eterno Fiat para receber seus reflexos, e meu doce Jesus acrescentou:
(5) “Minha filha, minha Mãe Celestial foi a primeira que ocupou o primeiro lugar no Céu como Filha do Querer Supremo, e como foi a primeira tem em torno dela o lugar para todos os filhos do Fiat Supremo. Então, em torno da Rainha do Céu, vemos tantos lugares vazios, que não podem ser ocupados por outros, mas por suas cópias, e como foi Ela a primeira da geração de minha Vontade, o Reino do Fiat também será chamado de Reino de Nossa Senhora. Oh! como se reconhecerá nestes nossos filhos a soberania sobre toda a Criação, porque eles em virtude da minha Vontade gozarão vínculos indissolúveis com todas as coisas criadas, estarão em contínuas relações de comunicações com elas, serão os verdadeiros filhos nos quais o Eterno Criador se sentirá honrado e glorificado de tê-los por filhos, porque reconhecerá neles, sua Vontade Divina trabalhadora, que tem reproduzido suas verdadeiras imagens”.
(6) Depois disto pensava: “Meu primeiro pai Adão, antes de pecar possuía todos estes vínculos e relações de comunicação com toda a Criação, porque possuindo ele íntegra a Vontade Suprema, era como conatural sentir em si todas as comunicações onde quer que Ela agisse; agora, ao subtrair-se deste Querer tão santo, não sentiu o rasgo que fazia em toda a Criação, o rompimento de todas as comunicações e todos os vínculos quebrados como de um só golpe por ele? Se eu só pensar em pensar se devo ou não fazer um ato, e só com titubear sinto que o céu treme, que o sol se retira, que toda a Criação se sacode e está em ato de me deixar sozinha, tanto que eu mesma tremo junto com eles, e espantada, súbito, sem duvidar faço o que devo fazer. Como pôde fazê-lo? Não sentiu este rasgo tão cruel e doloroso?” E Jesus, movendo-se dentro de mim, disse-me:
(7) “Minha filha, Adão sentiu este rasgo tão doloroso, e, apesar de tudo, caiu no labirinto da sua vontade que não lhe deu mais paz, nem a ele nem aos seus descendentes; como de um só golpe toda a Criação se retirou dele, retirando-se a felicidade, a paz, a força, a soberania, tudo, ficou só em si mesmo, pobre Adão, quanto lhe custou subtrair-se de minha Vontade! Ao só sentir-se isolado, não mais cortejado por toda a Criação, sentia tal espanto e horror, que chegou a ser o homem medroso, temia tudo e até minhas mesmas obras, e com razão, pois se diz: „Quem não está Comigo está contra Mim.‟ Não estando ele mais ligado a elas, por justiça se deviam colocar contra ele. Pobre Adão, há que compadecê-lo muito, ele não tinha nenhum exemplo de outro que tivesse caído e do grande mal que lhe tivesse acontecido, para que pudesse estar atento a não cair, ele não tinha nenhuma ideia do mal, porque, minha filha, o mal, o pecado, a queda de outro tem dois efeitos: Para quem é mau e quer cair, serve como exemplo, como ajuda, como incentivo para precipitar-se no abismo do mal; para quem é bom e não quer cair, serve como antídoto, como freio, como ajuda e como defesa para não cair, porque vendo o grande mal, a desventura de outro, serve de exemplo para não cair e para não seguir esse mesmo caminho, para não se encontrar naquela mesma desventura, assim que o mal de outros faz estar atentos e ser cautelosos, por isso a queda de Adão é para ti de grande ajuda, de lição, de chamada, enquanto ele não tinha nenhuma lição do mal, porque o mal então não existia”.









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