A VERDADE DA VIDA DA LUISA PICCARRETA


Luísa foi escolhida por Jesus, primeiramente para ser vítima por amor a ele, sofreu muito, em seu estado conforme a vontade divina, passou pelas dores da crucificação, pois como Jesus não podia sofrer mais em seu corpo glorificado, usou de Luísa para continuar sua paixão, servindo -se dela, como ele serviu de si mesmo, e a ofereceu a justiça como vítima vivente de reparação e propiciação, ou seja, conseguia de Deus o perdão para as pessoas, ante a justiça divina, pedindo para diminuir as penas merecidas devido aos abusos que as criaturas fazem em meio de tantas graças recebidas, toda a falta de gratidão na terra. Luísa tinha essa ligação entre o céu e a terra, sendo assim, era oferecida como vítima para aplacar em boa parte muitos dos castigos merecidos e reclamados até pelos santos, em sua justa indignação perante a justiça, representando na terra essa presença de Jesus.

Outro ponto importante, é referente, as contínuas privações sofridas por Luísa, é necessário entender como Luísa concebia em seu coração a importância de estar nesse contínuo estado de sofrimento, pois mesmo reconhecendo seu nada, ao poder oferecer com seus sofrimentos algo para Jesus, se sentia parte da vida dele, como uma verdadeira esposa, sabia que era da vontade dele que ela sofresse, desse modo, ao contemplar a satisfação que seu contínuo sofrer fornecia a Jesus , sentia que era importante para ele e que só poderia ser realizada nesse estado de sofrimento, era o que em sua concepção podia a sustentar aqui na terra, além disso, era importante para a afetividade de Luísa saber o quanto é amada, e por isso necessitava de receber o consolo de Jesus, sendo ele tudo para ela, a presença humana também em sua vida, pois a vida na divina vontade não é só doar mas também receber.

Essa necessidade é comum para a vida humana, por isso, Jesus tinha todo um carinho com Luísa, fala de forma amorosa com ela, reconforta- a com seus beijos e abraços, consola em meio as dores das contínuas privações, sendo essa presença humana necessária para que pudesse ser sustentada em sua jornada ainda na terra, era a forma carinhosa de se dar a Luísa, como esposo de sua alma. Jesus foi essa presença humana na vida também de sua mãe santíssima, sempre muito carinhoso com ela, com seus abraços, com esse toque humano, manifestando assim seu amor na divindade e humanidade, com seus discípulos também ao falar-lhes, ao abraça-los, vemos isso de forma especial nos evangelhos na figura do apostolo João, que se inclinava sobre o peito de Jesus, o que era um reconforto para ambos.
Hoje ele se revela a nós também, para não nos privar de sua presença, infunde em nós essa alegria por meio de seu Espirito, da eucaristia, mas também nos consola humanamente, através das pessoas que coloca em nossa vida.

Para os casados, por exemplo, manifesta essa presença sensível, por meio do carinho entre os esposos, para os religiosos, sacerdotes e demais consagrados, através do carinho dos fiéis, através da gratidão das pessoas, que são cuidadas por estes, da presença sensível através da vida comunitária, em todos está o Cristo presente e atuante. Tudo isso é necessário para a vida humana, desde o princípio, Deus manifestou esse cuidado com o homem como no livro de Gêneses, ao dar Eva para Adão, sendo ela a presença do amor de Deus encarnado, necessário esse contato para que o homem não se sentisse só e então pudesse ter esse toque, essa presença humana.

Assim acontece com nossa existência aqui na terra, Deus se manifesta sensivelmente não somente através da presença humana, mas nas situações de nossa vida, nos acontecimentos do dia a dia, tudo fala do espiritual, que está oculto no material, nas realidades que vivemos, boas ou não tão boas, são meios de Deus nos tocar, falar conosco, de nos mortificar para nosso bem. Como no livro do céu vemos que Luísa sofria penas dolorosas, como vítima crucificada por amor de Jesus, o que acontecia com as cruzes de Luísa, em cada pena, vimos que se trata de um acontecimento sobrenatural, como de muitos santos que conhecemos, que sofreram penas da crucificação. Conosco as cruzes e dores se manifestam na simplicidade dos acontecimentos, o que é a forma preferida por jesus, as cruzes ocultas, das situações difíceis em nossa vida, em que continuamente morremos para nosso eu.

Todas as situações pequenas e grandes, são cruzes que Deus permite, exemplo: a perda de uma documentação, o conflito com um vizinho, uma humilhação, doenças, dificuldades financeiras, etc. Todos recebemos cruzes diárias, sejam grandes como doenças graves, ou pequenas como um resfriado, ou alergia. Tudo é oportunidade para reparação, e o valor delas, depende do grau de correspondência de cada pessoa, se recebem tudo com amor, sem murmurar ou culpar alguém, pois quando culpamos o outro, estamos agindo como juízes, esquecendo que todos somos pecadores. Quando olhamos só as trevas, a dor, os entulhos, o problema, não vemos o que está além disso, o novo que Deus quer nos mostrar, a solução, a vontade divina naquele acontecimento.

Agora quando assumimos a responsabilidade, e apesar das dificuldades aceitamos a cruz, suportando e amando mesmo assim, confiando em Deus, essa cruz produz em nossa alma os traços belos de Cristo, que mesmo se estivermos machucados, dilacerados pela cruz, na carne viva como Jesus se encontrava na cruz, se aceitamos mesmo assim, amando e não desistindo, em nós se reflete a beleza de Jesus. Então acontece como Jesus falou a Luísa: “A cruz lhe dará os traços, mais belos que se podem encontrar, tanto no céu como na terra, tanto de apaixonar a Deus que contém em si todas as belezas “. É o que ele quer fazer em nós, sendo essa alma esposa dele, repleta de virtudes, de sabedoria. Por isso, devemos viver nossa vida na terra aproveitando cada momento para conhecermos a Deus, não desperdiçando nada com coisas supérfluas, desnecessárias.

Devemos buscar adquiri as riquezas espirituais, as moedas que nos fornecem os méritos de cristo, que são moedas de amor, de bens eternos, de felicidade, sabedoria, graças infinitas. E quanto mais buscamos conhece-lo, mais ele se revela a nós, doa a sua vida e nos ensina a doar também ao próximo. Vale apena fazermos essa troca com Jesus de nossas pequenas moedas, cruzes, pelas que Jesus quer nos dar, ele assim como fez com Luísa, ao receber a sua cruz que carregava consigo, acolherá com alegria toda a reparação, sacrifícios, ofertas de amor que fizemos, mas o que Jesus olha mesmo, não é o tamanho do sacrifício, mas o amor com que se faz, o grau de união da alma com ele, se tivermos a reta intenção estaremos abertos para receber a cruz que Jesus deseja nos enviar, o sacrifício que quer de nós. Se aceitamos com amor o que Jesus nos envia, ele pode usar de nosso sofrer para ajudar outras pessoas, usar em favor das almas, aliviando de suas dores, curando vícios e paixões.

Quando damos lugar pra Jesus em nossa vida, nossa vontade humana se torna como um banquinho onde Jesus pode subir e reinar nas situações, fazendo acontecer as mudanças que ele quer, e isso produz o contentamento que Jesus deseja, usando de nós como sóis, como canais para iluminar outras pessoas, e ajuda-las a aceitarem também as suas próprias cruzes. Sendo esses sóis que recebem a luz, tomam parte em tudo o que pertence ao sol, adquirindo em si seus efeitos, doando essa luz e calor, e tendo essa mesma substância em si, luz, calor, fogo, frutos da vida divina em nós, à medida que correspondemos a Jesus, ele alarga o nosso ser, essa plenitude vem da união com ele, é o próprio amor dele em nós. Essa plenitude, é a consumação com sua vontade, ou seja, ser uma só coisa com Deus, essa consumação se dá à medida que aumenta nossa confiança em Jesus. Quanto mais lemos os escritos, e com eles trabalhamos as obras boas e virtudes na prática, isso nos leva a maior intimidade com Deus, é pelo desejo pleno de estar com Deus fazendo tudo com ele, se mover só por Jesus, morrendo pra todo humano e vivendo pela verdade, é dessa forma que começamos a fazer sua vontade como se tivéssemos a própria mão de Deus em nós, sendo esse sol que recebe todo o calor, todo o mover e as características do próprio Deus.
Um ponto importante que Jesus pede a Luísa e a cada um de nós, é que aceitemos o sofrer não só por sofrer, simplesmente, mas como fruto da vontade Divina. A união das duas vontades é para jesus a forma de atar a alma a ele. Essa união das vontades e a conformidade com o divino querer é fundamental. Como vimos acima, Luísa ao sofrer sentia que podia contentar Jesus, ela tinha o sofrimento como base para estar em união com Jesus, dando a satisfação que ele merece, porém Jesus pede mais, pede tudo.

Dar tudo é não ter nada para si, mas deixar Jesus ter domínio total na sua vida, significa morrer para todo o tipo de interesse, amor próprio, não querer nada para si. Jesus pede pra Luísa isso e a ensina por meio da privação, deixando- a também sacrificada ao não permitir que sofresse a crucificação, ao priva-la de sua presença sensível, para tê-la totalmente despojada de si mesma, como uma esposa obedientíssima que está sempre disponível ao que seu amado esposo pede, sacrificando tudo, abrindo mão de qualquer coisa, pela felicidade do esposo.
Suponhamos um casal, em que o esposo, precisa se mudar para trabalhar em uma mina de carvão, e com isso, informa a esposa que precisa se mudar de cidade. A esposa ao ouvir a notícia, se assusta e fica muito brava talvez, chora, reclama sente medo, vem à tona toda sua miséria, porém, depois ela aceita e então decidem ir. Com o passar do tempo, chega uma outra notícia, o esposo informa que terá que trazer uma boa parte de carvão para o lar, imagine o susto da esposa… O que? como assim? Nossa! Mas depois reconsidera e se submete ao desejo de seu esposo. Mas não para por aí, depois de um tempo, ele vem informando que terá novas mudanças em suas vidas, que irão se mudar para uma nova casa, deixando a antiga para servir de depósito de carvão.

Mais complicações, mudanças, para se ajeitarem a nova casa e se reorganizarem, mas a esposa mesmo se hesitando no começo, novamente aceita. Após um tempo a esposa passa a cooperar com o esposo, indo até à mina e trabalhando com ele. No início ela observa, discute com ele, até dar palpites no trabalho, porém começa a entender o para quê e como é importante esse trabalho. Esse é o tipo de relacionamento de Luísa com Jesus, ela briga, discute, reclama com Jesus, mas apesar disso, ela sempre deu seu FIAT para Jesus, nunca fez sua vontade humana. Vemos no livro do Céu, muitos momentos em que Luísa, reclamava pelas privações, por ter que se submeter ao confessor, dizia que não iria ser mais vítima, diz que vai embora, enfim, mesmo em todas essas misérias, sempre obedeceu. Jesus vinha até ela chorando muitas vezes e explicando seus desígnios, muitas vezes ele vinha amargurado dizendo a imensa dor que ela deixou Jesus sentindo, depois ela se desculpava e obedecia.
Trazendo para nossa vida, acontece o mesmo conosco, reclamamos, sentimos medo, tentamos nos esquivar, mas a Divina Vontade faz de tudo para nos explicar, usando de pessoas e situações para trabalhar em nós. Mas o que Jesus quer, é que vivamos em cooperação com sua vontade, conhecendo mais o valor de seu trabalho e buscando contribuir com ele em total correspondência. Jesus nos convida ao aprofundamento nesse entendimento, e por meio do livro do céu podemos ver tudo o que Jesus trabalhou na Luísa para esse fim. Toda a experiência de Luísa no livro do céu, mostra o quanto ela precisou viver tudo isso, para poder aprender. O senhor faz assim conosco, usa de tudo para nos ensinar, das experiências que passamos para aprendermos o que Jesus quer de nós e assim cooperarmos com a Divina Vontade. Por mais do que como uma esposa que se submete ao esposo, Deus quer que estejamos, juntos, cooperando em seu plano, obedientes e atentos com seus ensinamentos, e assimilando na nossa vida, na prática, como viver isso, pois a Divina Vontade é vida, é realidade.

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