Estudo 12 – Livro do Céu Vol 12 ao 20 – Escola da Vontade Divina


MEDITACAO
12-12
Junho 14, 1917

Quanto mais a alma se despe de si, tanto mais Jesus a veste dele.

(1) Continuando o meu estado habitual, estava a pedir ao meu amável Jesus que viesse em mim a amar, a rezar, a reparar, porque eu não sabia fazer nada, e o doce Jesus movido a compaixão pela minha nulidade, veio, ficando comigo a rezar, amando e reparando junto comigo, e depois me disse:

(2) “Minha filha, quanto mais a alma se despoja de si, tanto mais a visto de Mim; quanto mais crê que não pode fazer nada, tanto mais faço eu nela e faço tudo; sinto que a criatura põe em  ação todo meu amor, minhas orações, minhas reparações, etc., e para fazer-me honra a mim mesmo, Vejo o que quer fazer: Amar? Vou a ela e amo junto com ela. Quer rezar? Rezo junto com ela; em suma, seu despojar-se de si e seu amor, que é meu, me amarram e me obrigam a fazer junto com ela o que quer fazer, e Eu dou à alma o mérito de meu amor, de minhas orações e reparos, e com sumo prazer meu sinto repetir minha Vida, e faço descer a bem de todos, os efeitos do meu agir, porque não é da criatura que está escondida em Mim, mas meu”.

13-12
Agosto 13, 1921
A tristeza não entra na Divina Vontade. A Divina Vontade contém a substância de todas as alegrias, a fonte de todas as felicidades.

(1) Sentia-me muito aflita, e o meu amável Jesus movendo-se dentro de mim disse-me:
(2) “Minha filha, coragem, não te quero afligida, porque em quem vive na minha Vontade aflora sobretudo o seu ser o sorriso do Céu, o contentamento dos bem-aventurados, a paz dos santos. A minha Vontade contém a substância de todas as alegrias, a fonte de todas as felicidades, e quem vive no meu Querer, mesmo na dor sente misturados, dor e alegria, lágrimas e sorrisos,  amargura e doçura; o contentamento é inseparável da minha Vontade. Tu deves saber que, conforme pensas na minha vontade, conforme falas, conforme obras, conforme amas, etc., tantos filhos pares a meu Querer por quantos pensamentos fazes, por quantas palavras dizes, por quantas obras e atos de amor emites; estes filhos se multiplicam ao infinito em meu Querer e giram pelo Céu e por toda a terra, levando ao Céu nova alegria, nova glória e contente, e à terra nova graça, girando por todos os corações levam-lhes meus suspiros, meus gemidos, as súplicas de sua Mãe que os quer salvos e que lhes quer dar sua Vida. Agora, estes filhos, partos do meu Querer, para serem reconhecidos como meus filhos, devem semear-se, ter os mesmos modos da Mãe que os deu à luz; se se virem tristes serão expulsos do Céu e lhes será dito: “Em nossa habitação não entra a tristeza”. E às criaturas não lhes causarão impressão, porque, vendo-as tristes, duvidarão que sejam verdadeiros filhos legítimos do meu Querer, e, além disso, quem é triste não tem a graça de insinuar-se nos outros, de as vencer e dominar; Quem é triste não é capaz de heroísmo nem de dar-se para o bem de todos. Muitas vezes estes filhos ficam abortados ou morrem no parto, sem sair à luz do Divino Querer”.

14-12
Março 13, 1922

O grande bem que leva ouvir as verdades.

(1) Encontrando-me fora de mim mesma, encontrei-me no meio de um vale florido no qual encontrei o meu confessor defunto, morto no dia 10 do corrente2, e segundo o seu costume de  quando vivia aqui abaixo disse-me:
(2) “Diz-me: que te disse Jesus?”
(3) E eu: “Falou-me em meu interior, com palavras não me disse nada, e você sabe que as coisas que ouço em meu interior não as levo em conta”.
(4) E ele: “Quero ouvir também o que te disse em teu interior”.
(5) E eu, como obrigada, disse-me:
(6) “Minha filha, eu te carrego em meus braços; meus braços te servirão de barquinha para te fazer navegar no mar interminável de minha vontade, tu, depois, conforme fizeres teus atos em
meu Querer formarás as velas, o mastro, a âncora, que servirão não só como adorno da barquinha, mas para fazê-la andar com mais velocidade. É tanto o amor que tenho a quem vive em meu Querer, que a levo em meus braços sem jamais deixá-la”.
(7) Mas, enquanto dizia isto, vi os braços de Jesus em forma de barquinho, e eu no meio dela. O Confessor ao ouvir isto me disse:
(8) “Deves saber que quando Jesus te fala e te manifesta suas verdades, são raios de luz que chovem sobre ti, depois tu, quando as manifestavas a mim, não tendo sua virtude, as manifestavas a mim em gotas, e minha alma ficava toda cheia daquelas gotas de luz, e aquela luz me incitava mais e me dava mais desejos de ouvir outras verdades para poder receber mais luz, porque as verdades levam o perfume celestial, a sensação divina, e isto só ao ouvi-las, o que será para o que as pratique? É por isso que amava e desejava tanto ouvir o que Jesus te dizia, e queria dizê-lo aos demais, era a luz, o perfume que sentia e queria que outros tomassem parte nisso. ¡Se soubesse o grande bem que recebeu minha alma ao escutar as verdades que te dizia Jesus! Como ainda goteja luz e expande perfume celestial, que não só me dá refrigério, senão que me serve de luz a mim, e a quem está perto de mim, e como tu fazes teus atos no Querer Divino, eu tomo parte especial, porque eu sinto a semente que você colocou em mim do seu Querer Santíssimo”.
(9) E eu: “Deixe-me ver sua alma, como é que a luz goteja.” E ele abrindo-se pela parte do coração me fazia ver sua alma toda jorrando luz; essas gotas se uniam, se separavam, uma corria sobre a outra, era muito bonito vê-lo.
(10) E ele: “Você viu? Como é bonito ouvir as verdades! Quem não escuta as verdades goteja trevas que dão horror”.

15-12
Março 27, 1923
Dores da Vida Sacramental de Jesus. Graças com as quais nos previne para recebê-lo.

(1) Tendo recebido a comunhão, meu doce Jesus fez-se ver, e eu apenas o vi me lancei a seus pés para beijá-los e me estreitar toda a Ele. E Jesus estendendo-me a mão disse-me:

(2) “Minha filha, entre meus braços e até dentro de meu coração, cobri-me dos véus eucarísticos para não infundir temor, desci no abismo mais profundo das humilhações neste Sacramento para elevar a criatura até Mim, fundindo-a tanto em Mim de formar uma só coisa Comigo, e com fazer correr meu sangue sacramental em suas veias constituir-me vida de sua batida, de seu pensamento e de todo seu ser. Meu amor me devorava e queria devorar a criatura em minhas chamas para fazê-la renascer como outro Eu, por isso quis me esconder sob estes véus eucarísticos, e assim entrar nela para formar esta transformação da criatura em Mim; mas para que esta transformação acontecesse, eram necessárias disposições por parte das criaturas e o meu amor chegando ao excesso, enquanto instituía o Sacramento Eucarístico, assim punha fora de dentro da minha Divindade outras graças, dons, favores, luz para bem do homem, para torná-lo digno de me poder receber; poderia dizer que pus tanto bem fora de ultrapassar os dons da Criação, quis agradecer-lhe primeiro para me receber, e depois dar-me para lhe dar o verdadeiro fruto da minha Vida Sacramental. Mas para preparar com estes dons às almas, necessita-se um pouco de vazio delas mesmas, de ódio à culpa, de desejo de receber-me, estes dons não descem na podridão, na lama, portanto sem meus dons não têm as verdadeiras disposições para receber-me, e eu descendo nelas não encontro o vazio para comunicar a minha Vida, estou como morto para elas, e elas mortas para Mim; Eu ardo e elas não sentem as minhas chamas, sou luz e elas ficam mais cegas. Ai de Mim! quantas dores na minha Vida Sacramental, muitas por falta de disposições, não sentindo nada de bem no receber-me, chegam a enjoar-me, e se continuam a receber-me é para formar o meu contínuo calvário e a sua eterna condenação, se não é o amor que as leva a receber-me, é uma afronta de mais que me fazem, é uma culpa de mais que agregam suas almas. Por isso reza e repara pelos tantos abusos e sacrilégios que se fazem ao receber-me Sacramentado”.

16-13
Agosto 9, 1923

A vontade humana é trevas; a Vontade Divina é Luz.

(1) Estava a meditar no Santo Querer Divino, e o meu doce Jesus a apertar-me a Si, Começou a rezar junto comigo e depois me disse:

(2) “Minha filha, a vontade humana cobriu de nuvens toda a atmosfera, de modo que densas trevas pairam sobre todas as criaturas, e quase todas caminham mancando e tateando, e cada ação humana que fazem sem a conexão da Vontade Divina aumenta as trevas e o homem se torna mais cego, porque a luz, o sol da vontade humana é a Divina Vontade, tirada Esta, luz não há para a criatura. Agora, quem obra, reza, caminha, etc., em meu Querer, se eleva acima destas trevas e conforme obra, reza, fala, assim, rasgando estas densas nuvens, manda raios de luz sobre toda a terra, de despertar a quem vive no sob sua vontade, e prepara os ânimos para receber a luz, o sol da Divina Vontade. Por isso tenho tanto interesse de que você viva em meu Querer, para que prepare um céu de luz, que enviando contínuos raios de luz venha limpar este céu de trevas que a vontade humana formou-se sobre sua cabeça, de modo que possuindo a luz de meu Querer possam amá-lo, e meu Querer amado possa reinar sobre a terra”.

17-13
Setembro 17, 1924

Operar na Divina Vontade significa que o Sol da Divina Vontade, transformando em sol a vontade humana, opera nela como em seu próprio centro. Jesus abençoa estes escritos.

(1) Estava pensando no Santo Querer Divino, e fazia quanto mais podia para fundir-me nele, para poder abraçar a todos e levar a meu Deus os atos de todos como um ato só, atos que são todos devidos a nosso Criador. Enquanto isso, via o Céu abrir-se e sair dele um Sol, que me ferindo com seus raios me penetrava até o fundo de minha alma, a qual, ferida por esses raios se convertia em um sol, que expandindo raios feria aquele Sol do qual tinha ficado ferida. E como eu continuava fazendo meus atos por todos no Divino Querer, estes atos eram fundidos nesses raios e convertidos em atos divinos, que difundindo-se em todos e sobre todos formavam uma rede de luz, tal, de pôr ordem entre o Criador e a criatura. Eu fiquei encantada ao ver isto, e meu amável Jesus saindo de dentro de mim, em meio a este Sol me disse:.

(2) “Minha filha, olha como é belo o Sol da minha Vontade, que Potência, que maravilha, não apenas a alma se quer fundir nela para abraçar a todos, meu Querer transformando-se em Sol fere
a alma e forma outro Sol nela, e ela conforme forma seus atos forma seus raios para ferir o Sol da Suprema Vontade, e envolvendo a todos nesta luz, por todos ama, glorifica, satisfaz a seu Criador, e o que é mais, não com amor, glória e satisfação humanas, senão com amor e glória de Vontade Divina, porque o Sol de minha Vontade operou nela. Olhe o que significa fazer os atos em minha Vontade, isto é o viver em meu Querer: Que o Sol de minha Vontade, transformando em Sol à vontade humana, opere nela como em seu próprio centro”..
(3) Depois, meu doce Jesus ia tomando todos os livros escritos sobre seu Divino Querer, os colocava juntos, os estreitava ao coração, e com uma ternura indescritível acrescentou:.
(4) “Abençoo de coração estes escritos, abençoo cada palavra, abençoo os efeitos e o valor que eles contêm; estes escritos são uma parte de Mim mesmo”.
(5) Depois chamou os anjos, que se puseram em terra para rezar, e como estavam presentes dois padres que deviam ver os escritos, Jesus disse aos anjos que tocassem suas testas para imprimir neles o Espírito Santo, e assim infundir-lhes a luz para poderem fazê-los compreender as verdades e o bem que há nestes escritos. Os anjos o cumpriram e Jesus, abençoando a todos, desapareceu.

18-11
Novembro 5, 1925
Os gemidos do Espírito Santo nos Sacramentos. Correspondência de amor da alma.

(1) Estava segundo meu costume Fundindo-me no Santo Querer Divino e buscava, por quanto me era possível, corresponder com meu pequeno amor ao meu Jesus por tudo o que fez na Redenção, e meu amável e doce amor Jesus, movendo-se em meu interior me disse:.
(2) “Minha filha, com o teu voo na minha Vontade, põe-te em todos os Sacramentos instituídos por Mim, desce no fundo deles para me dares a tua pequena correspondência de amor. Oh! Quantas lágrimas secretas minhas encontrarás neles, quantos suspiros amargos, quantos gemidos sufocados do Espírito Santo, o seu gemido é contínuo pelas tantas desilusões do nosso amor. Os Sacramentos foram instituídos para continuar a minha Vida sobre a terra no meio dos meus filhos, mas, ai de Mim, quantas dores! Por isso sinto a necessidade de teu pequeno amor, será pequeno, mas minha Vontade o fará grande; meu amor não tolera para quem deve viver em minha Vontade, que não se associe a minhas dores e que não me dê sua pequena correspondência de amor por
tudo o que fiz e sofro, por isso minha filha vê como geme meu amor nos Sacramentos:.
(3) Se vejo batizar o recém-nascido choro de dor, porque, enquanto com o Batismo restituo a inocência, reencontro de novo o meu filho, restituo-lhe os direitos perdidos sobre a Criação, sorrio-
lhe de amor e complacência, ponho em fuga o inimigo, para que não tenha mais direito sobre ele, confio-o aos anjos, todo o Céu lhe faz festa, mas rapidamente o sorriso me muda em dor, a festa em luto, vejo que aquele batizado será um inimigo meu, um novo Adão, e talvez também uma alma perdida. Oh! Como geme o meu amor em cada Batismo, especialmente se se acrescenta que o ministro que batiza não o faz com respeito, dignidade e decoro que convém a um Sacramento que contém a nova regeneração. Ai! Muitas vezes se está mais atento a uma bagatela, a uma cena qualquer que a administrar um Sacramento, assim que meu amor se sente ferido pelo Batizante e pelo batizado e geme com gemidos inenarráveis. Não desejarias tu dar-me por cada batismo uma correspondência de amor, um gemido amoroso para fazer companhia aos meus enlutados?.

(4) Passa ao Sacramento da Confirmação, ai, quantos suspiros amargos! Enquanto com a confirmação lhe devolvo o ânimo, lhe restituo as forças perdidas tornando-o invencível ante todos os inimigos, ante suas paixões, vem admitido nas fileiras das milícias de seu Criador a fim de que milite para adquirir a pátria celestial, o Espírito Santo lhe volta a dar seu beijo amoroso, Ele lhe dá
mil carícias e se oferece como companheiro de sua vida, mas muitas vezes se sente restituindo o beijo do traidor, desprezando suas carícias e fugindo de sua companhia. Quantos gemidos quantos suspiros para que volte, quantas vozes secretas ao coração a quem foge d’Ele, até se cansar por seu falar; mas que, em vão. Por isso, não queres pôr a tua correspondência de amor, o
beijo amoroso, a tua companhia ao Espírito Santo que geme por tanto desconhecimento que lhe fazem?.
(5) Mas não te detenhas, voa ainda e escutarás os gemidos angustiosos do Espírito Santo no Sacramento da penitência. ¡ Quanta ingratidão, quantos abusos e profanações por parte de quem o
administra e por parte de quem o recebe! Neste Sacramento meu sangue se põe em ação sobre o pecador arrependido para descer a sua alma para lavá-lo, para embelezar-lo, curá-lo e fortalecê-lo, para restituir-lhe a graça perdida, para lhe pôr nas mãos as chaves do Céu que o pecado lhe tinha arrancado, para selar sobre a sua testa o beijo pacífico do perdão; mas ai! quantos gemidos dilacerantes ao ver as almas aproximarem-se deste sacramento da penitência sem dor, por hábito, quase por um desabafo do coração humano; outros, horrível é dizer, em vez de ir encontrar a vida da alma, da graça, vão encontrar a morte, a desafogar suas paixões, assim que o Sacramento se reduz a uma burla, a uma boa conversa, e meu sangue em vez de descer nelas como lavado, desce como fogo que as esteriliza principalmente. Portanto, em cada confissão o nosso amor chora inconsolavelmente, e soluçando repete: Ingratidão humana, como és grande, por toda parte procuras ofender-me, e enquanto te ofereço a vida tu mudas em morte a mesma vida que te ofereço”. Veja então como nossos gemidos esperam sua correspondência de amor no sacramento da penitência.
(6) Teu amor não se detenha, percorra todos os tabernáculos, cada hóstia sacramental, e em cada hóstia ouvirás gemer ao Espírito Santo com dor inenarrável. O Sacramento da Eucaristia não é apenas a sua vida que as almas recebem, mas é a minha própria Vida que lhes é dada, assim que o fruto deste Sacramento é formar a minha Vida nelas, e cada comunhão serve para fazer crescer a minha Vida, para desenvolvê-la de modo a poder dizer: Vede Eu sou outro Cristo’. Mas, ai de mim! que poucos o aproveitam, é mais, quantas vezes descendo nos corações e me fazem encontrar as armas para me ferir, e me repetem a tragédia de minha Paixão, e assim que se consomem as espécies Sacramentais, em vez de me incitar a ficar com elas sou obrigado a sair banhado em lágrimas, chorando minha sorte sacramental, e não encontro quem acalme meu pranto e meus gemidos dolorosos. Se você pudesse romper os véus da hóstia que me cobrem, me encontraria banhado em pranto conhecendo a sorte que me espera ao descer nos corações. Por isso tua correspondência de amor por cada hóstia seja contínua, para me acalmar o pranto e tornar menos dolorosos os gemidos do Espírito Santo..
(7) Não se detenha, de outra maneira não te encontraremos sempre junto em nossos gemidos e em nossas lágrimas secretas, sentiremos o vazio de sua correspondência de amor. Desça no Sacramento da ordem, aqui sim, encontrará nossas mais íntimas dores escondidas, as lágrimas mais amargas, os gemidos mais dilacerantes. A ordem constitui o homem a uma altura suprema,
de um caráter divino, o faz o repetidor da minha Vida, o administrador dos Sacramentos, o revelador dos meus segredos, do meu Evangelho, da ciência mais sagrada, o pacificador entre o
Céu e a terra, o portador de Jesus às almas; mas, ai de Mim! Quantas vezes vemos no ordenado que será um novo Judas, um usurpador do caráter que lhe foi impresso. Oh! como geme o Espírito Santo ao ver no ordenado arrancar-se as coisas mais sagradas, o caráter maior que existe entre o Céu e a terra; quantas profanações, cada ato deste ordenado feito não segundo o caráter impresso, será um grito de dor, um choro amargo, um gemido dilacerante. A ordem é o Sacramento que encerra todos os outros Sacramentos juntos, por isso se o ordenado sabe conservar em si, íntegro o caráter recebido, colocará quase a salvo todos os outros Sacramentos, será ele o defensor e o salvador do mesmo Jesus. Por isso, não vendo isto no ordenado, nossas dores se concentram mais, nossos gemidos se tornam mais contínuos e doloridos, por isso corra tua correspondência de amor em cada ato sacerdotal para fazer companhia ao amor gemente do Espírito Santo.
(8) Preste atenção ao seu coração e ouça nossos profundos gemidos no Sacramento do Matrimônio. Quantas desordens nele! O matrimônio foi elevado por Mim a Sacramento para pôr nele um vínculo sagrado, o símbolo da Trindade Sacrossanta, o amor divino que Ela encerra, assim que o amor que devia reinar no pai, na mãe e nos filhos, a concórdia, a paz, devia simbolizar a
Família Celestial. Assim devia ter sobre a terra tantas outras famílias semelhantes à Família do Criador, destinadas a povoar a terra como outros tantos anjos terrestres, para conduzi-los a povoar as regiões Celestes. Mas, oh, meu Deus! quantos gemidos ao ver formar no matrimônio famílias de pecado, que simbolizam o inferno com a discórdia, com o desamor, com o ódio, que povoam a terra como tantos anjos rebeldes que servirão para povoar o inferno. O Espírito Santo geme com gemidos dilacerantes em cada matrimônio ao ver formar na terra tantas cavernas infernais. Por isso ponha sua correspondência de amor em cada matrimônio, em cada criatura que vem à luz, assim teu gemido amoroso retornará menos dolorosos nossos gemidos contínuos..
(9) Nossos gemidos ainda não terminaram, por isso sua correspondência de amor chegue ao leito do moribundo quando lhe é administrado o Sacramento da extrema unção. Mas, oh, meu Deus!
quantos gemidos, quantas lágrimas secretas nossas, este Sacramento contém a virtude de pôr a salvo a qualquer custo o pecador agonizante, é a confirmação da santidade aos bons e aos santos, é o último vínculo que põe, com sua unção, entre a criatura e Deus, é o selo do Céu que imprime na alma redimida, é a infusão dos méritos do Redentor para a enriquecer, purificar e embelezar, é a última pincelada que o Espírito Santo dá para a dispor a partir da terra para a fazer comparecer diante do seu Criador. Em suma, com a extrema unção é o último alívio do nosso amor e a última veste da alma, é o ordenamento de todas as boas obras, por isso opera de modo surpreendente nos vivos à graça; com a extrema unção a alma é coberta como por um orvalho celestial que o apaga como de um só sopro as paixões, o apego à terra e a tudo o que não pertence ao Céu. Mas, ai de Mim, quantos gemidos, quantas lágrimas amargas, quantas indisposições, quantos descuidos, quantas almas perdidas, que poucas santidades encontra para confirmar, que escassas obras boas para reordenar e confirmar. Oh! se nossos gemidos, nosso pranto no leito do agonizante no ato de administrar o Sacramento da extrema unção pudessem ser ouvidos por todos, todos chorariam de dor; não queres nos dar tua correspondência de amor por cada vez que é administrado este Sacramento, O que é o último alívio do nosso amor pela criatura?

“Nossa Vontade te espera em todas as partes para ter sua correspondência de amor e a companhia a nossos gemidos e suspiros”..

19-13
Abril 18, 1926

A Divina Vontade é a depositária das obras divinas, e deve ser a depositária das obras das criaturas.

(1) Sentia-me toda diminuída em mim mesma, e procurava fundir-me no Santo Querer Divino para correr junto com Ele, para fazer-lhe companhia em seu agir e corresponder-lhe ao menos com meu pequeno “amo-te”. Agora, enquanto fazia isso, meu doce Jesus saindo de dentro de mim me disse:.
(2) “Minha filha, coragem, não ponhas atenção em tua pequenez, o que mais te deve importar é ter tua pequenez em minha Vontade, porque estando nela ficarás perdida nela, e minha Vontade, qual vento, levará em teu ato a frescura que possui como refrigério a todas as criaturas, levará o vento quente para inflamá-los de meu amor, levará o vento frio para extinguir o fogo das paixões, e finalmente levará o vento úmido como vegetação do germe de minha Vontade. Você nunca sentiu os efeitos do vento, Como é que o ar sabe mudar quase instantaneamente do calor para o frio, de úmido para o ar frio e refrigerante? Minha Vontade é mais que vento, e teus atos nela, agitando-a, movem os ventos que contém e produzem admiráveis efeitos, depois, todos estes ventos unidos juntos investem o trono divino e levam a seu Criador a glória de sua Vontade obrante na criatura. Oh! Se todos soubessem o que significa trabalhar no Fiat Supremo, os prodígios que ele contém, todos fariam competição para trabalhar nele. Olha, nossa Vontade é tão grande, que nós mesmos a fazemos depositária de nossas obras: A Criação, para fazer que se mantivesse sempre bela, fresca, íntegra, nova, tal como a tiramos de nossas mãos criadoras, a depositamos em nossa Vontade; a Redenção, para fazer que estivesse sempre em ato de redimir, e meu nascimento, minha Vida, minha Paixão e Morte, estivessem sempre em ato de nascer, de viver, de sofrer e de morrer para a criatura, as depositamos em nossa Vontade, porque só Ela tem a virtude e a potência de manter sempre em ação a obra que se faz e reproduzir aquele bem quantas vezes se quer. Nossas obras não estariam seguras se não fossem depositadas em nossa Vontade; se isto é de nossas obras, muito mais deveria ser para as obras das criaturas, a quantos perigos não estão sujeitas quando não são depositadas em nosso Querer, quantas mudanças não sofrem, Por isso estamos contentes quando vemos que a criatura faz o depósito de seus atos no Supremo Querer.

Estes atos, ainda que pequenos, e as ninharias da criatura, fazem rivalidade com os nossos atos, e Nós gozamos ao ver seu engenho, que para pôr ao seguro suas ninharias as deposita em nossa Vontade..
(3) Agora, se para a Criação e para a Redenção a depositária foi nossa Vontade, também para o Fiat como no Céu assim na terra, deve ter o depósito minha mesma Vontade, eis por que de minha insistência de que nada fizesse se não o depositasse nela. “Se não forma este depósito de toda você mesma, de seus pequenos atos e até de suas ninharias, meu Fiat não tendo seu pleno triunfo sobre você, não poderá desenvolver seu Fiat como no Céu assim na terra”.

20-11
Outubro 15, 1926

No Céu se terá tanta felicidade por quanta Vontade Divina conteve a alma na terra.

(1) Continuando meu habitual giro na Vontade Suprema dizia em mim: “Meu Jesus, tua Vontade abraça e encerra tudo, e eu em nome da primeira criatura saída de tuas mãos criadoras, até a última que será criada, tento reparar todas as oposições das vontades humanas feitas à tua, e de tomar em mim todos os atos de tua adorável Vontade que as criaturas rejeitaram, para retribuí-los todos em amor, em adoração, de modo que não haja ato teu ao que não corresponda um ato meu, para que encontrando em cada ato teu meu pequeno ato como bilocado no teu, Você fique
satisfeito e venha reinar como em triunfo sobre a terra. Não é sobre os atos humanos que o teu Fiat Eterno quer encontrar o apoio para dominar? Por isso te ofereço em cada ato teu, o meu como terreno para te fazer estender o teu Reino”. Agora, enquanto pensava e dizia isto, o meu sempre amável Jesus mexeu-se dentro de mim e disse-me:

(2) “Pequena filha de meu Querer, é justo, é necessário, é de direito de ambas as partes, tanto sua como de minha Vontade, que quem é filha sua siga a multiplicidade dos atos de meu Querer, e Ele os receba nos seus. Um pai seria infeliz se não sentisse ao seu lado seu filho para ser seguido em seus atos por ele, nem o filho se sentiria amado pelo pai se o pai fazendo a um lado não se fizesse seguir por seu filho. Por isso, filha de minha Vontade e recém-nascida n‟Ela significa precisamente isto: ¨Seguir como filha fiel todos os seus atos.‟ Porque tu deves saber que a minha Vontade saiu em campo de ação na Criação nos atos humanos da criatura, mas para agir quer o ato da criatura no seu para desenvolver seu agir e poder dizer: „Meu Reino está no meio de meus filhos e propriamente no íntimo de seus atos.¨ Porque a criatura, porque toma da Minha Vontade, Eu estendo o Meu Reino nela, e ela estende o Seu reino na Minha Vontade, mas segundo me faz dominar em Seus atos assim expande seus confins no Meu Reino, e Eu dou e ela toma mais alegria, mais felicidade, mais bens e mais glória, porque está estabelecido que na Pátria Celestial, tanto de glória, bem-aventuranças, de felicidade, receberão por quanto de minha Vontade contiveram em suas almas na terra; sua glória será medida pela mesma Vontade minha que
possuirão suas almas, não poderão receber mais porque sua capacidade vem formada por aquela mesma Vontade Divina que fizeram e possuíram enquanto viviam sobre a terra, e ainda que minha liberalidade quisesse dar-lhes mais, lhes faltaria o lugar onde contê-las e transbordariam fora.

Agora minha filha, de tudo o que a minha Vontade estabeleceu dar às criaturas, de todos os seus atos, até agora pouco tomaram, pouco conheceram, porque o seu Reino não foi conhecido, muito menos possuído, portanto no Céu não pode dar toda a sua glória completa, nem todas as alegrias e felicidade que possui, porque se encontra no meio de filhos incapazes e de pequena estatura. E por isso espera com tanto amor e anseia o tempo de seu Reino, para ter seu total domínio e dar de seu Fiat tudo o que havia estabelecido dar às criaturas, e assim formar-se os filhos capazes para lhes poder dar todos os seus bens, e só estes filhos na Pátria Celestial completarão a glória a todos os bem-aventurados, aos filhos do Reino do meu Querer, porque terão encerrado o que Ela queria, ao dar-lhe livre campo de ação e de domínio, por isso terão a glória essencial, porque terão a capacidade e o espaço onde contê-la, os demais, por meio destes terão a glória acidental e todos gozarão juntos a glória completa e a plena felicidade de minha Vontade. Assim, o Reino do Fiat Supremo será o pleno triunfo do Céu e da terra”.

(3) Agora pensava em mim: “Nosso Senhor no Pai Nosso nos ensina a dizer, a pedir, faça-se sua Vontade’, então por que diz que quer que se viva n‟Ela?” E Jesus sempre benigno, movendo-se
dentro de mim me disse:
(4) “Minha filha, „faça-se a tua Vontade’ que Eu ensinei a pedir no Pai Nosso, significava que todos deviam rogar que ao menos fizessem a Vontade de Deus, e isto é de todos os cristãos e de todos os tempos, não se pode dizer cristão se não se dispõe a fazer a Vontade de seu Pai Celestial. Mas você não pensou na frase que vem logo depois: „Como no Céu assim na terra’. Como no Céu assim na terra significa viver no Querer Divino, significa rogar que venha o Reino de minha Vontade à terra para viver n‟Ele. No Céu não só fazem minha Vontade mas sim vivem n‟Ela, a
possuem como coisa e Reino próprio, e se a fizessem e não a possuíssem não seria plena sua felicidade, porque a verdadeira felicidade começa no fundo da alma. Fazer a Vontade de Deus não significa possuí-la, mas sim submeter-se à suas ordens, em troca viver n‟Ela é posse. Por isso no Pai Nosso está a petição: Nas palavras „Faça-se Sua Vontade’, que todos façam a Vontade Suprema; e no „como no Céu assim na terra’, que o homem retorne naquela Vontade de onde saiu, para readquirir sua felicidade, os bens perdidos e a posse de seu Reino divino”.

 

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