Estudo 11 – Livro do Céu Vol.12 ao 20 – Escola da Vontade Divina


INESQUECÍVEL
12-11
Junho 7, 1917

A alma fica separada de Jesus quando faz entrar nela alguma coisa que não pertence a Ele

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, lamentava-me com meu doce Jesus de suas privações e lhe dizia: “Que amarga separação, separada de Ti tudo termina e me sinto a criatura mais infeliz que possa existir”. E Jesus, interrompendo o meu discurso, disse-me:
(2) “Minha filha, que separação encontras? A alma fica separada de Mim quando faz entrar alguma coisa que não me pertence a Mim. Por isso, se eu entrar na alma e encontrar a sua vontade, os seus desejos, os seus afetos, os pensamentos, o coração, todo meu, eu a absorvo em mim, e vou fundindo com o fogo do meu amor a sua vontade com a minha, e delas faço uma só; fundo seus desejos com os meus, os afetos, os pensamentos com os meus, e quando de tudo formei um só líquido, como celestial orvalho o despejo sobre toda minha Humanidade, que, dividindo-se em tantas gotas de orvalho por quantas ofensas recebe, me beijam, me amam, me reparam, embalsamam minhas feridas irritadas. E como estou sempre em ato de fazer o bem a todos, este orvalho desce a bem de todas as criaturas. Mas se encontro na alma alguma coisa estranha, que não me pertence, então não posso fundir o seu no meu, porque somente o amor é o que tem virtude de fundir-se e fazer-se um só; as coisas similares são as que podem trocar-se, e que têm o mesmo valor, por isso, se na alma há ferro, espinhos, pedras, como se podem fundir? E então são as separações, a infelicidade. Então, se nada entrou em seu coração, como posso me separar?”

13-11
Agosto 9, 1921

Efeitos dos atos feitos no Divino Querer

(1) Continuando meu habitual estado, encontrei-me fora de mim mesma no meio de um vasto mar e via uma máquina, que conforme se movia o motor, assim a água brotava por todas as partes da máquina, que, elevando-se até ao céu estas ondas de água cobriam todos os santos e anjos, e chegando até ao trono do Eterno, se derramavam com ímpeto a seus pés e depois desciam de novo ao fundo do mesmo mar. Eu fiquei maravilhada ao ver isto e dizia entre mim:
“O que será esta máquina?” E uma luz que vinha do mesmo mar me disse:
(2) “O mar é minha Vontade, a máquina é a alma que vive em meu Querer, o motor é a vontade humana que opera no Divino Querer. Cada vez que a alma faz suas intenções especiais em meu Querer, o motor põe em movimento a máquina, e como minha Vontade é vida dos bem-aventurados, como também o é da máquina, não é maravilha que minha Vontade, que brota desta máquina, entre no Céu e resplandeça de luz, de glória, derramando-se sobre todos, até em meu trono e depois desça de novo no mar da minha vontade na terra para bem dos viadores. Minha Vontade está por toda parte, e os atos feitos em minha Vontade correm por toda parte, no Céu e na terra; correm ao passado, porque minha Vontade existia; ao presente, porque nada perdeu de sua atividade; ao futuro, porque existirá eternamente. Como são belos os atos em minha Vontade, e assim como minha Vontade contém sempre novos contentes, assim estes atos são os novos contentes dos mesmos bem-aventurados, são os suplentes dos atos dos santos que não foram feitos em meu Querer, são as novas graças de todas as criaturas”.
(3) Depois fiquei toda aflita porque não tinha visto meu doce Jesus, e Ele, movendo-se em meu interior, me apertou em seus braços dizendo:
(4) “Minha filha, por que tão afligida? Não sou eu mesmo o mar?”

14-11
Março 10, 1923

Quem faz a Divina Vontade é rainha de tudo.

(1) Estava fazendo as horas da Paixão, e segundo meu costume me dedicava ao Santo Querer de Deus, oferecendo-as para o bem de todos, mas minha vontade como se quisesse apropriá-las, freqüentemente dizia: “Meu Jesus, de modo especial para ajuda, para alívio, para libertação  daquela alma”. E o meu doce Jesus repreendeu-me:
(2) “Minha filha, tudo o que se faz na minha Vontade é como sol que se difunde a todos, e conforme se reza na minha Vontade, se oferece o meu sangue, as minhas penas, as minhas chagas, tudo se converte em tantos raios de luz que se difundem a todos, descem com rapidez na mais profunda prisão do purgatório e convertem suas penas e trevas em luz; então a coisa é sempre igual para todos, e se houver diferença, jamais será por parte de quem doa, senão por parte de quem recebe, segundo as disposições de cada uma. Acontece como com o sol, que dá a luz a todos igualmente, toca e aquece um ponto de terreno como o outro, mas quem tira proveito disto? Quem trabalha. Que terreno produz o fruto? Onde foi lançada a semente, o outro com toda a luz do sol fica infecundo; portanto a especialidade em minha Vontade não existe, por si mesma corre, se difunde e se quer dar a todos, quem quer tomar dela”.
(3) Fiquei aflita ao ouvir isto, e Jesus acrescentou:
(4) “Ah! Você gostaria de fazer como o sol se quisesse concentrar em um ponto mais fortemente sua luz, seu calor, para poder aquecê-lo e iluminá-lo tanto, de converter aquele ponto no mesmo sol, enquanto faz seu curso regular sobre todas as outras coisas”.
(5) E eu: “Sim, sim, é isso mesmo, é o peso da gratidão que sinto que me leva a isso”. Jesus sorriu ao me ouvir, e continuou:
(6) “Se assim for, fá-lo então, mas tu deves saber que como a minha Vontade domina tudo, encontra-se por todas as partes, sustenta a todos, é conhecida pelo Céu, pela terra e até pelos demônios, não há nenhum que possa opor-se a Ela. Assim a alma que faz minha Vontade deve dominar tudo, encontrar-se por todas partes, sustentar tudo, e quero que seja conhecida por todos”.
(7) E eu: “Meu amor, eu não sou conhecida por nenhum”.
(8) E Ele: “Como é que ninguém te conhece? Te conhecem todos os santos e anjos, um por um, e com ânsia esperam teu obrar em meu Querer, como nota divina e a mais harmoniosa que corre sobre tudo o que fizeram em vida, para dar-lhes maior esplendor e contentamento; te conhecem todas as almas purgantes, sentindo sobre elas o contínuo refrigério que leva o obrar em meu Querer; te conhecem os demônios pela força de minha Vontade que sentem em ti; e se a terra não te conhece ainda, te conhecerá dentro de pouco tempo. Para quem faz minha Vontade, acontece e faço como fiz com minha Mãe Celestial, que a constituí Rainha de tudo e ordenei a todos que a reconhecessem e a honrassem como a sua Rainha, e a Ela ordenei que esmagasse com seu pé a cabeça do dragão infernal; Assim faço com quem vive em minha Vontade, tudo está sob seu domínio, e não há bem que deles não venha”.

15-11
Março 23, 1923

Dores da Celestial Mãe, e como o Fiat Divino operou neles.

(1) Estava pensando nas dores de minha Mãe Celestial, e meu amável Jesus movendo-se em meu interior me disse:
(2) “Minha filha, o primeiro Rei das dores fui Eu, e sendo Eu Homem e Deus, devia concentrar tudo em Mim para ter o primado sobre tudo, mesmo sobre as mesmas dores. As dores de minha Mãe não eram outra coisa que os reflexos das minhas dores, que refletindo nela participavam-lhe todas as minhas dores, que traspassando-a, encheram-na de tal amargura e pena, de sentir morrer a cada reflexo de minhas dores, mas o amor a sustentava e lhe dava de novo a vida. Por isso, não só por honra, mas com direito de justiça foi a primeira Rainha do imenso mar de suas dores”.
(3) Enquanto dizia isto, parecia-me ver minha Mãe diante de Jesus, e tudo o que Jesus continha, as dores e os traspassos desse coração santíssimo se refletiam no coração da dolorosa Rainha, e por cada um dos reflexos se formavam tantas espadas no coração da traspassada Mãe, e estas espadas eram seladas por um Fiat de luz, na qual Ela ficava rodeada em meio a tantos Fiat de luz fulgidíssima que lhe davam tanta glória, que faltam as palavras para a narrar. Então Jesus continuou a dizer-me:
(4) ” Não foram as dores que constituíram Rainha a minha Mãe e a fizeram resplandecer de tanta glória, senão meu Fiat Onipotente, o qual entrelaçava cada ato e dor seus e se constituía vida de cada dor, assim que meu Fiat era o ato primeiro que formava a espada, dando-lhe a intensidade da dor que queria; meu Fiat podia colocar naquele coração trespassado quantas dores queria, adicionar feridas a feridas, penas sobre penas, sem a sombra da mínima resistência, aliás, sentia-se honrada de que meu Fiat se constituía vida mesmo de um só batimento, e meu Fiat deu-lhe a glória completa e a constituiu verdadeira e legítima Rainha.

(5) Agora, quem serão as almas nas quais possa refletir os reflexos de minhas dores e de minha própria Vida? Aquelas que terão por vida meu Fiat, este Fiat absorverá nele meus reflexos, e Eu serei magnânimo em participar do que meu Querer obra em Mim, por isso em minha Vontade espero às almas, para dar-lhes o verdadeiro domínio e a glória completa de cada ato e pena que possam sofrer. Fora de minha Vontade, o obrar e o sofrer Eu não o reconheço, poderia dizer: Não tenho que te dar, qual é a vontade que te animou no fazer e em sofrer isto? Faça com que seja recompensado. Muitas vezes o fazer o bem, o sofrer, sem que minha Vontade entre em meio, podem ser míseras escravidões que degeneram em paixões, enquanto só meu Querer dá o verdadeiro domínio, as verdadeiras virtudes, a verdadeira glória de transformar o humano em divino”.

16-12
Agosto 5, 1923

Para cumprir a Redenção, Jesus abriu as portas da Vontade Suprema. Assim para cumprir o Fiat Voluntas Tua, abre de novo as portas de sua Vontade.

(1) Estava toda a pensar no Santo Querer de Deus, e o meu doce Jesus investindo-me de Uma luz suprema me disse:
(2) “Minha filha, minha Humanidade, por quão santa e pura, se a minha Vontade Suprema não lhe tivesse dado a entrada à minha vontade humana na Vontade Divina, não teria podido formar a completa Redenção. A minha vontade humana teria faltado a onividência, e portanto não teria podido ver a todos; lhe teria faltado a imensidão, e não teria podido abraçar a todos; a onipotência, e não teria podido salvar a todos; a eternidade, e não teria podido tomar tudo como um ponto único e remediar tudo. Então a primeira parte da Redenção teve minha Divina Vontade, a segunda, minha Humanidade; se não fosse pela Vontade Divina, a Redenção teria sido de poucos e limitada no tempo, porque faltando-me a luz da onividência, que faz conhecer a todos, não poderia ter-me estendido a todos. Portanto, para poder formar a Redenção, não fiz outra coisa que abrir as portas da Vontade Suprema a Minha humanidade, portas que o primeiro homem havia fechado, e dando-lhe campo livre a fiz Operar a Redenção propriamente no seio Dela. Desde então até agora nenhum outro entrou no meu Querer Divino para poder agir como dono, com plena liberdade, como se fora dele, para poder gozar de todo o poder e os bens que Ela contém. Minha Vontade é em Mim como a alma ao corpo, e se para os santos tem sido a maior graça em fazer minha Vontade, a qual como reflexos entrou neles, o que será não só receber os reflexos mas entrar nela e gozar de toda a sua plenitude?

(3) Agora, se para formar a Redenção foi necessário que a minha humanidade e vontade humana tiveram entrada nesta Divina Vontade, assim agora é necessário que para o cumprimento do Fiat Voluntas Tua como no Céu assim na terra, abra de novo as portas da Vontade eterna e faça entrar outra criatura, e dando-lhe campo livre a faça fazer do maior ao menor ato dela na onividência, imensidão e poder da minha Vontade. A medida que entrares nela e emitires os teus pensamentos, as tuas palavras, as obras, os passos, reparos, penas, amor, agradecimentos, assim o Querer Supremo cunhará todos os seus atos e receberão a imagem Divina, com o valor de atos divinos, que sendo infinitos podem suprir por todos, chegar a todos, e ter tal ascendência sobre a Divindade, de fazer descer à terra esta Suprema Vontade e levar os bens que Ela contém. Sucederá como ao metal, ao ouro, à prata, até que não é cunhada a imagem do rei não pode ser dado o valor de moeda, mas assim que é cunhada adquire o valor de moeda e corre por todo o reino, e não há cidade, povo, lugar importante onde não goze seu prestígio de moeda, e não há criatura que possa viver sem ela; poderá ser seu metal vil ou precioso, isto não importa, desde que esteja impressa nela a imagem do rei ela corre por todo o reino e goza da supremacia sobre todos e se faz amar e respeitar por todos. Assim, tudo o que a alma faz em meu Querer, estando cunhada nela a imagem divina, corre no Céu e na terra, tem a supremacia sobre todos, não se nega a dar-se a quem o quer, não há ponto em que não se aproveite de seus efeitos benéficos”.

(4) Agora, enquanto dizia, rezamos juntos, e Jesus fazia entrar a minha inteligência em sua Vontade, e juntos oferecemos à Majestade Suprema a homenagem, a glória, a Submissão, a adoração de todas as inteligências criadas. Ao contato da Vontade Suprema nas homenagens, nas adorações, ficava impressa uma imagem divina, e se difundiam sobre todas as inteligências criadas como tantos mensageiros falantes, que se punham em ordem na Criação e todos como em relações com a Vontade Suprema. Mas quem pode dizer o que se via e compreendia? E meu dulcíssimo Jesus acrescentou:
(5) “Minha filha, viste? Só entrando na minha Vontade pode acontecer tudo isto, por isso continua a fazer entrar os teus olhares, as tuas palavras, o teu coração e todo o resto de ti, e verás coisas surpreendentes”.
(6) E depois de ter passado mais de três horas na Divina Vontade, fazendo o que Jesus me dizia e junto com Ele, encontrei-me em mim mesma. Mas quem pode dizê-lo tudo? Minha pobre inteligência me sinto incapaz, se Jesus quiser poderei continuar, por agora ponho…

17-12
Setembro 11, 1924

Terríveis efeitos das oposições da alma à Vontade de Deus. No Céu toda a eternidade se colocará em torno da alma que viveu na Divina Vontade, para enriquecê-la, felicitá-la e não a priva de nada do que ela contém.

(1) Me sentia muito perturbada e pedia a Jesus que tivesse compaixão de mim, que tomasse Ele todo o cuidado de minha pobre alma, e lhe dizia:.
(2) “Afasta-me de todos, para que eu fique sozinha, Tu só me bastas. Depois de tanto tempo deverias ter-me contentado, muito mais que não te peço mais que a Ti só”..
(3) Agora, enquanto isto e outras coisas dizia, meu Jesus tomou-me um braço, como se quisesse Ele libertar-me e fazer-me assim o ofício de meu confessor. Oh! como me sentia feliz ao ver Jesus fazer isto e pensava entre mim: “Finalmente terminou o mais duro de meus sacrifícios”. Mas felicidade vã e passageira, enquanto Jesus me tomou o braço, ao mesmo tempo desapareceu e eu fui deixada em meu habitual estado, sem poder reagir. Como chorei e pedi que tivesse compaixão de mim. Depois de algumas horas meu amável Jesus retornou, e me vendo chorar e toda amarga me disse:.
(4) “Minha filha, não chores, não queres confiar-te do teu Jesus? Deixa-me fazer, deixa-me fazer, não leves as coisas de ânimo leve; mas, ó! quantas coisas tristes estão para acontecer, minha justiça não pode conter os flagelos para punir as criaturas; todos estão para lançar-se uns contra os outros, e quando ouvires os males de teus irmãos sentirás remorso por tuas oposições a teu habitual sacrifício, como se também tu tivesses tomado parte em empurrar a justiça a punir as criaturas”.
(5) E eu ao ouvir isto lhe disse: “Jesus meu, jamais seja, não quero subtrair-me da tua Vontade, mas rogo-te que me livres da mais feia das desventuras, que eu não faça a tua Santíssima Vontade; não te peço que me livres do sofrimento, mas que me aumentes, só te rogo, como graça que quero de Ti, sempre se Tu o queres, que me libertes do aborrecimento que dou ao confessor, isto é me demasiado duro e sinto que não tenho a força para suportá-lo, portanto, se a Ti te agrada libertar-me, ou então dá-me mais força, mas não permitas que não se cumpra tua Santíssima Vontade em mim”..
(6) E Jesus continuando a sua fala disse-me: “Minha filha, lembra-te que te pedi um sim na minha Vontade, e tu pronunciaste-o com todo o amor; aquele sim existe ainda e tem o primeiro lugar na  minha Vontade interminável. Tudo o que tu fazes, pensas e dizes, está ligado àquele Sim’, ao qual nada lhe escapa, e minha Vontade goza e faz festa ao ver uma vontade de criatura viver em minha Vontade, e vou enchendo-a de novas graças, e constituiu todos os teus atos em atos divinos; este é o maior portento que existe entre o Céu e a terra, é o objeto para Mim mais querido, que, jamais seja, me fosse arrancado, me sentiria arrancar a Mim mesmo e choraria amargamente por isso.
Olha, conforme tu fazias essa pequena oposição, esse sim teu tremeu de espanto; ante esse estremecimento os fundamentos dos céus tremeram; todos os santos e anjos, e todo o âmbito da eternidade viram isto com horror e com dor, sentindo-se arrancar um ato da Vontade Divina, porque minha Vontade envolvendo tudo e a todos fazia sentir teus atos feitos uma só coisa com eles, e portanto todos sentiam o doloroso rasgo, poderia te dizer que todos se punham em atitude de profunda dor”..
(7) E eu, atemorizada por falar de Jesus, disse: “Meu amor, que dizes? É possível todo este mal?
Tu falar faz-me morrer de tristeza, ah! me perdoe, tenha misericórdia de mim que sou tão má, e confirma meu sim’ com ataduras mais fortes em tua Vontade, e mais, me faça morrer antes que me faça sair de tua Vontade”..
(8) E Jesus de novo: “Minha filha, acalma-te, como imediatamente te puseste de novo em meu Querer, todas as coisas se acalmaram e se puseram em atitude de nova festa. Seu sim continua seus rápidos giros na imensidão de minha Vontade. Ah! filha, nem você nem os que te dirigem conheceram o que significa viver em meu Querer, por isso não o apreciam e se tem como coisa de nenhuma importância,- e isto é uma dor minha- enquanto é a coisa que mais me interessa e que deveria mais que qualquer coisa interessar a todos; mas, ai de mim! presta atenção a outras coisas, a coisas que para Mim são menos agradáveis ou indiferentes, em lugar do que mais me glorifica e que dá a eles, mesmo sobre esta terra, bens imensos e eternos, e os faz proprietários
dos bens que minha Vontade possui. Olha, minha Vontade é uma e abraça toda a eternidade; agora, a alma vivendo em minha Vontade e fazendo-a sua, vem a tomar parte em todas as alegrias e nos bens que minha Vontade contém e se torna como proprietária deles, e se, estando ela na terra, não sente todas essas alegrias e bens, tendo o depósito de todos em sua vontade, por força da minha feita na terra, morrendo e encontrando-se no céu, sentirá todas aquelas alegrias e bens que minha Vontade colocou fora no Céu enquanto ela vivia sobre a terra. Nada lhe será tirado, antes lhe será multiplicado, porque se os santos gozaram da minha Vontade porque vivem nela, mas é sempre desfrutando como vivem, em troca a alma que vive na minha Vontade na terra vive sofrendo, Não é justo que ela tome essas alegrias e aqueles bens que os demais tomaram no Céu enquanto ela vivia na terra naquela mesma Vontade em que viviam eles? Então, quantas riquezas imensas não toma quem vive em minha Vontade? Posso dizer que toda a eternidade se porá em torno dela para enriquecê-la, para fazê-la feliz, nada lhe priva do que Ela contém, é sua filha e a ama tanto que de nada quer privá-la. Por isso sê atenta minha filha, não queiras opor-te aos meus desígnios que fiz sobre ti”.

18-16
Dezembro 6, 1925
O verdadeiro viver na Vontade Suprema é propriamente isto: Que Jesus deve encontrar tudo e todos no fundo da alma e tudo deve estar, com seu amor, vinculado na alma.

(1) Estava fazendo em meu interior meus acostumados atos no Querer Supremo, abraçando toda a Criação e todas as criaturas para poder fazer meus todos os seus atos e corresponder a meu Deus com meu pequeno amor por tudo o que tem feito na Criação e pelo que deveriam fazer todas as criaturas. Mas enquanto fazia isto, o pensamento disse-me: “Ocupo tanto tempo a fazer isto, e qual é o bem que tu fazes? Qual a glória que dás ao teu Deus?” Enquanto estava nisto, o meu doce Jesus moveu-se dentro de mim e estendendo os seus braços parecia que queria abraçar a todos e a tudo, e elevando-os ao alto oferecia tudo a seu Pai Celestial, e depois disse-me:

(2) Minha filha, o verdadeiro viver na Vontade Suprema é propriamente isto, que Eu devo encontrar tudo e a todos no fundo da alma, tudo o que minha Vontade fez sair para o bem das criaturas na Criação, deve estar vinculado com seu amor na alma. Com o viver em meu Querer e com sua correspondência de amor fica já vinculada e em posse de tudo o que minha Vontade tem feito e fará, e ama como ama e sabe amar minha Vontade. Portanto, estando tudo isto no verdadeiro viver nela, e tendo ligado tudo a si, encontro na alma o céu estrelado, o sol resplandecente, a vastidão dos mares, as pradarias floridas, tudo encontro nela; portanto, não é justo que a alma, saltando de coisa em coisa sobre tudo o que é meu e seu o reconheça, e brincando sobre todas as coisas criadas imprima nelas seu beijo e seu pequeno ‘te amo’ sobre cada coisa para Aquele que criou tantas coisas para fazer dom delas às criaturas, mostrando-lhes com isto uma variedade de amor por quantas coisas criou, e como ama que o homem seja feliz, dando-lhe não só o necessário mas ainda o supérfluo?.
(3) Mas isto não é tudo, não só devo encontrar a Criação toda, mas que o verdadeiro viver na minha Vontade vincula a todos, e portanto devo encontrar na alma, como em ato, Adão santo, tal como saiu das nossas mãos criadoras, e Adão culpado, humilhado e choroso, a fim de que se vincule com ele no estado de santidade, e, tomando parte nos seus atos inocentes e santos, me dê glória, e faça sorrir de novo toda a Criação; e, tomando parte nas suas lágrimas, suspira com ele aquele Fiat rejeitado que foi a causa de tanta ruína. Devo encontrar nela os profetas, os patriarcas, os santos pais, com todos os seus atos, e se aqueles suspiravam o Redentor, tu suspirarás o meu Fiat Supremo como triunfo e cumprimento dos seus suspiros; quero encontrar a minha inseparável Mãe com todos os seus atos, onde meu Querer fez tantos portentos tendo nela pleno domínio;

quero encontrar-me a todo Eu mesmo e todos meus atos; em suma, quero encontrar todas as minhas coisas, tudo o que me pertence, tudo o que fez e fará minha Suprema Vontade, porque todas são coisas inseparáveis de Mim, e para quem vive em meu Querer é justo e necessário que se tornem inseparáveis dela. Então, se eu não encontrar tudo, não se pode dizer que vive
completamente em meu Querer, e Eu, vendo-a, não encontro todas minhas coisas nela, mas sim as vejo espalhadas fora da alma e não posso receber sua correspondência de amor por tudo o que me pertence. Não criei talvez a criatura para ser um pequeno mundo e um pequeno deus? Por isso te digo sempre que viver em meu Querer não é conhecido ainda, e Eu te vou ensinando agora uma coisa, agora outra, e alargo tua capacidade para fazer que entrem em ti todas minhas coisas e tudo o que de bem fez sair minha Vontade. Quero sentir repetir por você sua correspondência de amor sobre tudo o que me pertence; não tolero para quem vive em meu Querer que não conheça todas minhas coisas, que não as ame e possua, de outra maneira, qual seria o grande prodígio de viver em meu Querer?”.

(4) Depois disto meu doce Jesus fez silêncio, e eu me perdia no Divino Querer. Oh! como teria querido colocar sobre todas as coisas criadas meu beijo amoroso e de reconhecimento, meu pequeno “te amo” sobre todos os atos supremos do Divino Querer, para ficar eu atada a eles e eles atados a mim, para poder rodear o meu Jesus em mim com todos os atos do Eterno Querer. Nesse momento via o céu estrelado e meu amável Jesus continuou:.

(5) “Minha filha, olha o céu, que ordem, que harmonia entre as estrelas, uma estrela não pode estar sem a outra, estão tão ligadas entre elas, que uma sustenta a outra, uma é força da outra, e se, jamais for uma só estrela se afastar de seu lugar, haveria tal confusão e desordem no universo, que haveria perigo de que tudo terminasse em ruínas, assim que toda a beleza do céu está cimentada no estar cada uma em seu lugar, na união comum e na força comunicativa e atrativa que têm entre elas, que mais do que eletricidade as mantém suspensas e presas entre elas. O homem é o novo céu, é mais, mais que céu sobre a terra, pode-se dizer que cada criatura é uma estrela animada. O que fez o primeiro homem, Adão, até o último que virá, tudo devia ser em
comum entre eles, assim que não devia possuir só sua própria força, senão a força de todos, todos os bens deviam ser em comum entre eles. Minha Vontade, mais que eletricidade devia levar o vínculo entre eles e a comunicação de tudo o que é bom e santo, e apesar de que cada homem devia fazer seu ofício e ocupar-se em ações diversas, como todos deviam partir do ponto primeiro de minha Vontade, todos deviam converter-se em luz, e portanto um devia ser luz para o outro. Por isso minha dor ao ver transtornado este céu das criaturas foi tão grande, que é incompreensível à criatura humana. Minha Vontade, que une a todos e une tudo, entrou a desordem, a confusão, a desunião, a debilidade, as trevas. Pobre céu das criaturas! não se reconhece mais, e só o viver em meu Querer reordenará de novo este céu, o fará resplandecer com nova luz, por isso te digo que em ti quero encontrar a todos e a tudo; minha Vontade, ato primeiro de todas as criaturas, celestes e terrestres, Vai levar-te a comunicar todos os atos deles e tu ficarás presa a eles e eles a ti. Por isso viver em meu Querer encerra tudo e a todos. Por tanto seja atenta, que quero dar-te a coisa maior que existe, mas quero de ti coisas grandes e suma atenção, quem muito dá muito quer receber”..

19-11
Abril 9, 1926

Diferença entre as virtudes e a Divina Vontade.

(1) Estava pensando entre mim: “Meu doce Jesus diz tantas coisas grandes, admiráveis, altíssimas, maravilhosas da Vontade de Deus, e não obstante a mim me parece que as criaturas não têm dela o conceito que merece, nem têm a grande impressão das maravilhas que nela há, mais parece que a põem a par das virtudes, e talvez tenham em mais apreço a estas virtudes que à Santíssima Vontade de Deus”. E o meu sempre amável Jesus, movendo-se dentro de mim, disse-me:.

(2) “Minha filha, queres saber porquê? Porque não têm o paladar refinado, e estão habituados aos alimentos ordinários deste submundo, como são as virtudes, e não aos alimentos celestiais e divinos como é o meu Querer. Este alimento celestial é provado somente por aquele que tem à terra, às coisas e às mesmas pessoas como um nada, ou bem, todas em ordem a Deus. As
virtudes que se podem praticar sobre a terra raramente estão excluídas de fins humanos, de estima própria, de própria glória, amor por expor-se diante das pessoas e de agradar a estas, e todos estes fins são como tantos gostos ao paladar ordinário da alma, e muitas vezes se obra mais por estes gostos que pelo bem que contém a virtude. Eis por que fazem mais impressão as virtudes, porque a vontade humana ganha sempre alguma coisa; em troca minha Vontade, a primeira coisa que lança por terra é a vontade humana, e não tolera nenhum fim que seja humano, Ela é do Céu e quer colocar na alma o que é Divino e pertence ao Céu, assim que o próprio eu’ fica em jejum e se sente morrer; mas se sentindo morrer e perdendo a esperança de que algum outro alimento lhe fique, decide-se a tomar o alimento de minha Vontade, assim que o toma, estando já seu paladar refinado, então sente o gosto do alimento de minha Vontade, tanto, que não o trocaria mesmo à custa da própria vida. Minha Vontade não sabe conviver com as coisas baixas e pequenas que se podem fazer sobre a terra, como fazem as virtudes, senão que Ela quer ter tudo e a todos como escabelo a seus pés, e mudar todo o interior da alma e às mesmas virtudes em Vontade Divina, em uma palavra, quer seu Céu no fundo da alma, de outra maneira ficaria impedida e não poderia desenvolver sua Vida Divina. Por isso a grande diferença que há entre as virtudes e a minha Vontade, entre a santidade de uma e da outra, as virtudes podem ser das criaturas e podem formar o mais uma santidade humana, a minha Vontade é de Deus e pode formar uma santidade toda divina; que diferença! Mas como as criaturas estão habituadas a olhar no baixo, por isso lhe fazem mais impressão as pequenas lamparinas das virtudes, que o grande Sol da minha Vontade”..

(3) Depois me encontrei fora de mim mesma, no momento em que surgia o sol, todas as coisas mudavam aspecto, as plantas ficavam brilhantes, as flores recebiam a vida de seu perfume e da diferente cor que a cada uma delas levava a luz do sol, todas as coisas recebiam gole a gole a vida da luz do sol para desenvolver-se e formar-se, no entanto uma era a luz, um o calor, não se
via nada mais, mas de onde saíam tantos diversos efeitos, tantos matizes variados que dava à natureza? E o meu doce Jesus disse-me:

(4) “Minha filha, o sol contém o germe da fecundidade, o germe da substância de todas as cores, mas como a luz é maior que os bens que contém, por isso os tem eclipsados todos em si. Não se pode dar uma coisa se não se possui, assim o sol não poderia dar nem a fecundidade, nem a doçura aos frutos, nem o colorido às flores, nem operar tantas maravilhas sobre a terra, de
transformá-la de um abismo de trevas em um abismo de luz, se não contivesse em si todos os efeitos que produz. Símbolo de minha Vontade é o sol, conforme surge sobre a alma assim a vivifica, a adorna de graças, lhe dá as tintas mais belas das cores divinas, a transforma em Deus, faz tudo de um golpe, basta fazê-la surgir para fazê-la realizar coisas maravilhosas. Ela, com dar nada perde, como nada perde o sol com fazer tanto bem à terra, mas bem fica glorificada no obrar da criatura. Nosso Ser está sempre no perfeito equilíbrio, nem cresce nem pode decrescer, mas sabe como acontece? Imagine um mar cheio até a borda, um vento investe a superfície e forma as ondas, as quais rompem fora do mar, agora, este mar apesar de que transborda nada perdeu, porque, à medida que as águas estão transbordando lá fora, elas crescem rapidamente e se vêem ao mesmo nível de antes. Assim acontece entre a alma e Deus, ela pode chamar-se o pequeno vento que forma as ondas no mar divino, de modo que pode tomar quanta água queira, mas nosso mar permanecerá sempre em seu nível, porque nossa natureza não está sujeita a sofrer mutações; por isso, quanto mais tomares mais me agradarás e ficarei glorificado em ti”.

(5) Depois disto pensava na diferença que há entre quem se faz dominar pela Vontade de Deus, e entre quem se faz dominar pela vontade humana. Enquanto estava nisto, via diante da minha mente uma pessoa curvada, a testa tocava os joelhos, estava coberta de um véu negro, envolta numa densa neblina que a impedia de ver a luz. Pobrezinha! Parecia bêbada, e cambaleante agora caía à direita e agora à esquerda, verdadeiramente dava piedade. Enquanto eu via isso, meu doce Jesus se moveu dentro de mim dizendo:.
(6) “Minha filha, esta é a imagem de quem se faz dominar pela própria vontade, o querer humano curva tanto a alma, que está obrigada a olhar sempre a terra, assim que olhando a terra, a esta conhece e a ama; este conhecimento e este amor formam tantas exalações que formam aquela névoa densa e negra que a envolve toda e lhe tira a vista do Céu e a bela luz das verdades eternas, por isso a dotada razão humana fica embriagada pelas coisas da terra, portanto não tem o passo firme e desvia à direita e esquerda, e mais se envolve nas trevas densas que a circundam, por isso não há desventura maior, que uma alma que se faz dominar por sua vontade. Ao contrário, tudo ao contrário para quem se faz dominar por minha Vontade, Ela faz crescer a alma direita, de modo que não pode curvar-se para a terra, mas olha sempre para o Céu, este olhar sempre para o Céu forma tantas exalações de luz que a envolvem toda, e esta nuvem de luz é tão densa, que eclipsando todas as coisas da terra as faz desaparecer todas, e em correspondência lhe faz reaparecer tudo o que é Céu, assim que se pode dizer que conhece o Céu e ama tudo o que ao Céu pertence; minha Vontade torna firme o passo, portanto não há perigo de que possa cambalear-se minimamente, e a bela dotada razão está sadia e tão iluminada pela luz que a envolve, que passa de uma verdade à outra, esta luz lhe descobre arcanos divinos, coisas inefáveis, alegrias celestiais; por isso a máxima fortuna de uma alma é o fazer-se dominar por minha Vontade, esta criatura tem a supremacia sobre tudo, ocupa o primeiro lugar de honra em toda a Criação, não se afasta jamais do ponto de onde Deus a tirou, Deus a encontra sempre sobre seus joelhos paternais, onde ela lhe canta novamente sua glória, seu amor e sua eterna Vontade. Então, estando sobre os joelhos do Pai Celestial, o primeiro amor é para ela, os mares de graças que continuamente transbordam do seio divino são seus, os primeiros beijos, as carícias mais amorosas são propriamente para ela, só a ela nos é dado confiar nossos segredos, porque sendo a mais próxima a Nós e a que mais está conosco, lhe damos parte em todas nossas coisas, e Nós formamos sua vida, sua alegria e felicidade, e ela forma nossa alegria e nossa felicidade, porque sendo sua vontade una com a nossa, e possuindo nosso Querer nossa mesma felicidade, não é maravilha que possuindo a alma nossa Vontade possa nos dar alegria e felicidade, e portanto nos fazemos felizes mutuamente”.
(7) Depois minha pobre mente continuava pensando na diferença que há entre quem se faz dominar pela Vontade Suprema e por quem se faz dominar pela vontade humana, e meu sumo e único Bem acrescentou:.
(8) “Minha filha, minha Vontade contém a potência criadora, portanto cria na alma a força, a graça, a luz e a mesma beleza com a qual quer que suas coisas sejam feitas pela alma; por isso a alma sente em si uma força divina como se fora dela, uma graça suficiente para o bem que deve fazer, ou para uma pena que lhe toca sofrer; uma luz de modo conatural lhe faz ver o bem que faz, e animada pela beleza da obra divina que ela cumpre, alegra-se e festeja, porque as obras que cumpre a minha Vontade na alma têm a marca da alegria e de uma festa perene. Esta festa foi iniciada por meu Fiat na Criação, mas foi interrompida pela ruptura da vontade humana com a de Deus, mas conforme a alma faz obrar e dominar ao Supremo Querer nela, assim se reinicia a festa, e entre a criatura e Nós reiniciamos os entretenimentos, os jogos, as delícias. Em Nós não existe a infelicidade nem a dor, como poderíamos dá-lo às criaturas? E se elas sentem a infelicidade é porque deixam a Vontade Divina e se fecham no pequeno campo da vontade humana. Por isso, à medida que regressam ao Supremo Querer encontram as alegrias, a felicidade, a potência, a força, a luz, a beleza do seu Criador, que fazendo-as como coisas próprias, sentem nelas uma substância divina conatural, que chega a dar-lhe alegria e felicidade na mesma dor, por isso entre a alma e Nós é sempre festa, nos divertimos e nos deleitamos juntos.

Ao contrário na vontade humana não há uma potência criadora, que ao querer exercitar as virtudes possa criar a paciência, a humildade, a obediência, etc., eis por que se sente o cansaço, a fadiga para poder praticar as virtudes, porque falta a força divina que as sustenta, a potência criadora que as alimenta e lhes dá a vida; portanto vê-se a inconstância e passam com facilidade das virtudes aos vícios, da oração à dissipação, da Igreja às diversões, da paciência à impaciência, e toda esta mistura de bens e de males produz a infelicidade na criatura. Ao contrário, quem faz reinar em si a minha Vontade, sente a firmeza no bem, sente que todas as coisas lhe trazem a felicidade, a alegria, muito mais que todas as coisas criadas por Nós têm a marca, o germe da alegria e da felicidade d’Aquele que as criou, e foram criadas por Nós a fim de que todas levassem a felicidade ao homem, cada uma das coisas criadas tem o mandato de Nós, de levar cada uma a felicidade, a alegria que possuem à criatura, de fato, que alegria e felicidade não leva a luz do sol? Que prazer não traz à vista o céu azul, um prado florido, um mar que murmura? Que gosto não leva ao paladar um fruto doce e saboroso, uma água fresquíssima, e tantas e tantas outras coisas? Todas as coisas em sua linguagem muda dizem ao homem: Nos trazemos a felicidade, a alegria de nosso Criador’. Mas queres saber em quem todas as coisas criadas encontram o eco da sua alegria e felicidade? Em quem encontra reinante e dominante a minha Vontade, porque a Vontade que reina íntegra nelas, e que possui o mesmo Deus e que reina na alma, formam uma mesma, e transbordam a Uma na outra mares de alegria, de felicidade e de contentamentos, assim que é uma verdadeira festa. Por isso minha filha, cada vez que te fundes em minha Vontade e gira por todas as coisas criadas para selar nelas teu amor para Mim, tua glória, tua adoração sobre cada uma das coisas que criei para te fazer feliz sente-me renovar a alegria, a felicidade, a glória, como no ato quando pusemos fora toda a Criação; você não pode entender a festa que nos faz ao ver sua pequenez, que querendo abraçar tudo em nossa Vontade nos corresponde em amor, em glória por todas as coisas criadas; é tanta nossa alegria, que pomos tudo de lado para gozarmos a alegria, a festa que nos dás. Por isso o viver no Supremo Querer é a coisa maior para Nós e para a alma, é o desabafo do Criador sobre a criatura, que vertendo sobre ela lhe dá sua forma e lhe participa todas as qualidades divinas, de modo que nos sentimos repetir por ela nossas obras, nossa alegria, nossa felicidade”..

19-12
Abril 16, 1926

Para viver no Divino Querer é necessário o pleno abandono nos braços do Pai Celestial. O nada deve ceder a vida ao Tudo.

(1) Sentia-me tão pequena e incapaz de fazer qualquer coisa, que chamei em minha ajuda a minha Rainha Mãe, a fim de que juntas pudéssemos amar, adorar, glorificar ao meu sumo e único Bem por todos e em nome de todos. Enquanto estava nisto, encontrei-me numa imensidão de luz e toda abandonada nos braços de meu Pai Celestial, mais bem tão fundida como se formasse uma só coisa com Ele, de modo que não sentia mais minha vida senão a de Deus. Mas quem pode dizer o que eu sentia e fazia? Depois disso, meu doce Jesus saiu de dentro de mim e me disse:.
(2) “Minha filha, tudo o que sentiste, o teu pleno abandono nos braços de nosso Pai Celestial, o não sentir mais tua mesma vida, é a imagem do viver em meu Querer, porque para viver nele deve-se viver mais de Deus que de si mesma, mais bem, o nada deve ceder a vida ao Todo para poder fazer tudo, e ter seu ato no topo de todos os atos de cada uma das criaturas. Assim foi a Vida de minha Mãe Divina, Ela foi a verdadeira imagem de viver em meu Querer, seu viver foi tão perfeito nele, que não fazia outra coisa senão receber continuamente de Deus o que lhe convinha fazer para viver no Supremo Querer, assim que recebia o ato da adoração suprema, para poder colocar-se no topo de cada adoração que todas as criaturas estavam obrigadas a fazer para com o seu Criador, porque a verdadeira adoração tem vida na Três Divinas Pessoas: Nossa concórdia perfeita, nosso amor mútuo, nossa única Vontade, formam a adoração mais profunda e perfeita na Trindade Sacrossanta. Portanto, se a criatura me adora e sua vontade não está de acordo Comigo, é palavra vã mas não adoração. Por isso minha Mãe tudo tomava de Nós, para poder difundir-se em tudo e colocar-se no topo de cada ato de criatura, no topo de cada amor, de cada passo, de cada palavra, de cada pensamento, no topo de cada coisa criada. Ela punha seu ato primeiro sobre todas as coisas e isto lhe deu o direito de Rainha de todos e de tudo, e superou em santidade, em amor, em graça, todos os santos que foram e serão e a todos os anjos unidos juntos. O Criador se derramou sobre Ela para dar-lhe tanto amor, para que tivesse amor suficiente para poder amá-lo por todos, lhe comunicou a suma concórdia e a Vontade única das Três Divinas Pessoas, de modo que pôde adorar em modo divino por todos e suprir a todos os deveres das criaturas; se isto não tivesse sido assim, não seria uma verdade que a Mãe Celestial superou a todos na santidade, e no amor, mas um modo de dizer, mas Nós quando falamos, são ações e não palavras. Por isso tudo encontramos nela, e assim tendo encontrado tudo e todos, tudo lhe demos, constituindo-a Rainha e Mãe do mesmo Criador.
(3) Agora filha da minha Suprema Vontade, quem quer tudo deve fechar tudo e colocar-se no topo, como ato primeiro dos atos de todos, assim que a alma deve estar no topo de cada amor, de cada adoração, de cada glória de cada uma das criaturas. Minha Vontade é tudo, eis por que a missão da Soberana Rainha e a tua se pode dizer que é uma só, e tu deves seguir passo a passo o modo como Ela estava com Deus para poder receber a capacidade divina, para poder ter em ti um amor que diz amor por todos, uma adoração que adora por todos, uma glória que se difunde por todas as coisas criadas. Você deve ser nosso eco, o eco de minha Mãe Celestial; e porque somente Ela viveu perfeita e plenamente no Supremo Querer, por isso pode te ser guia e te fazer de mestra.
Ah, se tu soubesses com quanto amor te estou ao redor, com quanto zelo te vigio a fim de que não seja interrompido teu viver em meu eterno Querer! Tu deves saber que estou a fazer mais contigo do que com a minha Mãe Celestial, porque Ela não tinha tuas necessidades, nem tendências, nem paixões que pudessem minimamente impedir o curso da minha Vontade Nela, com suma facilidade o Criador se via Nela e Ela nele, Assim que minha Vontade estava sempre triunfante Nela, por isso não tinha necessidade nem de empurrá-la nem de admoestações; em troca contigo devo ter mais atenção, e quando vejo que alguma passividade, alguma pequena tendência quer surgir em ti, e também quando tua vontade humana quisesse ter algum ato de vida própria em ti, devo te advertir, a potência de meu Querer deve estar em ato de demolir o que surge em ti e que não lhe pertence a Ele, e minha graça e meu amor, devem correr naquilo podre que a vontade humana vai formando, ou então impedir com graças antecipadas que esta podridão se possa formar em tua alma, porque Eu amo tanto, me custa tanto a alma na qual reina meu Querer e na qual tem seu campo de ação divina o Fiat Supremo, fim único de toda a Criação e da mesma Redenção, que a amo e me custa mais que toda a Criação e que a mesma Redenção, porque a Criação foi o princípio da nossa obra para com as criaturas, a Redenção foi o meio, o Fiat será o fim, e as obras, quando cumpridas, amam-se mais e adquirem o valor completo. Enquanto uma obra não está cumprida há sempre o que fazer, o que trabalhar, o que sofrer, não se pode calcular seu justo valor, ao contrário quando está cumprida somente o possuir e o gozar a obra feita, e seu valor completo vem a completar a glória d’Aquele que a formou, por isso a Criação e a Redenção devem fechar-se no Fiat Supremo.
Vês o quanto me custas e o quanto sinto por te amar? O Fiat operante e triunfante na criatura é para Nós a maior coisa, porque a glória que Nós havíamos estabelecido receber por meio da Criação nos vem dada, nossos fins, nossos direitos, adquirem seu pleno poder. ”Eis por que minhas ânsias todas para ti, minhas manifestações a ti, meu amor por toda a Criação e Redenção, todo concentrado em ti, porque em ti quero ver o triunfo de minha Vontade”.

 

 

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