Estudo 11 – Livro do Céu Vol. 1 ao 11 – Escola da Vontade Divina


MEDITAÇÃO MUITO IMPORTANTE OUVIR.

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Vol 1 – Livro do ceu

Peleja com o demônio

(90) Agora, quem pode dizer a mudança que aconteceu dentro de mim? Tudo foi horror para mim, aquele amor que eu sentia antes em mim, agora o via se transformar em um ódio atroz, que pena não poder amá-lo mais. Me rasgava a alma ao pensar naquele Senhor que tinha sido tão bom comigo, e agora ver me forçada a odiá-lo, a blasfemar como se ele fosse o mais cruel inimigo, não podendo vê-lo nem em suas imagens, porque ao olhá-los, ter rosários entre minhas mãos, ao beija-los, me vinha tal ímpeto de ódio, e tanta força em contra, que fazê-lo ou cortá-los em pedaços era a mesma coisa, e às vezes eu fazia tanta resistência, que minha natureza tremia da cabeça aos pés. Oh Deus, que pena amarga! Eu acredito que se no inferno, não se houvesse outras penas, a
mera pena de não poder amar a Deus tornaria o inferno mais horrível. Muitas vezes o diabo colocou diante de mim as graças que o Senhor me havia dado, agora como obra de minha fantasia e, por esse motivo, ser capaz de levar uma vida mais livre e confortável; e agora como verdadeiras, e eles me diziam: “Este e o bem que te queira? Esta é a recompensa, te deixou em nossas mãos, você é nossa, você é nossa, pois tudo acabou, não há mais que esperar”. E por dentro me sentia colocando tanto ímpeto de aversão contra o Senhor e de desespero, que às vezes com alguma imagem nas mãos, era tão forte o desprezo que as quebrava, mas enquanto isso fazia, chorava e
as beijava, mas não sei como dizer como forçada a fazer. Quem pode dizer a dor da minha alma?

Os demônios faziam festa e riam, uns fizeram barulho de um lugar, outros o faziam de outro, alguns fizeram barulhos, outros me ensurdeciam com gritos dizendo: “Olha como você é nossa, não temos outra coisa mais que levá-la ao inferno, alma e corpo, verá que faremos isso ”. As vezes me sentia puxar, ora os vestidos, ora a cadeira onde estava ajoelhada e tanto as moviam e faziam barulho que eu não podia orar, às vezes o medo era tão grande que, acreditando estar livre, eu me deitava no cama (porque esses escândalos aconteceram a maior parte a noite), mas estavam lá também puxando o travesseiro, os cobertores. Mas quem pode dizer o terror, o medo que eu sentia? Eu mesmo não sabia onde estava, si na terra ou no inferno; havia tanto medo de que eles realmente tinham me levado, que meus olhos não podiam ser fechados para dormir; estava como alguém que tem um inimigo cruel que jurou que vai tirar- lhe a vida a qualquer custo, e acreditava que Isso aconteceria comigo assim que eu fechasse os olhos; então parecia que alguém estava colocando algo em mim dentro dos olhos, então era forçada a tê-los abertos para ver quando me levariam, talvez eu pudesse me opor ao que eles queriam fazer, então sentia meu cabelo arrepiar sobre minha cabeça, um por um, um suor frio por todo o meu corpo que me penetrava até o ossos e sentia separar meus nervos e ossos e eles se agitavam juntos de medo.
Outras vezes me sentia incitar a tais tentações de desespero e suicídio, que alguma vez tendo me encontrado perto de um poço, ou uma faca, senti-me puxando para me conduzir dentro ou pegar a faca e me matar, e era tanta a força que eu tinha que fazer para fugir, que sentia penas de morte e, enquanto fugia, sentia que eles estavam comigo e ouvia sugerir-me que era inútil para mim viver depois de ter cometido tantos pecados, que Deus tinha me abandonado por não ter sido fiel; além do mais, via que havia feito tantas infâmias, que não havia qualquer alma no mundo que tinha cometido, que para mim não havia como esperar piedade. Nas profundezas da minha alma, ouvi-
os repetir: “Como você pode viver sendo inimiga de Deus? Você saber quem é este Deus a quem você tanto insultou, blasfemou, odiou? Ah, é esse Deus imenso que estava ao seu redor e você diante de seus olhos se atreveu a ofendê-lo. Ah perdido o Deus da sua alma, quem lhe dará paz?

Quem te livrará de tantos inimigos?” Era tamanha a pena que não fazia nada além de chorar; às vezes eu começava a orar e os demônios para aumentar meu tormento, os sentia vindo encima de mim, e um me espancava, outro me picava e mais outro me apertava garganta. Lembro-me que uma vez, enquanto orava, me senti puxar meus pés de abaixo, a terra se abrir e as chamas saírem, e que eu caia dentro; tal foi o horror e a dor que eu fiquei meio morta, tanto que, para me recuperar daquele estado, Jesus teve que vir e eu Ele reanimou, me fez entender que não era verdade que eu tinha vontade de ofendê-lo, e que eu podia saber por mim mesma pela pena amarguíssima que sentia, que o diabo era um mentiroso e que ele não deveria fazer-lhe caso, que por enquanto eu deveria ter paciência e sofrer esses sofrimentos, e que depois a paz viria. Isso acontecia de tempos
em tempos, quando chegava a extremos, e às vezes para me colocar em tormentos mais difíceis.

No momento desse consolo, a alma se convencia, porque nessa luz é impossível que a alma não aprenda a verdade, mas depois quando eu estava na luta eu estava no mesmo estado de antes.

(91) Me tentava tambem a não receber a Comunhão, convencendo-me de que depois de eu ter cometido tantos pecados, era atrevimento me aproximar, e que se eu me atrevesse, não Jesus Cristo teria vindo, se não o demônio, e tantos tormentos ele me daria, que me daria a morte, mas a obediência a vencia (a tentação), é verdade que às vezes sofria penas mortais, assim que eu podia trabalhosamente recuperar me após a Comunhão, mas como o confessor queria absolutamente que eu a recebesse, não poderia fazer de outro modo. Eu lembro que várias vezes não a recebi.
(92) Também me lembro que às vezes, enquanto orava à noite, eles apagavam minha lâmpada;
às vezes faziam tais rugidos de dar medo; outras vezes vozes débeis, como se fossem moribundos, mas quem poderia dizer tudo o que eles faziam?
(93) Agora, essa dura batalha, embora não me lembre muito bem, durou três anos, embora dias ou semanas separados, não que parassem por completo, mas começassem a diminuir.
(94) Lembro-me de que, depois de uma Comunhão, o Senhor me ensinou como eu deveria fazer para os pôr em fuga, que era desprezá-los e não lhes prestar nenhuma atenção, e que eu deveria fingir que eram tantas formigas. Senti-me infundir tanta força que não sentia mais o medo de antes, e fazia assim: Quando faziam um barulho, rumores, eu dizia lhes: “se ve que não têm nada que fazer, e que para passar o tempo estão fazendo tantas tonteiras; façam, façam, que depois quando se cansarem, terminarão”. Às vezes paravam, outras vezes ficavam tão zangados que faziam ruídos mais altos. Eu os sentia ao meu lado, fazendo-se mais fortes e faziam violência para me levar, cheirava a horrível peste, sentia o calor do fogo. É verdade que no meu íntimo sentia um estremecimento, mas me forçava e lhes dizia: “Mentirosos que sois, se isto fosse verdade desde o primeiro dia o havíeis feito, mas como é falso e que não tendes nenhum poder sobre mim, senão só aquele que vos vem dado do alto, por isso digam, digam, e depois quando vos cansardes, estourareis forçava e lhes dizia: Se emitiam lamentos e gritos, dizia-lhes: “O que, não saíram bem as coisas hoje?” Ou seja, “lamentais-vos porque vos foi tirada alguma alma?

Pobrezinhos, não se sentem bem, porém quero também eu fazê-los lamentar outro pouco”. E começava a rezar pelos pecadores, ou a fazer reparações. Às vezes ria-me quando começavam a fazer as habituais coisas e lhes dizia: “Como posso temê-los, raça vil? Se fossem seres sérios não teriam feito tantas tolices, vocês mesmos, não se envergonham? não façam o que os tornam ridículos”. Depois, se me punham tentações de blasfemar ou de ódio contra Deus, oferecia aquela pena amarguíssima, aquela violência que me faziam, porque enquanto via que o Senhor merecia todo o amor, todos os louvores, eu era forçada a fazer o contrário, em reparação de tantos que
livremente o blasfemam e que nem sequer se lembram que existe um Deus, que estão obrigados a amá-lo. Se me incitavam ao desespero, em meu interior dizia: “Não presto atenção nem do paraíso nem do inferno, a única coisa que me apressa é amar a meu Deus, este não é tempo de pensar em outra coisa, senão que é tempo de amar quanto mais possa a meu bom Deus, o paraíso e o inferno os deixo em suas mãos ,e Ele, que é tão bom me dará o que mais me convém, e me dará um lugar onde possa glorificá-lo mais”.

95) Jesus Cristo me ensinou que o meio mais eficaz para fazer com que a alma fique livre de toda vã apreensão, de toda dúvida, de todo temor, era declarar diante do Céu, da terra e diante dos próprios demônios, não querer ofender a Deus, mesmo à custa da própria vida, não querer consentir a qualquer tentação do demônio, e isto enquanto a alma adverte que vem a tentação, se puder no momento da batalha, e apenas se começa a sentir livre, e também durante o curso do dia. Fazendo assim, a alma não perderá tempo em pensar se consentiu ou não, porque só recordar a promessa lhe restituirá a calma, e se o demônio busca inquietá-la, poderá responder-lhe que se tivesse tido intenção de ofender a Deus, não teria declarado o contrário, e assim ficará livre de todo temor.

(96) Agora, quem pode dizer a raiva do demônio, pois agindo assim todas as suas astúcias resultavam para sua confusão, e onde acreditava ganhar perdia, já que de suas mesmas tentações e artifícios a alma se servia para poder fazer atos de reparação e amor ao seu Deus?
(97) O outro modo que me ensinou para afastar as tentações foi o seguinte: Se me tentavam a suicídio eu devia responder: “Não tendes nenhuma permissão de Deus, é mais, para vosso despeito quero viver para poder amar mais a meu Deus”. Se eu fosse espancada, eu deveria me humilhar, ajoelhar e agradecer ao meu Deus porque isso acontecia como penitência pelos meus pecados, e não só isso, mas oferecer tudo como atos de reparação por todas as ofensas feitas a Deus no mundo.

(98) Finalmente, uma tentação feia que durou pouco, Por cerca de um ano e meio com os demônios tão feios, eu devia ficar grávida e depois parir um pequeno demônio com chifres. Minha fantasia crescia tanto, que eu me via diante de uma confusão horrível, pelo que se teria dito de mim por tão espantoso acontecimento.

(99) Depois de cerca de ano e meio desta luta, finalmente terminaram as crueldades dos demônios e começou uma vida toda nova, mas os demônios não deixaram de me incomodar de vez em quando, mas não eram tão freqüentes, não tão feroz a batalha, e eu me acostumei a desprezá-los.
2-13
Abril 12, 1899
Jesus disse a Luísa: Tu és o meu tabernáculo, aliás, sinto-me mais feliz em ti, porque te compartilho as minhas dores.
(1) Hoje, sem me fazer esperar tanto, Jesus veio logo e me disse:
(2) “Tu és o meu tabernáculo; para mim é o mesmo estar no sacramento que em teu coração, aliás, em ti se encontra outra coisa de mais, que é o poder participar minhas penas e te ter junto Comigo como vítima vivente ante a divina justiça, o que não encontro no Sacramento”.
(3) E enquanto dizia estas palavras se fechou dentro de mim. Estando em mim, Jesus fazia-me sentir agora as picadas dos espinhos, agora as dores da cruz, os esforços e os sofrimentos do coração. Em torno de seu coração via um trançado de pontas de ferro que fazia sofrer muito a Jesus. Ah! Quanta dor me dava vê-lo sofrer tanto, teria querido sofrer tudo eu antes de fazer sofrer a meu doce Jesus, e de coração lhe pedia que a mim me desse as penas, a mim o sofrer. Então Jesus me disse:

(4) “Filha, as ofensas que mais trespassam meu coração são as Missas ditas sacrílegamente, e as hipocrisias”.
(5) Quem pode dizer o que compreendi nestas duas palavras? Parece-me que externamente se faz ver que se ama, se louva ao Senhor, mas internamente se tem o veneno pronto para matá-lo; externamente se faz ver que se quer a glória, a honra de Deus, mas internamente se busca a honra, a estima própria. Todas as obras feitas com hipocrisia, mesmo as mais santas, são obras todas envenenadas que amarguram o coração de Jesus.

3-12
Novembro 24, 1899

Luisa quer receber as amarguras de Jesus.

(1) Esta manhã o meu doce Jesus veio e me transportou para fora de mim mesma. Agora, como tenho visto tudo cheio de amargura, pedi-lhe e voltei a pedir-lhe que a derramasse em mim, mas, porque lhe roguei, não consegui obter que vertesse em mim suas amarguras, e conforme me aproximava de sua boca para recebê-las saía um hálito amargo. Enquanto fazia isto via um sacerdote que morria, mas não sabia bem quem era, e como tinha a intenção de rezar por um sacerdote doente, não o reconhecendo me confundi se era ele ou algum outro. Então eu disse a Jesus: “Senhor, o que fazes? Não vês quanta falta de sacerdotes há em Corato, e queres tirar-nos outros?” Jesus não me dando atenção e ameaçando com a mão dizia:
(2) “Eu os destruirei demais”.

4-12
Setembro 22, 1900

Por quantas vezes se dispõe a fazer o sacrifício da morte, outras tantas vezes Jesus lhe dá o mérito como se realmente morresse.

(1) Encontrando-me toda oprimida e aflita, ao vir o meu adorável Jesus disse-me: “Minha filha, por que te submergiste toda na tua aflição?”
(2) E eu: “Oh, meu amado, como não devo estar aflita se ainda não me queres levar contigo e me deixa mais tempo sobre esta terra?”
(3) E Ele: “Ah não, não quero que você respire este ar triste, porque tudo o que coloquei dentro e fora de você, tudo é santo, tão é verdade, que se se aproxima de você alguma coisa ou pessoa que não é reta e santa, você sente incômodo, advertindo imediatamente a peste do que não é santo. Agora, por que queres ensombrar com este ar de tristeza o que pus dentro de ti? No entanto deves saber que cada vez que te dispõe a fazer o sacrifício da morte, outras tantas vezes te dou o mérito, como se realmente morresses, e isto deve ser de grande consolação para ti, muito mais porque te conformas principalmente a Mim, porque minha Vida foi um contínuo morrer”.

(4) E eu: “Ah Senhor, não me parece que a morte seja um sacrifício, mas sim, sacrifício me parece a vida”. E querendo dizer mais desapareceu.

5-12
Junho 6, 1903
Jesus ensina-lhe como se comportar no estado de abandono e de sofrimento.

(1) Depois de ter passado dias amargos de privações e sofrimentos, esta manhã encontrei-me fora de mim mesma com o menino Jesus nos braços, e eu mal o vi disse: “Ah querido Jesus, como me deixaste sozinha, pelo menos ensina-me como devo comportar-me neste estado de abandono e de sofrimento!”.

(2) E Ele: “Minha filha, tudo o que tu sofres nos braços, nas pernas e no coração, oferece-o juntamente com os sofrimentos dos meus membros recitando cinco glória ao Pai, e oferece-o à divina justiça pela satisfação das obras, dos passos, e dos maus desejos dos corações, que continuamente são cometidos pelas criaturas; une ainda os sofrimentos dos espinhos e dos ombros recitando três glória ao Pai e ofereça-os para satisfação das três potências do homem, tão deformadas, de não reconhecer mais minha imagem neles, e tenta manter tua vontade sempre unida a Mim, e em contínua atitude de me amar; tua memória seja o sino que continuamente ressoa em ti e te recordes o que fiz e sofri por ti, e quantas graças fiz à tua alma, para me agradecer, porque a gratidão é a chave que abre os tesouros divinos; a tua inteligência não pense, não se preocupe com outra coisa senão em Deus. Se você fizer isto eu encontrarei em você minha imagem e nela tomarei a satisfação que não posso receber das outras criaturas; isto você o fará continuamente, porque se contínua é a ofensa, contínua deve ser a satisfação”.
(3) Então eu continuei: “Ah! Senhor, como me fiz má, até gulosa me tenho feito.
(4) E Ele: “Minha filha, não temas, quando uma alma faz tudo por Mim, tudo o que toma, até os mesmos consolos, Eu o recebo como se restaurasse meu corpo sofredor, e aqueles que lhe são dados os considero como se os dessem a Mim mesmo, tanto que se não os dessem Eu sentiria pena por isso; mas para tirar toda dúvida, cada vez que te derem algum alívio e sentir a necessidade de tomá-lo, não só o farás por Mim, senão que acrescentarás: “Senhor, tento reconfortar teu corpo sofredor no meu”.

(5) Enquanto dizia isto, pouco a pouco retirou-se dentro de mim, e eu não o via mais e não podia falar mais. Sentia tanta pena, que pela dor me teria feito em pedaços para poder encontrá-lo de novo, então me pus a rasgar na parte do interior porque se tinha fechado, e assim o encontrei e com suma dor disse: “Ah! Senhor, você me deixa? Não és talvez Tu a minha vida, e sem Ti não só a alma, mas também o corpo se destroça tudo e não resiste à força da dor da tua privação? Tanto, que então, neste caso me parece que deva morrer, meu único consolo é a morte”. Mas enquanto isso dizia Jesus me abençoou, e de novo se retirou em meu interior e desapareceu, e eu me encontrei em mim mesma.

6-13
Dezembro 22, 1903

A cruz forma a encarnação de Jesus no seio das almas, e a encarnação da alma em Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, veio meu adorável Jesus crucificado, e tendo-me participado suas penas, enquanto eu sofria me disse:
(2) “Minha filha, na Criação Eu dei à alma minha imagem, na Encarnação dei minha Divindade, divinizando a humanidade. E no mesmo ato em que se encarnou a Divindade na humanidade, naquele mesmo instante se encarnou na cruz, assim que desde que fui concebido me concebi unido com a cruz, e se pode dizer que assim como a cruz foi unida Comigo na encarnação no seio de minha Mãe, assim a cruz forma outras tantas encarnações minhas no seio das almas; e assim como forma minha encarnação nas almas, assim a cruz é a encarnação da alma em Deus, destruindo lhe tudo o que é de natureza humana, e enchendo-a tanto da Divindade, de formar uma
espécie de encarnação: Deus na alma e a alma em Deus”.

(3) Eu fiquei como extasiada ao ouvir que a cruz é a encarnação da alma em Deus, e Ele repetiu:
(4) “Não digo união, mas encarnação, porque a cruz se intromete tanto na natureza, de chegar a transformar a mesma natureza em dor, e onde está a dor aí está Deus, sem poder estar separados Deus e a dor; e a cruz formando esta espécie de encarnação volta a união mais estável, e muito difícil a separação de Deus com a alma, assim como é difícil separar a dor da natureza. Enquanto que com a união, facilmente pode ocorrer a separação. Entende-se que não são encarnações, mas semelhanças de encarnações”.

(5) Dito isto desapareceu, mas pouco depois voltou no momento de sua Paixão quando foi coberto de opróbrios, de ignomínias, de cuspidos, e eu lhe disse: “Senhor, ensina-me que coisa posso fazer para afastar de Ti estes opróbrios e restituir-te as honras, os louvores e as adorações”.
(6) E Ele disse: “Minha filha, em torno de meu trono há um vazio, e este vazio deve ser preenchido pela glória que me deve a Criação; por isso, quem me vê desprezado pelas outras criaturas e me honra, não só por si, mas pelos demais me faz renascer as honras neste vazio; quando não me vê amado e me ama, me faz renascer o amor; quando vê que cumulo as criaturas de benefícios e não me reconhecem e nem sequer me agradecem, e ela me agradece como se lhe tivessem sido feitos os benefícios, faz-me renascer neste vazio a flor da gratidão e do agradecimento, e assim de todo o resto que me deve a Criação, e que com negra ingratidão me nega. Agora, sendo tudo isto uma superabundância da caridade da alma, que não só me devolve o que me deve por si, senão que o que transborda de si me faz pelas outras, sendo esta glória fruto da caridade, estas flores que me manda neste vazio em torno de meu trono, recebem uma cor mais bonita e a Mim muito agradável”.

7-11
Abril 25, 1906

Sofre juntamente com Jesus. Ele dá-lhe todos os seus sofrimentos e todo o Si mesmo em dom

.(1) Encontrando-me em meu estado habitual, parecia-me ver meu bendito Jesus todo aflito dentro de mim, no momento de sofrer a crucificação, e parecia que eu sofria um pouco junto com Ele, e depois me disse:
(2) “Minha filha, tudo é teu: Os meus sofrimentos, e todo eu mesmo, te faço dom de tudo”.
(3) Depois acrescentou: “Minha filha, quanto me fazem as criaturas, que têm sede de pecados, que sede de sangue! ; não gostaria de fazer outra coisa senão abrir as entranhas da terra e incendiá-los a todos”.

(4) E eu: “Senhor, que dizes? Disseste-me que és todo meu, e um que se dá a outro já não é dono de si mesmo; eu não quero que faças isto, e Tu não deves fazê-lo. Se queres satisfação de mim, faz-me sofrer o que quiseres, estou disposta a tudo”.
(5) Então senti-o dentro de mim como se o tivesse atado, e Ele repetia-me várias vezes:
(6) “Deixa-me fazer porque não posso mais, deixa-me fazer porque não posso mais!”
(7) E eu repetia: “Não quero Senhor, não quero” Mas enquanto dizia isso, sentia que meu coração se partia de ternura ao ver sua bondade tão condescendente para com uma alma pecadora como eu sou. Compreendia tantas coisas da bondade divina, mas não sei dizê-las bem.

8-12
Outubro 3, 1907

Como o próprio eu torna-se escravo de Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, o bendito Jesus não vinha, e eu estava dilacerada pela dor de sua privação, e não só por isto, senão pelo pensamento de que meu estado de vítima não fosse mais Vontade de Deus; me parece haver me tornado nauseante ante a presença de Deus, digna apenas de ser odiada. Agora, enquanto isso pensava, assim que Jesus veio me disse:
(2) “Minha filha, quem escolhe o próprio eu, mesmo por um momento, reprime a Graça, se faz dono de si mesmo e torna-se escravo de Deus”.
(3) Depois acrescentou: “A Vontade de Deus faz tomar a posse Divina, mas a obediência é a chave para abrir a porta e entrar nesta posse”.
(4) Dito isso, ele se foi.

8-13
Outubro 4, 1907

A cruz enxerta a Divindade na humanidade.

(1) Continuando meu habitual estado de privações, e portanto com poucos sofrimentos, estava dizendo para mim: “Não só de Jesus estou privada, mas também o bem dos sofrimentos me é tirado. Ó Deus! Por toda parte queres usar ferro e fogo e tocar-me nas coisas mais amadas por mim, e que formavam a minha própria vida: Jesus e a cruz. Se sou abominável a Jesus por causa das minhas ingratidões, tem razão em não vir, mas tu, ó cruz, a ti, o que te fiz que tão barbaramente me deixaste? Ah! Talvez eu não tenha feito uma boa cara quando você veio? Eu me lembro que eu te amava tanto que eu não sabia estar sem você, e às vezes eu te preferia ainda sobre o mesmo Jesus; eu não sabia o que me fizestes que não sabia estar sem Vós, mas deixastes-Me? É verdade que muitos bens me fez, você era o caminho, a porta, a permanência, o segredo, a luz na qual encontrava Jesus, por isso te amava tanto, e agora tudo terminou para mim”. Enquanto isto pensava, assim que chegou o bendito Jesus me disse:
(2) “Filha, a cruz é parte da vida, e somente não a ama quem não ama a própria vida, porque só com a cruz inseri a Divindade à humanidade perdida; só a cruz é a que continua a Redenção no mundo, enxertando quem a recebe na Divindade; e Quem não a ama significa que não sabe nada de virtudes, nem de perfeição, nem de amor de Deus, nem de verdadeira vida; acontece como a um rico que tendo perdido as riquezas se lhe apresenta um meio para adquiri-las de novo, e talvez de mais; quanto não amaria este meio? E não poria a própria vida neste meio para encontrar de novo a vida nas riquezas? Assim é a cruz, o homem tinha-se tornado paupérrimo , e a cruz é o
meio não só para o salvar da miséria, mas para o enriquecer com todos os bens; por isso a cruz é a riqueza da alma”.
(3) E desapareceu, e eu fiquei mais amarga pensando na perda que tinha sofrido.

9-11
Julho 27, 1909

A alma é o brinquedo de Jesus na terra.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual pensava entre mim: “O que farei? Não sirvo para nada; Ele não vem e eu fico como um objeto inútil, porque sem Ele não valho nada, não sofro nada, então para que ter-me sobre esta terra? E Ele, enquanto se fez ver, como um relâmpago me disse:

(2) “Minha filha, tenho-te como brinquedo, mas os brinquedos nem sempre se têm nas mãos, muitas vezes, mesmo por meses e meses não se tocam, mas apesar disso, quando o dono de aquele brinquedo o quer, este não deixa de formar sua diversão. Quer você acaso que nem sequer um brinquedo tenha Eu sobre a terra? Faça com que me entretenha com você a meu gosto sobre a terra, e Eu em correspondência te farei entreter Comigo no Céu”.

10-15
Janeiro 28, 1911
O amor força Deus a quebrar os véus da fé. A Igreja está agonizante, mas não morrerá.

(1) Encontrando-me no meu habitual estado, fazia-se ver o coração do meu doce Jesus, e olhando para dentro de Jesus via n‟Ele o seu coração, e olhando para mim, via também em mim o seu Santíssimo Coração. Oh! quanta suavidade, quantas delícias, quantas harmonias se sentiam naquele coração! Então, enquanto me deleitava junto com Jesus, ouvia sua voz suave que lhe saía de dentro de seu coração que me dizia:

(2) “Filha, abre-te do meu coração, o amor quer seus desabafos, de outra maneira não se poderia seguir adiante, especialmente para quem me ama verdadeiramente e não admite em si outro prazer, outro gosto, outra vida que o amor. Eu me sinto tão atraído por eles, que o amor mesmo me força a romper os véus da fé, e revelo-me e faço-lhe saborear também daqui o paraíso em intervalos; o amor não me dá tempo a esperar a morte para quem me ama de verdade, senão que o prevejo ainda desde esta vida. Goza, sente as minhas delícias, olha quantos felizes há no meu coração, toma parte em tudo, descarrega-te no meu amor a fim de que o teu se amplie de mais e possa amar-me mais”.
(3) Enquanto dizia, via alguns sacerdotes, e Jesus continuou a dizer-me:
(4) “Minha filha, a Igreja nestes tempos está agonizante, mas não morrerá, antes ressurgirá mais bela. Os sacerdotes bons lutam para levar uma vida mais desapegada, mais sacrificada, mais pura; os maus sacerdotes lutam por uma vida mais interessada, mais cômoda, mais sensual, toda terrena. Eu falo aos primeiros, mas não aos segundos, falo aos primeiros, ou seja aos poucos bons, ainda que seja um só por cidade ou país, a estes falo e mando, rogo, rogo que façam estas casas de reunião, salvando-me aos sacerdotes que virão a estes asilos, tornando-os totalmente livres de qualquer vínculo de família, e por estes poucos bons se recuperará minha Igreja de sua agonia, estes são meu apoio, minhas colunas, a continuação da vida da Igreja. Eu não falo aos segundos, a todos aqueles que não querem dissociar-se dos vínculos da família, porque se falo certamente não sou escutado. Na verdade, só de pensar em quebrar qualquer vínculo, ficam indignados, ah! Infelizmente, estão habituados a beber a taxa de juros e outras, que enquanto é doçura à carne, é veneno para a alma, estes tais acabarão por beber o esgoto do mundo. Eu quero salvá-los a qualquer custo, mas não sou escutado, por isso falo, mas para eles é como se não falasse”.

11-13
Março 20,1912
O todo está em dar tudo a Jesus e fazer em tudo e sempre o seu Querer.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, meu sempre amável Jesus fazia-se ver todo sofredor e me disse:
(2) “Minha filha, não querem entender, que o todo está em dar tudo a Mim e fazer em tudo e sempre o meu Querer; quando Eu obtiver isto, Eu mesmo vou empurrando as almas dizendo a cada uma:

“Minha filha, toma este gosto, este conforto, este consolo, este descanso”, com esta diferença, que antes de dar-se toda a Mim e de fazer em tudo e sempre minha Vontade, se os tomava eram humanos, em troca depois são divinos, e Eu, sendo coisas minhas, já não me dão ciúmes e digo entre Mim: “Se toma o lícito prazer toma-o porquê o quero Eu, se trata com pessoas, se licitamente conversa, é porque o quero Eu, e se Eu não o quisesse ela está disposta e pronta a deixar tudo”, e por isso Eu ponho as coisas a sua disposição, porque tudo o que faz é todo o efeito do meu Querer, não mais do seu. Diz-me! Minha filha, o que te faltou desde que me deste tudo? Dei-te os meus gostos, os meus prazeres e todo o Eu mesmo para tua satisfação, isto na ordem sobrenatural, e na ordem natural também não te fiz faltar nada, confessores, comunhões, e todo o resto, aliás, tu querendo só a Mim não querias aos confessores tão frequentemente, Mas eu, desejando que abundasse de tudo quem de tudo se queria privar por Mim, não te prestei atenção. Filha, que dor sinto em meu coração ao ver que as almas não o
querem compreender, nem mesmo as almas que se dizem as melhores!”.

 

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