Estudo 5 – Livro do Céu vol. 12 a 20 – Escola da Divina Vontade


Meditação dos Trechos

12-5
Abril 12, 1917
Não é o sofrer que torna a criatura infeliz, torna-se infeliz quando falta alguma coisa ao seu amor por Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus veio, e como eu estava sofrendo um pouco me tomou em seus braços dizendo:
(2) “Querida filha minha, amada filha minha, repousa-te em Mim, antes, tuas penas não as tenhas consigo, envia-as sobre minha cruz a fim de que façam cortejo às minhas penas e me aliviem, e minhas penas cortejem às tuas e te sustentem, ardam de um mesmo fogo e se consumam juntas, e eu olharei para as tuas dores como minhas, dar-lhes-ei os mesmos efeitos, o mesmo valor, e farão os mesmos ofícios que eu fiz sobre a cruz para o Pai e para as almas; aliás, vem tu mesma sobre a cruz, como seremos felizes estando juntos, mesmo sofrendo, porque não é o sofrer que torna a criatura infeliz, mas sim o sofrer a torna vitoriosa, gloriosa, rica, bela, faz-se infeliz quando falta alguma coisa ao seu amor. Tu, unida Comigo sobre a cruz serás preenchida em tudo no amor, tuas penas serão amor, tua vida será amor, toda amor, e por isso serás feliz”.

13-5
Junho 12, 1921
Onde encontrar a sua Vida, Deus parará e habitará ali para sempre, e então repousará não na obra da Criação, mas na sua própria Vida. A alma deve ser centro do Divino Querer.

(1) Continuando meu habitual estado, meu sempre amável Jesus continua me falando de seu Santo Querer dizendo-me:
(2) “Minha querida filha, parto de minha Vontade, Eu não quero céu tachado de estrelas, me agradaria, encontraria minha obra, mas não me satisfaria, porque não me encontraria a Mim
mesmo; não te quero sol, se bem me agradaria, encontraria a sombra de minha luz e de meu calor, mas não encontrando a minha Vida passaria por muito; não te quero terra cheia de flores, de plantas e de frutos, pois se bem me poderia agradar porque encontraria o fôlego dos meus perfumes, as pegadas da minha doçura, a maestria da minha mão criadora, em suma, encontraria as minhas obras, mas não a minha Vida, por isso passaria adiante de tudo, continuaria a girar sem me deter, para encontrar o quê? Minha Vida. E onde encontrarei esta minha Vida? Na alma que vive da minha Vontade. Eis por que não te quero nem céu, nem sol, nem terra florida, senão centro de meu Querer. Onde encontrar a minha Vida deter-me-ei e ali habitarei para sempre, e então estarei contente, repousarei não na minha obra como na Criação, mas na minha própria Vida.
(3) Tens de saber que a tua vida deve ser o Fiat, o meu Fiat trouxe-te à luz, e qual nobre rainha levando no teu seio o Fiat Criador, deves caminhar o campo da vida sobre as asas do mesmo Fiat, lançando por toda a parte a semente da minha Vontade, para poder formar outros tantos centros de minha Vida sobre a terra, e depois voltar em meu próprio Fiat ao Céu. Seja fiel e minha Vontade te será vida, mão para te conduzir, pés para caminhar, boca para falar, em suma, se substituirá a tudo”.

14-6
Fevereiro 24, 1922
A nossa cruz sofrida na Vontade de Deus se faz tão grande como a de Jesus.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, o meu sempre adorável Jesus fazia-se ver no momento de tomar a cruz para colocá-la sobre o seu santíssimo ombro, e disse-me:
(2) “Minha filha, quando recebi a cruz olhei-a de cima a baixo para ver o lugar que tomava em minha cruz cada alma, e entre tantas, olhei com mais amor e pus atenção especial àquelas que teriam estado resignadas e teriam feito vida em minha Vontade, Olhei para elas e vi sua cruz larga e comprida como a minha, porque minha Vontade suplantava o que faltava à sua cruz, e a alargava e expandia como a minha. ¡ Oh! como sobressaía sua cruz longa, longa por tantos anos de cama, sofrida só para cumprir minha Vontade. A minha era somente para cumprir a Vontade de meu Pai Celestial, a tua para cumprir a minha; uma fazia honra à outra, e como uma e outra continham a mesma medida se confundiam juntas.

(3) Agora, minha Vontade tem a virtude de amaciar a dureza, de adoçar a amargura, de alargar e ampliar as coisas pequenas, por isso quando senti a cruz sobre meu ombro, senti também a suavidade, a doçura da cruz das almas que teriam sofrido em meu Querer, ah! meu coração teve um respiro de alívio, e a suavidade das cruzes delas fez adaptar a cruz sobre meu ombro, e se afundou tanto que me fez uma chaga profunda, e se bem me deu uma dor acerbada, sentia ao mesmo tempo a suavidade e a doçura das almas que teriam sofrido em meu Querer.

E como a minha Vontade é eterna, o seu sofrer, as suas reparações, as suas ações corriam em cada gota do meu sangue, corriam em cada chaga, em cada ofensa; meu querer as fazia parecer presentes às ofensas passadas, desde que o primeiro homem pecou; às presentes e às futuras; eram elas propriamente as que me davam novamente os direitos de meu Querer, e eu, por amor delas, decretava a Redenção, e se os outros tomam parte dela, é por causa destas que podem fazê-lo. Não há bem que eu conceda, nem no Céu nem na terra, que não seja por causa delas.”

15-6
Fevereiro 13, 1923

O bem que leva o ser fiel e atento. 

(1) Sentia-me muito aflita, e meu doce Jesus fazendo-se ver me disse:
(2) “Minha filha, coragem, sê-me fiel e atenta, porque a fidelidade e a atenção produzem a igualdade dos humores na alma, e nela formam um só humor e estabelecem a perfeita paz, e esta a torna dominadora, de modo que faz o que quer e chega onde quer. Especialmente para quem vive em meu Querer acontece como ao sol, não se muda jamais, um é seu ato, fazer sair de sua esfera luz e calor; não faz hoje uma coisa e amanhã outra, é sempre fiel e constante em fazer a mesma coisa, mas enquanto seu ato é um, À medida que este ato desce e toca a superfície da terra, quantos atos diversos não acontecem?

Quase inumeráveis: Se encontra a flor fechada, com o beijo de sua luz e com o calor a abre, dá-lhe a cor e o perfume; se encontra o fruto imaturo, o amadurece e lhe dá a doçura; se encontra os campos verdes, os torna dourados; se encontra o ar sujo, com o beijo da sua luz o purifica; em suma, a todas as coisas dá o que é necessário para a sua existência nesta terra, e para poder produzir a utilidade que as coisas contêm, como está estabelecido por Deus. Assim, o sol com sua fidelidade e com fazer sempre a mesma coisa, é o
cumprimento da Vontade Divina sobre todas as coisas criadas. ¡Oh! , se o sol não fosse sempre igual em dar sua luz, quantas oscilações, quantas desordens haveria sobre a terra? E o homem não poderia fazer nenhum cálculo nem sobre seus campos, nem sobre suas plantas e diria: Se o sol não me manda sua luz e seu calor, não sei quando devo colher, nem quando amadurecerão os frutos’. Assim acontece para a alma fiel e atenta, em minha Vontade um é seu ato, mas os efeitos são inumeráveis. Em troca se é inconstante e desatenta, nem ela nem Eu podemos fazer nenhum cálculo, nem fixar o bem que pode produzir”.

16-4
Julho 18, 1923

Sobre a Concepção do Verbo Eterno.

(1) Estava a pensar no ato no qual o Verbo Eterno desceu do Céu e ficou concebido no seio da Imaculada Rainha, e meu sempre amável Jesus, desde dentro de meu interior puxou um braço, me cercou o pescoço, e em meu interior me dizia:

(2) “Minha querida filha, se a Concepção da minha Mãe Celestial foi prodigiosa e foi concebida no mar que saiu das Três Divinas Pessoas, minha concepção não foi no mar que saiu de Nós, mas no grande mar que residia em Nós, nossa própria Divindade que descia no seio virginal desta Virgem, e fiquei concebido. É verdade que se diz que o Verbo foi concebido, mas meu Pai Celestial e o Espírito Santo eram inseparáveis de Mim; é verdade que Eu tive a parte atuante, mas Eles a tiveram concorrente. Imagine dois refletores, que um reflita no outro o mesmo sujeito, estes sujeitos são três, o do meio toma a parte obrante, sofredor, suplicante, os outros dois estão juntos, concorrem e são espectadores, então eu poderia dizer que um dos dois refletores era a Trindade Sacrossanta, O outro, minha querida mãe. Ela, no breve curso de sua vida, com viver sempre em meu querer me preparou em seu virginal seio o pequeno terreno divino onde Eu, Verbo Eterno, devia me vestir de carne humana, porque jamais teria descido dentro de um terreno humano, e a Trindade refletindo nela ficou concebida. Então, aquela mesma Trindade, enquanto ficava em Céu, foi concebido no seio desta nobre Rainha.

(3) Todas as outras coisas, por quão grandes, nobres, sublimes, prodigiosas, até a mesma Concepção da Virgem Rainha, todas ficam para trás, não há nada que se possa equiparar, nem amor, nem grandeza, nem potência à minha Concepção; aqui não se trata de formar uma vida, mas de encerrar a Vida que dá vida a todos; não se trata de ampliação, mas de restringir-me para poder me conceber, não para receber mas para dar, quem criou tudo encerrar-se em uma criada e pequeníssima Humanidade. Estas são obras só de um Deus, e de um Deus que ama, que a qualquer custo quer atar com seu amor à criatura para fazer-se amar. Mas isto é nada ainda, você sabe onde todo o meu amor, todo o meu poder e sabedoria refulgiu? Assim como a potência divina formou esta pequeníssima Humanidade, tão pequena que podia comparar-se ao tamanho de uma avelã, mas com os membros todos fornecidos e formados, o Verbo foi concebido nela, a imensidão da minha Vontade encerrando todas as criaturas passadas, presentes e futuras, concebeu nela todas as vidas das criaturas, e conforme crescia a minha, assim cresciam elas em Mim, assim enquanto aparentemente parecia sozinho, visto com o microscópio da minha Vontade se viam em Mim concebidas todas as criaturas; sucedia de Mim como quando se veem águas cristalinas, que enquanto parecem claras, vistas com o microscópio, quantos micróbios não se veem? Foi tal e tanta a grandeza de minha Concepção, que a grande roda da eternidade ficou comovida e estática ao ver os inumeráveis excessos do meu amor, e todos os prodígios unidos juntos; todo a massa do universo estremeceu ao ver fechar-se à Aquele que dá vida a tudo, restringir-se, diminuir-se, fechar tudo, para fazer o que? Para tirar a vida de todos e fazer renascer a todos”.

17-5 Julho 16, 1924

Ao criar o homem Deus infundiu-lhe a alma com seu alento, querendo Infundir-lhe a parte mais profunda de seu interior, qual é sua Vontade.
Agora, querendo dispô-lo de novo a receber esta sua Vontade, é necessário que volte a infundir-lhe seu alento.

(1) Continuando meu estado habitual, meu adorável Jesus me transportou para fora de mim mesma e me disse:.
(2) “Minha filha, o Criador vai em busca da criatura para depor em seu regaço os bens que Ele tirou de Si na Criação, e por isso dispõe sempre em todos os séculos que haja almas que vão só em busca dEle, a fim de que deponha seus bens em quem o busca e quer receber seus dons. Então o Criador se move do Céu e a criatura se move da terra para se encontrar, um para dar e o outro para receber. Sinto toda a necessidade de dar; preparar os bens para dá-los e não ter a quem os poder dar e tê-los inativos por incorrespondência de quem não se preocupa em querer recebê-los, é sempre uma grande pena. Mas você sabe em quem posso depor os bens saídos de Mim na Criação? em quem faz sua a minha Vontade, porque Ela sozinha lhe dá a capacidade, o apreço e as verdadeiras disposições para receber os dons do seu Criador, e lhe fornece a correspondência, a gratidão, o agradecimento, o amor que a alma está obrigada a dar pelos dons que por tanta bondade recebeu. Por isso vem junto Comigo e giremos juntos pela terra e pelo Céu, a fim de que deponha em ti o amor que tirei por amor das criaturas em todas as coisas criadas, e tu me dês a correspondência, e junto Comigo ames a todos com meu amor, e daremos amor a todos, seremos dois para amar a todos, não estarei mais só”..

(3) Então giramos por tudo, e Jesus depositava em mim seu amor que continham as coisas criadas, e eu fazendo eco a seu amor, repetia com Ele o te amo de todas as criaturas. Depois acrescentou:.
(4) “Minha filha, ao criar o homem lhe infundi a alma com meu alento, querendo infundir-lhe a parte mais profunda de nosso interior, que é nossa Vontade, a qual lhe dava junto todas as partículas de nossa Divindade que o homem como criatura podia conter, tanto, de fazê-lo uma imagem nossa; mas o homem ingrato quis romper com nossa Vontade, e se bem lhe ficou a alma, mas a vontade humana que tomou lugar em vez da Divina ofuscou-o, infectou-o e fez inativas todas as partículas divinas, tanto, que bagunçou tudo e o desfigurou. Agora, querendo Eu disponho-o de novo a receber esta minha Vontade, é necessário que volte de novo a dar-lhe meu alento, a fim de que meu fôlego lhe ponha em fuga as trevas, as infecções, e faça de novo obrantes as partículas de nossa Divindade que lhe demos ao criá-lo. Oh! como gostaria de vê-lo belo, restabelecido como o criei, e só minha Vontade pode operar este grande prodígio. Por isso quero infundir-te meu alento, a fim de que recebas este grande bem, que minha Vontade reine em ti e te volte a dar todos os bens, os direitos que dei ao homem na sua criação”.

(5) E enquanto dizia isto, aproximando-se de mim dava-me seu alento, olhava-me, me estreitava e depois desapareceu..

18-5
Outubro 4, 1925
Repetir o mesmo bem serve para formar a água para regar as sementes das virtudes. Tudo o que fez Nosso Senhor está suspenso na Divina Vontade

(1) Estava segundo meu costume fundindo-me na Santíssima Vontade de Deus, e enquanto girava nela para pôr meu te amo sobre todas as coisas, teria querido que meu Jesus nada visse ou
ouvisse senão meu te amo, ou bem que tudo visse e ouvisse através deste meu amo te. E enquanto repetia o refrão de meu te amo pensava entre mim: “Vê-se que sou verdadeiramente uma pequena menina que não sei dizer outra coisa que o estribilho aprendido; e além disso, para que me serve repetir e sempre repetir te amo, te amo?” Enquanto isto pensava, meu adorável Jesus saiu de dentro de mim, fazendo ver em toda sua Divina Pessoa impresso por toda parte meu amo: Sobre os lábios, sobre o rosto, na testa, nos olhos, no meio do peito, sobre o dorso e no meio da palma das mãos, na ponta de seus dedos, em suma, em qualquer lugar; e com um sotaque terno me disse:.

(2) “Minha filha, não está contente de que nenhum te amo que sai de você fique perdido, mas que todos fiquem impressos em Mim? E além disso, sabes de que te serve repeti-los? Você deve saber que quando a alma se decide a fazer um bem, a exercitar uma virtude, forma a semente daquela virtude; com repetir aqueles atos forma a água para regar essa semente na terra do próprio coração, e quanto mais freqüentemente os repete, mais rega essa semente e a planta cresce bela, verde, de maneira que logo produz os frutos daquela semente. Ao contrário, se é lenta em repeti-los, muitas vezes essa semente fica sufocada, e se cresce, cresce débil e jamais dá fruto; pobre semente, sem água suficiente para crescer, e meu Sol não surge sobre essa semente para dar-lhe a fecundidade, a maturidade e a bela cor a seus frutos, Porque ela é infecunda. Em vez de repetir sempre os mesmos atos, a alma contém muita água para regar aquela semente, meu Sol surge sobre ela cada vez que é regada, e se alegra muito ao ver que tem tanta força para crescer que faz chegar seus ramos até Mim, E, vendo os seus muitos frutos, tomo-os com prazer e repouso à sua sombra. Portanto, repetir o teu Eu te amo para Mim, fornece-te água para regar e formar a árvore do amor; repetir a paciência, rega e forma a árvore da paciência; repetir os teus atos na Minha Vontade, forma a água para regar e formar a árvore divina e eterna da Minha Vontade; Nenhuma coisa se forma com um só ato, senão com muitos e muitos atos repetidos. Só o teu Jesus contém esta virtude, de formar todas as coisas, até as maiores com um ato só, porque contenho a potência criadora, mas a criatura, à força de repetir o mesmo ato, forma passo a passo o bem que quer fazer. Com o costume torna-se natureza aquele bem ou aquela virtude, e a criatura torna-se possuidora, formando com elas toda sua fortuna. Também na ordem natural acontece assim, ninguém se torna mestre com ter lido uma vez ou poucas vezes as vogais e as consoantes, senão quem constantemente repete até encher-se a mente, a vontade e o coração de toda aquela ciência que convém para poder fazer de mestre aos demais; ninguém se vê saciado se não comer bocado a pouco o alimento que se necessita para saciar-se; ninguém recolhe a semente se não repetir, quem sabe quantas vezes, o seu trabalho no seu campo; e assim de tantas outras coisas. Repetir o mesmo ato é sinal de que se ama, se aprecia e se quer possuir o mesmo ato que faz. “Por isso, repete, e incessantemente repete sem nunca se cansar”.

(3) Depois me encontrei fora de mim mesma, e meu doce Jesus me levou girando em todos aqueles lugares onde havia, estando Ele na terra, obrado, sofrido, orado e também chorando; tudo
o que tinha feito, tudo estava em ação e meu amado Bem me disse:
(4) “Minha filha, filha de meu Querer Supremo, minha Vontade quer te fazer participar em tudo. Tudo o que você vê são todas as minhas obras que fiz estando na terra, as quais minha Vontade as tem suspensas nela porque as criaturas não se dispõem a querer recebê-las, em parte porque não conhecem ainda o que Eu fiz. Veja, aqui estão minhas orações que de noite fazia, cobertas de lágrimas amargas e de suspiros ardentes pela salvação de todos, estão todas em espera para dar-se às criaturas, para dar-lhes os frutos que contêm. Filha, entra tu nelas, cobre-te com minhas lágrimas, veste-te com minhas orações, a fim de que minha Vontade cumpra em ti os efeitos que há em minhas lágrimas, orações e suspiros. Minha Vontade tem como alinhadas em Si as penas de minha infância, todos meus atos internos de minha Vida oculta, que são prodígios de graça e de santidade, todas as humilhações, glória e penas de minha Vida pública, as penas mais escondidas de minha Paixão, tudo está suspenso, o fruto completo não foi tomado pelas criaturas e espero a quem deve viver em meu Querer a fim de que não estejam mais suspensos, mas que se derramem sobre eles para dar-lhes o fruto completo. Só quem deve viver em minha Vontade fará que não continuem suspensos meus bens, por isso entra em cada um de meus atos e de minhas penas, a fim de que minha Vontade se cumpra em ti. Entre tu e eu não quero coisas suspensas, nem tolero não poder dar-te o que quero, por isso quero encontrar em ti a minha própria Vontade, a fim de que nada possa opor-se ao que quer dar-te a minha própria Vontade”.

(5) E enquanto Jesus dizia isto, eu passava de um ato para outro de Jesus e ficava como transformada, coberta com seus mesmos atos, orações, lágrimas e penas. Mas quem pode dizer o
que sentia? Espero que o bendito Jesus me dê a graça de corresponder e de cumprir em mim sua adorável Vontade, e em todos. Amém..

19-5
Março 9, 1926

A Criação forma a glória muda de Deus. Ao criar o homem Foi um jogo de azar, o qual falhou, mas deve-se refazer.

(1) Minha pobre alma nadava no mar interminável do Querer Divino, e meu sempre amável Jesus me fazia ver em ato toda a Criação; que ordem, que harmonia, quantas belezas variadas, cada
coisa tinha o selo de um amor incriado que corria para as criaturas, que descendo no fundo de cada coração gritavam em sua linguagem muda: “Ama, ama Aquele que tanto ama”. Eu sentia um
doce encanto ao ver toda a Criação, seu mutismo amoroso, que mais que voz potente feria meu pobre coração, tanto que me sentia vir a menos, e meu doce Jesus me segurando em seus braços me disse:.
(2) “Minha filha, toda a Criação diz: realize Glória, adoração ao nosso Criador, amor às criaturas’. Então a Criação é uma glória, uma adoração muda para nós, porque não lhe foi concedida nenhuma liberdade, nem de crescer nem de decrescer, a tiramos fora de nós, mas a deixamos em Nós, isto é, dentro de nossa Vontade a louvar, ainda que em forma muda, nossa potência, beleza, magnificência e glória, assim que somos Nós mesmos que nos louvamos nossa potência, nossa glória, o infinito amor, nossa potência, bondade, harmonia e beleza; a Criação nada nos dá por si mesma, embora ela seja o alívio de todo o nosso Ser Divino, serve de espelho ao homem para olhar e conhecer o seu Criador, e dá-lhe lições sublimes de ordem, de harmonia, de santidade e de amor, pode-se dizer que o mesmo Criador, pondo-se em atitude de Mestre Divino, dá tantas lições por quantas coisas criou, da maior à mais pequena obra que saiu de suas mãos criadoras. Não foi assim ao criar o homem, nosso amor foi tanto por ele, que superou todo o amor que tivemos na Criação, por isso o dotamos de razão, de memória e de vontade, e pondo nossa Vontade como em um banco na sua, a multiplicasse, a centuplicasse, não para nós que não tínhamos necessidade, mas para seu bem, a fim de que não ficasse como as outras coisas criadas, mudas e naquele ponto como Nós as trazemos à luz, senão que crescesse sempre, sempre, em glória, em riquezas, em amor e em semelhança com seu Criador, e para fazer com que ele pudesse encontrar todas as ajudas possíveis e imagináveis, demos-lhe à sua disposição a nossa Vontade, a fim de que operasse com a nossa mesma potência o bem, o crescimento, a semelhança que queria adquirir com o seu Criador. Nosso amor ao criar o homem quis fazer um jogo de azar, pondo nossas coisas no pequeno cerco da vontade humana como no banco, nossa beleza, sabedoria, santidade, amor, etc., e nossa Vontade que devia fazer-se guia e ator de seu agir, a fim de que não só o fizesse crescer à nossa semelhança, mas que lhe desse a forma de um pequeno deus. Por isso nossa dor foi grande ao ver-nos rejeitar estes grandes bens pela criatura, e nosso jogo de azar ficou malogrado, mas mesmo fracassado, era sempre um jogo divino que podia e devia refazer-se de sua falha. Por isso, depois de tantos anos quis de novo meu amor jogar ao azar, e foi com minha Mamãe Imaculada, Nela nosso jogo não ficou malogrado, teve seu pleno efeito, e por isso tudo lhe demos e tudo a Ela confiamos, melhor, se formava uma competição, Nós a dar e Ela a receber..

(3) Agora, você deve saber que nosso amor também quer fazer este jogo de azar, a fim de que você, unida com a Mãe Celestial nos faça vencer no jogo refazendo-nos da falha que nos conseguiu o primeiro homem, Adão, assim nossa Vontade refeita em suas vitórias pode pôr de novo em campo seus bens que com tanto amor quer dar às criaturas; e assim como por meio da
Virgem Santa, porque estava refeito em meu jogo, fiz surgir o Sol da Redenção para salvar a humanidade perdida, assim por meio de ti farei ressurgir o Sol da minha Vontade, para que faça o
seu caminho entre as criaturas. Eis a causa de tantas graças minhas que derramo em ti, os tantos conhecimentos sobre minha Vontade, isto não é outra coisa que meu jogo de azar que estou
formando em ti, Por isso esteja atenta, a fim de que não me dês o maior dos sofrimentos que poderia receber em toda a história do mundo, que meu segundo jogo seja fracassado. ¡ Ah, não, não o farás, meu amor sairá vitorioso e minha Vontade encontrará seu cumprimento!”..

(4) Jesus desapareceu e eu fiquei pensativa sobre o que me havia dito, mas toda abandonada no Querer Supremo. Por isso, em tudo o que escrevo, só Jesus sabe o rasgo da minha alma e a
grande repugnância a colocar no papel estas coisas que teria querido sepultar-me sentia lutar com a mesma obediência, mas o Fiat de Jesus venceu, e continuo a escrever o que eu não queria.
Então meu doce Jesus voltou e me viu pensativa e me disse:.
(5) “Minha filha, por que temes? Não queres que eu brinque contigo? Tu não porás outra coisa tua que a pequena chama de tua vontade que Eu mesmo te dei ao criar-te, assim que todo o azar de meus bens será meu, não queres ser tu a cópia de minha Mamãe? Por isso vêem junto Comigo diante do trono divino e aí encontrará a chama da vontade da Rainha do Céu aos pés da Majestade Suprema, que Ela colocou no jogo divino, porque para jogar se necessita pôr sempre alguma coisa própria, De outra forma quem vence não tem o que tomar, e quem perde não tem o que deixar. E como eu venci o jogo com a minha mãe, ela perdeu a chaminha da sua vontade, mas, feliz perda!

Com o ter perdido sua pequena chama, deixando-a como homenagem contínua aos pés de seu Criador, formou sua Vida no grande fogo divino, crescendo no oceano dos bens divinos, e por isso pôde obter ao Redentor suspirado. Agora cabe-te a ti colocar a chama da tua pequena vontade ao lado da minha inseparável Mãe, a fim de que também tu te formes no fogo divino e cresças com os reflexos do teu Criador, e assim possas obter graça ante a Suprema Majestade de poder obter o suspirado Fiat. Estas duas chaminhas se verão aos pés do trono supremo, por toda a eternidade, que não tiveram vida própria e que uma obteve a Redenção e a outra o cumprimento da minha Vontade, único fim da Criação, da Redenção e da minha desforra do meu jogo de azar ao criar o homem”..

(6) Num instante encontrei-me diante daquela luz inacessível, e a minha vontade, sob a forma de uma chaminha, pôs-se ao lado daquela da minha Mãe Celestial para fazer o que ela fazia, mas
quem pode dizer o que se via, compreendia e fazia? Faltam-me as palavras e por isso ponho ponto. E meu doce Jesus adicionou:.

(7) “Minha filha, a chama da tua vontade a venci e tu venceste a minha; se tu não perdias a tua não podias vencer a minha, agora os dois somos felizes, ambos somos vitoriosos, mas olha a grande diferença que há, em minha Vontade basta fazer uma vez um ato, uma oração, um te amo, porque tomando o seu lugar no Querer Supremo fica sempre a fazer o mesmo ato, a oração, o te amo, sem interrompê-lo jamais, porque quando se faz um ato em minha Vontade, esse ato não está sujeito a interrupção, feito uma vez fica feito para sempre, é como se estivesse sempre a fazê-lo. O obrar da alma em minha Vontade entra a tomar parte nos modos do obrar divino, que quando obra sempre o mesmo ato sem ter necessidade de repeti-lo. O que serão os teus tantos te amo na minha Vontade que sempre repetirão o seu refrão, te amo, te amo? Serão tantas feridas para Mim e me prepararão a conceder a graça maior: que minha Vontade seja conhecida, amada e cumprida.

Por isso em minha Vontade as orações, as obras, o amor, entram na ordem divina e se pode dizer que sou Eu mesmo que rogo, que faço, que amo, e que coisa poderia negar-me a Mim mesmo? Em que coisa não poderia me agradar?”.

20-5
Setembro 28, 1926

Sua grande aflição pela publicação dos escritos. Jesus quer a entrega. Jesus incita ao padre que deve ocupar-se disto.

(1) Sentia-me oprimida e como esmagada sob o peso de uma humilhação profunda, porque me tinha sido dito que não só se publicaria o que se refere à Vontade de Deus, mas também o que se refere a todas as outras coisas que me disse o meu amável Jesus; era tanto a dor, que me tirava até as palavras para poder aduzir razões para que não o fizessem, nem sabia rogar ao meu amado Jesus para que não permitisse isto, tudo era silêncio dentro e fora de mim. Então o meu amável Jesus, movendo-se dentro de mim, estreitou-me a Ele para me dar ânimo e força e disse-me:
(2) “Minha filha, não quero que vejas como coisa tua o que escreveste, mas que o vejas como coisa minha e como coisa que não te pertence, tu de fato não deves entrar no meio, Eu me encarregarei de tudo, e por isso que quero que me entregues tudo, e à medida que escreves quero que me dês tudo como um dom, a fim de que Eu fique livre de fazer o que quero e para ti fique só aquilo que te convém para viver na minha Vontade. Eu te fiz tantos dons preciosos por quantos conhecimentos te manifestei, e tu nenhum dom me queres dar?”

(3) E eu: “Meu Jesus, perdoa-me, eu não gostaria de sentir o que sinto, o pensar que o que aconteceu entre Tu e eu devem sabê-lo os demais, deixa-me inquieta e dá-me tanta pena, que eu
mesma não sei explicar, por isso dá-me a força, em Ti me abandono e tudo a Ti o doo”. E Jesus acrescentou:

(4) “Minha filha, assim está bem, tudo isto requer a minha glória e o triunfo da minha Vontade, mas o primeiro triunfo o quer, exige-o sobre ti. Não estás contente por te tornares a vitória, o triunfo
desta Suprema Vontade? Você não quer então fazer qualquer sacrifício para fazer que este Reino supremo seja conhecido e possuído pelas criaturas? Também Eu sei que você sofre muito ao ver que depois de tantos anos de segredo entre você e Eu e que com tanto zelo te mantive escondida, agora ao ver sair fora nossos segredos sente fortes impressões, mas quando o quero Eu deves querer também você, por isso nos ponhamos de acordo e não se preocupe”.

(5) Depois disto me fazia ver ao reverendo padre, e Jesus estando junto a ele punha sua santa mão direita sobre sua cabeça para infundir-lhe firmeza, ajuda e vontade dizendo-lhe: “Meu filho,
faze-o logo, não percas tempo, eu te ajudarei, estarei ao teu lado para que tudo corra bem e segundo a minha Vontade. Assim como me interessa que a minha Vontade seja conhecida e assim
como com paterna bondade ditei os escritos que se referem ao Reino do Fiat Supremo, assim ajudarei à publicação, estarei no meio daqueles que se ocuparão, a fim de que o todo seja
regulado por Mim. Por isso em breve, em breve”.

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