Estudo 5 – Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Divina Vontade


MEDITAÇÃO DO ESTUDO 5

ADVERTE SUA SERVA.

Não te admires, esposa caríssima, se em alguma dúvida a respeito de quanto até agora te disse e ainda te direi. Porque, como se trata de coisas por ti inteiramente ignoradas, o inimigo do gênero humano se esforça por excitar em tua mente muitas duvidas, a fim que te enfastie a obra começada por minha ordem.
Assim procura entorpecer a paz e à serenidade de espírito de que desfrutas ao escrever o que a mim, unicamente por bondade e misericórdia, me compraz comunicar-te. Sê forte e constante, portanto, rejeitando tudo o que contra esta obra te sugerir, e acredite firmemente no que eu te sugiro, porque eu sou a verdade infalível: não sei, nem posso mentir.

CONHECIMENTO DA VIRGEM. A CORREDENTORA. 

Antes de terminar este capitulo deves saber como minha dileta Mãe já estava informada a respeito de tudo o que eu devia sofrer, enquanto na eleição que dela fez o Pai eterno para minha Mãe. Ele lhe deu tantas luzes e conhecimento que ela viu e previu todos os meus sofrimentos; pelo Mensageiro celeste que meu Pai lhe enviou foi claramente informada acerca de tudo. Por isso, inflamada do vivo desejo de imitar-me para mais perfeitamente assemelhar-se a mim, suplicou ao Pai que a fizesse sentir todos os sofrimentos que eu sentia na minha humanidade enquanto de tal ela fosse capaz. Com isto ficou plenamente consolada. Assim, enquanto eu sofria muito nas vísceras maternas, também ela sofria parte dessas aflições, sentindo em seu próprio corpo a privação de todas as coisas das quais eu era privado. Embora ela conservasse o livre ato e movimento dos próprios sentidos corpóreos, não obstante experimentava a minha pena pela privação dos meus, pois enquanto estava em seu seio eu lhe estava unido tão intimamente que parecia sermos uma só e mesma coisa.

PENA E SÚPLICA DE JESUS.
Eu sentia a pena que minha inocente Mãe sofria e isto me causava maior afã. Oferecia esta pena a meu Pai e suplicava-lhe que desse virtude e graça a todas as almas inocentes que
se afligem e padecem para se tornarem semelhantes a mim, para imitar-me. Meu Pai se comprazia muito nisto e prometeu-me uma graça superabundante para todas as almas acima mencionadas, até mesmo ter por elas cuidado mais especial e dar-lhes particular proteção, manifestando querer premiar e remunerar-lhes os padecimentos com imensa glória e aceitá-las
e recebê-las com toda a complacência própria de sua infinita bondade e condescendência. Falarei em outro lugar de quanto mereceu nestes sofrimentos minha dileta Mãe.

DESEJO E REPUGNÂNCIA DE JESUS.

Havia já passado o tempo determinado para estar nas vísceras maternas e tendo de vir à luz e viver fora daquelas estreitezas, encontrei-me animado de desejos e repugnâncias.
Queria vir à luz e começar a sofrer mais para a salvação do gênero humano; repugnavam, no entanto, à minha humanidade tantos padecimentos que via preparados para mim. Desejava sair dessas limitações, mas experimentava repugnância em deixar o abrigo que aceitara e me era grato.
Entre a repugnância e o temor, o desejo de padecer mais e de fazer a vontade do Pai, fiquei aflito e angustiado e ofereci ao Pai em favor de meus irmãos que estivessem em excitação semelhante pelas vicissitudes em que se encontram enquanto vivem neste exílio, e rogava que lhes desse graça e virtude, a fim de poderem escolher tudo o que fosse de Seu agrado e de Sua vontade, para Sua maior glória e o proveito deles.

VALOR DE SUA VIDA NO SEIO DE MARIA.

Sabe, pois, esposa caríssima, que nesses nove meses no seio materno, essa foi a minha ocupação interna, enquanto no exterior não era apto a fazer obra alguma. Somente no interior agia então. Sofria, porém, quanto a minha humanidade, aquilo que neste capítulo te disse. Parecer-te-á que tudo o que te mostrei seja muito pouco em relação ao período de nove meses; mas sabe, caríssima esposa, que minhas orações, minhas súplicas e meus oferecimentos feitos a meu Pai, não eram como os teus é dos outros. Não! Poucas horas de oração vos parecem muitas. Com poucas súplicas e poucos a mentos parece-vos terdes satisfeito. Pensa, caríssima, se os santos não apenas passaram horas, mas dias inteiros em oração, sem o perceberem sequer, considera como passavam o tempo, os que tratava com meu Pai, de um modo mais admirável do que os outros, sendo eu o Filho Unigênito e unido a Ele tão estreita .

CONSOLAÇÕES E AMARGURAS.
Eis. esposa caríssima, O que se dou em meu interior enquanto vivia no seio de minha Mão e quanto eu sofria sabe que em tudo eu agia com alegria e sofria do bom grado pela salvação do gênero humano e pela glória de meu Pal. Mas, como não devia ter consolação alguma que não fosse repleta de amargura, ficava amargurado por ver meu amor tão pouco correspondido e a pouca conta em que tinham meus irmãos o que eu sofria e fazia em seu favor e que, se podiam adquirir imensos tesouros, se eles se prevalecessem de meus méritos, não O fazem por culpa própria e por descuido. Digo-te tudo isto agora, reservando o restante para o capítulo seguinte.

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