“Vá, venda o que você tem e venha me seguir”. – Maria Valtorta


Jesus diz:
«Também hoje vos falarei referindo-se ao Evangelho. Você quer mostrar uma frase. Apenas um, mas que tem vastos significados. Você sempre considera isso de um ponto de vista. Sua extremidade humana não permite mais. Mas meu Evangelho é uma obra espiritual, portanto seu significado não fica limitado ao ponto material de que fala, mas se espalha como um som em círculos concêntricos, e cada vez mais amplos, abrangendo muitos significados.

Eu disse ao jovem rico: “Vá, venda o que você tem e venha me seguir”. Você acreditou que eu dei o conselho evangélico da pobreza. Sim, mas não a pobreza como você a entende; não apenas isso. Dinheiro, terras, edifícios, joias são coisas que você ama e custa seu sacrifício desistir de tê-los ou dor para perdê-los. Mas, para uma vocação de amor, você também sabe como despi-la. Quantas mulheres não venderam tudo para sustentar o cônjuge ou amante – o que é pior – e continuar uma vocação de amor humano? Outros jogam fora suas vidas por uma ideia. Soldados, cientistas, políticos, arautos de novas doutrinas sociais, mais ou menos justas, sacrificam-se todos os dias ao seu ideal vendendo a vida, dando a vida pela beleza, ou pelo que consideram beleza, de uma ideia. Eles se empobrecem com a riqueza da vida por causa de suas idéias. Mesmo entre meus seguidores, muitos conheceram e sabem renunciar à riqueza da vida, oferecendo-a a Mim por meu amor e pelo próximo. Renúncia muito maior do que a das riquezas materiais.

Mas na minha frase há ainda outro significado, pois há uma riqueza maior do que ouro e vida e infinitamente mais cara. Riqueza intelectual. Seus próprios pensamentos! Como isso se mantém! Existem, é verdade, escritores que o conferem às multidões. Mas eles fazem isso pelo lucro e nunca dizem o que pensam. Eles dizem o que sua tese precisa, mas certas luzes íntimas os mantêm trancados no peito da mente. Porque muitas vezes são pensamentos de dor por dores íntimas ou censuras da consciência despertada pela voz de Deus.

Pois bem, em verdade vos digo, visto que se trata de uma riqueza maior, maior e mais pura – porque é uma riqueza intelectual e, portanto, incorpórea – a sua renúncia tem um valor diferente aos meus olhos. O que está aceso em você vem do centro do Céu onde Eu, o Deus Único e Triúno, estou. Portanto, não é certo que você diga: “Este pensamento é meu”. Eu sou o Pai e Deus de todos. Portanto, as riquezas de uma criança, que dou a uma criança, devem ser desfrutadas por todos e não exclusivamente a um. Quem merecia ser – direi – o depositário, o destinatário, continua a ter a alegria de o ser. Mas o presente deve circular entre todos. Porque eu falo com um por todos. Quando alguém encontra um tesouro, se for honesto, apressa-se em entregá-lo aos responsáveis ​​e não o considera culpado. Quem encontra o Tesouro, minha Voz, deve entregá-lo aos irmãos. É o tesouro de todos.

Eu não gosto de avarentos. Nem mesmo os gananciosos na piedade. Há muitos que oram por si próprios, usam indulgências para si próprios, alimentam-se de Mim para si próprios. Nunca pensei nos outros. É sua alma que importa para eles. Eu não gosto deles. Eles não serão danificados porque permanecem na minha graça. Mas eles terão apenas o mínimo de graça que os salvará do Inferno. O resto, que o Paraíso terá que lhes dar, terá que conquistá-lo com séculos de purgatório. O avarento, material e espiritual, é um glutão, um glutão e um egoísta. Ele se empanturra. Mas isso não faz bem a ele. Pelo contrário, isso produz nele doenças do espírito. Você se torna impotente para aquela agilidade espiritual que lhe permite perceber as inspirações divinas, regular-se sobre elas e alcançar o céu com segurança.

Você vê quantos significados minha palavra evangélica pode ter? E tem mais. Agora, com um pouco de ciúme dos meus segredos, ajuste-se. Não faça riquezas que eu te dou riquezas injustas.

Quanto ao que você disse ontem, não penses que aquele por quem deves reparar é uma alma consagrada cuja vocação vacila. Não. É uma criatura fraca que eu escolhi, mas que religiosa como vozes das criaturas mais do que as minhas e por mesquinhas, considerações humanas perdidas o trono na casa do Noivo. Agora ele sofre com isso. Mas ele não tem quadro para reparar. Eu abrir meus braços novamente. Horas para saber como chegar à porta do edifício místico e saiba como entrar como uma nova alma. Mesmo uma lágrima oferecida para esse fim tem seu peso e seu valor. Ajude ou seu Jesus, Maria e Ele ou ajudará cada vez mais. ”

Fonte: Quaderni di Maria Valtorta (1943). Centro Editorial Valtortiano.

 

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