#45 MEDITAÇÃO INICIANTES – TRANSIÇÃO DA VIDA HUMANA À VIDA DIVINA


(196) E Jesus tomou o seu vôo e eu tomei o meu junto, a Ele, giramos por toda a abóbada do céu.
Oh! Como era bonito passear junto com Jesus, agora apoiava a cabeça sobre seu ombro e com
um braço atrás de suas costas e com a outra mão em sua mão, agora se apoiava Jesus em mim,
quando chegávamos a certos lugares onde a iniquidade mais abundava, oh, quanto sofria meu
bom Jesus! Eu via com mais clareza os sofrimentos de seu coração adorável, via-o quase
desmaiar, e lhe dizia: “Apoie se em mim e faz-me partícipe de tuas penas, pois não resiste minha
alma ver-te sofrer sozinho”. E Jesus me dizia:

(197) “Amada minha, ajuda-me que não posso mais”.

(198) E, enquanto assim dizia, aproximava os seus lábios aos meus, e via uma amargura tal, que
sentia penas mortais quando entrava em mim esse licor tão amargo; sentia entrar como tantas
facas, pontas, flechas que me trespassavam de lado a lado, em suma, em todos os meus membros
se formava uma dor atroz e voltando a alma ao corpo participava estes sofrimentos ao corpo, quem
pode dizer as penas? Só o próprio Jesus que era testemunha, porque Os outros não podiam
mitigar minhas penas estando naquele estado de perda dos sentidos, e se esperava quando estava
presente o confessor, porque também com a obediência se mitigavam. Portanto só Jesus me podia
ajudar quando via que minha natureza não podia mais e que chegava propriamente aos extremos e
não me restava mais que dar o último respiro.

Oh, quantas vezes a morte zombou de mim, mas
virá um dia em que eu me rirei dela! Então Jesus vinha, me tomava em seus braços, me
aproximava de seu coração, e oh, como me sentia voltar a vida, depois, de seus lábios vertia um
licor dulcíssimo, e assim se mitigavam as penas. Outras vezes, enquanto me levava junto com Ele
girando, se eram pecados de blasfêmias, contra a caridade e outros, vertia esse amargo venenoso;
se eram pecados de desonestidade, derramava uma coisa de podridão malcheirosa, e quando
voltava em mim mesma sentia tão bem aquela peste, e era tanto o fedor que me revolvia o
estômago e me sentia desfalecer, e às vezes tomando o alimento, quando o devolvia, sentia que
saía da minha boca aquela podridão misturada com o alimento. Uma vez levava-me às igrejas, e
também ali o meu bom Jesus era ofendido. Oh, como chegavam mal a seu coração aquelas obras,
santas, sim, mas descuidadamente feitas, aquelas orações vazias de espírito interior, aquela
piedade fingida, aparente, parecia que mais bem insultavam a Jesus em vez de lhe dar honra. Ah!
Sim, aquele coração santo, puro, reto, não podia receber essas obras tão mal feitas. Oh! quantas
vezes se lamentava dizendo:

(199) “Filha, também a gente que se diz devota, olha quantas ofensas me fazem, mesmo nos
lugares mais santos, ao receber os mesmos Sacramentos, em vez de sair purificados saem mais
enlameados “.

(200) ” Ah! Sim, quanta pena dava a Jesus ver pessoas que comungavam sacrílegamente,
sacerdotes que celebravam o Santo Sacrifício da missa em pecado mortal, por costume, e alguns,
dá horror dizer, por fins de interesse. ¡¡ Oh! Quantas vezes meu Jesus me fez ver estas cenas tão
dolorosas. Quantas vezes, enquanto o sacerdote celebrava o Sacrossanto Mistério, Jesus é
obrigado a descer, porque era chamado pelo poder sacerdotal, às mãos do sacerdote, se viam
aquelas mãos que gotejavam podridão, sangue, ou então estavam sujas de lama. Ah! Como dava
compaixão o estado de Jesus, tão santo, tão puro, naquelas mãos que davam horror só de olhá las,
parecia que Jesus queria fugir daquelas mãos, mas era obrigado a permanecer até que se
consumissem as espécies do pão e do vinho. Às vezes, enquanto permanecia ali, com o sacerdote,
ao mesmo tempo vinha-se apressadamente a mim e lamentava-se, e antes de que eu o dissesse,
Ele mesmo me dizia:

(201) “Filha, deixa-me derramar em ti, porque não posso mais, tem compaixão do meu estado que
é demasiado doloroso, tem paciência, soframos juntos”.

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