#40 MEDITAÇÃO INICIANTES – TRANSIÇÃO DA VIDA HUMANA À VIDA DIVINA


(159) Para explicar melhor este falar substancial de Jesus digo outra coisa, Jesus diz: “Olha como
sou puro, também em ti quero pureza em tudo”. Nestas palavras a alma sente entrar em si uma
pureza divina, esta pureza se transforma nela mesma e chega a viver como se não tivesse mais
corpo, e assim das outras virtudes. Oh, como é desejável falar de Jesus! Eu daria tudo o que está
sobre a terra, se fosse a dona de tudo, contanto que tivesse uma só destas palavras de Jesus.

(160) O quarto modo em que Jesus me fala é quando me encontro em mim mesma, isto é no
estado natural, e este falar é também de dois modos: O primeiro é quando me encontrando em
mim mesma, recolhida, no interior do coração, sem articulação de voz ou sons ao ouvido do corpo,
Jesus internamente fala. O segundo é como nós fazemos, e isso acontece às vezes, mesmo
estando distraída ou falando com outras pessoas. Mas uma só destas palavras basta para me
recolher se estou distraída, ou para dar-me a paz se estou perturbada, para me consolar se estou
afligida.

(161) Agora eu continuo narrando de onde eu fiquei, e eis que ele colocou um remédio:
(162) Pela manhã eu fui para comungar, e assim que eu recebi a Jesus, súbito eu lhe disse:
“Senhor meu, olha em que tempestade me encontro, deveria te agradecer porque lhe deste luz ao
confessor para me dar a obediência de sofrer, em troca minha natureza o lamenta tanto, que eu
mesma fiquei confusa ao me ver tão má. Mas tudo isto é nada, porque Tu que queres o sacrifício
me darás também a força. Mas a razão de maior peso em mim é ter que estar tanto tempo sem
poder receber no Sacramento, quem poderá resistir sem Ti? Quem me dará força? Onde posso
encontrar consolo nas minhas aflições?” E enquanto dizia isto, sentia tais penas no coração por
esta separação de Jesus Sacramentado, que chorava copiosamente. Então o Senhor
compadeceu-se da minha fraqueza e disse-me:

(163) “Não temas, eu mesmo sustentarei a tua fraqueza, tu não sabes que graças te preparei, por
isso temes tanto. Eu não sou Onipotente? Não posso suprir a privação de me receber no
Sacramento? Por isso ri-te, põe-te como morta em meus braços, faze-te vítima voluntária para me
reparar as ofensas, pelos pecadores e para evitar aos homens os merecidos flagelos. E eu dou-te
em penhor a minha palavra de não deixar nem um só dia sem vir visitar-te. Até agora tu vieste a
Mim, de agora em diante virei Eu a ti. Não estás contente?”

Compartilhe a Divina Vontade