#14 Meditação Iniciantes – Transição da Vida Humana a Vida Divina


548.24Eu vos peço que tenhais essa norma espiritual: que vos lembreis sempre da minha resposta a Tomé[91]. Não se pode ser meu verdadeiro discípulo, se não se souber dar à vida humana aquele valor que serve de meio para conquistar a vida, e não de fim. Aquele que quiser salvar a sua vida neste mundo perderá a vida eterna. Eu o disse e o repito. ?ue é que são as provações? São nuvens que passam. O Céu não passa e vos espera depois das provações.
Eu conquistei o Céu para vós com o meu heroísmo. E vós deveis imitar-me. O heroísmo não está reservado somente para aqueles que devem conhecer o martírio. A vida cristã é um perpétuo heroísmo porque é uma perpétua luta contra o mundo, o demônio e a carne. Eu não vos obrigo a servir-me. Eu vos deixo livres. Mas hipócritas é que não vos quero. Ou comigo e como Eu, ou contra Mim. Vós não me podeis enganar. E Eu não admito alianças com o inimigo. Se vós o preferis a Mim, não podeis ficar pensando em ter, ao mesmo tempo, a Mim como Amigo. Ou ele ou Eu.
Escolhei.
548.25A dor de Marta é diferente da dor de Maria, pela diferente psique das duas irmãs e pelo modo de proceder das duas. Felizes daqueles que se conduzem de tal modo que não precisem ter o remorso de ter entristecido alguém que agora está morto e que não pode mais ser consolado da dor que lhe foi causada. Mas como é mais feliz quem não teve o remorso de ter entristecido a Deus, a Mim Jesus, e não tem medo de encontrar-se comigo, mas até suspira por isso, como quem espera uma alegria ansiosamente sonhada durante toda uma vida e finalmente conseguida.
Eu sou o vosso Pai, Irmão, Amigo. Por que é, então, que me feris tantas vezes? Sabeis vós quanto é que vos resta de vida? Uma vida em reparação?
Vós não o sabeis. E, então, hora por hora, dia por dia, vivei agindo bem.
Sempre bem. Vós me fareis sempre feliz. E se o sofrimento vier também para vós, visto que a dor é santificação, é a mirra que nos preserva da podridão da sensualidade, tereis sempre em vós a certeza de que Eu vos amo — e que vos amo também nessa dor — e a paz que nasce do meu amor. Tu, pequeno João, bem que o sabes se Eu sei consolar até na dor.
548.26Na minha oração ao Pai está repetido tudo o que Eu disse a princípio: era necessário um grande milagre para sacudir a opacidade dos judeus e do mundo em geral. E a ressurreição de alguém, já sepultado há quatro dias, e colocado na cova depois de uma longa, crônica, repugnante, conhecida doença, não era algo que deixasse indiferentes e nem mesmo cheios de dúvidas. Se Eu o tivesse curado enquanto ele estava vivo ou tivesse infundido nele o espírito logo que ele tivesse expirado, a malícia dos inimigos teria podido criar dúvidas sobre a existência do milagre. Mas o mau cheiro do cadáver, a sujeira das bandagens, a longa permanência no sepulcro, não deixavam pairar dúvidas. E, um milagre dentro do outro, Eu quis que Lázaro fosse desenfaixado e limpo na presença de todos para que se visse que, não só a vida, mas também a integridade dos membros tinham voltado, lá onde antes a carne ulcerada havia espalhado no sangue os germes da morte. No meu ato de distribuir graças, Eu dou sempre mais do que pedis.
548.27Eu chorei diante da tumba do Lázaro. E àquele choro já deram vários nomes. No entanto, ficai sabendo que as graças se obtêm com a dor misturada com uma firme fé no Eterno. Eu chorei não somente pela perda do amigo e pela dor das irmãs, mas porque, como um fundo que se agita para cima, afloraram naquela hora, mais vivas do que nunca, três ideias que, como três cravos, haviam sempre cravado suas pontas em meu coração.
A constatação de quão grande foi a ruína que Satanás causou ao homem, ao seduzi-lo para o Mal. Ruína, cuja condenação humana consistia na dor e na morte. A morte física, que é o símbolo e a metáfora viva da morte espiritual, que a culpa dá à alma, fazendo-a cair, a essa rainha destinada a viver no reino da Luz, nas trevas infernais.
A persuasão de que nem mesmo este milagre, colocado quase como uma consequência sublime depois de três anos de evangelização, teria convencido o mundo judaico sobre a Verdade da qual Eu tinha sido o Portador. E que nenhum milagre teria feito do mundo futuro um convertido para o Cristo. Oh! ?ue dor que era estar perto de morrer por tão poucos!
A visão mental da minha próxima morte. Eu era Deus. Mas também era homem. E para ser o Redentor, Eu devia sentir o peso da expiação. E por isso também o horror da morte, e de tal morte. Eu era um vivo, um são que dizia: “Em breve Eu estarei morto num sepulcro, como Lázaro. Em breve a agonia mais atroz será a minha companheira. Eu devo morrer.” A bondade de Deus vos poupa o terdes o conhecimento do futuro. Mas a Mim, não. Eu não fui poupado de ter esse conhecimento.
Oh! Podeis crer! Vós que vos lamentais de vossa sorte. Nenhuma foi mais triste do que a minha, pois Eu tive a constante presciência de tudo o que me devia acontecer, e unida à pobreza, às depreciações, às asperezas, que me acompanharam desde o meu nascimento, até à morte. Por isso, não vos lamenteis. E esperai em Mim.
Eu vos dou a minha paz.

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