#10 MEDITAÇÃO INICIANTES – TRANSIÇÃO DA VIDA HUMANA PARA A VIDA DIVINA



(28) Então procurava fazer quanto mais podia para satisfazê-lo, me diminuía, me aniquilava, e às
vezes chegava a tanto, de sentir quase desfeito meu ser, de modo que não podia obrar, nem dar
um passo, nem sequer um respiro se Ele não me sustentava. Além disso, eu estava tão mal que
tinha vergonha de me deixar ver pelas pessoas, sabendo que sou a mais feia, como em realidade
Eu ainda sou, então quanto mais eu podia fugir e dizer entre mim: “Oh, se vocês soubessem como
eu sou ruim, e se pudessem ver as graças que o Senhor está me fazendo, (porque eu não dizia
nada a ninguém) e que eu sou sempre a mesma; oh, como me teriam horror!”.
(29) Depois, na manhã em que ia de novo a comungar, me parecia que ao vir Jesus a mim fazia
festa pelo contente que sentia ao me ver tão aniquilada, me dizia outras coisas sobre o
aniquilamento de mim mesma, mas sempre de maneira diferente da anterior, Acho que não uma,
mas centenas de vezes ele falou comigo, e se ele me tivesse falado milhares de vezes teria
sempre novas maneiras de falar sobre a mesma virtude, oh! meu Divino Mestre, quão sábio és, se
ao menos te tivesse correspondido
(30) Lembro-me de uma manhã, quando ele me falava sobre a mesma virtude, ele me disse que
por falta de humildade havia cometido muitos pecados, e que se eu tivesse sido humilde, eu teria
ficado mais perto dele e não teria feito tanto mal; ele me fez entender como o pecado era feio, a
afronta que este miserável verme tinha feito a Jesus Cristo, a ingratidão horrenda, a impiedade
enorme, o dano que tinha vindo a minha alma. Fiquei tão espantada que não sabia o que fazer
para reparar, fazia algumas mortificações, pedia outras ao confessor, mas poucas me eram
concedidas, assim que todas me pareciam sombras e não fazia outra coisa que pensar em meus
pecados, mas sempre mais estreita a Ele. Tinha tanto medo de me afastar dele e de agir pior que
antes, que eu mesma não sei explicar. Não fazia outra coisa quando me encontrava com Ele que
dizer-lhe a pena que sentia por havê-lo ofendido, pedia-lhe sempre perdão, agradecia-lhe porque
tinha sido tão bom comigo, e dizia-lhe de coração: “Olha, oh! Senhor o tempo que perdi, enquanto
poderia ter te amado”. Então não sabia dizer outra coisa senão o grave mal que tinha feito;
finalmente, um dia repreendeu-me e disse:

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