Estudo 38 Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Divina Vontade


VIDEO DA AULA

CONSOLA A MAE.

Obtido do Pai o quanto ansiava em prol de meus irmãos, fui consolar a querida Mãe que se achava em grande angústia, por ter-me visto retirar-me sozinho com aquela cruz, comigo, embora o amor muito a impelisse. Retinha-a contudo o respeito a Majestade. Deixei a a cruz e fui procura-la. Vendo-a traspassada de dor, olhei-a com rosto amoroso e olhos compassivos, e ao contempla-la, infundi em sua alma sumo gaudio, que a consolou inteiramente. Conheceu a amorosa Mãe o favor que lhe comuniquei e logo, genuflexa, agradeceu-me com palavras verdadeiramente dignas de tal mãe. Manifestou-me quanto me amava, e por isso que dor sofria por ver-me padecer. A amorosa Mae percebia quando eu estava mais aflito do que de costume, e muito se atormentava, pois me amava muito. Sendo eu mais do que a sua própria vida, muito mais se afligia com minhas angústias do que se tivessem sido suas. Aliás, eram de certa maneira suas, porque tanto sangue como o amor faziam com que sentisse todas as penas que eu, seu Filho amado, padecia. Naquele instante roguei ao Pai que, assim como eu havia consolado a Mãe naquela angústia, se dignasse consolar todos aqueles que se afligem por ver próximo em tribulação e angústia. É bem justo ser consolado quem por verdadeira caridade se aflige com as tribulações dos outros, imitando-me nisto, pois muito me afligia ver meus irmãos em tribulações e aflições, como muitas vezes o demonstrei no tempo em que vivi na terra, e principalmente em relação à aflição das irmãs de Lázaro pela morte do mesmo, as quais eu consolei. O Pai me prometeu fazer e mostrou aprazerem-lhe muito aqueles que assim agem. O Pai demonstrava grande complacência em todas as obras virtuosas de meus irmãos, mas em particular naquelas com as quais mais se me assemelham, naquelas obras nas quais eu continuamente me exercitava. Se bem que não existe obra virtuosa e perfeita na qual se exercitam meus irmãos que antes eu não tenha praticado, não obstante há algumas mais agradáveis ao Pai e são as que eu, com maior humilhação de minha pessoa, praticava, isto é, as obras que indicam humildade, caridade, desprezo de si, abaixamento, mortificação, pobreza, obediência, com as outras que trazem consigo conhecimento de minha Majestade esvaziada e aniquilada, por amor do homem, e para Ihe ensinar o caminho da virtude. Não há obra boa e virtuosa, praticada por meus irmãos, acerca da qual não tenha impetrado anteriormente de meu Pai para eles a graça de faze-la com toda a perfeição, oferecendo-Ihe todas as minhas obras para obter-lhes a graça mencionada.

CONSOLA A JOSE.

Tendo consolado a querida Mãe, ia a Jose, o qual realmente estava em aflição, apesar de não entender o mistério ali oculto. Com olhar amoroso, consolei-o e serenei o seu espirito turbado pelas dúvidas que lhe surgiam na mente ao ver-me executar aquela cruz. Logo, porem, aquietava-se-Ihe o espírito, porque vendo-me de fisionomia serena e amorosa, sentia sumo prazer, e assim a sua alma inebriada não procurava outra coisa, entregando-se inteiramente ao querer divino. Algumas vezes, porém, se não via em mim esses efeitos, ia a sua querida esposa e com ela desafogava sua pena, e ela o consolava. Eu rezava ao Pai. Se não quisesse consolar as almas aflitas com as suas graças e palavras internas, fizesse com que fossem consoladas por outros, com palavras e consolos externos. Desse às palavras dos últimos a virtude e a grata para que fossem consolados também no Intimo, conforme exigir a necessidade na qual se ache a pessoa aflita. O Pai não o omite, comunicando graça e assistência a todos aqueles que se empenham neste ato de caridade.

VIDA LABORIOSA E DE ZELO.

Por mais que pareça a todos que eu, no tempo em que vivi em casa, com minha Mae e Jose, não me cansasse muito, por não ter tido um exercício de contínua fadiga, não foi assim. Tive uma vida muito dificultosa e sempre que afadiguei, ora a trabalhar, ora a rezar, ora a cantar os louvores divinos, ora a exercitar-me em obras manuais de diversas espécies, conforme requerido pelas necessidades e a pobreza em que me achava. Além disso, deveis saber que eu tratava com o Pai a respeito da salvação de todo o gênero humano; digo de todos em geral, e depois, de cada um em particular. Quanto me afadigava por todos, para os quais impetrava a graça de meu Pai segundo o estado e condição de cada um; vendo aquilo de que precisava, tanto rogava ao Pai que tudo Ihe obtinha. Quanto, esposa minha, me afadigava pelos pecadores! Como eram inumeráveis! Não tinha tempo de repousar, a fim de poder pensar em cada um deles e aplacar o Pai irado, para que esperasse a penitência e desse-lhe a luz e graça, com o fito de ressurgirem da queda e das misérias. Quantas lágrimas derramava no silencio da noite! Quantos suspiros ardentes exalavam-me do peito! Quantos atos de arrependimento fazia pelos pecados dos meus irmãos, oferecendo-os ao Pai! Quanto tempo ficava prostrado no chão para impetrar graças em favor daqueles que se mostravam tão ingratos aos benefícios de meu Pai! Quantas vezes me oferecia ao Pai em sacrifício e apresentava-me para sofrer todos os tormentos merecidos pelos pecadores! Quantas vezes sentia em mim as angústias e as aflições que deviam sentir todos os meus irmãos, querendo assim ter mais motivo de compadecer-me deles e de pedir ao Pai por eles! Quantas vezes experimentava em mim as fraquezas deles para socorre-los melhor e para que um dia chegassem a compreender não existir mal, ou angústia sofridas por eles que eu não a tenha tido primeiro, e não haja procurado para cada um deles o remédio e o consolo! Só não sentia pena proveniente de culpa; mas desta tinha uma contrição tão grande que muitas teria morrido, se a divindade não me tivesse sustentado em vida. Foi este um contínuo exercício enquanto vivi na terra. Jamais o diminui um momento, perseverando sempre nestes atos tão agradáveis ao Pai e tão satisfatórios e úteis aos meus irmãos. Tanto fiz junto do Pai, e tanto rezei que obtive quanto desejava, a saber, que meu Pai fosse o Deus das misericórdias, enquanto antes era o Deus da Vingança, castigando os transgressores da Lei com rigor de Justiça.

Tanta forca tiveram minhas obras e as minhas súplicas junto do Pai que fi-lo tornar-se inteiramente misericórdia relativamente aos pecadores. Não castiga, mas espera que façam penitência; suporta com muita paciência os seus erros e as transgressões de sua lei. Quanto me alegrava depois, ao ver o Pai assim aplacado e inteiramente misericordioso e amoroso para com meus irmãos! Esta consolação, porém, era muito amargurada ao ver como muitos abusam de tamanha misericórdia e amor, servindo-se destes para mais ofender ao amoroso Pai, pela continuação do seus maus costumes, pecando livremente, quase como se Deus não visse, nem desse importância às ofensas que recebe. No entanto, o Pai é o mesmo que antes, e zeloso por sua honra. E só mitiga os rigores da justiça diante de minhas súplicas. Mas, ai de quem abusa de sua misericórdia! Virá depois, o tempo em que não encontrara mais misericórdia, e sim somente o rigor de justiça. Não o experimentarão mais como Pai amoroso, e sim como juiz severo. Vendo eu que muitos de meus irmãos abusariam da misericórdia e por fim sentiriam o rigor da justiça, tive sumo desprazer e apresentava novas suplicas ao Pai. Este fez-me ver a obstinação deles, e como eles mesmos queriam experimentar os rigores da justiça por perseverarem no mal, e ainda que, por mais que o Pai faça para salva-los, nada adianta, pois querem obstinadamente permanecer no pecado; então eu, todo aflito, ao verificar tal maldade e obstinação, agradecia ao Pai pelas misericórdias que havia empregado para com eles, uma vez que eles neste ponto falham inteiramente. Depois, cheio de confusão e de dor por causa deles, procurava dar ao Pai aquela glória e honra que eles lhe recusam. Louvava-o, bendizia-o e exaltava-a na medida em que eles o desprezam e desonram. O dileto Pai tinha sumo gosto nisto, e muito se comprazia em mim, vendo por meu intermédio reintegradas a sua honra e glória.

AOS DOZE ANOS.

Havendo passado alguns anos na maneira de viver supracitada, e tendo chegado aos meus doze anos, devia a querida Mae com seu es José ir ao Templo, segundo costume e obrigação. Resolveram ir e levar-me também, de acordo com uso, conforme explicarei no capitulo seguinte; Pois minha querida Mãe, aonde ia levava me consigo, sem jamais me deixar. Atingira uma idade na qual não tinha mais necessidade de companhia e de assistência, mas o seu amor nunca lhe permitia deixar-me ou distanciar-se de mim.

EXORTAÇÃO SUA ESPOSA.

Já, esposa minha, entendeste quanto até aquela idade agi no meu íntimo, junto ao Pai em prol do gênero humano. Não te dou outra doutrina, a fim de que nisto possas imitar-me. Segundo requer teu estado e condição, pois são tão claras as obras que te vou manifestando que bem podes apreender e entender como te deves portar no íntimo em relação a meu Pai e a mim, pois sou eu uma mesma coisa com o Pai, e como deves estar sempre orando e, afadigando-te não só por tua salvação, mas também pela do próximo. Embora haja eu feito tudo junto do Pai, contudo apraz-Ihe muito que alguém se afadigue pela salvação do próximo. Este disposto a conceder graças aos que fazem isto em vista de quanto obrei e das súplicas deles. Também muito me alegro por ver que há quem me invite neste exercício tão agradável ao Pai e tão benefício ao próximo. As orações e as súplicas feitas por eles são junto do Pai de grande mérito, por serem obras de caridade interna, onde não estão sujeitas a vanglória, mas tendem todas a uma verdadeira e perfeita caridade, na qual consiste o maior gosto que uma alma pode dar ao Criador. Ele é a própria Caridade. Procura, portanto, imitar-me neste exercício, e além do mérito que terás e do gosto que darás ao Pai e a mim, obterás igualmente muitas graças em prol do próximo. Praticando tão santo exercício, terás grande consolo a hora da morte, por ter gasto tão frutuosamente o tempo a ti concedido. Não terás a pena irremediável, que muitos sofrem naquela hora, de terem gasto mal a tempo, e não terem tratado com seu Deus a respeito da própria salvação eterna e acerca da salvação do próximo.

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