Estudo 35 Mistica Cidade de Deus – Escola da Divina Vontade



CAPÍTULO 5
GRAU PERFEITÍSSIMO DAS VIRTUDES D E MARIA SANTÍSSIMA, E M G E R A L , E MODO COMO AS PRATICAVA.

Definição da virtude* Como as possuía Maria Santíssima

481. A virtude é um hábito que adorna e enobrece a faculdade racional da
criatura, inclinando-a aos bons atos. Chama-se hábito, por ser uma qualidade
permanente, que dificilmente se separa cuja potência, diferente do ato transitório que
não permanece. Inclina as faculdades espirituais para a virtude e facilita-lhes os atos,
tornando-os bons, o que por si só não faz a potência, porquanto ela é indiferente,
para as obras boas ou más.
Desde o primeiro instante de sua existência, Maria Santíssima foi adornada com os hábitos de todas as virtudes
em grau eminentíssimo. Continuamente foram aumentando, com nova graça e
com os atos perfeitos com que as exercitava. Cresciam também os altíssimos
merecimentos, procedentes dessas mesmas virtudes que o Senhor lhe infundira.
Nossa Senhora não tinha que vencer más inclinações, mas pôde progredir na virtude

482. As potências desta soberana Senhora não eram desordenadas, nem
tinham que vencer repugnâncias, como temos todos nós, os demais filhos de Adão,
porque não foi atingida nem pela culpa, nem pelo fomes que inclina ao mal e se opõe
ao bem. Suas ordenadas faculdades, tinham, porém, capacidade para, mediante
os hábitos virtuosos, se inclinarem ao melhor e mais perfeito, ao mais santo e
louvável.
Além disto, era criatura passível e pura. Estava sujeita a sentir pena, a inclinar-se ao descanso lícito, a deixar de fazer
algumas obras, pelo menos as de superrogação e, sem culpa, poderia sentir alguma
propensão a não fazê-las. Para vencer esta natural propensão e apetite, ajudaram-na
os perfeitíssimos hábitos das virtudes. Com as inclinações destas, a Rainha do céu
cooperou tão varonilmente, que em nenhum ato frustrou ou impediu a força com
que a moviam e aperfeiçoavam em todas as ações.

Perfeição de suas virtudes infusas e adquiridas

483. Com esta harmonia e beleza de todos os hábitos virtuosos, achava-se
a alma santíssima de Maria tão iluminada, enobrecida e dirigida ao bem e último fim da
criatura; tão fácil, pronta, eficaz e alegre em fazer o bem que, se fôra possível penetrar
com nossa fraca vista aquele sagrado recesso de seu peito, seria para as criaturas
o objeto mais belo, admirável e de maior gozo depois do mesmo Deus.
Tudo estava em Maria Santíssima, como em seu próprio centro e esfera. Suas
virtudes possuíam inteira perfeição, sem que se pudesse dizer; falta-lhe isto para ser
belo e completo. Além das virtudes que recebeu por modo infuso, teve também as
que adquiriu pelo exercício. Nas demais almas, costuma-se dizer que um ato não
pode se chamar virtude, por serem necessários muitos repetidos para adquiri-la. Os
atos de Maria Santíssima, porém, eram tão eficazes, intensos e perfeitos, que um só
deles excedia a todos os das demais criaturas.

De acordo com isto, quais seriam os hábitos que esta divina Senhora adquiriu com suas próprias obras, se seus atos
virtuosos foram tão freqüentes e cada qual no mais perfeito grau de eficiência? A
finalidade do agir também torna o ato virtuoso – porque deve ser bom e bem-feito –
em Maria Senhora nossa, foi Deus o supremo fim de todas as suas obras. Nada fez
sem ser movida pela graça, e sem ter em vista a maior glória e beneplácito do Senhor.

trecho incopíavel do pdf
o quanto possível, o conhecimento de Deus que por elas podia receber, e não o detivessem
de chegar ao Criador e Autor de tudo.

As virtudes teologais e morais em Maria

485, As virtudes infusas são de duas ordens ou classes: na primeira ordem
entram somente as que têm Deus por objeto imediato. Por isto chamam-se teologais:
são a fé, a esperança e a caridade.
Na segunda ordem estão todas as outras virtudes que têm por objeto próximo
algum meio ou bem honesto que conduz a alma ao último fim, a saber, o mesmo Deus.
Estas chamam-se virtudes morais, porque pertencem aos costumes. Ainda que sejam
muitas, ligam-se a quatro centrais, que por isto se denominam cardeais: são a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.
Sobre todas estas virtudes e suas espécies falarei adiante, o que puder, declarando como todas, em geral e em
particular, encontravam-se nas potências da soberana Rainha.
Agora advirto em geral, que nenhuma lhe faltou em grau perfeitíssimo e, com elas, todos os dons do Espírito Santo,
seus frutos e bem-aventuranças. Nenhum gênero de graça e favor necessário para a
belíssima perfeição de sua alma e potências deixou Deus de lhe infundir, desde o
primeiro instante de sua conceição, tanto na vontade como no entendimento, onde
possuiu os hábitos e espécies das ciências.
Para dizê-Io de uma vez, tudo o que de bom lhe pôde dar o Altíssimo, como
à Mãe de seu Filho, sendo Ela pura criatura, tudo lhe foi dado em supremo grau. A isto,
acrescentou-se ainda o crescimento de todas suas virtudes: as infusas, porque as
aumentava com seus merecimentos, e as adquiridas, porque as concebeu e adquiriu
com os intensíssimos e meritórios atos que praticava.

DOUTRINA DA MÃE DE DEUS E VIRGEM SANTÍSSIMA.

Dons conferidos por Deus às criaturas

Minha filha, a todos os mortais, sem exceção, o Altíssimo comunica a
luz das virtudes naturais. Aos que com elas e o auxílio divino se dispõem, lhes concede
as infusas, ao justificá-los pelo batismo.
Autor da natureza e da graça, distribui estes dons, mais ou menos, segundo sua
equidade e beneplácito. No batismo infunde as virtudes da fé, esperança e caridade,
seguidas de outras para que, colaborando com elas, a criatura pratique o bem.
Deste modo, não só conservará os dons recebidos em virtude do sacramento, mas ainda adquirirá outros com
suas próprias obras e merecimentos. Esta seria a suma felicidade dos homens, se
correspondessem ao amor que seu Criador e Redentor lhes manifesta. Aformoseia suas
almas e facilita-lhes, com os hábitos infusos, o virtuoso exercício da vontade. A falta de
correspondência, porém, a tão inestimável benefício, torna-os extremamente infelizes,
pois esta deslealdade constitui a primeira e maior vitória do demônio sobre eles.

Felicidade e recompensa da virtude

487. Quanto a ti, quero que exercites, com incessante diligência, as
virtudes naturais e sobrenaturais. Isto te levará a adquirir os hábitos de outras
virtudes que podes conquistar, mediante freqüentes atos daqueles que, graciosa e
liberalmente, Deus te comunicou. Os dons infusos, unidos aos que a alma
adquire, formam um conjunto de admirável beleza, e adorno de sumo agrado aos
olhos do Altíssimo.
Advirto-te, caríssima, que tendo sido teu Senhor, em tais benefícios,
tão liberal para com tua alma, e tendo-a enriquecido com as ricas jóias de sua
graça, se fores ingrata, tua culpa e responsabilidade serão maiores do que a de
muitas gerações. Pondera a nobreza das virtudes, o quanto ilustram e embelezarn
a alma. Se não tivessem outra utilidade e se não lhes seguisse outra recompensa, somente o possuí-las seria grande
prêmio, em vista de sua própria excelência. O que engrandece, entretanto, as
virtudes é terem por fim último o próprio Deus, a quem conduzem pela perfeição e
verdade que encerram. Alcançando o tão alto prêmio da posse de Deus, fazem a
criatura feliz e bem-aventurada.

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