SE PREPARAR PARA VIVER O AVISO NA DIVINA VONTADE


– Então, não estás sozinho. Quem está sozinho é o pecador.
– Mas posso pecar eu também… – Tu, como discípulo de um grande rabi, certamente sabes quais as condições para que uma ação se torne pecado.
– Tudo, Senhor, é pecado. O homem peca continuamente. Porque os preceitos são mais do que os instantes do dia. E nem sempre o pensamento e as circunstâncias nos ajudam a não pecar.
– Em verdade, as circunstâncias, elas especialmente, muitas vezes nos induzem a pecar. Mas tens tu bem compreendido o conceito de qual seja o principal atributo de Deus?
– Justiça!
– Não.
– O poder.
– Também não.
– … Rigor.
– Antes menos do que nunca.
– No entanto… assim foi no Sinai e depois também… – Naquele tempo, o Altíssimo foi visto por entre raios fulminantes. Eles cingiam com auréolas tremendas o rosto do Pai e Criador. Em verdade, vós não conheceis o rosto de Deus. E se conhecêsseis o espírito dele, saberieis que o principal atributo dele é o Amor misericordioso.
– Eu sei que o Altíssimo nos amou. Que nós somos o povo eleito. Mas servir-lhe é difícil.
– Se tu sabes que Deus é Amor, como é que dizes que servir-lhe é difícil?
– Porque, pecando, nós perdemos o seu amor.
– Antes Eu te perguntei se sabes as condições sob as quais uma ação se torna pecado.
– Quando não é alguma ação de acordo com os seiscentos e treze preceitos, nem com as tradições, as decisões, os costumes, as bênçãos e orações, além das dez disposições da Lei, ou então não é como os escribas ensinam estas coisas, então é pecado.
– Mesmo quando o homem não o faz com plena advertência e perfeito consentimento da vontade?
– Mesmo assim. Por isso, quem é que pode dizer: “Eu não peco?”
Quem ao morrer, pode esperar ter paz no Seio de Abraão?
471.7 – Os homens são perfeitos em seus espíritos?
– Não. Porque Adão pecou, e nós temos aquela culpa em nós. E ela nos torna fracos. O homem perdeu a Graça do Senhor, a única força pela qual podíamos regular-nos… – E o Senhor sabe disso?
– Ele sabe tudo.
– E então tu achas que Ele não tem misericórdia, levando em conta as coisas que enfraquecem o homem? Achas tu, então, que Ele vai exigir dos pecadores o que Ele podia exigir do primeiro Adão? Nisto é que está a diferença que vós não levais em conta. Deus é Justiça, sim. É poder, sim.
Pode ser até rigor para com o impenitente, que continua em seu pecado.
Mas, quando Ele vê que um dos seus meninos, todos são meninos nesta Terra, pois a vida aqui é apenas uma hora da eternidade para o espírito, o qual se torna adulto pelo exame espiritual de sua maioridade, no Juízo Particular, quando Ele vê que um dos seus meninos falta, porque está descuidado, porque é lerdo em saber discernir, porque é pouco instruído, porque é fraco em alguma coisa ou em muitas coisas, pensas tu que o Pai Santíssimo o possa julgar com um rigor inexorável? Tu o disseste. O homem perdeu a Graça, a força para reagir à tentação e aos apetites. E Deus sabe disso. Não é preciso ficar tremendo por medo de Deus, nem evitá-lo, como fez Adão depois da culpa. O que é preciso é recordar-se de que Ele é Amor. O seu rosto resplandece sobre os homens, mas não para reduzi-los a cinzas, mas, sim, para confortá-los, como o sol nos conforta com seus raios.
O Amor, não o rigor, é o que é irradiado por Deus. São raios de sol e não uma chuva de flechas fulminantes. E, afinal… que é que por Si mesmo o Amor impôs? Terá sido alguma carga insuportável? Será algum código com uma infinidade de capítulos, que facilmente se esquecem? Não. Mas somente os dez Mandamentos. Por que se há de levar o homem como um animal freado, um poldro que, se não estiver freado, vai para sua própria ruína? Mas, quando o homem estiver salvo, quando lhe for dada de novo a Graça, quando chegar o Reino de Deus, isto é, o Reino do Amor, aos filhos de Deus e aos súditos do Rei será dada somente uma ordem, e nela estará tudo: “Ama ao teu Deus com tudo o que és e tens, e ao teu próximo como a ti mesmo!” Por que tu crês, ó homem, que Deus-Amor não pode tornar mais leve o jugo, até torná-lo suave, e que o amor tornará fácil o serviço de Deus não mais temido, mas amado? Amado somente, amado por Si mesmo e amado em nossos irmãos. Como será simples a última Lei. Assim como Deus é perfeito em sua simplicidade. Escuta: ama a Deus com tudo o que és e que tens, ama ao teu próximo como a ti mesmo. Medita nisto. Aqueles pesados seiscentos e treze preceitos e todas as orações já não está tudo contado nestas duas frases, livrando-vos das cavilações inúteis, que não são religião, mas escravidão diante de Deus? Se amas a Deus, certamente tu o honras em todas as horas. Se amas ao próximo, certamente não lhe fazes nada que lhe cause sofrimento. Tu não mentes, não roubas, não matas nem feres, não és adúltero. Não é assim?
471.8 – Assim é…
(43) 4o. – “Minha filha, do amor devorador passa a olhar meu Amor obrante. Cada alma concebida
me levou o fardo de seus pecados, de suas fraquezas e paixões, e meu Amor me ordenou tomar o
fardo de cada uma, e não só concebi as almas, mas as penas de cada uma, as satisfações que
cada uma delas devia dar a meu Celestial Pai. Assim que minha Paixão foi concebida junto
Comigo. Olhe-me bem no seio de minha Celestial Mamãe. Oh como minha pequena Humanidade
era rasgada, olhe bem como minha pequena cabeça está circundada por uma coroa de espinhos,
que cingindo-me forte as têmporas me faz derramar rios de lágrimas dos olhos, e não posso me
mover para secá-las. Ah, move-te a compaixão de Mim, seca-me os olhos de tanto pranto, tu que
tens os braços livres para me poder fazer isso, estes espinhos são a coroa dos tantos
pensamentos maus que se amontoam nas mentes humanas, oh, como me picam mais estes
pensamentos que os espinhos que produz a terra, mas olhe que longa crucificação de nove meses,
não podia mover nem um dedo, nem uma mão, nem um pé, estava aqui sempre imóvel, não havia
lugar para poder me mover um pouquinho, que longa e dura crucificação, com o agregado de que
todas as obras más, tomando a forma de pregos, me trespassavam mãos e pés repetidamente”. E
assim continuava a me contar pena por pena todos os martírios de sua pequena Humanidade, e
que querer dize-la todas seria muito extenso.
Volume 1

3-24
Janeiro 3, 1900

A paz.

(1) Continuo a ver-me toda cheia de misérias, e não só isso, mas também inquieta. Parece-me que
todo o meu interior foi posto em armas pela perda de Jesus. Estava pensando entre mim, que
meus grandes pecados tinham me merecido que meu adorável Jesus me tivesse deixado, e por
isso não o veria mais. Oh, que morte cruel é este pensamento para mim! É mais, pensamento mais
impiedoso que qualquer morte. Não ver mais Jesus! Não ouvir mais a suavidade de sua voz!
Perder Aquele do qual depende minha vida e do qual me vem tudo bem! Como poder viver sem
Ele? Ah, se eu perder Jesus para mim tudo acabou! Com estes pensamentos sentia uma agonia
de morte, todo o meu interior transtornado porque amava a Jesus, e Ele, num lampejo de luz,
manifestou-se à minha alma dizendo-me:
(2) “Paz, paz, não queiras perturbar-te. Assim como uma flor odorosa perfuma o lugar onde se põe,
assim a paz enche de Deus a alma que a possui”.
(3) E como relâmpago se foi. Oh Senhor, quão bom és com esta pecadora, e em confiança te digo
também: Como és impertinente, pois nada menos devo perder-te a ti, e nem sequer queres que me
perturbe ou me inquiete, e se o faço, fazes-me entender que eu mesma afasto-me de Ti, porque
com a paz me encho de Deus e com a minha inquietação me encho de tentações diabólicas. ¡ Oh
meu doce Jesus, quanta paciência se necessita contigo, porque qualquer coisa que me aconteça,
nem sequer posso me inquietar, nem me perturbar, senão que queres que esteja em perfeita
calma e paz.

Então um pensamento me disse: “E se
você for ao inferno?” E eu, para não chamar o demónio a combater-me, logo o rejeitei dizendo:
“Pois bem, também do inferno enviarei os meus suspiros ao meu doce Jesus, também ali quero
amá-lo”. Enquanto eu estava nestes e outros pensamentos, que seria muito longa a história se eu
os dissesse todos, o amável Jesus por pouco tempo fez-se ver, mas com um aspecto sério, e
disse-me:
(2) “Ainda não chegou o teu tempo”.
(3) Depois, com uma luz intelectual me fazia compreender que na alma tudo deve estar arrumado.
A alma possui muitos pequenos apartamentos onde cada virtude toma seu lugar, e se bem se pode
dizer que uma só virtude contém em si todas as demais, e que a alma possuindo uma só, é
cortejada por todas as outras virtudes; mas apesar disso todas são distintas entre elas, tanto, que
cada uma tem seu lugar na alma, e eis que todas as virtudes têm seu princípio no mistério da
Santíssima Trindade, que enquanto é Uma, são Três Pessoas distintas, e enquanto são Três são
Uma. Compreendia também que estes apartamentos na alma, ou estão cheios de virtude ou do
vício oposto àquela virtude, e se não está nem a virtude nem o vício, ficam vazios. Parecia-me
como uma casa que contém muitos quartos, todos vazios, ou uma cheia de serpentes, outra de
lama, outra cheia de alguns móveis cobertos de pó, outra escura. Ah Senhor, só Você pode pôr em
ordem minha pobre alma!
Volume 3 -31

3-85
Junho 20, 1900

A humildade mais perfeita produz na alma a união mais íntima com Deus.

(1) Esta manhã, estando fora de mim mesma e não encontrando meu Sumo Bem, tive que girar e
girar em busca Dele; quando me cansei até sentir desfalecer, senti-o atrás de minhas costas, que
me sustentava. Então estendi o braço e o puxei para a frente dizendo: “Meu amado, sabes que não
posso ficar sem Ti, não obstante me fazes esperar tanto, até me fazer desmaiar. Diz-me pelo
menos, qual é a causa, em que te ofendi que me submetes a dilacerações tão cruéis, a martírios
tão dolorosos como é a tua privação?” E Jesus interrompendo o meu discurso disse-me:
(2) “Minha filha, minha filha, não acrescente mais rasgos ao meu coração exacerbado ao máximo,
pois se encontra em contínua luta pelas violências que constantemente todos me fazem: Violência
me fazem as iniqüidades dos homens, que atraindo sobre eles a justiça me forçam a puni-los, e a
justiça pondo-se em contínua luta com o amor que tenho pelos homens, rasga-me o coração de
modo tão doloroso, de me fazer morrer continuamente; violência me fazes tu, porque vindo Eu e
conhecendo tu os castigos que estou enviando, não estás quieta, não, mas que me força, me faz
violência e não quer que castigue, e sabendo Eu que você não pode fazer de outra maneira ante
minha presença, para não expor meu coração a uma luta mais feroz, me abstenho de vir. Por isso
não me violentes para me fazeres vir agora; deixa-me desabafar a minha ira, e não queiras
aumentar as minhas penas com as tuas palavras. Quanto ao resto não quero que pense, porque a
humildade mais perfeita, mais sublime, é a de perder toda razão e não discorrer sobre o porquê e
do como, mas se desfazer no próprio nada, e enquanto a alma faz isto, sem adverti-lo encontra-se
perdida em Deus, e isto produz nela a união mais íntima, o amor mais perfeito para o sumo Bem.
Isto com sumo proveito da alma, porque perdendo a própria razão adquire a razão divina, e perdendo todo pensamento sobre si mesma, isto é, se está fria ou quente, se são favoráveis ou adversas as coisas que lhe acontecem, se interessará e adquirirá uma linguagem toda celestial e divina.
(3) Além disso, a humildade produz na alma uma vestidura de segurança, pelo que envolta neste vestido de segurança, a alma está na calma mais profunda, embelezando-se toda para agradar ao seu querido e amado Jesus”.
(4) Quem pode dizer como fiquei surpreendida por este falar de Jesus? Não tive nem uma palavra para responder. Pouco depois desapareceu e eu me encontrei em mim mesma, quieta, sim, mas aflita no máximo, primeiro pelas aflições e lutas nas quais se encontrava meu amado Jesus, e depois pelo temor de que não viesse. Quem poderá resistir? Como farei para suportar a mim
mesma por sua ausência? Ah! Senhor, dá-me a força para suportar tão duro martírio, tão
insuportável a minha pobre alma! De resto, diga o que quiser, porque por mim não deixarei nenhum
meio, tentarei todos os caminhos, usarei todos os estratagemas para atraí-lo para que venha.

3-87
Junho 27, 1900

A alma deve reconhecer-se em Jesus, não em si mesma.

(1) Continuo adormecida. Esta manhã por poucos minutos me encontrei acordada e compreendia
meu estado miserável, sentia a amargura da privação de meu sumo e único Bem; apenas pude
derramar duas lágrimas lhe dizendo: “Meu sempre bom Jesus, como é que não vem? Estas são
coisas que não se fazem, ferir a uma alma de Ti e depois deixá-la. E além disso, para não lhe dar a
conhecer o que faz, deixa-a em poder do sonho. Ah, venha, não me faça esperar tanto!” Enquanto
isso e outros desatinos mais disse, em um instante veio e me transportou para fora de mim mesma;
e como eu queria lhe dizer meu pobre estado, Jesus impondo-me silêncio me disse:
(2) “Minha filha, o que quero de ti é que não te reconheças mais em ti mesma, senão que te
reconheças somente em Mim; assim que de ti não te recordarás mais, nem terás mais
reconhecimento de ti, senão te lembrarás de Mim, e te desconhecendo a ti mesma adquirirás só
meu reconhecimento, e à medida que te esqueceres e te destruíres a ti mesma, assim avançarás
em meu conhecimento e te reconhecerás somente em Mim, quando tiveres feito isto, não mais
pensará com a tua mente, mas com a minha, não olharás com os teus olhos, não falarás mais com
a tua boca, nem palpitarás com o teu coração, nem trabalharás com as tuas mãos, nem andarás
com os teus pés, mas com tudo o que é meu, para te reconheceres somente em Deus, a alma tem
necessidade de ir à sua origem e voltar ao seu princípio, Deus, isto é, de onde veio, e que se
uniformiza toda a si mesma ao seu Criador; e que tudo o que detém de si mesma e que não é
conforme ao seu princípio, deve desfazê-lo e reduzi-lo a nada. Só assim, nua, desfeita, pode voltar
à sua origem e reconhecer-se só em Deus, e agir segundo o fim para o qual foi criada. Eis aqui
então que para uniformizar-se toda em Mim, a alma deve tornar-se indivisível Comigo”.
(3) Enquanto dizia isto, via o terrível castigo das plantas secas e como deve avançar mais. Mal
pude dizer: “Ah! Senhor, como farão as pobres pessoas?” E Ele, para não me prestar atenção,
como um relâmpago fugiu e desapareceu. Quem pode dizer a amargura de minha alma ao
encontrar-me em mim mesma, por não haver podido dizer nem sequer uma palavra por mim e por
meu próximo, e pela tendência ao sono, porque de novo estou nesse estado.

(4) 2o Humildade profunda, pondo-te diante de Mim e das criaturas como a última de todas.
(5) 3o Pureza em tudo, porque qualquer mínima falta de pureza, tanto no amar como no agir, tudo
se reflete no coração, e este fica manchado, por isso quero que a pureza seja como o orvalho
sobre as flores ao despontar do sol, no qual se refletem os raios, transmuta essas pequenas gotas
como em tantas pérolas preciosas que encantam as pessoas. Assim todas suas obras,
pensamentos e palavras, batidas e afetos, desejos e inclinações, se adornadas pelo orvalho
celestial da pureza, tecerá um doce encanto não só aos olhos humanos, mas a todo o Empíreo.

(7) Depois acrescentou: “Deves saber que de agora em diante viverás com meu coração, e deves
entendê-lo a modo de meu coração, para encontrar em ti minhas complacências, por isso te
recomendo, porque não é mais teu coração, senão meu coração”.
Volume 4 – 35

4-126
Abril 16, 1902
Modo de reprimir as paixões. A importância dos primeiros movimentos delas

(1) Esta manhã meu adorável Jesus não vinha, então eu, não vendo-o vir, disse: “O que estou
fazendo neste estado, se o objeto que me encantou não vem mais? É melhor acabar logo com
isso”. Enquanto dizia isto, o meu doce Jesus veio por pouco e disse-me:
(2) “Minha filha, todo o ponto está em reprimir os primeiros movimentos, se a alma está atenta a
isto, tudo irá bem; se não, aos primeiros movimentos não reprimidos sairão fora as paixões, e
romperão a força divina, que como perto circunda a alma para tê-la bem guardada e afastada pelos
inimigos que sempre buscam insinuar e danificar a pobre alma; mas se assim que os adverte entra
em si mesma, humilha-se, arrepende-se e com coragem põe remédio, a força divina se fecha de
novo em torno da alma; mas se não põe remédio, A força divina já foi quebrada, dará lugar a todos
os vícios. Por isso está atenta aos primeiros movimentos, pensamentos, palavras que não sejam
retos e santos, porque se se te escapam os primeiros, não é mais a alma que reina, mas as
paixões, se queres que a força não te deixe só um só instante”.

5-19
Outubro 3, 1903

(1) Enquanto eu estava pensando na hora da Paixão, quando Jesus se despediu de sua Mãe para

ir à morte e se abençoaram mutuamente, e estava oferecendo esta hora para reparar por aqueles
que não abençoam em cada coisa o Senhor, mas o ofendem, para impedir todas as bênçãos que
são necessárias para nos conservar na graça de Deus e para preencher o vazio da glória de Deus,
como se todas as criaturas o abençoassem. Enquanto fazia isto, senti-o mover-se em meu interior,
e dizia:
(2) “Minha filha, no ato de abençoar a minha Mãe tentei abençoar também a cada uma das
criaturas em particular e em geral, de modo que tudo está abençoado por Mim: Os pensamentos,
as palavras, os batimentos, os passos, os movimentos feitos por Mim, tudo, está avalizado com
minha bênção. Também te digo que todo o bem que fazem as criaturas, tudo foi feito por minha
Humanidade, para fazer que todo o obrar das criaturas fosse primeiro divinizado por Mim. Além
disso, a minha vida continua ainda real e verdadeira no mundo, não só no Santíssimo Sacramento,
mas também nas almas que se encontram na minha Graça, e sendo muito restrita a capacidade da
criatura, não podendo tomar de uma só tudo o que eu fiz, faço de maneira que uma alma continue
meus reparos, outra os louvores, alguma outra o agradecimento, alguma outra o zelo da saúde das
almas, outra meus sofrimentos e assim de tudo o mais, e segundo me correspondam assim
desenvolva minha vida nelas, assim que pense em que estreias e penas me põem, pois enquanto
Eu quero obrar neles, eles não me fazem caso”.
(3) Dito isto desapareceu, e eu encontrei-me em mim mesma.

(2) “Minha filha, por que te ocupas em pensamentos inúteis e em coisas que não existem? Deves
saber que há três títulos diante de Mim que como três cordas me amarram por toda parte e me
estreitam mais intimamente a ti, de modo que não posso deixar-te, e são: sofrimentos assíduos,
reparação perpétua, amor perseverante. Se você como criatura é contínua nisto, talvez o Criador
seja menos que a criatura? Ou se deixará vencer por ela? Isto não é possível”.
Volume 6-30

8-3
Julho 1, 1907

Na Divina Vontade se esquecem os pecados.

(1) Estava lendo sobre uma santa que sempre pensava nas próprias culpas, e que pedia a Deus dor e
perdão. E eu no meu íntimo dizia: “Senhor, que diferença entre esta santa e eu, eu nunca penso nos
pecados, e ela que sempre pensa neles, vê-se que me enganei”. Nesse instante o senti mover-se em meu
interior e se fez como um relâmpago de luz em minha mente, e ouvi que me diziam:
(2) “Néscia, néscia que és, não queres entendê-lo? Quando minha Vontade produziu pecados, imperfeições?
Minha Vontade é sempre santa, e quem vive nela já fica santificado, e goza, alimenta-se e pensa em tudo o
que a minha Vontade contém, e ainda que no passado tenha cometido pecados, encontrando-se na beleza,
na santidade, na imensidão dos bens que contém a minha Vontade, esquece o feio do seu passado e
recorda-se só do presente, com a condição de que não saia de meu Querer; mas se chegar a sair,
regressando ao próprio ser, não é de admirar que recorde pecados e misérias. Tenha presente em sua
mente que em minha Vontade não entram nem podem entrar estes pensamentos de pecados e de si mesma,
e se a alma os sente significa que não é estável nem está fixa dentro de Mim, senão que se dá suas
escapadas”.
(3) Encontrando-me depois no meu habitual estado, assim que o vi disse-me:
(4) “Minha filha, a verdade, por quanto for perseguida, não se pode fazer menos que reconhecer que é
verdade, e chegará o tempo em que essa mesma verdade perseguida virá a ser reconhecida e amada.
Nestes tristes tempos tudo é falsidade e dobra, e para fazer com que a verdade possa governar, o homem
necessita ser castigado e destruído; e estes golpes, parte eles mesmos se darão e se destruirão
mutuamente, outros virão de Mim, especialmente para a França, onde haverá grande mortalidade, tanto, que
ficará quase despovoada”.

Minha Vida oculta foi vítima de todo o interior do homem, assim que deu satisfação pelos pensamentos, desejos, tendências, afetos
maus. Tudo o que o homem faz exteriormente, não é outra coisa que o desabafo de seu interior,
e se tanto mal se vê no exterior, o que será do interior? Assim, muito me custou refazer o interior
do homem, basta dizer que nisso empreguei a prolixidade de trinta anos; o meu pensamento, o
bater do meu coração, o respiro, os desejos, estavam sempre dedicados a correr para o
pensamento, o bater do coração, o respiro, o desejo do homem para repará-los, para santificá-
los e para dar satisfação por eles; é assim como o escolho a ele vítima para este ponto de minha
Vida oculta, Então eu quero todo o seu interior unido Comigo e oferecido a Mim para me dar
satisfação pelo interior malvado das outras criaturas; e muito a propósito o escolho para isto, pois
sendo ele sacerdote conhece mais que os demais o interior das almas, a lama, a podridão que
há dentro delas, e por isso pode conhecer melhor quanto me custou este meu estado de vítima,
no qual quero que tome parte, e não só ele, mas também os demais que ele conhece e trata.
Minha filha, diga-lhe que lhe faço uma grande graça aceitando-o como vítima, porque fazer-se
vítima não é outra coisa que um segundo batismo, mas sim, mais que o batismo, porque se trata
de ressurgir em minha própria Vida, e devendo a vítima viver Comigo e de Mim, me é necessário
lavar de toda mancha, dando-lhe um novo batismo e reafirmá-la na graça para poder admiti-la a
viver Comigo, assim que de agora em diante tudo o que ele faça não dirá que é coisa sua, senão
minha, assim que se reza, se fala, se obra, dirá que são coisas minhas”.
Volume 11-10

(5) Depois ele adicionou: “Meu Amor é fogo, mas não como o fogo material que destrói as coisas
e as converte em cinzas, meu fogo vivifica, aperfeiçoa, e se queima e consome o faz com tudo o
que não é santo, os desejos, os afetos, os pensamentos que não são bons: esta é a virtude de
meu fogo: Queima o mal e dá vida ao bem; assim que a alma não sente em si nenhuma
tendência ao mal, pode estar segura de que está nela meu fogo, mas se sente em si fogo e
mistura de mal, há muito que duvidar que seja meu verdadeiro fogo”.
Volume 11-52

Em vez de te afligir deverias alegrar-te, porque
quando tu meditavas e tantas belas reflexões surgiam em tua mente, tu não fazias outra coisa
que tomar de Mim parte de minhas qualidades e de minhas virtudes; agora, tendo ficado só o
poder unir-te e ensimesmar te a Mim, tomas de Mim tudo, e não sendo boa para nada, Comigo
és boa para tudo, porque Comigo queres o bem de todos, e só com o desejar, o querer o bem,
produz na alma uma fortaleza que a faz crescer e a fixa na Vida Divina. Além disso, ao unir-se e
ensimesmar-se Comigo, une-se com minha mente, e assim tantas vidas de pensamentos santos
produz nas mentes das criaturas; conforme se une com meus olhos, assim produz nas criaturas
tantas vidas de olhares santas; assim, se se unir à minha boca, dará vida às palavras; se se unir
ao meu coração, aos meus desejos, às minhas mãos, aos meus passos, assim a cada batida
dará uma vida, vida aos desejos, às ações, aos passos, mas vidas santas, porque contendo em
Mim o poder criador, Junto comigo a alma cria e faz o que eu faço. Agora, esta união Comigo,
parte por parte, mente por mente, coração por coração, etc., produz em ti, em grau mais alto, a
Vida da minha Vontade e do meu Amor, e nesta Vontade vem formado o Pai, no Amor o Espírito
Santo, e do obrar, das palavras, das obras, dos pensamentos e de tudo o mais que pode sair
desta Vontade e deste Amor vem formado o Filho, e eis a Trindade nas almas, portanto, se
devemos agir, é indiferente operar na Trindade no Céu ou na Trindade das almas na terra. Eis
por que te vou tirar todo o resto, ainda que coisas boas e santas, para poder te dar o mais bom e
o mais santo, que sou Eu mesmo, e poder fazer de ti outro Eu mesmo, quanto a criatura é
possível. Creio que não te lamentarás mais, não é verdade?”
(3) E eu: “Ah, Jesus, Jesus! Eu, por outro lado, sinto que me tornei má, má, e o maior mal é que
não sei encontrar esta minha maldade, porque encontrando-a, pelo menos faria o que posso
para a tirar”.
(4) E Jesus: “Basta, basta, tu queres adentrar-te demasiado no pensamento de ti mesma, pensa
em Mim e Eu pensarei na tua maldade, entendeste?”
Volume 11 – 55

 

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