A Vida Interior junto à Busca da Vida na Graça


A vida interior, se pode facilmente comprender, Jesus teve também essa vida interior conforme Ele mesmo nos fala no livro a Vida Intima de Ns Jesus Cristo em seu prólogo dado a Monja Maria Cecilia Baij: ¨Duas são as vidas que tem o homem sobre a terra, isto é, uma é a exterior, a vida ativa: e a outra é a interior, a contemplativa. Uma é manifesta a todos, a outra apenas a mim. Estas duas vidas, no entanto, são tão unidas que, quando bem conjugadas, uma não impede o exercício da outra. E, quando o viver, seja de uma ou de outra, é dirigido para minha maior glória, são de tal maneira unidas que qualquer pessoa pode conhecer pela perfeição de uma a sublimidade da outra; de fato, percebereis nesta obra de vida interior, como se lhe coaduna também a exterior. Ainda que minha vida exterior fosse desdenhada pelos ímpios, era aplaudida e admirada pelos justos e agradava muito a meu Pai eterno, como efetivamente o testemunhou no Jordão e no Tabor com as palavras: “Este é o meu filho amado, no qual ponho as minhas complacências” (Mt. 3:17).

A Vida Interior é a forma elevada de uma convivência íntima que cada um tem consigo mesmo e com Deus. O homem fala interiormente consigo mesmo sobre qualquer assunto que o preocupe. Essa conversa varia muito de acordo com os diferentes períodos da vida; a do velho não é a mesma que a do jovem; também é muito diferente dependendo se o homem é bom ou mau. Assim que o homem busca seriamente a verdade e o bem, essa conversa íntima consigo mesmo tende a se transformar em uma conversa com Deus, que é quem esclarece tudo e nos lembra de tudo o que Cristo nos deixou, e aos poucos, ao invés de se buscar em todas as coisas, ao invés de cuidar, consciente ou inconscientemente, para se tornar o centro de tudo o mais, o homem tende a buscar Deus em tudo e sua verdade, substituindo o egoísmo pelo amor de Deus e pelo amor das almas em Deus. E esta é precisamente a vida interior frutífera; ninguém que fala com sinceridade deixará de reconhecer que é assim. A única coisa necessária que Jesus falou a Marta e Maria é ouvir a palavra de Deus e viver de acordo com ela. A vida interior assim entendida é em nós algo muito mais profundo e necessário do que a vida intelectual ou o cultivo das ciências, mais do que a vida artística e literária, mais do que a vida social ou política.

A vida interior do justo que tende para Deus e que já vive dele é certamente a única coisa necessária; Para ser santo não é necessário ter recebido uma cultura intelectual ou possuir uma grande atividade externa; é o suficiente o viver profundamente de Deus. Se sacrificamos tantas coisas para salvar a vida do corpo, que finalmente tem que morrer. O que não devemos sacrificar para salvar a vida da alma que viverá para sempre? Não deveria o homem amar sua alma mais do que seu corpo? “O que não será justo para o homem dar em troca de sua alma?”

O que acabamos de expor é verdade em todos os momentos. Mas a questão da vida interior se coloca hoje de forma mais urgente do que em outros tempos menos turvos que os nossos. A razão é que muitos homens se afastaram de Deus e tentaram organizar a vida intelectual e a vida social sem Ele. Conseqüentemente, os grandes problemas que sempre preocuparam a humanidade tomaram um novo rumo, às vezes trágico. Querer prescindir (se desligar) de Deus, causa primeira e fim último do homem, conduz à separação eterna de Deus; e não leva apenas ao isso, mas também à miséria física e moral e infelicidade já aqui na terra.

Quando o homem não quer se corresponder intimamente com seu criador, ele vira as costas à realidade suprema e surge uma infinidade de problemas para os quais não é possível encontrar uma solução, exceto voltando ao problema fundamental das relações íntimas da alma com Deus. Alguém já ouviu isso muitas vezes: em nossos dias, a ciência finge ser uma religião; por sua vez, o socialismo e o comunismo querem ser uma moralidade científica e se apresentar como um apaixonado culto à justiça. E dessa forma eles se esforçam para cativar espíritos e corações. É um fato, na hora presente, que o sábio moderno presta culto escrupuloso ao método científico, de tal forma que parece mais interessado no método do que na própria verdade; se ele devotasse vigilância semelhante à isso também à vida interior, ele logo se tornaria um santo. Mas muitas vezes esta religião da ciência é direcionada mais para a idolatria do homem do que para o amor e gratidão à Deus. O mesmo deve ser dito da atividade social, particularmente como ela se manifesta no socialismo e no comunismo; pois é inspirado por uma mística que tenta aspirar a uma transfiguração do homem, às vezes negando, da forma mais absoluta, os direitos de Deus que realmente é responsável por todas as coisas.

Isso equivale a dizer que no fundo de todo grande problema está a grande questão do relacionamento do homem com Deus. E não há meio-termo; você tem que decidir a favor ou contra. Nosso tempo é um exemplo palpável. A crise econômica mundial da atualidade nos permite entender o que os homens podem fazer quando desejam viver sem Deus. Quando tentam viver sem Deus, a seriedade da vida muda. Se a religião não é algo sério e digno de consideração, devemos procurar em outro lugar algo sério e fundamental. E é encontrado, ou pretende ser encontrado, na ciência ou na atividade social. Destina-se a realizar atividades de natureza e sentido religiosos na investigação da verdade científica ou no estabelecimento da justiça entre classes e povos. E depois de alguma tentativa e erro, chega à conclusão de que isso levou a uma imensa catástrofe; e que as relações entre indivíduos e povos estão se tornando mais difíceis, senão impossíveis. É óbvio, como dizem Santo Agostinho e Santo Tomás, que os mesmos bens materiais, ao contrário dos bens espirituais, não podem pertencer plenamente a muitos ao mesmo tempo. Uma casa, um campo não pode pertencer simultaneamente na sua totalidade a muitos homens, nem o mesmo território a diferentes povos. Daí o terrível conflito de interesses quando os homens colocam apaixonadamente seu último fim nesses bens inferiores. Pelo contrário, apraz-se Santo Agostinho repetir, bens espirituais idênticos podem pertencer simultânea e integralmente a cada um. Sem nos limitarmos, podemos possuir plenamente a mesma verdade, a mesma virtude e o mesmo Deus. É por isso que Nosso Senhor nos diz: Buscai o reino de Deus e tudo o mais ser-vos-á dado também (Mt, VI, 33). Deixar de dar ouvidos a esta lição é trabalhar na própria ruína. ¨Se Deus não constrói a casa, aqueles que trabalham em vão eles a levantam; se Deus não guarda a cidade, a sentinela fica em alerta em vão. ” Se o que é sério na vida muda, se deixa de influenciar nossos deveres para com Deus e apenas nos empurra para a atividade científica ou social;

Se o homem está constantemente procurando por si mesmo em vez de procurar Deus que é seu objetivo final, então os fatos não demoram muito para mostrar que ele embarcou em um caminho impossível que leva não apenas a lugar nenhum, mas a uma confusão já insuportável e miséria. É preciso voltar a esta palavra do Salvador: quem não está comigo está contra mim; Quem não ajunta comigo, espalha (Mt, XII, 20). Os fatos o confirmam. Segue-se daí que a religião não pode dar uma resposta efetiva e verdadeiramente realista aos grandes problemas atuais, enquanto não for uma religião profundamente vivida; o que uma religião barata e superficial não pode fazer, consistindo em algumas orações vocais e algumas cerimônias nas quais a arte religiosa teria mais lugar do que a verdadeira piedade. Ora, não há religião vivida profundamente se for privada da vida interior ou daquela conversa íntima e frequente, não só consigo mesma, mas com Deus. É o que ensinam as últimas Encíclicas de SS Pio XI. Responder às aspirações gerais dos povos, naquilo que há de bom neles; às aspirações por justiça e caridade entre indivíduos, classes e povos, O Supremo Pastor escreveu as suas Encíclicas sobre Cristo Rei, sobre a sua influência santificadora sobre todo o seu corpo místico, sobre a família, sobre a santidade do casamento cristão, sobre as questões sociais, sobre a necessidade de reparação, sobre as missões. Em todos eles se trata do reinado de Cristo na humanidade.

Sendo a vida interior uma forma cada vez mais consciente da vida da graça em todas as almas generosas, trataremos primeiro da vida da graça para compreender plenamente o seu valor. Vamos agora examinar em que consiste o organismo espiritual das virtudes infundidas e dos dons do Espírito Santo, que existem graças à graça santificadora em todas as almas justas. Assim, seremos naturalmente levados a falar da habitação da Santíssima Trindade na alma dos justos e também da influência constante exercida sobre ela por Nosso Senhor Jesus Cristo, mediador universal, e Maria, mediadora de todas as graças. Essas são as fontes da vida interior; Essas nascentes são encontradas muito altas, assim como as nascentes dos rios nascem nas montanhas mais altas. E por isso que desce do muito alto, a nossa vida interior pode subir a Deus e conduzir-nos a uma união muito íntima com Ele. Nesta primeira parte, depois de haver tratado das fontes da vida interior, faremos também com o seu fim, isto é, com a perfeição cristã à qual está ordenada aquela vida interior, e com a obrigação de tender para ela, cada um segundo a sua condição. Em todas as coisas, é necessário em primeiro lugar considerar o fim, porque o fim é o primeiro na intenção, mesmo que seja o último na execução. O fim é a primeira coisa que se tenta, embora seja obtido no último período. Por isso Nosso Senhor Jesus Cristo começou sua pregação falando das bem-aventuranças, e pela mesma razão, a teologia moral começa com o tratado do fim último para cuja realização todas as nossas ações devem ser ordenadas.

A VIDA DA GRAÇA

A vida interior do cristão supõe o estado de graça, que é o oposto do estado de pecado. E no presente plano da Providência, cada alma está em um estado de graça ou em um estado de pecado; Em outras palavras, ou ele está voltado para Deus, o fim supremo sobrenatural, ou ele está voltado para longe Dele. Nenhum homem está no estado puro de natureza, porque todos são chamados a um fim sobrenatural que consiste na visão direta de Deus e na amor que segue essa visão. A humanidade foi ordenada a este fim soberano desde o próprio dia da criação, e, após a queda, o Salvador nos conduz de volta a este mesmo fim, por ter Ele se foi oferecido em holocausto para se enxertar novamente a humanidade à Ele. Assim, a criatura enxertada em Cristo se torna uma nova criatura e passa a produzir os mesmos frutos que Cristo produziu. Sem dúvida, não basta levar uma verdadeira vida interior, estar em estado de graça, como uma criança depois do batismo ou um penitente depois da absolvição dos seus pecados. A vida interior supõe também a luta contra tudo o que nos inclina a voltar ao pecado e uma aspiração constante da alma a Deus. Mas se tivéssemos um conhecimento profundo do estado de graça, entenderíamos que ele não é apenas o início e o fundamento de uma verdadeira vida interior, muito perfeita, mas também o germe da vida eterna.

Para compreender o valor da alma racional que ainda dorme em uma criança, é necessário compreender as possibilidades da alma humana em um homem que atingiu o desenvolvimento intelectual pleno. Do mesmo modo, não nos é dado compreender o preço e o valor da graça santificadora que reside na alma de uma criança batizada, como em todas as dos justos, se não tivermos considerado, ainda que levianamente, qual será o total, ser o desdobramento desta graça na vida da eternidade. É necessário considerar isso, ilustrado pela luz das próprias palavras do Salvador. Essas palavras são espírito e vida e são mais doces ao paladar do que qualquer comentário. A linguagem do Evangelho, o estilo de Nosso Senhor nos colocam em contato mais íntimo com a contemplação do que a linguagem técnica da teologia mais segura e elevada.

A prática do enxerto nas plantas frutíferas ajuda a entender a vida nova que se celebra na Páscoa da ressurreição. Uma planta enxertada em outra, torna-se uma árvore renovada que produzirá frutos mais excelentes. Quem não está enxertado em Cristo produz frutos segundo a sua própria natureza humana, que são aqueles frutos que tanto mal fazem ao mundo que nos cerca: egoísmo, consumismo, narcisismo, vícios, drogas, violência… No Batismo fomos enxertados em Cristo para produzir os frutos que Ele produziu.

Sobre essa expressão Enxertar. Vamos acompanhar o próprio Jesus nos explicando isso nos textos abaixo:

¨Ficai sabendo que a minha alma não vos deixa um só momento. Tereis já visto um médico que estuda um que adoeceu de um mal ainda desconhecido e de sintomas contraditórios? Ele traz o doente sob sua constante observação, depois de cada vez que o visita, e o observa, tanto quando está dormindo, como quando está acordado, de manhã e à noite, quando está calado e quando está falando, porque tudo pode ser sintoma e guia para decifrar qual é a doença escondida, e para indicar o caminho da cura. A mesma coisa faço Eu convosco. Eu vos seguro com fios invisíveis, mas muito sensíveis, que estão enxertados em Mim, e que me transmitem até as mais leves vibrações do vosso eu. Deixo-vos crer que sois livres, para que vos manifesteis sempre mais naquilo que sois, coisa esta que acontece quando um aluno ou um maníaco pensa que o vigilante o perdeu de vista.
98.7 Vós sois um grupo de pessoas, mas formais um núcleo, ou seja, uma só coisa. Por isso, sois um complexo, que toma a forma de um ente, e que é estudado em cada uma das suas características, melhores ou piores, para formá-lo, amalgamá-lo, quebrar-lhe as arestas, aumentá-lo em seus lados poliédricos e fazer dele uma só coisa perfeita. Por isso, Eu vos estudo. E vos estudo até enquanto estais dormindo.
Que é que vós sois? Que é que deveis tornar-vos? Vós sois sal da terra.
Isto é o que deveis tornar-vos: sal da terra. Com o sal se preservam as carnes da corrupção e, com a carne, muitas outras mercadorias. Mas poderia o sal salgar, se não fôsse salgado? Convosco Eu quero salgar o mundo, para torná-lo cheio de um sabor celeste. Mas, como podereis salgar, se perderdes vosso sabor?
Que é que vos faz perder o sabor celeste? O que é humano. A água do mar, do verdadeiro mar, não é boa para se beber, de tão salgada que é, não é verdade? No entanto, se alguém pega um copo de água do mar e o despeja em uma bilha de água doce, eis que pode-se bebê-la, porque a água do mar ficou tão diluída, que perdeu a sua acridez. A humanidade é como a água doce, que se mistura com o vosso sal celeste. Ainda que, por uma suposição, se pudesse derivar um rio do mar, e introduzi-lo na água deste lago, poderíeis vós depois reencontrar aquele fio de água salgada? Não. Ele se teria perdido no meio de tanta água doce. Assim acontece convosco, quando imergis a vossa missão, ou melhor, quando a submergis em tanta humanidade.
Vós sois homens. Sim. Eu sei disso. Mas, e Eu quem sou? Sou Aquele que tem consigo toda força. E, que é que Eu faço? Comunico essa força, depois de vos ter chamado. Mas, que adianta Eu comunicá-la, se vós a dispersais sob uma avalancha de sensualidade e de sentimentos humanos?
Vós sois, deveis ser, a luz do mundo. Eu vos escolhi, Eu, a Luz de Deus, dentre os homens, para continuardes a iluminar o mundo depois que Eu tiver voltado para o Pai. Mas podeis vós dar luz, se sois umas lanternas apagadas ou fumacentas? Não, ao contrário, com a vossa fumaça — pior é a fumaça ambígua do que um pavio já completamente apagado — vós obscureceríeis aquele vislumbre de luz, que os corações ainda possam ter.
Oh! Infelizes daqueles que, procurando a Deus, dirigir-se-ão aos apóstolos e, em lugar de luz, terão fumaça! Terão deles escândalo e morte. Mas maldição e castigo terão esses apóstolos indignos.
98.8 Grande sorte a vossa! Mas também grande, tremenda responsabilidade! Recordai-vos de que aquele, a quem mais é dado, mais está obrigado a dar. E a vós é dado o máximo, tanto a instrução, como os dons. Sois instruídos por Mim, Verbo de Deus, e recebeis de Deus o dom de ser “os discípulos”, ou seja, os continuadores do Filho de Deus. Eu queria que meditásseis sempre sobre essa vossa eleição e também que vos examinásseis, e ainda vos pesásseis… e se alguém se sente que está apto para ser fiel — não quero nem dizer: se alguém não se sente pecador e impenitente; Eu só digo: se alguém se sente apto para ser somente um fiel — mas não sente em si o nervo de apóstolo, que se retire.
O mundo, para quem é seu amante, é tão vasto, bonito, suficiente e variegado! Oferece todas as flores e todos os frutos adequados para o ventre e para a sensualidade. Eu não ofereço outra coisa, senão a santidade. Esta, na terra, é o que há de mais estreito, pobre, íngreme, espinhoso e perseguido. No Céu sua estreiteza se muda em imensidão, sua pobreza em riqueza, sua espinhosidade em tapete florido, o seu ser íngreme em caminho liso e suave, sua perseguição em paz e felicidade. Mas aqui exige-se a fadiga de um herói para ser santos. E Eu vos ofereço só isto.
Quereis permanecer Comigo? Não vos sentis de fazê-lo? Oh! Não vos olheis admirados e angustiados! Vós me ouvireis fazer ainda muitas vezes esta pergunta. E, quando a ouvirdes, pensai que o meu coração chora ao fazê-la, porque ele fica ferido pela vossa surdez, diante da vocação.
Examinai-vos, então, e depois, julgai com honestidade e sinceridade, e decidi-vos. Para não serdes réprobos, decidí. Dizei: “Mestre, amigos, eu reconheço que não fui feito para seguir este caminho. Dou-vos um beijo de despedida e vos digo: rezai por mim.” Melhor assim do que trair. Melhor assim… Que dizeis? Trair a quem? A quem? A Mim. A minha causa, ou seja, a causa de Deus — porque Eu sou um com o Pai — e vós. Sim. Vós trairíeis.
Trairíeis a vossa alma, dando-a a satanás. Quereis permanecer hebreus? Eu não vos obrigo a mudar. Mas não traiais. Não traiais à vossa alma, ao Cristo e a Deus. Eu vos asseguro que nem Eu, nem os que me são fiéis, vos criticarão nem vos exporão ao desprezo das multidões dos fiéis. Há pouco um dos vossos irmãos disse uma grande palavra: “As nossas chagas e as daqueles que nós amamos, procuramos conservá-las escondidas.” E aquele que se separasse seria uma chaga, uma gangrena que, tendo nascido em nosso organismo apostólico, separar-se-ia por gangrena completa, deixando um sinal doloroso que nós, com todo o cuidado, teríamos escondido.
98.9 Não. Não choreis, ó vós, que sois melhores. Não choreis. Eu não guardo rancor de vós, nem sou intransigente por ver que sois tão vagarosos.
Faz pouco tempo que fostes escolhidos e não posso pretender que sejais perfeitos. Mas não o pretenderei nem mesmo daqui a alguns anos, depois de haver dito cem e duzentas vezes as mesmas coisas inutilmente. Ao contrário, ouvi: daqui a alguns anos sereis, ao menos alguns, menos ardentes, do que agora que sois neófitos. A vida é assim… A humanidade é assim… Ela perde o impulso, depois do primeiro salto. Mas (Jesus se ergue de repente), mas Eu vos asseguro que vencerei. Purificados por uma seleção natural, fortificados por uma mistura sobrenatural, vós, os melhores, tornar-vos-eis os meus heróis. Os heróis de Cristo. Os heróis do Céu. A potência dos Césares será um pó, diante da realeza do vosso sacerdócio. Vós, pobres pescadores da Galileia, vós, judeus desconhecidos, vós, números entre a massa dos homens presentes, sereis mais conhecidos, aclamados, venerados do que César e do que todos os Césares que teve e terá a terra. Vós conhecidos, vós benditos, em um futuro próximo e no mais remoto dos séculos, até o fim do mundo.
98.10 A esta sublime sorte Eu vos escolho. Vós, que sois honestos na vontade. E para que dessa sorte sejais capazes, vos dou as linhas essenciais do vosso caráter de apóstolos.
Ser sempre vigilantes e prontos. Que os vossos lombos sejam cingidos, sempre cingidos, e as vossas lâmpadas acesas, como estão as daqueles que, de um momento para outro, devem partir ou correr ao encontro de alguém que chega. E, de fato, vós sois, vós sereis, até que a morte vos pare, os incansáveis peregrinos, em busca de quem está errante; e até que a morte apague a vossa lâmpada, ela deve ser mantida alta e acesa, para indicar o caminho aos desviados que vêm em direção ao aprisco de Cristo.
Fiéis deveis ser ao Patrão, que vos pôs à frente deste serviço. Será premiado aquele servo que o Patrão encontrar sempre vigilante, e que for surpreendido pela morte em estado de graça. Não podeis, não deveis dizer:
“Eu sou jovem. Tenho tempo de fazer isto e aquilo, e depois pensar no Patrão, na morte e na minha alma.” Morrem os novos como os velhos, os fortes como os fracos. E aos assaltos da tentação estão igualmente sujeitos velhos e jovens, fortes e fracos. Olhai que a alma pode morrer antes do corpo, e vós podeis levar, sem saber, andando por aí, uma alma pútrida. Tão insensível é a morte de uma alma! É como a morte de uma flor. Não há grito, não há convulsões… inclina apenas a sua chama, como uma corola cansada, e se apaga. Depois, às vezes muito depois, imediatamente depois outras vezes, o corpo percebe que está levando dentro de si um cadáver cheio de vermes, e torna-se louco de espanto, e se mata para fugir àquele conúbio… Oh! não foge! Cai exatamente com a sua alma cheio de vermes sobre um fervilhamento de serpentes na Geena.
Não sejais desonestos como corretores ou causídicos, que tomam partido por dois clientes opostos. Não sejais falsos como os politiqueiros, que chamam de “amigo” a este e àquele, e depois são inimigos deste e daquele. Não penseis em agir de dois modos. Com Deus não se brinca e nem a Ele se engana. Fazei com os homens como fazeis com Deus, porque uma ofensa feita aos homens é como feita a Deus. Procurai querer que Deus vos veja tais como quereis ser vistos pelos homens.
98.11 Sede humildes. Não podeis censurar o vosso Mestre de não sê-lo.
Eu vos dou o exemplo. Fazei como Eu faço. Humildes, doces, pacientes. O mundo se conquista com isto. Não com violência e força. Fortes e violentos sede contra os vossos vícios. Erradicai-os, mesmo à custa de rasgar pedaços do coração. Eu vos disse, há dias, de vigiar os olhares. Mas vós não sabeis fazer isso. Eu vos digo: seria melhor que tornásseis cegos, arrancando-vos os olhos cobiçosos, do que tornar-vos luxuriosos.
Sede sinceros. Eu sou Verdade. Tanto nas coisas excelsas, como nas humanas. Quero que vós sejais também sinceros. Por que andar com enganos Comigo, ou com os irmãos, ou com o próximo? Por que brincar de enganar? Como? Tão orgulhosos como sois, e não tendes o orgulho de dizer: “Quero não ser apanhado em mentira?” E sede sinceros com Deus.
Credes enganá-lo com formas de orações longas e públicas. Oh! Pobres filhos! Deus vê o coração!
Sede castos em fazer o bem. E também em dar esmola. Um publicano soube sê-lo, antes de sua conversão. E vós não o saberíeis? Sim, Eu te louvo, Mateus, pela casta oferta semanal, que só Eu e o Pai sabíamos que era tua, e te estou citando como um exemplo. Esta também é uma castidade, amigos. Não descubrais a vossa bondade, como não descobriríeis uma filha mocinha, aos olhos de uma multidão. Sede virgens em fazer o bem. É virgem o ato bom, quando ele está isento da união de um pensamento de louvor e de estima ou do estímulo da soberba.
Sede esposos fiéis à vossa vocação a Deus. Não podeis servir a dois patrões. O leito conjugal não pode acolher duas esposas, contemporaneamente. Deus e satanás não podem compartilhar de vossos amplexos. O homem não pode, e não o podem nem Deus nem satanás, partilhar de um tríplice abraço, sendo os três contrários um ao outro.
Sede alheios, tanto da fome de ouro como da fome de carne, da fome da carne como da fome do poder. E isso é o que satanás vos oferece. Oh! As suas mentirosas riquezas! Honras, êxito, poder, riquezas: negócios obscenos, que tem como moeda a vossa alma.
Contentai-vos com pouco. Deus vos dá o necessário. Basta. Isto Ele vos garante, como o garante ao pássaro do céu, e vós sois bem mais do que os pássaros. Mas Ele quer de vós confiança e moderação. Se tiverdes confiança, Ele não vos decepcionará. Se tiverdes moderação, o dom que vos dá cada dia será suficiente.
98.12 Não sejais pagãos, mesmo sendo de Deus só de nome. Pagãos são aqueles que amam o poder e o ouro mais que a Deus, a fim de parecer uns semideuses. Sede santos, e sereis semelhantes a Deus na eternidade.
Não sejais intransigentes. Sendo todos pecadores, sejais para com os outros como gostaríeis que os outros fossem convosco, ou seja, cheios de compaixão e perdão.
Não julgueis. Oh! Não julgueis! Faz pouco tempo que estais Comigo e, no entanto, vede quantas vezes, Eu, inocente, já fui sem razão mal julgado e acusado de pecados inexistentes. O mau juízo é ofensa. E só quem é um verdadeiro santo é que não responde a uma ofensa com outra. Por isso, abstende-vos de ofender, para não serdes ofendidos. Não faltareis assim nem com a caridade, nem com a santa, querida e suave humildade, a inimiga de satanás, junto à castidade.
Perdoai, perdoai sempre. Dizei: “Perdoai-me, ó Pai, para que eu seja por Ti perdoado dos meus infinitos pecados.”
Melhorai-vos de hora em hora, com paciência, com firmeza, com heroicidade. E quem é que vos diz que tornar-vos bons não seja penoso? Ao contrário, Eu vos digo: é a maior de todas as fadigas. Mas o prêmio é o Céu, e merecendo por isso consumar-vos em tal fadiga.
98.13 E amai. Oh! Qual, qual palavra devo dizer para persuadir-vos ao amor? Nenhuma é apta para converter-vos a ele, ó pobres homens, que satanás incita! E, então, eis que Eu vos digo: “Pai, apressa a hora da purificação. Esta terra e este teu rebanho estão áridos e doentes. Mas existe um orvalho que os pode abrandar e purificar. Abre a fonte desse orvalho!
Abri a Mim. Eis, Pai. Eu ardo por fazer o teu desejo que é o meu e do Amor eterno. Pai, Pai, Pai! Olha o teu Cordeiro, e sê o seu Sacrificador.”
Jesus está realmente inspirado. Posto de pé, com os braços abertos em cruz, o rosto voltado para o céu, tendo atrás de si o azul do lago e vestido com sua veste de linho, parece um arcanjo em oração.
Anula-se a minha visão neste seu ato.¨ Cap.98 Valtorta

¨– Disseram-me: “Vem, ó Jesus, abençoar o trabalho do homem.” E Eu vim. Em nome de Deus o abençoo. Porque todo trabalho, se honesto, merece a bênção do Senhor eterno. Mas o disse: A primeira força para obter a bênção de Deus é ser honestos em todas as ações.
Agora vamos olhar juntos como e quando é que as ações são honestas.
Assim são quando são realizadas tendo presente no espírito o eterno Deus.
Poderá alguém pecar, se ele disser: “Deus me vê. Deus tem os seus olhos sobre mim, e não perde nem um particular das minhas ações”? Não. Não pode. Porque o pensamento de Deus é um pensamento salutar, e afasta o homem do pecado, mais do que qualquer outra ameaça humana.
Mas só se deve temer o eterno Deus? Não. Escutai. Foi-vos dito[24]:
“Teme o Senhor teu Deus.” E os Patriarcas tremiam e os Profetas tremiam, quando a face de Deus ou um anjo do Senhor aparecia para seus justos espíritos. E, na verdade, no tempo da ira divina, a aparição do sobrenatural deve fazer tremer o coração. Quem, ainda que seja puro como uma criança, não tremerá diante do Poderoso, diante de cujo fulgor estão os anjos em adoração, prostrados no aleluia paradisíaco? O insustentável fulgor de um anjo, Deus o tempera com o véu piedoso, para conceder ao olho humano olhá-lo, sem ficar com a pupila e a mente queimadas. Que será então ter a visão de Deus?
Mas isto é enquanto dura a ira. Quando tudo isso dá lugar à paz, e o Deus de Israel diz: “Eu prometi. E mantenho o meu pacto. Eis Aquele que mando, e sou Eu, ainda não sendo Eu, mas a minha Palavra, que se faz Carne para ser Redenção”, então ao temor deve suceder o amor, e só amor ao eterno Deus há de ser dado, em alegria, visto que o tempo da paz entre Deus e o homem chegou para a terra. Quando os primeiros ventos da primavera espalham o pólen da flor da vinha, o agricultor ainda deve temer que muitas insídias possam ser armadas contra os frutos, pelas intempéries e pelos insetos. Mas quando chega a hora alegre do vindimar, eis que então cessam todos os temores e o coração jubila na certeza da colheita.
Prenunciado pelas palavras dos profetas, o Rebento da estirpe de Jessé chegou. Agora Ele está entre vós. Cacho abundante, que vos traz o suco da Sabedoria eterna e não pede senão que seja cultivado e espremido, para se tornar Vinho aos homens. Vinho de alegria sem fim para aqueles que Dele se nutrirem. Mas, ai daqueles que, tendo tido este Vinho ao seu alcance, o tiverem rejeitado, e três vezes ai àqueles que depois de se terem alimentado com ele, o tiverem rejeitado ou misturado, em suas entranhas, com os alimentos de Mamon.
108.5 E eis que agora Eu volto ao primeiro conceito. A primeira força para voltar a bênção de Deus, seja nas obras do espírito, como nas obras do homem, é a honestidade das intenções.
É honesto aquele que diz: “Eu sigo a Lei, não para ter por isso o elogio dos homens, mas por fidelidade a Deus.” É honesto aquele que diz: “Eu sigo a Cristo não pelos milagres que Ele faz, mas pelos conselhos de vida eterna que me dá.” É honesto aquele que diz: “Eu trabalho, não pela avidez de lucro, mas porque o trabalho também foi colocado por Deus como um meio de santificação, por seu valor formativo, mortificativo, preservativo e elevatório. Eu trabalho para poder ajudar o meu próximo. Eu trabalho para poder fazer resplandecer os prodígios de Deus que, de um grãozinho minúsculo, faz um feixe de espigas, de uma semente de uva faz uma grande vinha, de um caroço faz uma planta, e de mim, homem, um pobre nada que fui tirado do nada por sua vontade, faz um seu ajudante, na obra contínua de perpetuar as searas, videiras e pomares, bem como de povoar a terra de homens.”
Há pessoas que trabalham como animais de carga. Mas que não têm outra religião, senão esta: aumentar as suas riquezas. Morre ao lado delas, de trabalho e de cansaço, o mais infeliz dos seus companheiros? Os filhos desse coitado estão morrendo de fome? E que importa para o ávido acumulador de riquezas? Há outros ainda mais duros, que não trabalham mas fazem que outros trabalhem, e acumulam riquezas com o suor alheio.
Outros ainda que esbanjam aquilo que com avareza extorquiram da canseira alheia. Em verdade, o trabalho desses não é honesto. E não digais: “Ainda assim Deus os protege.” Não. Não os protege. Hoje terão uma hora de triunfo. Mas logo serão golpeados por um rigor divino, que no tempo e na eternidade, fará que eles se lembrem do preceito: “Eu sou o Senhor teu Deus. Ama-me acima de todas as coisas e ama ao teu próximo como a ti mesmo.” Oh! se aquelas palavras ressoarem em eterno, serão mais tremendas do que os raios do Sinai!
108.6 Muitas, demasiadas são as palavras que vos são ditas. Eu vos digo só estas: “Amai a Deus. Amai ao próximo.” Elas são como o trabalho que torna fecundo o sarmento, feito ao redor da videira, na primavera. O amor a Deus e ao próximo é como um arado[26], que limpa o solo das ervas nocivas do egoísmo e das más paixões; é como uma enxada que escava um anel ao redor da cepa, para que ela fique isolada do contágio das ervas parasitas e nutridas pelas frescas águas da irrigação; é como a podadeira, que tira o que é supérfluo para aumentar o vigor e dirigi-lo aos pontos em que dará fruto;
é como o laço que aperta o sarmento, e o segura unido à forte estaca, é enfim o sol que amadurece os frutos da boa vontade e os transforma em frutos de vida eterna.
Agora vós jubilais, porque o ano foi bom, ricas foram as colheitas e excelente a vindima. Mas em verdade vos digo que este vosso júbilo é menor que um minúsculo grão de areia, em relação ao júbilo sem medida que será o vosso, quando o Pai eterno vos disser: “Vinde, meus fecundos sarmentos, enxertados na verdadeira Videira. Vós vos prestastes a todas as operações, até às penosas, para darem muito fruto, e agora estais vindo a Mim carregados com os sucos doces do amor para Comigo e para com o próximo. Florescei nos meus jardins por toda a eternidade.”
Aspirai a essa eterna alegria. Com fidelidade persegui esse bem, com reconhecimento bendizei ao Eterno que vos ajuda a alcançá-lo. Bendizei-o pela graça da sua Palavra, bendizei-o pela graça da boa colheita. Amai com reconhecimento o Senhor e não temais. Deus dá cem por um a quem o ama.¨ CAP108 Valtorta
 ¨Todos, todos vós trabalhais. Sois umas árvores selvagens, mas os enxertos vos fazem mudar, lentamente e com segurança, e Eu tenho em vós a minha alegria.¨ Cap 139 Valtorta
¨  Mas não te entristeças por isso, vós não sois perfeitos. Eu já sabia desde quando vos quis. E não pretendo que vos torneis perfeitos rapidamente. Primeiro é preciso que vos transformeis de selvagens em domésticos com dois enxertos.¨
Quais são eles?
Um de sangue, e o outro de fogo. Depois, sereis heróis do Céu e convertereis o mundo, começando por vós mesmos.
Escuta tu, primeiro, estas verdades. Tu mereces. O Sangue: é o meu. Tu sabes. Eu vim para isso. Eu sou o Redentor… Pensa nos profetas. Eles não omitiram nem um i ao descreverem a minha missão. Eu serei o homem descrito por Isaías. E, quando Eu tiver sido sangrado, o meu Sangue vos fecundará. Mas Eu não me limitarei a isso. Tão imperfeitos, fracos, obtusos e medrosos sois vós, que Eu, quando estiver na Glória ao lado do Pai, vos mandarei o Fogo, a Força que procede do meu ser pela geração do Pai e que une o Pai e o Filho em uma união indissolúvel, fazendo de Um Três: o Pensamento, o Sangue e o Amor. Quando o Espírito de Deus, ou melhor, o Espírito do Espírito de Deus, a Perfeição das Perfeições divinas, vier sobre vós, já não sereis mais como sois. Mas sereis novos, fortes, santos… Contudo, para um o Sangue será inútil e inútil o Fogo. Porque o Sangue terá tido para ele um poder de condenação e para sempre ele conhecerá um outro fogo no qual se queimará, vomitando sangue e engolindo sangue, pois sangue éo que ele verá por toda parte para onde virar os seus olhos mortais ou os seus olhos espirituais, desde o momento em que tiver traído o Sangue de um Deus.¨ CAP361 Valtorta

¨Eu respondo a vós e a quem vos mandou que a água que extravasa do meu balde é uma água de paz, e que a semente que Eu semeio é semente de renúncia. Eu podo os ramos soberbos. Eu estou pronto para arrancar as plantas más, a fim de que não façam mal às boas, se elas não aceitarem o enxerto. Mas o que Eu chamo de “bom” não e o que vós chamais de bom. Porque Eu chamo de boa a obediência, a pobreza, a renúncia, a humildade, a caridade que se inclina a todas as humildades e misericórdias. Não tenhais medo de ninguém. O Filho do homem não arma insídias para obter os poderes humanos, mas vem para ensinar o poder dos espíritos. Ide e refleti bem que o Cordeiro nunca será lobo.¨ Cap460 Valtorta

Os Ramos Enxertados – ROMANOS 11

 

11 Novamente pergunto: Acaso tropeçaram para que ficassem caídos? De maneira nenhuma! Ao contrário, por causa da transgressão deles, veio salvação para os gentios, para provocar ciúme em Israel. 12 Mas se a transgressão deles significa riqueza para o mundo, e o seu fracasso, riqueza para os gentios, quanto mais significará a sua plenitude!

13 Estou falando a vocês, gentios. Visto que sou apóstolo para os gentios, exalto o meu ministério, 14 na esperança de que de alguma forma possa provocar ciúme em meu próprio povo e salvar alguns deles. 15 Pois se a rejeição deles é a reconciliação do mundo, o que será a sua aceitação, senão vida dentre os mortos? 16 Se é santa a parte da massa que é oferecida como primeiros frutos, toda a massa também o é; se a raiz é santa, os ramos também o serão.

17 Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira cultivada, 18 não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você. 19 Então você dirá: “Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado”. 20 Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. 21 Pois, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você.

22 Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado. 23 E quanto a eles, se não continuarem na incredulidade, serão enxertados, pois Deus é capaz de enxertá-los outra vez. 24 Afinal de contas, se você foi cortado de uma oliveira brava por natureza e, de maneira antinatural, foi enxertado numa oliveira cultivada, quanto mais serão enxertados os ramos naturais em sua própria oliveira?

Jesus, a videira

15 Jesus disse:

— Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o lavrador. Todos os ramos que não dão uvas ele corta, embora eles estejam em mim. Mas os ramos que dão uvas ele poda a fim de que fiquem limpos e deem mais uvas ainda. Vocês já estão limpos por meio dos ensinamentos que eu lhes tenho dado. Continuem unidos comigo, e eu continuarei unido com vocês. Pois, assim como o ramo só dá uvas quando está unido com a planta, assim também vocês só podem dar fruto se ficarem unidos comigo.

 

— Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não ficar unido comigo será jogado fora e secará; será como os ramos secos que são juntados e jogados no fogo, onde são queimados. Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês, vocês receberão tudo o que pedirem. E a natureza gloriosa do meu Pai se revela quando vocês produzem muitos frutos e assim mostram que são meus discípulos. Assim como o meu Pai me ama, eu amo vocês; portanto, continuem unidos comigo por meio do meu amor por vocês. 10 Se obedecerem aos meus mandamentos, eu continuarei amando vocês, assim como eu obedeço aos mandamentos do meu Pai e ele continua a me amar.

 

Demais Fontes: R. Garrigou-Lagrange – As três idades da vida interior

 

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