Estudo 29 – Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Vontade Divina


LUZES INESQUECÍVEIS!
ETAPA RESTAURADORA DA VIAJEM.

Chegados que fomos mais adiante e encontrando-nos, tanto eu como minha querida Mãe e o fidelíssimo José um pouco aflitos e necessitados de algum conforto para nossa humanidade, paramos no caminho e sentados no chão, ali, alimentamo-nos das ervas daquele campo, pois não nos havia  outra coisa. Estava eu sentado no meio deles e com a minha presença os consolava de modo que, aquele alimento, mais apto para alimentar animais do que homens, tornava-se-lhes muito aprazível e suave. Ofereci ao Pai dignara aquela nossa pobreza e miséria; pedi-lhe que, do mesmo modo que se dignara por meu intermédio transformar em agradável e suave para minha Mãe e seu esposo, aquele alimento tão vil, por estar eu em meio deles, assim fizesse que para todos os meus irmãos pobres e necessitados se tornassem saborosos os alimentos ruins, por meio de sua graça, uma vez que se encontra entre eles o seu divino espirito, que é o verdadeiro condimento de todas as iguarias. Não lhes fosse duro sofrer a privação de alimentos, algumas vezes necessários, pois eu já sofrera isso antes deles, por seu amor e para dar-lhes exemplo.

Oferecia depois aqueles padecimentos em desconto de tantas culpas que meus irmãos cometem neste particular, não se contentando com o bastante para sustentar-lhes a vida, mas procurando sempre iguarias mais delicadas, pois não vivem senão para satisfazer este sentido tão contrário à virtude, principalmente quando se lhe permite desordenadamente o que ele requer. Eu desde então oferecia ao Pai aquela minha mortificação e abstinência, em suplência de sua insaciabilidade e desordem. Oferecia-me ao Pai para dar-lhe satisfação maior, apesar de não poder então, pequenino como era, realizar a desejo de sofrer muito: tanto mais que estava sujeito à obediência a minha Mãe e a José, sem querer faltar jamais quanto ao que por eles me era ordenado. Agradavam, porém, ao Pai minhas ofertas; Ele aceitava meu desejo, e declarava-me como era ainda vontade sua que me preparasse e estivesse disposto a sofrer penas e padecimentos maiores.

Havendo ingerido pouco alimento, rendia as costumeiras graças a meu Pai, junto com a querida Mãe e José. Ofereci-lhe as habituais ações de graças em agradecimento por tudo aquilo que se dignava conceder-me e em suplência por todos os meus irmãos que falhavam neste particular. A meu Pai muito aprazia sempre a que eu realizava e cada vez causava-lhe novo gáudio, como se fosse a primeira. Alegrava-me muito eu também de dar este prazer e satisfação ao Pai, tanto porque o amava muito, como pela utilidade dai decorrente para todos os meus irmãos, porque eu o tomava como motivo para reclamar novas graças e favores para eles. Apesar de bastar-me, para fazê-lo, saber que meu Pai era infinitamente bom e misericordioso, não obstante adquiria mais ânimo e confiança de pedir-lhe as graças quando via que ficava plenamente satisfeito pelo que eu obrava e lhe oferecia. Todas as vezes que lhe oferecia algo, o que acontecia continuamente, pedia-lhe alguma nova graça para todos os meus Irmãos. Entretanto, meu desejo não era outro senão glorificar o Pai, obter a salvação de meus irmãos e alcançar-lhes todas as graças necessárias para sua eterna salvação, assim como todos aqueles bens que os possam tornar capazes de darem gosto a meu Pai e torná-los muito sublimes na glória do Paraíso, que eu viera para ganhar-lhes e ensinar-lhes o caminho seguro de lá chegar.

JESUS NO MEIO DE MARIA E DE JOSÉ.

Estando um pouco restaurados e havendo rendido ao Pai as devidas graças, prosseguíamos a caminhada. Estava eu no melo deles, e eles seguravam-me as mãos. Oh, quanto se regozijavam aquelas duas almas afortunadas ao terem no meio deles a minha pessoa! Além de ser por eles muito amada, era ainda conhecida e respeitada. Igualmente eu muito me alegrava de estar entre eles, ia falando e declarando-lhes os divinos mistérios de amor, que em mim estavam escondidos, e suas almas, ao ouvirem minha voz se liquefaziam de amor.

Ofereci depois aquele prazer ao Pai, como também sentiam o consolo e o gáudio, minha dileta Mãe e o seu esposo José; e roguei-lhe com grande instância, se dignasse inspirar a todos os meus irmãos sentimento semelhante ao de Maria e de José. A saber, de levar-me no meio de seus corações, visto que não podem fruir visivelmente de minha companhia, mas podem perfeitamente ter-me de modo invisível no coração, pela graça e pelo amor.Como desejo eu estar sempre em companhia de meus Irmãos e acompanhá-los na viagem perigosa à eternidade, supliquei ao Pai, com grande insistência, que os iluminasse e lhes inspirasse trazerem-me sempre nos seus corações, que eu havia escolhido para ali estabelecer contínua morada; eu o pedi por graça a meu Pai. o qual, tendo-me dado o domínio sobre todos os meus irmãos, que eu devia resgatar com meu sangue, qual minha herança, concedeu-me ainda para posse e habitação seus corações, conforme eu desejara e lhe havia pedido.

Obtido tudo isto de meu Pai e estando muito contente com o que me havia concedido, ouvi depois do mesma que deixaria liberdade a todos os meus irmãos, de modo que dependesse deles e de sua vontade ter-me em sua companhia e dar-me o abrigo ambicionado no coração, para ali estabelecer minha morada. Vi depois que muitos, em número assaz grande, me negariam esta morada, e muitos ainda freqüentemente me expulsariam para fazer ali habitar o meu e o seu inimigo. Oh, ao ver isto, quanto me afligi, como foi amargurada aquela consolação! Lamentava-o bastante, e com grande abundância de lágrimas dizia: “Ah corações ingratos! Porque negais abrigar-me a mim, o vosso Salvador, que haverei de ser a vossa eterna bem-aventurança e que, para merecer-vos a glória do Paraíso, desci do seio do Pai, onde estava fruindo dos tesouros da divindade, e me diminui, abaixei e humilhei por vós? E vós, ingratas, permiti-vos negar-me aquilo que tanto deve-fieis desejar? Recusai-me asilo dentro de vós e expulsai-me! Porque? A fim de oferecerdes abrigo ao vosso e meu cruel inimigo, o pecado, que vim destruir por minha morte e Paixão Ah! que falta de correspondência encontrou em vós o meu amor!”

Depois voltava-me a meu Pai e dizia-lhe que lhes perdoasse tanta ingratidão e loucura, porque não sabiam o que faziam. Oferecia-lhe aquelas lágrimas em desconto da ingratidão e crueldade deles, mais para consigo mesmos do que para Comigo, pois o bem era todo para eles como igualmente dano, ano, ao passo que eu de nada tinha necessidade, e tudo o que eu procurava e por que ansiava, visava a utilidade deles e o gosto de meu dileto Pai, que tudo Isto ambicionava e reclamava de mim. Ao Pai muito apraziam minhas lágrimas e realmente, eram-lhe muito aceitas. No fito que fosse o de consolar-me, prometia-me fazer o preciso para converter o coração humano e fazê-lo render-se à doce violência de seu amor. Efetivamente, verifiquei que, por meio das lágrimas que derramava e pelas preces, muitos corações se rendiam novas inspirações e aos novos impulsos acompanhados de poderosa graça de meu Pai.

Mas quantas preces, quantas lágrimas e quantas ofertas fazia eu ao Pai no intuito de merecer aos meus irmãos a graça eficaz que eles por si jamais teriam podido merecer!  Merecia esta graça Gratis Data, à força de súplicas, e o Pai me prometia, principalmente quando me via aflito, a fim de consolar-me. Minha única consolação era que Ele  fosse por todos conhecido e amado; por isto dava-me tudo aquilo que eu requeria, a fim de que meus irmãos o conhecessem, amassem e servissem fielmente. Tendo agradecido a meu Pai tanta liberalidade, ofereci-lhe minha vontade e meu desejo em suplência por todos os meus Irmãos que não têm, a esse respeito, pensamento algum. Este pensamento lhes deveria estar a peito mais do que qualquer outro, a saber, fosse meu Pai conhecido, amado e servido por todos e eles procurassem em todas as coisas a sua maior glória. Agradaram ao Pai  as minhas ofertas e ficou satisfeito relativamente às omissões de meus irmãos irmos a este respeito. Realmente, sentia muito pesar e, segundo vosso modo de entender, tinha grande vergonha de ver como quase todos os meus irmãos andavam desviados do caminho reto e se tornavam, em tantas obras, odiosos a meu Pai. Eu, enquanto chefe e irmão mais velho deles, comparecia diante de meu Pai para ajustar com Ele os seus débitos e impetrar-lhes a graça e o favor divino. Causava-me grande confusão diante do Pai verificar a soma de suas iniquidades de toda a espécie. Oferecia-lhe esta minha confusão também em desconto daqueles que com ousadia e sem pudor se apresentam para obter dele as graças. Coisa monstruosa e abominável a meu dileto Pai. Com audácia, como se este fosse obrigado a dispensar graças àqueles que sem respeito algum o ofendem, eles vão avante com a alma cumulada de iniqüidade e soberba.

Por isto, eu não só ofereci a minha confusão, mas além disso roguei-lhe com grande instância que se dignasse iluminá-los, fazê-los conhecer o próprio erro e lhes desse um verdadeiro sentimento da infinita Majestade do Pai e da vileza, baixeza. miséria e pobreza deles mesmos. Atendeu-me nisto o benigno e amoroso Pai, revelando-me quanto se demonstrava misericordioso para com meus irmãos, pois não deixa, de diversos modos, de tornar conhecidos a cada um a grandeza de sua Majestade. o seu ser perfeitíssimo e infinito, digno de ser por todos amado, servido e temido, e a criatura, por si mesma vilíssima, indigníssima de comparecer diante de tão grande Majestade, dando a cada um luz suficiente para conhecer-se tal qual é na realidade. Mas, ao ver, esposa minha, que tudo isso não bastava, de novo instei com o meu amoroso Pai, a fim de que por minha causa, por meus méritos e pela complacência que se punha em mim, se dignasse conceder a todos luzes mais poderosas, mais válidas, e maior graça e ajuda especial. Dignou-se conceder-lhes isso por meu amor. Ao verificar que estas novas luzes, ajudas e graças produziam o respectivo efeito em numerosas almas, alegrei -me muito e rendi as devidas graças ao benigno Pai. Vi ainda, Como muitos abusariam delas, e apesar de todas as ajudas, as luzes divinas e graças, não se conheceriam a si mesmas, nem se emendariam. Senti grande desprazer e tornou-se muito amarga a alegria que experimentava por causa daqueles que as aproveitariam. Ofereci aquele pesar e amargura ao Pai com muitas expressões de afeto e de grande estima por sua grandeza, mérito e bondade, em suplência lhes por aqueles que abusavam de tantas graças que meu Pai lhes comunicava.

 

 

 

 

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