Estudo 26 – O Evangelho como me foi revelado – Cap27 – Escola da Vontade Divina


CURE SEU CASAMENTO E SUA FALTA DE CONFIANÇA EM DEUS
27. O edito do censo. Ensinamento do teu Reino.
sobre o amor ao esposo e sobre a confiança em Deus.

4 de junho de 1944.

Vejo ainda a casa de Nazaré e o pequeno quarto onde habitualmente
Maria toma as suas refeições. Agora ela está trabalhando numa Tela Branca.
Pára seu trabalho para acender um candeeiro, porque
a tarde vem chegando, e ela não está mais enxergando bem, com
essa luz esverdeada que está entrando pela porta semi-aberta, do
lado do pomar. Maria também fecha a porta.

Vejo como já está volumosa de corpo. Mas ainda muito bonita.
Seu passo e sempre ligeiro, e gentis são todos os seus gestos. Não há
nada daquele peso próprio da mulher, que está perto de dar à luz.
Só no rosto é que ela está mudada. Agora é “a mulher.” Antes, no
tempo da Anunciação, era uma jovenzinha de rosto sereno e ino-
pente: um rosto inocente de criança. Depois, na casa de Isabel, no
momento do nascimento do Batista, seu rosto já se apresentava com
uma graça mais madura. Agora é um rosto sereno, mas docemente
majestoso, da mulher que atingiu sua plena perfeição na maternidade.

Não faz lembrar mais a sua querida “Annunziata” de Florença,
pai. Quando eu era pequena, a reconhecia ali.
Agora, o rosto está mais longo e magro, e os olhos mais pensativos
e maiores. Em suma, é como Maria hoje no Céu. Porque ela retomou
O aspecto e a idade do momento em que nasceu o Salvador.

A sua eterna juventude, a qual não só não conheceu a corrupção
oi tai, mas nem mesmo murchou com o passar dos anos. O tempo
não teve ação sobre ela, a nossa rainha e mãe do Senhor, que
criou o tempo. Nos tormentos da Paixão (tormentos que começaram
para ela muito antes, pois eu diria que começaram desde o início da evangelização de Jesus,
ela apareceu envelhecida, mas esse envelhecimento era como um véu colocado pela dor
sobre a sua incorruptível pessoa. De fato, desde o momento em que reencontra Jesus
ressuscitado, ela se torna novamente a criatura cheia de vida e perfeita, que era antes da Paixão,
como se tendo beijado as Santíssimas Chagas, tivesse bebido nelas um elixir de juventude, que anulou a
ação do tempo, e mais ainda do que isto, anulou a ação da dor.

Também há oito dias que eu vi a descida do Espírito Santo, no dia
de Pentecostes, vi Maria “extraordinariamente bela, e de repente
rejuvenescida”, como escrevi, e como tinha escrito antes: “Ela aparece
um anjo azul.” Os anjos não conhecem velhice. São eternamente belos
com eterna juventude, do eterno presente que é Deus e que eles
refletem em si.

A juventude angélica de Maria, o anjo azul, se completa e atinge
a idade perfeita (idade que ela levou consigo para os céus, e que conservará
para sempre em seu santo corpo glorificado, quando o Espírito adorna a sua esposa,
coroando-a diante dos olhos de todos.)
Agora ela não está mais no segredo de um quarto desconhecido ne
mundo, sendo testemunhada apenas por um arcanjo.

Quis fazer esta descrição, porque me pareceu necessária. Agora
volto à descrição.
Maria, pois, tornou-se verdadeiramente “mulher”, cheia de dignidade e de graça.
Até seu sorriso é diferente, por sua doçura e majestade. Como é bela!

José vem entrando. Parece que está vindo da cidade, porque está
entrando pela porta da casa, e não da oficina. Maria levanta a cabe-
ça e sorri para ele. José retribui ao sorriso dela. Mas parece que ele
faz isso como quem está cansado, preocupado. Maria observa isso.
Depois, ela se levanta para pegar o manto, que José está tirando, o
dobra e o coloca sobre um baú.
José se assenta junto à mesa. Apóia um cotovelo sobre a mesa e
a cabeça sobre a palma da mão, enquanto com a outra mão, alisa
barba, muito pensativo.

– Tens algum pensamento que te atormenta?, pergunta-lhe Ma-
ria. – Posso te consolar?
-Tu me consolas sempre, Maria. Mas desta vez o meu
pensamento és ..tu.
– Eu, José? O que é?
grande
– Colocaram um edito sobre a porta da sinagoga. Está ordena-
vá recensear-se em seu lugar de origem. Nós temos que ir a Belém.
do o recenseamento de todos os palestinos, E é preciso que cada um vá recensear-se em seu lugar de origem.
Nós temos que ir a Belém…

– Oh!, interrompe Maria, pondo uma mão sobre o ventre.
– Isso te assusta, não é?
– Não, José. Não é isso, Penso nas Sagradas Escrituras: Raquel mãe de Benjamim e mulher de Jacó, da qual
nascerá a Estrela: o Salvador. Raquel está sepultada em Belém, da qual está escrito: ¨E tu Belém Efrata, és a menor
entre as terras de Judá, mas de ti sairá o Dominador.¨

É o Dominador que foi prometido, da estirpe de Davi. Ele vai nascer lá…

Achas… achas que chegou o tempo? E, então, como faremos?

José está completamente perturbado. Ele olha para Maria com
dois olhos cheios de piedade.

Ela percebe isso, e sorri. Sorri mais para si mesma, do que para ele.
E um sorriso que parece dizer: “E um homem justo, sim, mas um homem. Pensa como homem.
Tem compaixão dele, minha alma, e guia-o para que possa ver como espiritual.”
Mas a bondade de Maria a leva a tranqüilizá-lo. Não
mente, porém afasta a sua preocupação.

-Não sei, José. O tempo está muito perto. Mas não poderia o Senhor fazê-lo chegar mais devagar,
para te livrar dessas preocupações? Ele pode tudo. Não tenhas medo.

-Mas, e a viagem? Depois, pensa só na multidão que se vai aglo-
merar… Encontraremos bom alojamento? E poderemos fazer tudo, a
tempo de voltar? E se… se tivesses de dar à luz por lá, como é que fa-
ríamos? Nós não temos casa em Belém… Não conhecemos ninguém lá.

-Nao tenhas medo. Tudo irá sair bem. Deus faz que os animais enco-
trem uma toca para darem cria. Queres que Ele não faça que achemos um lugar
para o nascimento do seu Messias? Nós confiamos
Nele. Não é verdade? Sempre confiamos Nele. Quanto mais forte é a provação,
mais confiamos. Como duas crianças, colocamos nossas mãos nas suas de Pai,
Ele nos guia. Estamos completamente entregues a Ele. Olha como nos conduziu até
aqui com amor. Um Pai, por melhor que seja, não poderia tê-lo feito com maior cuidado.

Somos seus filhos e seus servos. Façamos a Sua Vontade. Nada de mal nos pode acontecer.
Até mesmo esse edito é da vontade Dele. Pois, afinal quem é Cesar? Apenas um instrumento de Deus.
Desde quando o Pai decidiu perdoar aos homens Ele dispôs Os fatos com antecedência para que
seu Cristo nascesse em Belém. Esta, a menor das cidades, ainda não existia, e já a sua Glória estava planejada.

A fim de que essa Glória se realize, e a palavra de Deus não seja desmentida,
com o nascimento do Messias noutro lugar, bem longe daqui surgiu um poderoso, que nos dominou, e que agora
que o mundo está em paz, quer saber quantos são os seus súditos.
O que é toda esta nossa pequena fadiga, se pensarmos na beleza deste doce momento de paz.
Pensa, José. Um tempo em que não há ódio no mundo! Mas que pode ser ainda mais feliz, ao surgir a ¨Estrela¨, cuja  cuja luz é diviną
e cujo influxo é redenção?  Oh! Não tenhas medo, José. Se as estradas são inseguras e a multidão de gente torna difícil a nossa passagem, os anjos nos defenderão , e abrirão caminho para nós. Não propriamente para nós, mas para o Rei deles. Senão encontrarmos abrigo, eles nos farão uma tenda com suas asas. Nada nos acontecerá de mal. Nada pode acontecer: Deus está conosco.

José olha para ela, e a ouve extasiado. As rugas de sua fronte parecem diminuir, e seu sorriso volta. Ele se levanta, já sem cansaço e sem desânimo. Sorri.

Bendita és tu, ó sol do meu espírito! Bendita es tu, que sabes
ver tudo através da graça, da qual estás cheia! Então, não percamos
tempo. Pois é preciso partir quanto antes e… Voltar sem demora
porque aqui já está tudo pronto para o… para o…

– Para o nosso Filho, José. Isso é o que deve ser aos olhos do mun-
do, lembra-te bem disso! O Pai encobriu com mistério esta sua vin-
da, e nós não devemos levantar o véu do mistério. Jesus fará isso
quando chegar a hora…
A beleza do rosto, do olhar, da expressão e da voz de Maria, quan-
do pronuncia o nome de “Jesus”, é indescritível. E em êxtase. E, com
este éxtase, cessa a visão.

Maria diz:
– Não acrescento mais coisas, porque as minhas palavras já são
ensinamento.
Mas quero chamar a atenção das mulheres para um Ponto. Mui-
tas uniões se transformam em desuniões por culpa das mulheres
que não têm aquele amor que é tudo: gentileza, piedade, atenção
para como marido. Sobre o homem mão pesam os sofrimentos físicos que pesam sobre a mulher.
Mas sobre ele pesam todas as preocupações morais: necessidade de trabalho, as decisões a serem tomadas,
a responsabilidade diante dos poderes constituídos e da própria família… Oh! quantas coisas pesam sobre o homem.

E quanto precisa também ele de conforto! Pois bem, o egoísmo chega a tal ponto que ao marido cansado,
desanimado, humilhado e preocupado, a mulher ainda lhe acrescenta o peso de suas lamentações inúteis e, às vezes,
até injustas! Tudo isso, porque ela é egoista, não ama.

Amar não é satisfazer-nos a nós mesmos, buscando a sensualidade e outras vantagens. Amar é contentar a quem amamos,
acima daquelas coisas dos sentidos, que gostaríamos de ter e usar, dando ao espírito da pessoa que amamos aquela ajuda de que ela tem necessidade, a fim de que sempre possa ter as suas asas abertas, para voar pelos céus da esperança e da paz.

Outro ponto sobre o qual chamo de novo a atenção. Já falei dele. Mas eu insisto: é a confiança em Deus.

A confiança resume as virtudes teologais. Quem tem confiança dá sinal de que tem fé. Quem tem confiança, dá sinal de que espera.
Quem tem confiança, mostra que ama. Quando alguém ama, espera e crê em uma pessoa, tem confiança. Do contrário não.
Deus merece esta nossa confiança. Se a damos aos pobres homens capazes de falhar, por que a negamos a Deus que não falha nunca?

A confiança é também humildade. O soberbo diz: “Eu mesmo faço.
Não confio nele, porque ele e um incapaz, um mentiroso, um
violento. Mas o humilde diz: “Eu confio. Por que não haveria de confiar?
Por que haverei de pensar que sou melhor do que ele? E
com maior razão, é assim que ele fala de Deus: “Por que haverei de não
confiar Naquele que é bom? Por que deverei pensar que sou capaz
de tazer tudo, eu mesmo? Deus ao humilde se doa. Mas se afasta
quem é soberbo.

A confiança é também obediência. Deus ama o obediente. A obediência é
sinal de que nós nos reconhecemos Filhos Dele e que O reconhecemos
como nosso Pai. Ora, um pai não pode deixar de amar, quando é um
verdadeiro pai. Deus para nós é Pai verdadeiro e Pai perfeito.

Sobre um terceiro ponto eu quero que medites. Está também fundamentado na Confiança.
Nenhum acontecimento pode suceder, se Deus não o permitir. És tu poderoso? Assim és, porque Deus o permitiu.
És tu súdito? Assim és porque Deus o permitiu. Procura, pois ó poderoso, não fazer deste teu poder o teu mal.
Seria sempre ¨teu mal¨ mesmo quando, a princípio, parece ser um mal para os outros. Porque, se Deus permite, não o permite
além de certos limites, e, se passas desses limites, Deus te fere e te esmaga.
Procura, então, ó sudito, fazer desta tua condição um imã para atrair sobre ti a proteção celeste.
Não maldigas nunca. Deixa os cuidados a Deus.
Ele, que é o Senhor de todos, pode abençoar e amaldiçoar suas criaturas. Vai em paz

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