Estudo 26 – Livro do Céu Vol. 1 ao 11 – Escola da Vontade Divina



VOLUME 1

(181) Então meu doce Jesus não fazia outra coisa que me dispor daquele matrimonio místico o
que me havia prometido, se fazia ver estando eu nesse estado, às vezes três ou quatro vezes ao
dia, como lhe agradava, e às vezes era um contínuo ir e vir, me parecia um apaixonado que não
sabe estar sem sua esposa, assim fazia Jesus comigo, e às vezes chegava a me dizer:
(182) “Olhe, te amo tanto que não sei estar se não venho, sinto-me quase inquieto pensando que
você está sofrendo por Mim e que está sozinha, por isso vim para ver se tem necessidade de
alguma coisa”.
(183) E enquanto assim dizia, Ele mesmo me levantava a cabeça, colocava seu braço atrás de
meu pescoço e me abraçava, e enquanto assim me tinha, me beijava, e se era tempo de verão e
fazia calor, de sua boca mandava um alento refrescante, ou bem tomava alguma coisa em sua
mão e me abanava e depois me perguntava:
(184) “Como te sentes? Não se sente melhor?”
(185) Eu lhe dizia: “Em qualquer modo que se está Contigo se está sempre bem”. Outras vezes
vinha, e se me via muito fraca pelo contínuo estar naqueles sofrimentos, especialmente se o
confessor vinha na noite, meu amante Jesus vinha, e me vendo naquele estado de extrema
debilidade, tanto que às vezes me sentia morrer, se aproximava a mim e de sua boca vertia na
minha aquele leite, ou bem me fazia pôr-me a seu lado e eu chupava torrentes de doçuras, de
delícias e de fortaleza, e Ele me dizia:
(186) “Quero ser propriamente Eu teu tudo, e também teu alimento da alma e do corpo”.
(187) Quem pode dizer o que eu experimentava, tanto na alma como no corpo, por estas graças
que Jesus me fazia? Se fosse eu a dizê-lo, espalhava-me demasiado. Recordo que às vezes
quando não vinha logo, me lamentava com Ele dizendo: “Ah, Esposo Santo, como me fez esperar,
tanto que não podia resistir mais, me sentia morrer sem Ti”. E enquanto assim dizia, era tanta a
pena que sentia que chorava, e Ele compadecia-me toda, me enxugava as lágrimas, me beijava,
me abraçava e dizia:
(188) “Não quero que chore. Olhe, agora estou contigo, me diga o que quer”.
(189) Eu dizia-lhe: “Não quero outra coisa senão a Ti, e só deixarei de chorar quando me
prometeres que não me farás esperar tanto”.
(190) E Ele me dizia: “Sim, sim, te contentarei”.

2-28
Junho 2, 1899

Acerca do conhecimento de nós mesmos.

(1) Esta manhã o meu dulcíssimo Jesus quis fazer-me tocar com as minhas próprias mãos o
meu nada. No momento em que se fez ver, as primeiras palavras que me dirigiu foram:
(2) “Quem sou eu, e quem és tu?”
(3) Nestas duas palavras vi duas luzes imensas: Numa compreendia a Deus, na outra via a
minha miséria, o meu nada. Via-me não ser outra coisa que uma sombra, como aquele reflexo
que faz o sol ao iluminar a terra, que depende do sol, e que passando a outros pontos o reflexo
termina de existir. Assim minha sombra, isto é, meu ser, depende do místico Sol Deus, e que
em um simples instante pode desfazer esta sombra. O que dizer além de como deformei esta
sombra que o Senhor me deu, não sendo sequer minha? Dá horror pensar, malcheiroso,
putrefacta, toda aguçada, e no entanto neste estado tão horrendo estava obrigada a estar
diante de um Deus tão santo, oh, como teria estado contente se me fora dado esconder-me
nos mais obscuros abismos!
(4) Depois disto Jesus me disse: “O maior favor que posso fazer a uma alma é fazer-se
conhecer a si mesma. O conhecimento de si e o conhecimento de Deus andam de mãos
dadas, pois quanto te conheceres a ti mesma outro tanto conhecerás a Deus. A alma que se
conheceu a si mesma, vendo que por si mesma não pode fazer nada de bem, esta sombra do
seu ser transforma-a em Deus e disto acontece que em Deus faz todas as suas
operações. Acontece que a alma está em Deus e caminha junto a Ele, sem olhar, sem
investigar, sem falar, em uma palavra, como morta, porque conhecendo a fundo seu nada não
se atreve a fazer nada por si mesma, senão que cegamente segue as operações do Verbo”.
(5) Parece-me que a alma que se conhece a si mesma lhe acontece como a essas pessoas
que vão em um transporte, que enquanto passam de um lugar a outro sem dar um passo por
elas mesmas, fazem longas viagens, mas tudo isso em virtude do transporte que as
leva. Assim a alma, entrando em Deus, como as pessoas no transporte, faz sublimes vôos no
caminho da perfeição, mas conhecendo plenamente que não ela, senão em virtude daquele
Deus bendito que a leva em Si mesmo.  Oh! Como o Senhor favorece, enriquece, concede as
maiores graças à alma que sabendo que não a si mesma, mas tudo a Ele atribui. ¡ Oh, alma
que se conhece a si mesma, como é afortunada!

3-28
Janeiro 12, 1900

Diferença entre o conhecimento de si mesmo e a humildade.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, meu amável Jesus veio em um estado que dava
compaixão. Tinha as mãos atadas fortemente e o rosto coberto de salivares, e algumas pessoas
esbofeteavam-no horrivelmente, e Ele permanecia quieto, plácido, sem fazer nem um movimento
nem emitir um lamento, nem sequer um movimento de cílios, para demonstrar que Ele queria sofrer
estes ultrajes, e isto não só externamente, mas também internamente. ¡ Que espetáculo tão
comovente, de fazer despedaçar os corações mais duros! ¡ Quantas coisas dizia aquele rosto com
as cusparadas, manchado de lama! Eu me sentia horrorizada tremia, me via toda soberba diante
de Jesus. Enquanto eu estava neste aspecto, Ele me disse:
(2) “Minha filha, só os pequenos se deixam conduzir como se quer, não aqueles que são pequenos
de razão humana, mas aqueles que são pequenos mas cheios de razão divina. Só Eu posso dizer
que eu sou humilde, porque no homem o que se diz humildade, mas deve-se dizer conhecimento
de si mesmo, e quem não se conhece a si mesmo caminha já na falsidade”.

(3) Durante alguns minutos Jesus fez silêncio e eu o contemplava. Enquanto fazia isso, vi uma mão
que trazia uma luz, que, escavando em meu interior, nos mais íntimos esconderijos, queria ver se
havia em mim o conhecimento de mim mesma e o amor às humilhações, às confusões e aos
opróbrios; aquela luz encontrava um vazio em meu interior, e eu também via que devia ser
preenchido com humilhações e confusões a exemplo do bendito Jesus. Oh, quantas coisas me
fazia compreender aquela luz e aquele rosto santo que estava diante de mim! Dizia entre mim: “Um
Deus, humilhado por amor meu, confuso, e eu, pecadora, sem estas divisas. Um Deus estável,
firme em suportar tantas injúrias, tanto que não se move nem um pouquinho para se livrar dessas
cusparadas fétidas, – ah! Parece-me ver seu interior ante a Divindade, e o exterior ante os homens
– no entanto, se quiser pode fazê-lo, porque não são as correntes que o atam, senão sua estável
Vontade, que a qualquer custo quer salvar o gênero humano. E eu? E eu? Onde estão minhas
humilhações, onde a firmeza, a constância em fazer o bem por amor de meu Jesus e por amor de
meu próximo? Ai, que diferentes vítimas somos eu e Jesus, porque de fato não nos parecemos em
nada!” Enquanto meu pequeno cérebro se perdia nisto, meu adorável Jesus me disse:

(4) “Minha humanidade esteve cheia somente de opróbios e humilhações, tanto, de derramar fora,
eis por que diante de minhas virtudes treme o Céu e a terra, e as almas que me amam se servem
de minha Humanidade como escada para subir a provar algumas gotinhas de minhas virtudes. Diz-
me, perante a minha humildade, onde está a tua? Só Eu posso gloriar-me de possuir a verdadeira

humildade, minha Divindade unida a minha Humanidade podia operar prodígios em cada passo,
palavra e obra, em troca voluntariamente me restringia no cerco de minha Humanidade e me
mostrava como o mais pobre, e começava a confundir-me com os mesmos pecadores.
(5) A obra da Redenção em tão pouco tempo podia fazê-la, mesmo com uma só palavra, mas quis
durante tantos anos, com tantos trabalhos e sofrimentos, fazer minhas as misérias do homem, Quis
exercer-me em tantas ações diversas para fazer com que o homem fosse todo renovado,
divinizado, mesmo nas mínimas obras, porque realizadas por Mim, que era Deus e Homem,
recebiam novo esplendor e ficavam com a marca de obras divinas. Minha Divindade escondida em
minha Humanidade, com descer a tanta baixeza, sujeitar-se ao curso das ações humanas
enquanto que com um só ato de Vontade poderia criar infinitos mundos, com sentir as misérias, as
debilidades de outros como se fossem suas, com ver-se coberta de todos os pecados dos homens
ante a divina justiça, e que devia pagar com o preço de penas inauditas e com o desembolso de
todo seu sangue, exercia contínuos atos de profunda e heróica humildade.

(6) Eis, ó minha filha, a grandíssima diferença da minha humildade com a humildade das criaturas,
que perante a minha, é apenas uma sombra; até a de todos os meus santos, porque a criatura é
sempre criatura e não sabe quanto pesa a culpa como eu a conheço, embora sejam almas
heróicas que ao meu exemplo se ofereceram a sofrer as penas de outros, mas estas não são
diferentes daquelas, das outras criaturas, não são coisas novas para elas, porque estão formadas
do mesmo barro. Além disso, só pensar que essas penas são causa de novas aquisições e que
glorificam a Deus, é uma grande honra para elas. Além disso, a criatura está restrita no cerco onde
Deus a colocou, e não pode sair desses limites com os quais Deus a cercou. Oh! se estivesse em
seu poder fazer e desfazer, quantas outras coisas fariam, cada um chegaria às estrelas. Mas
minha Humanidade divinizada não tinha limites, senão que voluntariamente se restringia em Si
mesma, e isto era um entrelaçar todas minhas obras de heroica humildade. Tinha sido esta a
causa de todos os males que inundam a terra, isto é, a falta de humildade, e Eu com o exercício
desta virtude devia atrair da justiça divina todos os bens. Ah, sim, que não partem de meu trono
resgates de graças senão por meio da humildade! Nenhum bilhete pode ser recebido por Mim, se
não contém a assinatura da humildade, nenhuma oração escuta meus ouvidos e move a
compaixão meu coração, se não está perfumado com o aroma da humildade. Se a criatura não
chegar a destruir o germe de honra, de estima, e isto se destrói com chegar a amar o ser
desprezada, humilhada, confundida, sentirá um entrelaçamento de espinhos ao redor de seu
coração, perceberá um vazio em seu coração que lhe dará sempre incômodo e a tornará muito
diferente de minha Santíssima Humanidade, e se não chegar a amar as humilhações, no máximo
poderá conhecer-se um pouco a si mesma, mas não resplandecerá diante de Mim vestida pela
bela e agradável vestidura da humildade”.

(7) Quem pode dizer quantas coisas compreendia sobre esta virtude e a diferença entre conhecer-
se a si mesmo e a humildade? Parecia-me tocar com a mão a diferença destas duas virtudes, mas
não tenho palavras para me explicar. Para dizer alguma coisa me sirvo de uma idéia, por exemplo:
Um pobre diz que é pobre, e mesmo a pessoas que não o conhecem e que talvez possam crer que
possui alguma coisa, ele lhes manifesta com franqueza sua pobreza, pode-se dizer que se
conhece a si mesmo e diz a verdade, e por isso é mais amado, move aos demais a compaixão de
seu miserável estado e todos o ajudam, isto é o conhecer-se a si mesmo. Se depois, aquele pobre,
envergonhado de manifestar a sua pobreza, se vangloriasse de que é rico, enquanto todos sabem
que nem sequer tem vestidos para se cobrir e que morre de fome, o que aconteceria? Todos o
desprezam, ninguém o ajuda e chega a ser sujeito de zombaria e de ridículo a qualquer que o
conhece, e o miserável, indo de mal a pior, acaba por perecer. Tal é a soberba diante de Deus e
mesmo diante dos homens, e eis que quem não se conhece a si mesmo, já está fora da verdade e
se precipita pelo caminho da falsidade.
(8) Agora, a diferença com a humildade, embora me pareça que são duas irmãs nascidas no
mesmo parto e que jamais se pode ser humilde se não se conhece a si mesmo, é por exemplo um
rico, que despojando-se por amor das humilhações de suas nobres vestes, cobre-se com
miseráveis trapos, vive desconhecido, a ninguém manifesta quem é ele, confunde-se com os mais
pobres, vive com os pobres como se fosse igual a eles, faz dos desprezos e confusões as suas
delícias, e esta é a bela irmã do conhecimento de si mesmo, isto é a humildade. Ah! Sim, a
humildade chama à graça; a humildade rompe as cadeias mais fortes, como são o pecado; a
humildade supera qualquer muro de divisão entre a alma e Deus, e a Ele a devolve. A humildade é
a pequena planta, mas sempre verde e florida, não sujeita a ser roída pelos vermes, nem os
ventos, nem as granizadas, nem o calor poderão lhe fazer mal nem murchar minimamente. A
humildade, embora seja a mais pequena planta, sempre tira ramos altíssimos que penetram até o
céu e se entrelaçam ao redor do coração de Nosso Senhor, e só os ramos que saem desta
pequena planta têm livre a entrada nesse coração adorável. A humildade é a âncora da paz nas
tempestades das ondas do mar desta vida.

A humildade é sal que tempera todas as virtudes, e preserva a alma da corrupção do pecado.
A humildade é a erva que brota no caminho pisado pelos caminhantes, que enquanto é pisada desaparece,
mas logo se vê surgir de novo mais bela do que antes.
A humildade é como enxerto nobre que enobrece a planta silvestre. A humildade é o ocaso
da culpa. A humildade é a recém-nascida da graça. A humildade é como lua que nos guia nas
trevas da noite desta vida. A humildade é como aquele ganancioso negociante que sabe negociar
bem suas riquezas, e não esbanja nem sequer um centavo da graça que lhe vem dada. A
humildade é a chave da porta do Céu, assim ninguém pode entrar nele se não tiver bem guardada
esta chave. Finalmente, caso contrário eu nunca iria terminar e alongar-me muito, humildade é o
sorriso de Deus e de todo o Empírico, e o choro de todo o inferno.

4-27
Novembro 2, 1900

Quem habita em Jesus, nada no oceano de todos os contentamentos

(1) Esta manhã me sentia toda oprimida e aflita, com a adição que o bendito Jesus não se fazia
ver; depois de muito esperar saiu de dentro de meu interior, e abrindo-me seu coração me punha
dentro dizendo:
(2) “Fica dentro de Mim, só aqui encontrarás a verdadeira paz e estável contente, porque dentro de
Mim não penetra nada do que não pertence à paz e felicidade, e quem habita em Mim não faz
outra coisa que nadar no oceano de todos os contentamentos; enquanto ao sair de Mim, ainda que
a alma não se desse ao trabalho de nada, só de ver as ofensas que me fazem e o modo como me
desgostam, já vem a participar nas aflições, e fica perturbada por isso; por isso tu de vez em
quando esquece de tudo, entra dentro de Mim e vem a saborear minha paz e felicidade, depois sai
fora e faz-me o ofício de reparadora minha”.
(3) Dito isto, desapareceu

5-26
Outubro 27, 1903

O modo de agir divino é pelo só amor do Pai e dos homens.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, por pouco tempo vi a minha adorável Jesus dizendo-
me:

(2) “Minha filha, aceitar as mortificações e sofrimentos como penitência e como castigo, é louvável,
é bom, mas não tem nenhum nexo com o modo de agir divino, porque Eu fiz muito, sofri muito, mas
o modo que tive em tudo isto foi só o amor do Pai e dos homens. Assim, descobre-se rapidamente
se a criatura tem o modo de agir e de sofrer ao divino, se só o amor e a sofrer a empurra. Se tem
outros modos, embora fossem bons, é sempre modo de criatura, por isso se encontrará o mérito
que pode adquirir uma criatura, não o mérito que pode adquirir o Criador, não havendo união de
modos. Enquanto que se tem meu modo, o fogo do amor destruirá toda disparidade e
desigualdade, e formará uma só coisa entre minha obra e a da criatura.

6-28
Março 20, 1904

Todas as coisas têm origem na fé.

(1) Esta manhã sentia-me desanimada e entristecida pela perda de meu adorável Jesus, e
enquanto estava neste estado, fez ouvir sua dulcíssima voz que me dizia:
(2) “Minha filha, todas as coisas têm origem na fé. Quem é forte na fé é forte no sofrer, a fé faz
encontrar Deus em cada lugar, faz com que se descubra em cada ação, toca em cada movimento,
e cada nova ocasião que se apresenta é uma nova revelação divina que recebe. Por isso, seja
forte na fé, porque se estiver forte nela em todos os estados e vicissitudes, a fé te fornecerá a força
e te fará estar sempre unida com Deus”.

7-28
Julho 8, 1906

Jesus a atrai para Ele com uma luz.

(1) Continua quase sempre o mesmo, só sinto um pouco mais de vigor; que Deus seja sempre
bendito, tudo é pouco por seu amor, mesmo sua própria privação, o estar distante do Céu, e só
por obedecer.
(2) Agora a obediência quer que eu escreva alguma coisa sobre a luz que ainda vejo de vez em
quando. Às vezes me parece ver Nosso Senhor dentro de mim, e de sua Humanidade sai uma
imagem toda luz, e a sua humanidade acende sempre mais o fogo, e vejo a imagem da luz de
Cristo, como se peneirasse este fogo, e deste fogo peneirado sai uma luz toda semelhante à sua
imagem de luz, e tudo se compraz e com ânsia a espera para uni-la a Si, e depois incorpora-se
outra vez na sua Humanidade. Outras vezes me encontro fora de mim mesma e me vejo toda
fogo, e uma luz que está por desprender-se do fogo, e Nosso Senhor, com seu fôlego sopra na
luz, e a luz se eleva e toma o caminho para a boca de Jesus Cristo, e Ele com seu alento a
afasta e a atrai, a engrenagem e a torna mais reluzente, e a pobre luz se debate e faz todos os
esforços porque quer ir a sua boca, a mim me parece que se isto acontecesse expiraria, porém
estou obrigada a dizer em meu interior A obediência dada pelo confessor não o quer, apesar de

que dizer isto me custa a própria vida. E o Senhor parece que se deleita em fazer tantos jogos
com esta luz. Agora, parece-me que Nosso Senhor vem e quer voltar a ver tudo o que Ele
mesmo me deu, se está tudo arrumado e sem pó , portanto me pega pela mão e me tira os anéis
que me deu quando me desposei com Ele, um encontrou-o intacto e o resto limpou-os com o seu
fôlego e voltava a pô-los, depois, como se me vestisse toda, põe-se ao meu lado e diz:
(3) “Agora sim que estás bela, vem a Mim, não posso estar sem ti; ou tu vens a Mim ou Eu vou a
ti, és a minha amada, a minha alegria, a minha alegria”.
(4) Enquanto isso diz, a luz se debate e faz todos os esforços porque quer estar em Jesus, e
enquanto toma seu vôo vejo que o confessor com suas mãos a para e a quer encerrar dentro de
mim, e a Jesus que se está quieto e o deixa fazer. Oh Deus, que pena! Cada vez que isso
acontece eu acho que eu devo morrer e chegar ao meu porto, e obediência me faz encontrar de
novo no caminho. Se eu quisesse dizer tudo desta luz não terminaria jamais, mas me faz tanto
mal escrever isto, que não posso seguir adiante, ainda mais que muitas coisas não sei dizê-las,
por isso faço silêncio.

+ + + +

7-29
Julho 10, 1906

Quem tudo é doado a Jesus, recebe todo Jesus.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, por pouco tempo nosso Senhor veio e me disse:
(2) “Minha filha, que tudo a Mim se dá, merece que Eu tudo a Ela me dê. Eis-me aqui tudo à tua
disposição, o que quiseres, toma-o”.
(3) Eu não lhe pedi nada, só lhe disse: “Meu Bem, não quero nada, só quero a Ti só; só Tu me
bastas para tudo, porque tendo a Ti tenho tudo.”
E Ele: “Muito bem, soubeste pedir, pois enquanto não queres nada quiseste tudo”.

8-25
Fevereiro 12, 190

Faz mais a alma animada em um dia, do que a tímida em um ano.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, assim que veio o bendito Jesus me disse:

(2) “Minha filha, a timidez reprime a Graça e trava a alma. Uma alma tímida jamais será boa para
realizar coisas grandes, nem para Deus, nem para o próximo, nem para si mesma. Uma alma
tímida é como se tivesse amarradas as pernas, e não podendo caminhar livremente, tem os olhos
postos sempre em si e no esforço que realiza para caminhar. A timidez faz ter os olhos voltados
sempre para o baixo, jamais para o alto; a força para agir não a tomada de Deus mas de si mesma,
e portanto em vez de fortificar-se se enfraquece. A Graça, se semeia, lhe sucede como a esse
pobre agricultor que tendo semeado e trabalhado seu campinho, pouco ou nada recolhe; em troca
uma alma animosa faz mais em um dia que a tímida em um ano”.

9-27
Fevereiro 24, 1910

Luisa não pode manifestar-se ao confessor.

(1) Esta manhã, na comunhão, lamentava-me com Jesus de que não sei manifestar o meu estado
a quem devo; sinto-me, sim, muitas vezes cheia d’Ele, parece-me que em toda parte o toco, e
mesmo tocando-me a mim mesma toco a Jesus, mas não sei dizer uma palavra; não queria outra
coisa senão perder-me em Jesus, na profundidade do mais absoluto silêncio, e se sou obrigada a
falar, oh! Deus, que esforço devo fazer, e me sinto como uma menina que tem um sono pesado e a
querem despertar pela força, e por conseqüentemente faz birra.

Então dizia a Jesus: “De tudo me privaste, dos teus sofrimentos, dos teus favores,
de fazer-me ouvir a tua voz harmoniosa, doce e suave, não me reconheço mais por como me reduzi;
se me fazes entender alguma coisa, é tão dentro, que não encontra o caminho para sair fora.
Diga-me vida minha, como devo me comportar?” E Jesus:

(2) “Minha filha, se me tens a Mim, tens tudo, e isto te basta. Se te sentes cheia de Mim, é sinal de
que te tenho na casa da minha Divindade. Se um rico admitisse em sua casa a um pobre, é sinal
de que dará ao pobre tudo o que lhe seja necessário, apesar de que não lhe fale sempre, de que
não o acaricie, de outra maneira seria uma desonra para o rico. E não sou Eu mais que o rico?
Então acalme-se e trate de manifestar à obediência o que possa, o resto deixe tudo a meu
cuidado”.

10-24
Junho 21, 1911

Não há santidade se a alma não morre em Jesus.

(1) Estava a pensar na Mãe Celestial, quando tinha o meu sempre amável Jesus morto nos seus
braços, no que fazia e como se ocupava de Jesus. E uma luz acompanhada de uma voz dentro de
mim dizia:
(2) “Minha filha, o amor operava potentemente na minha Mãe. O amor consumia-a toda em Mim,
nas minhas chagas, no meu sangue, na minha própria morte e fazia-a morrer no meu amor; e o
meu amor, consumindo o amor e toda a minha Mãe, fazia-a ressurgir de amor novo, ou seja, toda
do meu amor. Assim que seu amor a fazia morrer, meu amor a fazia ressurgir a uma vida nova toda
em Mim, de uma maior santidade e toda divina. Assim, não há santidade se a alma não morre em
Mim; não há verdadeira vida se não se consome toda em meu amor”.

11-27
Julho 23,1912

O coração deve estar vazio de tudo.

(1) Encontrando-me com meu sempre amável Jesus, lamentava com Ele que além de suas
privações sentia meu pobre coração insensível, frio, indiferente a tudo e como se já não tivesse
vida. Que estado lamentável é o meu! Não obstante eu mesma não sei chorar minha desventura,
e já que eu mesma não sei ter compaixão de mim mesma, tenha Tu compaixão deste coração,
que tem amado tanto e que tanto te prometia receber.
(2) E Jesus: “Minha filha, não te aflijas por coisas que não merecem nenhuma aflição, e Eu em
vez de ter compaixão destes lamentos e de teu coração, me deleito neles e te digo: Alegra-te
comigo porque fiz perfeita aquisição de teu coração, e não sentindo mais nada de suas mesmas
alegrias e da vida de seu coração, venho eu mesmo a gozar de sua felicidade e de sua própria
vida. Então, deves saber que quando não sentes nada do teu coração, eu ponho o teu coração
no meu coração e o tenho repousando em doce sono e vou gozando-o se depois o sentes,
então a alegria é entre os dois juntos. Se tu me deixares fazer, Eu, depois de te haver dado
repouso em meu coração e gozado de ti, virei repousar em ti e te farei gozar dos contentamentos
de meu coração. Ah! minha filha, este estado é necessário para você, para Mim e para o mundo.
(3) Para você: Se você estivesse acordada teria sofrido muito ao ver os castigos que estou
mandando e os outros que mandarei, por isso é necessário te adormecer para não te fazer sofrer
tanto.
(4) É necessário para Mim: Quanto teria sofrido se não te contentasse, se não tivesse
condescendido com o que você quer, e você não me tivesse permitido que Eu mandasse os
castigos, então era necessário te anestesiar. Em certos tempos tristes e de necessidade de
castigos, é necessário escolher o caminho intermédio para nos fazer menos infelizes.
(5) É necessário para o mundo: Se Eu quisesse desabafar contigo e fazer-te sofrer como o fazia
anteriormente, e por isso contentar-te não dando ao mundo os castigos, a fé, a religião, a
salvação, teriam quase desaparecido do mundo, especialmente como os ânimos são dispostos
nestes tempos.
(6) Ah! minha filha, deixa-me fazer a Mim, quando te deva manter desperta e quando
adormecida; não me disseste que faça de ti o que Eu quero? Acaso queres retirar a tua palavra?”
(7) E eu: “Jamais! Jesus, mas temo que eu me tenha feito mal e por isso me sinto neste estado”.
(8) E Jesus: “Escuta, minha filha, acaso entrou em ti algum pensamento, afeto, desejo, que não
seja para Mim? Se alguma coisa disto tivesse entrado, deverias ter medo, mas se nada disto
existe, é sinal de que o teu coração está em Mim e o faço dormir. Virá, virá o tempo em que o
farei despertar, e então verás que tomarás a atividade de antes, e como tens estado em repouso
a atividade será maior”.
(9) Depois acrescentou: “Eu faço de todos os modos, faço as adormecidas de amor, as
ignorantes de amor, as loucas de amor, as doutas de amor, mas de tudo isto sabes qual é a
coisa que mais me importa? Que tudo seja amor, tudo o resto que não é amor nem sequer é
digno de um olhar”.

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