Estudo 23- Mística Cidade de Deus – Escola da Vontade Divina


MEDITAÇAO
CAPITULO 19
ÚLTIMA PARTE DO CAPÍTULO 21 DO APOCALIPSE, SOBRE A CONCEIÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA.

283. O texto da última e terceira parte do Apocalipse, capítulo 21, que estou explicando é o seguinte:
“E os fundamentos do muro da cidade eram ornados de toda a qualidade de pedras preciosas. O primeiro fundamento de jaspe; o segundo de safira; o terceiro de calcedônia; o quarto de esmeralda; o quinto de sardônica; o sexto de sárdio; o sétimo de crisólito; o oitavo de berilo; o nono de topázio; o décimo de crisópraso, o undécimo de jacinto; o duodécimo de ametista. E as doze portas eram doze pérolas; e cada porta era uma pérola, e a praça da cidade era de ouro puro, como vidro transparente. E não vi templo nela, porque o Senhor Deus onipotente e o Cordeiro é o seu templo. E esta cidade não tem necessidade de sol, nem de lua, que a ilumine, porque a claridade de Deus a ilumina, e a sua lâmpada é o Cordeiro. E as nações caminharão à sua luz e os reis da terra lhe trarão a sua glória e a sua honra. E as portas não se fecharão no fim de cada dia, porque ali n a o haverá noite. Ser-lhe-ão trazidas a glória e a honra das nações. Não entrará nela coisa alguma contaminada, ou quem comete abominações ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Ap 21,19-27). Até aqui chega o texto do capítulo XXI que vou explicando.

Os alicerces da cidade de Deus

284. O Altíssimo de Deus escolhera esta cidade de Maria para sua habitação, a mais apropriada e aprazível que, fora de si mesmo, em pura criatura, poderia ter. Não era muito que construísse os alicerces do muro de sua cidade com os tesouros de sua divindade e méritos de seu Filho Santíssimo, adornando-os de todo gênero de pedras preciosas.
Os muros de sua fortaleza e segurança; as pedras preciosas da sublime beleza de sua santidade e dons; os alicerces do muro, quer dizer, de sua conceição: tudo nela deveria estar proporcionado entre si e de acordo com o altíssimo fim para o qual fora edificada, a saber: Deus iria Nela habitar pelo amor e pela humanidade que recebeu em seu virginal seio.
Tudo isto compreendeu e disse o Evangelista. Para Deus habitar em Maria como em fortaleza invencível, exigia especial dignidade, santidade e fortaleza. Daí convinha que os fundamentos de seus muros – os primeiros princípios de sua Conceição Imaculada – fossem construídos com todo o gênero de virtudes em grau eminentíssimo, e de tanta riqueza que não se encontrassem pedras mais preciosas para seus alicerces.
Jaspe: constância, fortaleza e poder sobre o demônio

285. “ O primeiro fundamento ou pedra era de jaspe”, cujo matiz e solidez significam a constância e fortaleza infundida nesta grande Senhora, no momento de sua Conceição santíssima.
Com esta virtude ficou preparada para, no decurso de sua vida, praticar todas as virtudes com inabalável magnanimidade e constância. Estas virtudes e hábitos infundidos em Maria Santíssima, no instante de sua conceição, foram simbolizados por estas pedras preciosas.
Foram dotadas de singulares privilégios concedidos pelo Altíssimo, que explicarei quanto me for possível.
Compreendendo o simbolismo, entender-se-á o mistério dos doze fundamentos da cidade de Deus. Com o hábito da fortaleza em geral, foi-lhe concedido especial
domínio sobre a antiga serpente, e poder para vencer e sujeitar os demônios.
Infundia-lhes tal espécie de terror que os afugentava, e à grande distância ainda a temiam, apavorados de se aproximarem dela.
Foi liberalíssima a divina providência com Maria: não a incluiu nas leis comuns dos filhos do primeiro pai; livrou a da culpa original e da sujeição ao demônio, conseqüência da culpa. Isentando-a de todos estes males, concedeu-lhe sobre os demônios o poder que os homens perderam, por não se haverem conservado no estado da inocência.
Além de tudo isso, pelo fato de ser Mãe do Filho do eterno Pai descido às suas entranhas para destruir o império do mal, foi outorgado à eminentíssima Senhora participação no poder real do ser divino.
Com este poder subjugava os demônios, e muitas vezes os enviava às cavernas infernais, como adiante direi.

Safira: serenidade

286. “O segundo é safira”. Esta pedra é da cor do céu sereno e claro, e apresenta uns pontozinhos ou átomos dourados e refulgentes. Significa a tranqüilidade que o Altíssimo concedeu aos dons e graças de Maria Santíssima para sempre gozá-los, como em céu inalterável de serena paz, sem nuvens de perturbação.
Desta tranqüilidade se lhes desprendiam, desde o instante de sua imaculada conceição, certos reflexos de divindade. Provinham da participação e semelhança de suas virtudes com os atributos divinos, em particular a imutabilidade, e da clara visão da divindade que muitas vezes recebeu sendo ainda viadora, como adiante direi Concedeu-lhe o Senhor, com este dom singular, privilégio e virtude para comunicar calma e serenidade de entendimento a quem, por sua intercessão, pedi-lo a Deus. Assim solicitaram e alcançaram os fiéis, quando assaltados pelas agitadas tormentas dos vícios.

Calcedônia: o nome de Maria

287. “O terceiro é calcedônia • O nome desta pedra deriva-se da Calcedônia, província onde é encontrada. Tem a cor do Rubi, e à noite brilha qual uma lanterna.
O mistério desta pedra é simboliza nome de Maria Santíssima e a virtude ele encerra. Recebeu-o da província deste mundo onde viveu, chamando-se filha de Adão como os demais.
Maria, pronunciado com acento latino (Mária), significa mares, porque foi o oceano das graças e dons da Divindade.
Com elas inundou o mundo através de sua conceição puríssima, afogando a malícia do pecado e suas conseqüências. Desterrou as trevas do abismo com a luz de seu
espírito, iluminado pelo farol da sabedoria divina.
Correspondente a este fundamento, concedeu o Altíssimo especial virtude ao nome santíssimo de Maria. Afugenta as espessas nuvens da infidelidade e destrói os erros da heresia, paganismo, idolatria e quaisquer dúvidas sobre a fé católica.
Se os infiéis procurassem e invocassem esta luz, é certo que muito depressa sacudiriam do entendimento as trevas de seus erros. Felizmente mergulhariam neste mar da Mãe de Deus, pela virtude que do alto lhe foi concedida para esse fim.

  1. Esmeralda: amabilidade

    288. “O quarto fundamento é esmeralda”, cuja agradável cor verde recreia e descansa a vista.
    Misteriosamente exprime a graça Maria Santíssima recebeu em sua condição, para ser amabilíssima e graciosa aos olhos de Deus e das criaturas. Jamais ofenderia seu santo Nome e memória, conservando em si mesma o verdor e viço da Santidade, com as virtudes e dons que recebera.
    Correspondente a esta graça, deu-Ihe o Altíssimo poder para comunicar aos fiéis devotos que a invocassem, a perseverança e constância nas virtudes e amizade
    de Deus.Sardônica: sofrimento e pureza

    289. “O quinto é sardônica” (v.20). Esta pedra é transparente e sua tonalidade aproxima-se do encarnado claro, ainda que seja composta de três cores em gracioso conjunto: na parte inferior preto, no meio branco e na superior rosado.
    O mistério desta pedra e suas cores, simboliza tanto a Mãe como seu Filho santíssimo. O negro exprime, em Maria, a parte inferior e terrena do corpo escurecido
    pela mortificação e sofrimento; no de seu Filho santíssimo, os tormentos sofridos pelas nossas culpas (Is 53,2). O branco significa a pureza da alma da virgem Mãe e a de Cristo, nosso bem. O rosado figura, em Cristo, a divindade unida hipostaticamente à humanidade. Em Maria, a participação do amor de seu Filho santíssimo com os resplendores da Divindade a Ela comunicados.
    Por este fundamento foi concedido à grande Rainha do céu, interceder para que os frutos da Encarnação e Redenção fossem eficazes aos seus devotos. Para
    conseguirem este benefício, alcança-lhes particular devoção aos mistérios e à vida de Cristo Senhor nosso.Sárdio: amor de Deus

    290. “0 sexto é sárdio”. Esta pedra também é transparente. Por imitar a clara chama do fogo, significou o dom concedido à Rainha do céu, de em seu coração, sempre arder a chama do divino amor. Este incêndio nunca se apagou nem se interrompeu em seu peito. Desde o instante de sua conceição, em que foi aceso
    este fogo, sempre cresceu e, no supremo grau possível em pura criatura, arde e arderá por toda a eternidade.
    Aqui foi concedido à Maria Santíssima especial privilégio para dispensar o influxo do Espírito Santo, seu amor e dons, a quem os pedir mediante sua intercessão.

    Crisólito: amor à Igreja

    291. “O sétimo é crisólito”.
    Esta pedra é cor de ouro refulgente assemelhando-se ao fogo, mais visível à noite que durante o dia.
    Simboliza o ardente amor que Maria Santíssima teve à Igreja militante, a seus mistérios e especialmente à lei da graça. Este amor brilhou mais durante a noite que desceu sobre a Igreja, depois da morte de seu Filho Santíssimo. Refulgiu no magistério que esta grande Rainha desempenhou nos princípios da lei evangélica,
    e no fervor com que pediu seu estabelecimento e Sacramentos. Em tudo cooperou, – como em seus lugares direi – com ardentíssimo amor pela salvação humana, tendo sido a única que soube e pôde fazer digno apreço da santíssima lei de seu Filho.
    Dotada com este amor, desde sua imaculada conceição, -e preparada para coadjutora de Cristo nosso Senhor, foi-lhe concedido este especial privilégio: alcançar, para quem a invocar, a graça de bem se dispor para a recepção dos sacramentos da santa Igreja, sem opor impedimentos a seus efeitos e fruto espiritual.

    Berilo: fé e esperança

    292. “O oitavo é berilo”, de cor verde amarelada, semelhante ao oliva e muito brilhante.
    Representa as singulares virtudes da fé e esperança comunicadas à Maria Santíssima em sua conceição. Acompanhava-as especial luz para empreender coisas árduas e superiores, como efetivamente realizou para glória de seu Criador.
    Foi-lhe concedido com este dom, comunicar a seus devotos fortaleza e paciência nas tribulações e dificuldades.
    Dispensa aquelas virtudes e dons, por graça da divina fidelidade e assistência do Senhor.

    Topázio: casta virgindade

    293. O nono é topázio”. Esta pedra é transparente, roxa e muito preciosa.
    Exprimiu a honestíssima virgindade de Maria Senhora nossa, unida à sua divina maternidade, dons que Ela estimou e agradeceu humildemente durante toda a
    vida. No momento de sua conceição, pediu ao Altíssimo a virtude da castidade, prometendo guardá-la enquanto fosse viadora.
    Conheceu, então, que esta rogativa lhe era concedida muito além de seus votos e desejos, não apenas para ela, mas também para ser guia e mestra das almas virgens e castas, suas devotas. Por sua intercessão, alcançariam estas virtudes e a perseverança nelas.

    Crisópraso: esperança

    294. “O décimo é crisópraso cuja cor é verde, um pouco dourada. Símbolo da firmíssima esperança realçada pelo amor de Deus, concedida a Maria Santíssima em sua conceição. Esta virtude foi inabalável em nossa Rainha e comunicou às demais este mesmo efeito.
    Essa estabilidade fundava-se na constância imutável de seu generoso ânimo em todos os trabalhos e ocorrências de sua vida santíssima, especialmente na morte e paixão de seu benditíssimo Filho. Com este benefício, foi-lhe outorgado ser eficaz medianeira junto ao Altíssimo, para obter aos seus devotos a virtude da firme esperança.

    Jacinto: amor misericordioso

    295. “O undécimo é jacinto” de perfeita cor violácea. Neste fundamento encerra-se o amor pela redenção do gênero humano. Infundido em Maria Santíssima desde sua conceição, era antecipadamente participado daquele que levaria seu Filho e nosso Redentor a dar a vida pelos homens.
    Como este sacrifício seria a origem da salvação dos pecadores e justificação das almas, com este amor que lhe durou toda a vida, foi concedido a esta grande Rainha, o privilégio de interceder por qualquer espécie de pecadores, por grandes e abomináveis que fossem. Nem um sequer seria excluído do fruto da Redenção
    e justificação, se a invocasse fervorosamente, alcançando por esta poderosa Senhora e Advogada, a vida eterna.

    Ametista: poder sobre o inferno

    296. “O duodécimo é ametista” e cor refulgente com reflexos violáceos.
    O mistério desta pedra ou fundamento é análogo ao primeiro. Significa certo gênero de poder concedido à Maria Santíssima em sua conceição, contra as forças do inferno. Sentiam os demônios sair Dela uma força que, mesmo sem sua ação pessoal, os atormentava, caso quisessem se lhe aproximar.
    Foi-lhe concedido este privilégio pelo incomparável zelo desta Senhora em defender a honra e glória de Deus. Em virtude deste singular benefício, tem Maria Santíssima particular poder para expelir os demônios dos corpos humanos, mediante a invocação de seu dulcíssimo nome. E ele tão poderoso contra estes espíritos malignos, que só de ouvi-lo ficam vencidos e aniquilados.
    Estes são, em resumo, os mistérios dos doze fundamentos sobre os quais Deus edificou sua cidade santa, Maria.
    Ainda que contenham muitos outros mistérios a respeito das graças que recebeu, não é possível explicar tudo inteiramente.
    No decurso desta história, porém, irão sendo manifestados, segundo a luz e capacidade que Deus me conceder para os declarar.

    Maria, porta do céu
    297. Prossegue o Evangelista: “As doze portas são doze pérolas, cada porta de uma pérola” (v, 21).
    O grande número de portas nesta cidade traduz que, por Maria Santíssima e sua inefável dignidade e merecimentos, a entrada para a vida eterna fez-se tão feliz
    quão gratuita. Era como devido à excelência desta Rainha que nela se exaltasse a infinita misericórdia do Altíssimo. Por Ela seriam abertos inúmeros caminhos para a Divindade se comunicar e para todos os mortais entrarem em sua participação, caso quisessem passar pelos méritos e poderosa intercessão de Maria Santíssima.
    A grandiosidade, valor, formosura e preciosidade destas doze portas que eram de pérolas, manifesta o valor da dignidade e das graças desta Imperatriz das alturas, e a suavidade de seu dulcíssimo nome para atrair os mortais a Deus.
    Conheceu Maria Santíssima a graça que o Senhor lhe fazia de ser, através de seu Filho Unigênito, medianeira única do gênero humano, e dispenseira dos tesouros
    de sua divindade. Usando deste privilégio, soube a prudente e oficiosa Senhora tomar tão preciosos e belos os méritos de suas obras e dignidade, que arrebata de admiração os bem-aventurados do céu. Assim, foram as portas desta cidade preciosas pérolas, tanto para Deus como para os homens.

    O interior de Maria

    298. E a praça desta cidade era de ouro puríssimo como vidro transparente”
    (v. 21).

    A praça desta cidade de Deus, Maria Santíssima, é seu interior, onde, como em lugar público, reúnem-se as faculdades da alma. Al i se realiza o comércio e as
    atividades da cidade da alma, com tudo o que nela entra pelos sentidos ou por outros caminhos.
    Esta praça, em Maria Santíssima, foi de ouro lúcido e puríssimo, porque era construída de sabedoria e amor divino. Ali nunca existiu tibieza, ignorância ou inadvertência; todos os seus pensamentos foram altíssimos e seus afetos inflamados em imensa caridade.
    Nesta praça consultaram-se os mistérios altíssimos da Divindade. Ali despachou-se aquele fiat mihi (Lc 1, 38) que deu princípio à maior obra que Deus haja feito nem fará jamais. Ali nasceram e foram ponderadas inumeráveis rogativas para serem apresentadas no tribunal de Deus a favor da humanidade.
    Ali estão depositadas riquezas que bastariam para tirar da pobreza o mundo inteiro, se todos participassem no comércio desta praça. É também praça armada
    contra o demônio e todos os vícios, pois no interior de Maria puríssima habitaram graças e virtudes que a tornaram terrível contra o inferno, enquanto para nós são
    força e virtude para vencê-lo.

    Deus em Maria, e Maria em Deus

    299. “Na cidade não há templo porque o Senhor Deus onipotente e o Cordeiro é o seu templo”(v. 22).
    Nas cidades, o templo destina-se ao culto de Deus e à oração. Seria grande falta, se na cidade de Deus não houvesse templo à altura de sua grandeza e excelência.
    Nesta cidade de Maria Santíssima, porém, houve templo tão sagrado, que o mesmo Deus onipotente e o Cordeiro, a divindade e a humanidade de seu Filho Unigênito, foram seu templo. Nela habitaram como em seu legítimo lugar, e ali foram adorados e reverenciados, em espírito e verdade (Jo 4, 23), mais dignamente que em todos os templos do mundo. Por sua vez, a humanidade e a Divindade de Cristo foram também templo para Maria puríssima, porque nelas esteve encerrada como numa habitação e tabernáculo (SI 92, 5).
    Como ao templo é devida a santidade em qualquer momento, nele nunca cessou de adorar, dar culto e orar a Deus e ao Verbo encarnado em seu seio. Deste
    modo, estava em Deus e no Cordeiro como em seu templo.
    Por este motivo, ao considerar esta divina Senhora, sempre a devemos imaginar na Divindade e em seu Filho santíssimo, como que encerrada num templo.
    Então, entenderemos que atos e operações de amor, adoração e reverência realizaria; que delícias gozaria com o Senhor e que súplicas faria a favor do gênero
    humano.
    Em Deus, compreendia a grande necessidade da redenção humana, inflamava-se em caridade e pedia e suplicava do íntimo do coração, a salvação dos mortais.
    Maria, instruída só por Deus
    300. Diz também o Evangelista: “A cidade não tem necessidade do sol nem da lua que a iluminem, porque a claridade de Deus a iluminou e sua lâmpada é o Cordeiro” (v. 23).
    Na presença de uma claridade mais forte e refulgente que a do sol ou da lua, estes já não são necessários. Tal acontece no céu empíreo onde existem infinitos sóis, e não lhe faz falta este que nos alumia, ainda que seja tão resplandecente e formoso.
    Para Maria Santíssima, nossa Rainha, não foi necessário outro sol ou lua de criaturas que a iluminassem e guiassem, porque só Ela agradou a Deus mais que
    todas. Tampouco sua sabedoria, santidade e perfeição pôde ter outro mestre e árbitro que o mesmo Sol de justiça, seu Filho Santíssimo. Todas as demais criaturas
    foram ignorantes para ensiná-la a merecer ser digna Mãe de seu Criador, em cuja escola aprendeu a ser humilíssima e obedientíssima entre todos os humildes e
    obedientes.
    Instruída pelo mesmo Deus, nem por isso deixou de consultar e obedecer, até aos mais inferiores, nas coisas que convinha lhes obedecer. Singular discípula
    Daquele que emenda os sábios, aprendeu com Ele esta divina sabedoria. Veio a ser tão sábia que o Evangelista pôde dizer:

    Maria, luz para as criaturas

    301. “E as nações caminharão à sua luz” (v. 24).
    Se Cristo, Senhor nosso, chamou aos doutores e santos, luzes acesas (Mt 5,34) sobre o candelabro da Igreja para a iluminarem; se o esplendor da luz derramada
    pelos patriarcas, profetas, apóstolos, mártires e doutores, encheram a Igreja católica de tanta claridade que ela parece um céu com muitos sóis e luas – que se poderá dizer de Maria Santíssima, cuja luz e esplendor excede incomparavelmente, a todos os mestres e doutores da Igreja, e ainda aos mesmos anjos do céu?
    Se os mortais tivessem olhos abertos para ver estas luzes de Maria Santíssima, Ela só bastaria para iluminar a todo o homem que vem a este mundo e encaminhá-lo pelas sendas retas da eternidade. E porque todos os que chegaram ao conhecimento de Deus, foi caminhando com a luz desta santa cidade, diz S. João: “As nações caminharão à sua luz.

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