Estudo 23 – Livro do Céu Vol. 1 ao 11 – Escola da Vontade Divina



Novas regras de vida. Jesus lhe indica o novo sistema de vida.

(161) Agora eu continuo narrando de onde eu fiquei, e eis que ele colocou um remédio:
(162) Pela manhã eu fui para comungar, e assim que eu recebi a Jesus, súbito eu lhe disse:
“Senhor meu, olha em que tempestade me encontro, deveria te agradecer porque lhe deste luz ao confessor para me dar a obediência de sofrer, em troca minha natureza o lamenta tanto, que eu mesma fiquei confusa ao me ver tão má. Mas tudo isto é nada, porque Tu que queres o sacrifício me darás também a força. Mas a razão de maior peso em mim é ter que estar tanto tempo sem poder receber no Sacramento, quem poderá resistir sem Ti? Quem me dará força? Onde posso encontrar consolo nas minhas aflições?” E enquanto dizia isto, sentia tais penas no coração por esta separação de Jesus Sacramentado, que chorava copiosamente. Então o Senhor compadeceu-se da minha fraqueza e disse-me:
(163) “Não temas, eu mesmo sustentarei a tua fraqueza, tu não sabes que graças te preparei, por  isso temes tanto. Eu não sou Eu Onipotente? Não posso suprir a privação de me receber no
Sacramento? Por isso ri-te, põe-te como morta em meus braços, faze-te vítima voluntária para me reparar as ofensas, pelos pecadores e para evitar aos homens os merecidos flagelos. E eu dou-te em penhor a minha palavra de não deixar nem um só dia sem vir visitar-te. Até agora tu vieste a Mim, de agora em diante virei Eu a ti. Não estás contente?”
(164) Então eu me resignei à Santa Vontade de Deus, e fui surpreendida por este estado de sofrimentos. Quem pode dizer as graças que o Senhor começou a me dar? É impossível poder
dizer tudo detalhadamente, poderei dizer alguma coisa confusamente, mas por quanto possa e para cumprir a santa obediência que assim o quer, esforçar-me-ei em dizer por quanto me seja
possível.
(165) Lembro-me que desde o início deste estar continuamente na cama, o meu amado Jesus fazia-se ver muito frequentemente, o que não tinha feito no passado. Desde o início me disse que
queria que levasse um novo sistema de vida para dispor-me àquele místico matrimonio que me havia prometido, me dizia:
(166) “Amada de meu coração, te coloquei neste estado a fim de poder vir mais livremente e conversar contigo, olha, te liberei de todas as ocupações externas a fim de que não só a alma, mas
também o corpo esteja a minha disposição, E assim podes estar em contínuo holocausto diante de Mim. Se não te tivesse posto nesta cama, a dever-te a ti os deveres de família e sujeitar-te a outros sacrifícios, não poderia Eu vir tão freqüentemente e te fazer partícipe das ofensas conforme as recebo, no máximo deveria esperar que cumprisse seus deveres, mas agora não, agora ficamos livres, já não há ninguém que nos incomode e que interrompa a nossa conversa, de agora em diante as minhas aflições serão tuas, e as tuas, minhas, os meus sofrimentos teus, e os meus, as minhas consolações tuas, e as tuas; uniremos todas as coisas juntas e tu tomarás interesse das minhas coisas como se fossem tuas, e assim não haverá mais entre nós dois, isto é meu e isto é teu, senão que tudo será comum por ambas as partes.
(167) Sabes como fiz contigo? Como um rei quando quer falar com sua esposa rainha, e esta se encontra com suas damas em outras ocupações. O rei, o que faz? A toma e a leva dentro de seu
quarto, fecha as portas para que ninguém possa entrar a interromper sua conversação e ouvir seus segredos, e assim estando sós se comunicam reciprocamente suas aflições e seus consolos.
Agora, se algum imprudente fosse bater à porta, a gritar atrás dela e não os deixasse gozar em paz sua conversa, o rei não o tomaria a mal? Foi o que eu fiz contigo, e se alguém te quiser distrair deste estado, também me desagradaria”.
(168) E ele continuou a dizer-me: “Quero de ti perfeita conformidade com minha Vontade, de tal modo de desfazer tua vontade na minha, desapego absoluto de toda coisa, tanto que tudo o que é terra quero que seja tido por ti como esterco e podridão que dá horror ao só olhá-lo, e isto porque as coisas terrenas, Ainda que não se tivesse apego a elas, só tê-las em torno e olhá-las obscurecem as coisas celestiais e impedem realizar esse matrimonio místico que te prometi. Além disso quero que assim como Eu fui pobre, também me imites na pobreza, deves considerar-te
nesta cama como uma pobrezinha, os pobres se contentam com o que têm, e agradecem-me primeiro a Mim, e logo a seus benfeitores. Assim você aceita-te com o que te é dado, sem pedir
nem isto nem aquilo, porque poderia ser um estorvo em tua mente e com santa indiferença, sem pensar se isso te faria bem ou mal te submeta à vontade dos demais”.

2-25
Maio 23, 1899

Jesus brinca e fala do verdadeiro desapego.

(1) Desta vez meu adorável Jesus queria brincar um pouco; vinha, fazia ver que me queria
escutar, mas enquanto me punha a falar, como um raio desaparecia. ¡¡ Oh Deus, que
pena! Enquanto meu coração nadava nesta tristeza amarguíssima da distância de Jesus e
estava quase um pouco inquieto, Jesus voltou de novo dizendo-me:
(2) “O que há, o que há? Mais calma, mais calma! Diga, diga, o que você quer?”
(3) Mas no momento da resposta ele desapareceu. Eu fazia o possível para me acalmar, mas o
que, depois de algum tempo meu coração voltou a não saber dar-se paz sem seu único e só
consolo e talvez mais que antes. Jesus voltando de novo me disse:
(4) “Minha filha, a doçura tem a virtude de fazer mudar a natureza às coisas, sabe converter o
amargo em doce, por isso, mais doce, mais doce”.
(5) Mas não me deu tempo de dizer uma só palavra. Assim passei esta manhã.
(6) Depois disto, senti-me fora de mim mesma juntamente com Jesus. Havia muitas pessoas,
que cobiçavam as riquezas, quem a honra, quem a glória e quem até a santidade, e tantas
outras coisas, mas não por Deus, mas para serem consideradas como algo grande pelas
outras criaturas. Jesus dirigindo-se a elas, movendo a cabeça lhes disse:
(7) “Que tolos sois, estais formando a rede para enredar-vos”.
(8) Depois, dirigindo-se a mim, disse-me:
(9) “Minha filha, por isso a primeira coisa que tanto recomendo é o desapego de todas as
coisas e até de si mesmo, e quando a alma se despegou de tudo, não tem necessidade de se
fazer força para estar longe de todas as coisas da terra, que por elas mesmas se põem a seu
redor, mas visto que não são levadas em conta, mas bastante desprezadas, dando-lhe um
adeus se despedem para não lhe dar mais incômodo”.

3-23
Janeiro 1, 1900

Efeito do conhecimento de si mesmo.

(1) Achando-me muito aflita pela privação do meu sumo e único Bem, depois de muito esperar e
esperar, finalmente o vi sair chorando de dentro do meu coração, fazendo-me sinal com os olhos
que lhe doía a ferida feita na circuncisão, e por isso chorava, e que esperava de mim que lhe
secasse o sangue que corria da ferida e adoçasse a dor do corte. Eu era toda compaixão e
confusão ao mesmo tempo, tanto que não me atrevia a fazê-lo, mas atraída pelo amor, não sei
como encontrei um trapo na mão e tratei por quanto pude limpar o sangue ao menino Jesus.
Enquanto fazia isto, sentia-me toda cheia de pecado, e pensava que eu era a causa dessa dor de
Jesus Oh, como me dava pena, me sentia absorvida naquela amargura e o bendito menino
compadecendo meu miserável estado me disse:

(2) “Quanto mais a alma se humilha e se conhece a si mesma, tanto mais se aproxima da verdade,
e encontrando-se na verdade procura dirigir-se ao caminho das virtudes, do qual se vê muito
longínqua, e se vê que se encontra neste caminho, logo descobre o muito que lhe resta a fazer,
porque as virtudes não têm termo, são infinitas como eu sou. Então, a alma, encontrando-se na
verdade, procura sempre aperfeiçoar-se, mas jamais chegará a ver-se perfeita, e isto lhe serve e
fará com que a alma esteja continuamente trabalhando, esforçando-se para mais aperfeiçoar-se,
sem perder o tempo em ociosidades; E eu, me comprazendo com este trabalho, pouco a pouco
vou retocando-a para pintar nela minha semelhança. Eis por que quis ser circuncidado, para dar
um exemplo de grandíssima humildade, que fez desconcertar os próprios anjos do Céu”.

4-25
Outubro 29, 1900

A coisa mais essencial e necessária numa alma é a caridade.

(1) Depois de ter passado alguns dias de privação e de silêncio, esta manhã ao vir o bendito Jesus
disse: “Vê-se que não é mais Vontade tua o meu estado”.
(2) E Ele: “Sim, sim; levanta-te e vem aos meus braços”.
(3) Por este falar esqueci o estado penoso dos dias passados e corri a seus braços, e como se via
o lado aberto disse: “Meu amado, já faz algum tempo que não me admitiste a chupar do teu lado,
peço-te que me admitas hoje”.
(4) E Jesus: “Amada minha, bebe pois ao teu prazer e cura-te”.
(5) Quem pode dizer minha alegria e avidez com que pus minha boca para beber daquela fonte divina?
Depois de beber até não ter mais onde colocar nem sequer outra gota, separei-me, e Jesus
me disse:
(6) “Saciaste-te? Se não, segue bebendo”.
(7) E eu: “Saciada não, porque dessa fonte quanto mais se bebe, mais cresce a sede, só que
sendo muito pequena minha capacidade, não sou capaz de conter mais”.
(8) Depois disto via com Jesus outras pessoas, e disse:
(9) “A coisa mais essencial e necessária numa alma é a caridade; se não há caridade, acontece
como aquelas famílias ou reinos que não têm governantes, tudo está transtornado, as coisas mais
belas ficam obscurecidas, não se vê nenhuma harmonia, quem quer fazer uma coisa e quem outra.
Assim acontece na alma onde não reina a caridade, tudo está em desordem, as mais belas
virtudes não harmonizam entre elas, por isso a caridade se chama rainha, porque tem regime,
ordem, e dispõe tudo”.

5-24
Outubro 24, 1903

Imagem da Igreja.

(1) Havendo dito ao confessor meus temores de que não fosse Vontade de Deus meu estado, e
que ao menos como prova gostaria de tratar de esforçar-me em sair, e ver se o conseguia ou não.
E o confessor, sem pôr sua acostumada dificuldade disse: “Está bem, amanhã provará”.
(2) Então eu fiquei como se tivesse sido libertada de um peso enorme. Agora, tendo ouvido a Santa
Missa e recebido a comunhão, assim que vi o meu adorável Jesus dentro de mim que me olhava
fixamente, com as mãos juntas, em ato de pedir piedade e ajuda. E nesse momento me encontrei
fora de mim mesma, dentro de uma estadia onde estava uma mulher majestosa e venerável, mas
gravemente doente, dentro de um leito com a cabeceira tão alta que quase tocava o teto; e eu era
obrigada a estar acima desta cabeceira nos braços de um sacerdote para tê-la firme, e olhar a
pobre doente. Então eu, enquanto estava nesta posição, via uns poucos religiosos que rodeavam e
davam cuidados à paciente, e com profunda amargura diziam entre eles: “Está mal, está mal, não
se necessita outra coisa que uma pequena sacudida”. E eu pensava em ter firme a cabeceira do
leito por temor de que movendo-se o leito pudesse morrer. Mas vendo que a coisa ia para longo e
quase me aborrecendo do mesmo lazer, dizia a aquele que me tinha, por caridade, me abaixa, não
estou fazendo nenhum bem, nem dando nenhuma ajuda, em que aproveita o estar me assim inútil?
se abaixo ao menos posso servi-la, ajudá-la”.
(3) E aquele: “Não ouviu que mesmo com uma pequena sacudida pode piorar e acontecer-lhe
coisas tristíssimas? Assim, se você descer, não havendo quem mantenha firme o leito pode
inclusive morrer”.
(4) E eu: “Mas pode ser possível que fazendo só isto lhe possa vir este bem? Eu não acredito, por
piedade abaixa-me”. Então, depois de ter repetido várias vezes estas palavras, baixou-me ao chão,
e eu sozinha, sem que nenhum me detivesse me aproximei da doente, e com surpresa e dor via
que o leito se movia. A esses movimentos punha-se o rosto lívido, tremia, aparecia o estertor da
agonia. Aqueles poucos religiosos choravam e diziam: “Não há mais tempo, já está nos momentos
extremos”. Depois entravam pessoas inimigas, soldados, capitães para bater na doente, e aquela
mulher moribunda levantou-se com intrepidez e majestade para ser ferida e golpeada. Ao ver isto
tremia como uma cana e dizia entre mim: “Eu fui a causa, eu dei o empurrão para que acontecesse
tanto mal”. E compreendia que aquela mulher representava a Igreja doente nos seus membros,
com tantos outros significados que me parece inútil explicar, porque se compreende lendo o que
escrevi. Então eu encontrei em mim mesma e Jesus em meu interior disse:

(5) “Se te suspender para sempre, os inimigos começarão a fazer derramar sangue à minha Igreja”.

(6) E eu: “Senhor, não é que não queira estar, o Céu me guarde que eu me afaste de sua Vontade
mesmo por um abrir e fechar de olhos, só que se quiser estarei, se não quiser me tirarei”.

7) E Ele: “Minha filha, mal o confessor te libertou, isto é, quando te disse: “Está bem, amanhã
tentamos”. O nó de vítima soltou-se, porque só o adorno da obediência é o que constitui a vítima, e
jamais a aceitaria por tal sem este adorno, ainda que a custo, se fosse necessário, de fazer um
milagre de minha onipotência para dar luz a quem dirige, para fazer dar esta obediência. Eu sofri,
sofri voluntariamente, mas quem me constituiu vítima foi a obediência a meu amado Pai, que quis
adornar todas minhas obras, desde a maior até a menor com o adorno honorífico da obediência”.
(8) Mais tarde, encontrando-me em mim mesma, sentia temor de tratar de sair, mas depois me
arranjava dizendo: “Devia pensar quem me deu a obediência, e além disso, se o Senhor o quiser,
eu estou disposta”.

6-26
Março 14, 1904
Pela necessidade dos tempos, Jesus pede o silêncio porque quer castigar.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, depois de muito esperar, o bendito Jesus saiu de
meu interior, e eu querendo falar me pôs o dedo na boca dizendo:
(2) “Cala-te, cala-te”.
(3) Eu fiquei mortificadíssima e não tive mais coragem de abrir a boca, e o bendito Jesus vendo-me
tão mortificada acrescentou:
(4) “Minha querida filha, a necessidade dos tempos traz o silêncio, porque se você me fala, sua
palavra ata minhas mãos e jamais chego aos fatos de castigar como convém, e estamos sempre
de cabeça, por isso é necessário que entre você e eu tenha lugar por algum tempo o silêncio”.
(5) E enquanto isso dizia, ele lançou um cartaz no qual estava escrito: “São decretados flagelos,
penas e guerras”. E desapareceu.

7-26
Julho 2, 1906

Com os seus sofrimentos forma um anel a Jesus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado e continuando meus sofrimentos um pouco mais,
veio meu bendito Jesus e me disse:
(2) “Minha filha, verdadeiramente já te quero trazer, porque quero estar livre para me ocupar com
o mundo”.
(3) Parece que queria tentar-me, mas eu não lhe disse nada de levar-me, porque a obediência

quer o contrário, e também porque me luto do mundo. Enquanto pensava assim, Jesus mostrou-
me a sua mão, na qual tinha um lindo anel com uma jóia branca, e de esta jóia pendia muitas
argollitas de ouro entrelaçadas, que formavam um belo adorno à mão de Nosso Senhor, e Ele ia
mostrando-o, tanto lhe agradava, e depois adicionou:
(4) “Este anel foi feito por você nestes dias passados por meio de seus sofrimentos, e eu estou
preparando um mais belo para você”.

8-23
Fevereiro 7, 1908

A vida é um peso que será mudado em um tesouro.

(1) Continuando o meu habitual estado, estava a pensar no peso enorme que o bendito Jesus
sentiu ao levar a cruz, e dizia entre mim: “Senhor, também a vida é um peso, mas que peso!
especialmente pela distância de Ti, meu Bem Supremo”. Enquanto eu estava nisso, ele veio e me
disse:
(2) “Minha filha, é verdade que a vida é um peso, mas quando este peso é levado junto Comigo, no
final da vida vê-se que este peso pode ser descarregado em Mim, e você vai encontrar este peso
trocado em tesouro, onde você vai encontrar jóias, pedras preciosas, brilhantes e todas as riquezas
que te farão feliz para sempre”.

9-25
Novembro 25, 1909

Tanto em Jesus como nas almas, o primeiro trabalho é feito pelo amor.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, estava pensando na agonia de Jesus no Horto e
apenas fazendo-se ver o bendito Jesus me disse:
(2) “Minha filha, os homens não fizeram outra coisa senão trabalhar a crosta da minha
humanidade, e o amor eterno trabalhou-me tudo o de dentro, assim que em minha agonia, não os
homens, senão o amor eterno, o amor imenso, o amor incalculável, o amor oculto, foi o que me
abriu grandes feridas, me traspassou com cravos abrasadores, me coroou com espinhos ardentes,
me deu de beber fel fervente, assim que minha pobre Humanidade não podendo conter tantas
espécies de martírios a um mesmo tempo, fez sair rios de sangue, se contorcionava e chegou a
dizer:
“Pai, se é possível tira de mim este cálice, mas não a minha, mas que se faça a tua
Vontade.” O que não fez no resto da Paixão. Então tudo o que sofri no curso da Paixão, sofri tudo
junto na agonia do jardim, mas de modo mais intenso, mais doloroso, mais íntimo, porque o amor
penetrou até a medula dos ossos e nas fibras mais íntimas do coração, onde as criaturas nunca
poderiam chegar, mas o amor chega a tudo, não há nada que eu possa resistir. Então o meu
primeiro carrasco foi o amor. Por isso no curso da Paixão não houve em Mim nem sequer um olhar
ameaçador para quem me fazia de carrasco, porque tinha um carrasco mais cruel, mais ativo em
Mim, que era o amor, e onde os carrascos externos não chegavam, ou qualquer ponto que ficava
sem tocar, o amor fazia seu trabalho e em nada me perdoava. E assim é em todas as almas, o
primeiro trabalho o faz o amor e quando o amor trabalhou e a encheu de si, o que se vê de bem no
exterior não é outra coisa que o desabafo do trabalho que o amor fez no interior”.

Junho 7, 1911

Dor de Jesus pelos sacerdotes. Amor que se esconde, ai!

(1) Passando dias amargos de privação do meu adorável Jesus, rogava-lhe que se agradasse em
vir; e apenas como um relâmpago veio e me disse:
(2) “Amor que se esconde, ai!”
(3) E rogando-lhe pela Igreja e que tivesse piedade de tantas almas que vão pelo caminho da
perdição, porque querem fazer guerra à Igreja e aos seus ministros, Jesus acrescentou:
(4) “Minha filha, não te aflijas, é necessário que os inimigos purifiquem a minha Igreja, e depois que
a tenham purgado, a paciência, as virtudes dos bons serão luz aos inimigos, e se salvarão aqueles
e estes”.
(5) E eu: “Mas ao menos não permitas que as faltas de teus ministros as conheçam os leigos, de
outra maneira afligirão mais a tua Igreja”.
(6) E Jesus: “Minha filha, não me peça isto porque me indigno, quero que a matéria saia fora, não
posso mais, não posso mais, os sacrilégios são enormes, com cobri-los daria campo para que
cometessem males maiores; você terá paciência para suportar minha ausência, a fará de heroína,
quero confiar em ti que és minha filha, enquanto Eu me ocuparei em preparar os flagelos para
leigos e sacerdotes”.

11-24

Junho 28,1912

No céu que é a alma, o Sol é Jesus.

(1) Continuando meu habitual estado, meu bendito Jesus veio e me disse:
(2) “Minha filha, a alma que faz minha Vontade é céu, mas céu sem sol e estrelas, porque o Sol
sou Eu e as estrelas que embelezam este céu são minhas mesmas virtudes. Que belo é este
céu, de fazer apaixonar qualquer um que o possa conhecer! E muito mais fico Eu apaixonado,
porque como Sol me ponho no centro deste céu e vou tirando-o continuamente de nova luz, de
novo amor, de novas graças.
Belo este céu ao ver resplandecer o Sol, isto é quando me manifesto e acaricio a alma e o
cúmulo dos meus carismas, a abraço, e tocado por seu amor
desfaleço e me repouso nela, Todos os santos vêm em torno de Mim enquanto descanso e ficam
surpresos ao olhar este céu onde Eu sou o Sol, e ficam extasiados por este portento prodigioso,
que nem na terra nem no Céu se pode encontrar coisa mais bela, mais agradável para Mim e
para todos. Belo este céu se o Sol se esconde, isto é se a privo de Mim, oh! Como se admira
então a harmonia das estrelas, porque o ar deste céu não está sujeito a nuvens, a temporais, a
tempestades, porque o Sol escondido está escondido no centro da alma, e seu calor é tão
ardente que destrói as nuvens, temporais e tempestades. O ar deste céu é sempre tranquilo,
sereno, aromático, as estrelas que mais resplandecem são paz perene e amor sem termo.
Escondida, ou ela no Sol, e desaparecem as estrelas; ou o Sol nela, e então vê-se a harmonia
das estrelas. Belo de qualquer maneira, este céu é a minha alegria, o meu repouso, o meu amor,
o meu paraíso”.

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