Estudo 20 – Livro do Céu Vol 12 ao 20 – Escola da Vontade Divina



12-21
Outubro 4, 1917
As penas, o sangue de Jesus correm junto ao homem para curá-lo e salvá-lo.

(1) Esta manhã meu sempre amável Jesus me transportou para fora de mim mesma, Ele estava em meus braços e seu rosto tão perto do meu, que suavemente me beijava, como se não quisesse que eu o advertisse, Mas, tendo repetido seus beijos, não pude conter-me de lhe corresponder com meus beijos, mas enquanto o beijava, veio-me o pensamento de beijar seus lábios santíssimos e tentar lamber as amarguras que continha, pois, quem sabe, talvez Jesus não queira me dar. Demorei mais em pensar que em fazê-lo, o beijei e me pus a chupar, mas não saía nada, lhe roguei que derramasse em mim suas amarguras e de novo e com mais força chupei, mas nada. Meu Jesus parecia que sofria pelos esforços que lhe fazia, e tendo-me posto a chupar com mais força a terceira vez, sentia vir em mim o sopro amarguíssimo de Jesus, e vi através de sua garganta uma coisa dura que não podia sair, e impedia que as amarguras que Ele continha saíssem para derramá-las em mim. E o meu aflito Jesus, quase chorando, disse-me:

(2) “Minha filha, minha filha, resigna-te, não vês que obstáculo me colocou o homem com o pecado que me impede de tornar partícipe das minhas amarguras quem me ama? Ah! Você não se lembra quando eu disse antes: “Deixe-me fazer, caso contrário o homem chegará ao ponto de fazer tanto mal de esgotar o mesmo mal, e não saber já que outro mal fazer?”. E tu não querias que castigasse ao homem, e o homem piora sempre, reuniu em si tanto pus, que nem a guerra pôde fazer sair este pus; a guerra não derrubou ao homem, antes o encorajou demais; a revolução o fará enfurecer-se, a miséria o fará desesperar e entregar-se nos braços do delito, e tudo isso servirá para fazer sair de alguma maneira toda a podridão que contém o homem, e então minha bondade, não indiretamente por meio das criaturas, mas diretamente do Céu punirá ao homem, e estes castigos serão como benéfico orvalho que descerá do Céu, que abaterá ao homem, e tocado por minha mão se reconhecerá a si mesmo, despertará do sono da culpa e reconhecerá a seu Criador. Por isso filha, roga para que tudo seja para o bem do homem”.
(3) Jesus ficou com sua amargura, e eu aflita porque não pude aliviar-lhe, pois mal sentia seu hálito amargo e me encontrei em mim mesma. Sentia-me inquieta, as palavras de Jesus atormentavam-me, diante da minha mente via o terrível futuro, e Jesus para me tranquilizar voltou, e quase para me distrair disse-me:

(4) “Quanto amor, quanto amor! Olha, enquanto eu sofria e a dor se detinha em Mim, Eu lhe dizia: “Pena minha, vai, corre, corre, vai em busca do homem, ajuda-o, e as minhas penas sejam a força das suas”. Enquanto derramava meu sangue dizia a cada gota: “Corram, corram, protejam-me ao homem, e se estiver morto dêem-lhe a vida, mas a Vida Divina, e se fugir corram atrás dele, circundam-o por toddos os lados, confundam-no de amor até que se renda”.
Ao ir-se formando as chagas em meu corpo sob os flagelos, repetia: “Minhas chagas, não estejais Comigo, mas buscai ao homem e se o encontrais chagado pela culpa, ponde-vos como
remédio para curá-lo”. Então tudo o que ele fazia e dizia, punha-o à volta do homem para o proteger. Agora, também tu, por meu amor, nada tenhas para ti, senão que tudo faça correr junto ao homem para salvá-lo, e Eu te olharei como outro Eu mesmo”.

13-21
Outubro 6, 1921

O pecado é o ponto negro do homem, o estado de graça é o ponto luminoso do homem.

(1) Estava rezando e adorando as chagas do meu crucificado Jesus, e pensava entre mim:
“Como é feio o pecado, que reduziu o meu sumo bem a um estado tão dilacerante”. E meu sempre amável Jesus, apoiando sua santíssima cabeça sobre meu ombro, suspirando me
disse:
(2) “Minha filha, o pecado não só é feio, mas horrível, é o ponto negro do homem. Enquanto peca sofre uma transformação brutal, todo o belo que lhe dei se cobre de uma fealdade horrível ao ver-se, e não somente o sentido que peca, senão todo o homem corre junto, assim que pecado o pensamento, o batimento, o respiro, o movimento, o passo; a vontade arrastou o homem a um só ponto, e de todo seu ser saem densas trevas que o cegam e um ar venenoso que o envenena, tudo é negro em torno dele, tudo é mortal, e qualquer que se aproxima dele se põe em um estado de perigo, horrível e espantoso, tal é o homem no estado de pecado”.
(3) Eu fiquei aterrorizada e Jesus continuou:
(4) “Se o homem é horrível no estado de culpa, no estado de graça e de agir o bem é belo; o bem, embora seja o menor, é o ponto luminoso do homem, enquanto faz o bem sofre uma transformação celestial, angélica e divina; seu bom querer arrasta todo seu ser a um só ponto, assim que bem é o pensamento, a palavra, o latido, o movimento, o passo, tudo é luz dentro e fora dele, seu ar é balsâmico e vital, e qualquer que se aproxima se põe ao seguro. Como é bela, graciosa, atraente, amável, formosa, a alma em graça ao fazer o bem, tanto que Eu mesmo fico apaixonado, cada bem que faz é um matiz de beleza de mais que adquire, é uma semelhança de mais com seu Criador que a faz distinguir por filha sua, é uma possessão divina que põe em comércio. Cada bem que faz são os porta-vozes entre o Céu e a terra, são os postes, os fios elétricos que mantêm as comunicações com Deus”.

14-20
Abril 8, 1922
A Santíssima Trindade refletida na alma. Dor de Jesus ao ver deformadas a vontade, a inteligência e a memória do homem.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, estava pensando na dor que sofreu meu doce Jesus no horto do Getsémani, quando se apresentaram ante sua santidade todas nossas culpas, e Jesus todo aflito, em meu interior me disse:
(2) “Minha filha, minha dor foi grande e incompreensível à mente criada, especialmente quando vi a inteligência humana deformada, minha bela imagem que fiz reproduzir nela, não mais bela, senão feia, horrível. Eu dei ao homem vontade, inteligência e memória; na primeira refulgia meu Pai Celestial, o qual como ato primeiro comunicava sua potência, sua santidade, sua altura, por isso elevava à vontade humana investindo-a de sua própria santidade, poder e nobreza, deixando todas as correntes abertas entre Ele e a vontade humana, a fim de que sempre mais se enriquecesse dos tesouros de minha Divindade; entre a vontade humana e a Divina não havia teu nem meu, senão tudo em comum, com acordo recíproco, era imagem nossa, coisa nossa, assim que ela nos refletia, portanto nossa Vida devia ser a sua, e por isso constituía como ato primeiro sua vontade livre, independente, como era ato primeiro a Vontade de meu Pai Celestial, mas esta vontade quanto se desfigurou, de liberdade tornou-se escrava de vis paixões. Ah! é ela o princípio de todos os males do homem, não se reconhece mais, como desceu de sua nobreza, dá asco olhá-la.
(3) Depois, como segundo ato, concorri Eu, Filho de Deus, dotando o homem de inteligência, comunicando-lhe a minha sabedoria, a ciência de todas as coisas, a fim de que conhecendo-as pudesse gostar e fazer-se feliz no bem. Mas, ai de Mim! Que mar de vícios é a inteligência da criatura, da ciência serviu-se para desconhecer o seu Criador.
(4) E depois, como ato terceiro, concorreu o Espírito Santo, dotando-o de memória, a fim de que, recordando-se de tantos benefícios, pudesse estar em contínuas correntes de amor, em contínuas relações, o amor devia coroá-la, abraçá-la e informar toda a sua vida. Mas como o Eterno Amor fica contristado! Esta memória recorda-se dos prazeres, das riquezas e até de pecar, e a Trindade Sacrossanta é posta fora dos dons dados à sua criatura. Minha dor foi indescritível ao ver a deformidade das três potências do homem, havíamos formado nossa morada nele, e ele nos tinha jogado fora”.

15-21
Maio 5, 1923
Por quantas vezes a alma entra no Querer Divino, tantos caminhos abre entre o Criador e as criaturas, que servem para encontrar-se com Ele, e neste encontro ela copia as virtudes do seu Criador, absorve em si nova Vida Divina e tudo o que faz não é mais humano senão divino.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, senti-me atraída fora de mim mesma, mas não via o céu azul nem o sol de nosso horizonte, senão outro céu, todo de ouro, adornado de estrelas de
várias cores, brilhantíssimo mais que sol. Eu me sentia atraída para cima, e abrindo-se diante de mim este céu, encontrei-me ante uma luz puríssima, na qual, submergindo-me, chamei em minha inteligência todas as inteligências humanas, desde onde Adão havia começado, com subtrair-se da Divina Vontade, a romper a união de sua inteligência com a de seu Criador, até o último homem que existirá sobre a terra, e tratava de dar a meu Deus toda a honra, a glória, a submissão, etc., de todas as inteligências criadas, e assim fazia com todos os meus demais sentidos, chamando nos meus todos os das demais criaturas, tudo isto sempre em seu amável Querer, onde tudo se encontra, de onde nada escapa, apesar de no presente não existirem e onde tudo pode ser feito. Então, enquanto isso fazia, uma voz saiu de dentro da imensidão daquela luz dizendo:

(2) “Por quantas vezes a alma entra no Querer Divino para rezar, obrar, amar e outras coisas, tantos caminhos abre entre o Criador e as criaturas, e a Divindade vendo que a criatura se faz caminho para ir a Ela, abre seus caminhos para encontrar-se com sua criatura. Neste encontro ela copia as virtudes de seu Criador, absorve em si sempre nova Vida Divina, se adentra mais nos
eternos segredos do Querer Supremo, e tudo o que faz não é mais humano nela, senão divino, e este obrar divino nela forma um céu de ouro onde a Divindade, Deleitando-se de encontrar o seu agir na criatura, passeia sobre este céu, esperando a criatura para receber seus atos divinos e, portanto, abrir-lhe outros caminhos em sua Divindade, e vai repetindo com grande amor: Eis como em meu querer a criatura se aproxima da minha semelhança, como realiza os meus desígnios, como cumpre a finalidade da Criação”.
(3) E enquanto ouvia isto, encontrei-me em mim mesma.

16-20
Setembro 9, 1923
A Divina Vontade é inferno para o demônio, e ele a conhece só para odiá-la.

(1) Eu me senti com algum medo ainda, quem sabe se não fosse o meu adorável Jesus que se dignasse falar comigo, manifestando-me tantas verdades sublimes, especialmente sobre a Vontade Divina, mas o inimigo para me arrastar ao engano, e enquanto parece que com tantas verdades me eleva em alto, logo me precipitará no abismo. E dizia entre mim: “Meu Jesus, livra-me das mãos do inimigo, eu não quero saber nada, a única coisa que me interessa é salvar minha alma”. Então o bendito Jesus, movendo-se em meu interior me tem dito:
(2) “Minha filha, por que temes? Não sabes tu que o que menos sabe de Mim a serpente infernal é da minha vontade? porque não quis fazê-la, e não a fez, nem a conheceu, nem a amou, muito me-nos penetrou nos segredos de meu inescrutável querer para conhecer seus efeitos, o valor de minha Vontade, e se não os conhece, como pode falar dela? Mais bem a coisa que mas aborrece é que a alma faça minha vontade; a ele não lhe importa se a alma reza, se se confessa, se comunga, se faz penitência, se faz milagres, senão a coisa que mais o danifica é que a alma faça minha Vontade, porque assim que se rebelou a minha Vontade foi criado nele o inferno, seu estado infeliz, a raiva que o corrói, assim que minha Vontade é inferno para ele, e cada vez que vê a alma sujeita a meu Querer, conhecer os méritos, o valor, a santidade dela, se sente duplicar o inferno, porque vê na alma criar o paraíso, a felicidade, a paz por ele perdidas; e quanto mais meu Querer é conhecido, tanto mais fica atormentado e furioso. Portanto, como poderia te falar de meu Querer se forma seu inferno? E se te falasse, suas palavras formariam em você o inferno, porque ele conhece minha vontade só para odiá-la, não para amá-la, e o que se odeia nunca leva a felicidade, a paz, e além disso, sua palavra está vazia de graça, portanto não pode conferir a graça de fazer minha Vontade”.

17-20
Outubro 23, 1924

A Divina Vontade obrante e dominante na criatura forma um doce encanto às pupilas divinas, e desarma a Justiça Divina.

(1) Passo dias amargos pela privação do meu doce Jesus. Oh! Como choro por sua amável presença, até mesmo a lembrança de suas doces palavras são feridas a meu pobre coração e digo
entre mim: “E agora onde está? Para onde dirigiu seus passos? Onde eu poderia encontrá-lo?
Tudo acabou, não o verei mais, não escutarei mais sua voz, não mais rezaremos juntos, como é dura minha sorte, que rasgo, que pena! ¡Ah Jesus, como você mudou! Como você fugiu de mim?
Mas se bem longe, te mando nas asas de teu Querer, onde estejas, meus beijos, meu amor, meu grito de dor que te diz: Vem, regressa à pobre exilada, à pequena recém-nascida que não pode
viver sem Ti”. Mas enquanto isso e mais dizia, meu amável Jesus se moveu em meu interior, e me estendendo seus braços me apertou forte, forte, e eu lhe disse: “Minha vida, meu Jesus, não posso mais, me ajude, me dê a força, não me deixe mais, me leve Contigo, quero ir”. E Jesus interrompendo o meu falar disse-me:.

(2) “Minha filha, não queres fazer a minha vontade?”.

(3) E eu: “Claro que quero fazer a Tua Vontade, mas também no Céu está a Tua Vontade, assim se até agora a fiz na terra, de agora em diante quero ir fazê-la no Céu, por isso, logo, leva-me, não me deixes mais, sinto que não posso mais, tem piedade de mim”..

(4) E Jesus de novo: “Minha filha, tu não sabes o que é a minha Vontade na terra, vê-se que depois de tantas lições minhas não o compreendeste bem. Deves saber que a alma que faz viver minha Vontade nela, conforme reza, conforme sofre, obra, ama, etc., etc., forma um doce encanto aos olhos de Deus, de maneira que encerra nesse encanto, com seus atos, o olhar de Deus, de modo que arrebatado pela doçura deste encanto, muitos castigos que se atraem as criaturas com seus graves pecados, este encanto tem virtude de impedir que a minha justiça se derrame com todo o seu furor sobre a face da terra, porque também a minha justiça sente o encanto da minha vontade que opera na criatura. Te parece pouco que o Criador veja nas criaturas, vivendo ainda sobre a terra, sua Vontade obrante, triunfante, dominante, com essa mesma liberdade com a qual obra e domina no Céu? Este encanto não está no Céu, porque minha Vontade em meu Reino domina como em sua casa, e o encanto vem formado em Mim mesmo, não fora de Mim, assim que sou Eu, é minha Vontade a que encanta com uma força raptora a todos os bem-aventurados, de modo que suas pupilas estão encerradas em meu encanto para gozar eternamente, assim que não eles me formam o doce encanto, senão Eu a eles, assim que minhas pupilas estão livres, não sofrem nenhuma fascinação. Em troca minha Vontade vivendo na criatura que navega no exílio, é obrante e dominante em casa da criatura, e por isso me forma o encanto, fascina-me e faz sentir a meu olhar um atrativo tal, que me leva a fixar minhas pupilas nela, sem poder separá-las. Ah! você não sabe quão necessário é este encanto nestes tempos. – Quantos males virão!
Os povos serão obrigados a devorar-se uns aos outros, serão tomados de tal raiva, de se enfurecerem uns contra os outros, mas a culpa maior é dos chefes e governantes. Pobres povos! Têm por chefes a verdadeiros açougueiros, diabos encarnados que querem fazer carnificina de seus irmãos. Se os males não fossem tão graves, teu Jesus não te deixava como privada dele; tu temes que seja por outra coisa pelo que te privo de Mim, não, não, está segura, é minha justiça que privando-te de Mim quer descarregar-se sobre as criaturas; tu não saias jamais de minha Vontade, a fim de que seu doce encanto possa evitar aos povos males maiores”.

18-20
Janeiro 24, 1926
A Divina Vontade é mãe de todas as vontades humanas. Na Divina Vontade não há mortes.

(1) Sentia-me abandonada pelo Céu e pela terra, e pensava entre mim que Jesus me havia dito há muito tempo, que eu devia viver no duro exílio da vida como se não existisse ninguém mais que Jesus e eu, Todos tinham de desaparecer da minha mente e do meu coração. E agora, depois que tudo me desapareceu e habituada a viver só com Jesus, também Ele fugiu deixando-me sozinha em poder de amarguras indizíveis no duro estado de isolamento. Oh! Deus, que pena, tem piedade de mim, retorna a quem sente necessidade de tua Vida mais que da vida própria. Agora, enquanto eu pensava nisso e outras coisas ainda mais dolorosas, que seria muito longo para dizê-las, meu doce Jesus se moveu dentro de mim, e suspirando me disse:.

(2) “Filha de meu Supremo Querer, ânimo em seu isolamento, este serve como companhia a mim.
Vontade abandonada pelas criaturas; a dor de seu isolamento, oh, como é mais duro que o seu!
Minha Vontade é a Mãe de todas as vontades das criaturas, Ela, como Mãe terníssima, ficou no centro da Criação para dar à luz as vontades humanas e tê-las todas em torno dela, subi-las sobre seus joelhos, alimentá-las com o leite de seus ensinamentos celestiais e fazê-las crescer à sua semelhança, dando-lhes toda a Criação onde entreter-se, e como minha Vontade é centro de cada coisa criada, a qualquer parte que as criaturas fossem, Ela, como centro de cada coisa, estaria mais do que mãe afetuosa sempre próxima de vós, para nunca vos fazer faltar os vossos cuidados maternos e para não vos deixardes descer da vossa nobreza e semelhança. Mas, ai de mim! Estas filhas, estas vontades humanas paridas por esta Mãe Celestial de minha Vontade, desprezando e não apreciando todos os cuidados maternos, seu amor, suas ternuras e pressa, embora Ela esteja junto a elas, as vontades humanas estão distantes desta Mãe, muitas nem sequer a conhecem, outras a desprezam e fazem dela zomba. Pobre Mãe que é Vontade, no meio de tantas filhas por Ela é isolada, abandonada, e enquanto todas tomam do seu para viver, servem-se de tudo para crescer ao seu desespero e para ofendê-la; É possível dar dor maior a uma mãe do que o abandono de seus próprios filhos, não ser conhecida pelo parto de suas próprias entranhas, e trocar-se em inimigas ofendam Aquela que as deu à luz? Por isso a dor do isolamento de minha Vontade é grande e inconcebível. Por isso seu isolamento seja a companhia desta Mãe isolada, que chora e busca a suas filhas, que por quanto chora, grita e chama as suas filhas com as vozes mais ternas, com as lágrimas mais amargas, com os suspiros mais ardentes e com as vozes mais fortes de castigos, estas filhas ingratas estão distantes do seio daquela que as gerou. Minha filha, não queres tomar parte, como verdadeira filha fiel da minha Vontade, na sua dor e no seu isolamento?”.

(3) Depois me pus a fazer a adoração a meu Crucificado Jesus, e diante de minha mente passava uma longa fila de soldados, todos armados, que não terminava jamais. Eu gostaria de ter pensado no meu Jesus crucificado e já não ver soldados, mas apesar de mim era obrigada a ver estes soldados armados. Então pedia ao meu doce Jesus que afastasse de mim esta vista a fim de que pudesse ficar livre com Ele, e Jesus todo aflito me disse:.

(4) “Minha filha, quanto mais o mundo aparentemente parece em paz, louva a paz, tanto mais debaixo daquela paz efêmera e mascarada escondem guerras, revoluções e cenas trágicas para a pobre humanidade, e quanto mais parece que favorecem minha Igreja e a louvam, cantem vitórias e triunfos e práticas de união entre Estado e Igreja, tanto mais próxima está a contenda que preparam contra Ela. Assim foi de Mim, até que não me aclamaram Rei e me receberam em triunfo, Eu pude viver no meio dos povos, mas depois de minha entrada triunfal em Jerusalém não me deixaram viver mais, e depois de poucos dias gritaram-me crucifica-o’ e armando-se todos contra Mim me fizeram morrer. Quando as coisas não partem de um fundo de verdade, não têm força de reinar longamente, porque faltando a verdade falta o amor e falta a vida que as sustenta, e por isso é fácil que saia fora o que escondiam e mudam a paz em guerra, os favores em vinganças. Oh, quantas coisas imprevistas estão preparando!”.

(5) Jesus desapareceu, e eu fiquei toda aflita e pensava entre mim: “Meu amado Jesus me disse tantas vezes que eu sou a pequena recém-nascida da Divina Vontade, por isso recém-nascida apenas, sem ter formado minha pequena vida neste Querer Supremo. Jesus, agora que tinha mais necessidade de formar meu crescimento me deixa só, então eu serei como um parto abortado da Divina Vontade, sem ter existência. Não vê meu amor em que estado lamentável me encontro, e como seus próprios desígnios sobre mim se resolvem no nada? Ah- Ah! se não queres ter piedade de mim, tenha piedade de si mesmo, de seus desígnios e de seus trabalhos que tem feito a minha pobre alma”. Mas enquanto minha pobre mente queria adentrar-se no estado doloroso em que me encontro, meu amado Bem saiu de dentro de meu interior, e olhando-me toda da cabeça aos pés me disse:.

(6) “Minha filha, em minha Vontade não há mortos nem abortos, e quem vive nela contém por vida a Vida de minha Vontade, e embora se sinta morrer, ou mesmo morta, encontra-se em minha Vontade, a qual contendo a vida a faz ressurgir a cada instante a nova luz, a nova beleza, graça e felicidade, deleitando-se em conservá-la sempre pequena em si, para tê-la grande com Ela; pequena mas forte, pequena mas bela, recém-nascida apenas, a fim de que nada de humano tenha, senão todo divino, assim que sua vida é só minha Vontade, Que cumprirá todos os meus desígnios, sem que nada se perca. Serás como a gota de água submersa no grande mar, como um grão nas grandes massas dos celeiros; enquanto a gota de água parecer como desaparecida no mar e o grão nos inumeráveis grãos, não se pode negar nem tirar-lhe o direito de que sua vida existe. Por isso não temas, e faça de tal maneira que perca sua vida para adquirir o direito de ter por vida minha Vontade”.

19-22
Maio 18, 1926

Assim como a Virgem para obter o suspirado Redentor e concebê-lo, Teve que abraçar tudo, e fazer os atos de todos, assim quem deve obter o Fiat Supremo, deve abraçar a todos e responder por todos.

(1) Estava a meditar no Santo Querer Divino, e enquanto tinha girado por todas as coisas criadas para selar nelas o meu “amo-te”, a fim de que onde quer que fosse e sobre todos ressoasse o meu “amo-te” para corresponder ao meu Jesus pelo seu tanto amor, Cheguei a esse ponto de corresponder ao meu Deus por todo aquele amor que teve no ato de ficar concebido no seio da
Mãe Celestial. Enquanto eu estava nisto meu amado Jesus saiu de dentro de mim e me disse:.

(2) “Minha filha, minha inseparável Mamãe para conceber a Mim, Verbo Eterno, foi enriquecida de mares de Graça, de luz e de Santidade pela Majestade Suprema, e Ela fez tais e tantos atos de virtude, de amor, de oração, de desejos e de ardentes suspiros, de superar todo o amor, virtude e atos de todas as gerações que se necessitavam para obter o suspirado Redentor. Então, quando vi na Soberana Rainha o amor completo de todas as criaturas e todos os atos que se necessitavam para merecer que o Verbo fosse concebido, encontrei nela a correspondência do amor de todos, nossa glória reintegrada, e todos os atos dos redimidos, até aqueles a quem a minha Redenção devia servir de condenação por sua ingratidão, e então meu amor fez o último desabafo e fiquei concebido. Por isso o direito de nome de Mãe para Ela é conatural, é sagrado, porque ao abraçar todos os atos das gerações, substituindo-se por todos, aconteceu como se a todos tivesse parido a nova vida desde suas entranhas maternas. Agora você deve saber que quando fazemos nossas obras, a criatura que é escolhida e à qual é confiada a obra, devemos dar-lhe tanto amor, luz, graça, que possa dar-nos toda a correspondência e a glória da obra a ela confiada. Nossa força e sabedoria não se colocariam desde o princípio de uma obra nossa no banco da criatura como em ato de falhar, assim que na criatura que é chamada como ato primeiro, nossa obra deve ficar segura nela, e nós devemos resgatar todo o interesse e glória equivalente a nossa obra confiada a ela; e ainda que depois nossa obra fosse comunicada às demais criaturas, e por sua ingratidão estivesse em perigo de falhar, para Nós é mais tolerável, porque a quem foi confiada no princípio nos fez remir todo o interesse das falhas das outras criaturas; eis por que tudo demos e tudo recebemos dela, a fim de que todo o capital da Redenção pudesse ficar íntegro e por seu meio nossa glória completada e nosso amor correspondido. Que homem sábio coloca o seu capital num banco que está prestes a falir? Primeiro se assegura e depois confia em seu capital; mas pode ser que com o tempo se desfaça, isto não pode lhe fazer grande dano, porque pelos tantos interesses recebidos se refez seu capital. Se isto faz o homem, muito mais Deus, que sua sabedoria é incompreensível, e não se tratava de uma obra qualquer, de um pequeno capital, mas que se tratava da grande obra da Redenção e de todo o custo e valor infinito e incalculável do Verbo Eterno, Era uma obra única, não se podia repetir um novo Fundamento do Verbo Eterno sobre a terra, e por isso devíamos colocá-la ao seguro na Soberana Celestial. E assim como tudo a Ela confiamos, até a própria Vida de um Deus, assim Ela, como possuidora de nossa confiança, devia responder por todos, fazer-se fiadora e responsável desta Vida Divina confiada a Ela, como de fato o fez. Agora minha filha, o que fiz e quis da minha Celestial Mãe na grande obra da Redenção, quero fazer contigo na grande obra do Fiat Supremo. A obra do Fiat Divino é uma obra que deve abraçar tudo: Criação, Redenção e Santificação, esta obra é a base de tudo, é a vida que corre em tudo e tudo encerra ela, porque não tem princípio, é princípio de todas as coisas e fim e cumprimento de nossas obras. Olha, então, o capital que queremos confiar-te é exuberante, tu não o calculaste, mas sabes o que te confiamos no Fiat Supremo? Confiamos-te toda a Criação, todo o capital da Redenção e aquele da Santificação; minha Vontade é universal e em todas as coisas esteve Ela obrante, assim que o que a Ela pertence é justo que seja confiado a ti, acaso quererias tu minha Vontade sem suas obras? Nós não sabemos dar nossa Vida sem as obras e bens nossos, quando damos, damos tudo; e assim como à Rainha Celestial ao dar ao Verbo concentrou em Si suas obras e seus bens, assim a ti, ao dar-te nossa Suprema Vontade reinante e dominante em ti te damos todas as obras que a Ela pertencem, por isso te estamos dando tantas graças, conhecimentos, capacidade, a fim de que o Fiat Supremo, desde o princípio, não possa receber nenhuma falha, E tu, com certeza, deves dar-lhe a correspondência do amor e da glória de toda a Criação, da Redenção e da Santificação; portanto, o teu trabalho é grande, é universal e deve abraçar todos e tudo, de modo que se nossa Vontade comunicada às outras criaturas sofresse qualquer tropeço, em ti devemos encontrar o ressarcimento do vazio dos outros, e pondo-a ao seguro em ti, com o dar-nos o amor, a glória e todos os atos que as outras criaturas deveriam nos dar, nossa glória será sempre completa e nosso Amor resgatará seu justo interesse. “Assim que também em ti depositaremos nossa confiança, serás a responsável da Vontade Divina confiada a ti e sua fiadora”..
(3) Agora, enquanto Jesus dizia, me veio tal espanto e compreendia todo o peso de minha responsabilidade, e temendo fortemente que pudesse pôr em perigo nada menos que todo o peso
e obras de uma Vontade Divina tenho dito:.
(4) “Meu amor, obrigado por tanta bondade tua para comigo, mas sinto que é muito o que queres dar-me, sinto um peso infinito que me esmaga, e minha pequenez e incapacidade não têm nem
força nem habilidade, e temendo poder desagradar-vos e não poder abraçar tudo, vá a outra criatura mais capaz, a fim de que todo este capital de sua Suprema Vontade possa estar mais
seguro, e Você possa receber todo o interesse equivalente a um capital tão grande; eu não tinha pensado jamais em uma responsabilidade tão grande, mas agora que você me faz entender sinto que me faltam as forças e temo por minha fraqueza”..
(5) E Jesus, apertando-me a Ele para aliviar-me do temor que me esmagava, adicionou:.
(6) “Minha filha, coragem, não temas, é o teu Jesus que te quer dar muito, não sou talvez Eu dono de te dar o que quero? Queres pôr um limite à minha obra completa que quero confiar-te? O que você diria se minha Mãe Celestial quisesse aceitar a Mim, Verbo Eterno, sem seus bens e os atos que se necessitavam para poder me conceber? Isso seria amor verdadeiro, aceitação verdadeira?
Certamente que não. Assim que você quisesse minha Vontade sem suas obras e sem os atos que a Ela convêm. Tu deves saber, a fim de que tires este espanto, que tudo o que te disse, isto é, este capital tão grande, já está em ti, e depois de que te fiz tomar a prática de me dar a correspondência da glória e do amor de toda a Criação, Redenção e Santificação, fazendo-te abraçar tudo e todos, e tendo visto que o interesse devido me vinha com facilidade, agora te quis fazer conhecer com mais clareza o grande capital de minha Vontade que te confiei, a fim de que conheças o grande bem que possuis, e conhecendo-o, posso assinar a escritura do capital a ti confiado e ao mesmo tempo dar por recebido o interesse que me dás. Se você não o conhecesse não se poderia fazer nem a escritura do capital, nem a recepção do interesse, então, eis a necessidade de fazê-lo conhecer; e além disso, por que teme até querer me mandar a outra criatura? Você não tem em você um amor que diz te amo por todos e por tudo, um movimento que me corresponde pelo movimento de todos e que tudo o que você faz abraça a todos para me dar como dentro de um só abraço os atos, as orações, a glória, as reparações de todos? Se já o faz, por que teme?”.
(7) Enquanto estava nisto, via em torno de mim outras almas, e Jesus foi a elas e parecia que as tocava para ver se a seu toque saía o movimento de sua Vida Divina, mas nada saía. Então voltou para mim e me pegou a mão me apertou fortemente, ao seu toque saiu de mim uma luz, e Jesus todo contente me disse:.
(8) “Esta luz é o movimento da Vida Divina em ti, fui às outras criaturas, como tu viste, e não encontrei o meu movimento, então, como posso confiar-lhes o grande capital da minha Vontade?
Por isso te escolhi, e basta, sê atenta e não temas”.

20-21
Novembro 4, 1926

Como a Virgem Santíssima foi cópia fiel do seu Criador e de toda a Criação. Como a Vontade Divina tem a virtude de transformar em mar as gotas de água.
A Divina Vontade velada nas coisas criadas.

(1) Meu estado o sigo no Querer Supremo, rogando a minha Mamãe Rainha que me ajude a conseguir este Reino do Eterno Fiat, e meu doce Jesus movendo-se em meu interior me disse:
(2) “Minha filha, a cópia mais perfeita dos filhos do Reino de meu Querer foi minha Mãe Celestial, e porque tivemos a primeira filha n’Ele, pôde vir a Redenção, de outra maneira se não tivéssemos tido a primeira filha de nossa Vontade, jamais Eu, Verbo Eterno, teria descido do Céu, Jamais me teria servido, nem confiado em filhos estranhos a nossa Vontade para descer à terra. Por isso, olha, era necessária uma filha da nossa Vontade para vir para o Reino da Redenção, e como ela era filha do Reino do Eterno Fiat, foi cópia fiel do seu Criador e cópia perfeita de toda a Criação.

Ela devia encerrar todos os atos da Vontade Suprema que exercita em todas as coisas criadas, e como tinham a supremacia e a soberania sobre toda a Criação, devia encerrar n‟Ela o céu, as
estrelas, o sol, e tudo para poder encontrar em sua soberania a cópia do céu, do sol, do mar, e também a terra toda florida. Assim, ao olhar para a minha Mãe se viam n‟Ela presságios jamais
vistos, se via céu, se via sol resplandecente, se via mar claríssimo no qual nos refletíamos para ver a nossa filha, se via terra primaveril, sempre florida, que atraía o Celestial Artífice a fazer seus
passeios. Oh! como era bela a Soberana Celestial, ao ver n‟Ela não só a nossa cópia, mas todas as nossas obras encerradas n‟Ela, e isto porque encerrava n‟Ela a nossa Vontade. Agora, para vir o Reino do Fiat Supremo necessitava-se outra filha de nossa Vontade, porque se não fosse sua filha não poderia lhe confiar nem seus segredos, nem suas dores, nem seus conhecimentos, nem seus prodígios, nem sua santidade, nem seus domínios. Como um pai ou uma mãe apreciam dar a conhecer seus bens a seus filhos e fazê-los possuí-los, mas bem gostariam de ter mais para fazê-los mais ricos e felizes, assim também minha Vontade goza de fazer conhecer seus bens a seus filhos para fazê-los ricos e felizes, de uma felicidade sem fim. Agora, no Reino do Fiat Supremo teremos as cópias da Soberana Rainha, assim que também Ela suspira, espera este Reino Divino sobre a terra para ter suas cópias. Que belo Reino, porque será Reino de luz, de riquezas infinitas, reino de perfeita santidade e de domínio, nossos filhos deste Reino serão todos reis e rainhas, todos pertencerão à família Divina e real, encerrarão neles toda a Criação, terão a semelhança, a fisionomia de nosso Pai Celestial, e por isso serão o cumprimento de nossa glória e a coroa de nossa cabeça”.

(3) Então fiquei pensando no que Jesus me havia dito e dizia em mim: “Minha Mãe, antes que soubesse que devia ser Mãe do Verbo não tinha penas nem dores, muito mais que vivendo nos
confins do Querer Supremo era feliz, por isso aos tantos mares que possuía, faltava-lhe o mar das penas, não obstante sem este mar de dor impeliu o suspirado Redentor”. E Jesus retomando seu dizer acrescentou:

(4) “Minha filha, minha amada Mãe, mesmo antes que conhecesse que devia ser minha Mãe, tinha seu mar de dor, e este mar era a pena das ofensas ao seu Criador, oh! como se doía e além disso, esta sua pena era animada por uma Vontade Divina que possuía, que contém a virtude da fonte, e tudo o que se faz n‟Ela tem virtude de transformar as mais pequenas coisas, as gotas de água, num mar interminável. Minha Vontade não sabe fazer coisas pequenas, mas todas grandes, tão é verdade que só bastou abrir a boca para dizer Fiat, para estender um céu do qual não se veem os confins, um Fiat para formar um sol que enche de luz toda a terra e tantas outras coisas; isto diz claramente que se minha Vontade age ou investe um átomo, um pequeno ato, aquele pequeno ato se torna mar, e se desce a fazer as coisas pequenas, suplique com sua virtude regeneradora fazendo delas tantas em número, que o homem não pode chegar a numerá-las todas. Quem pode chegar a numerar quantos peixes e quantas espécies há no mar? Quantos pássaros e quantas plantas enchem a terra? Portanto o pequeno te amo em minha Vontade se torna mar de amor, a pequena oração se torna mar de oração, o te adoro em mar de adoração, as pequenas penas em mar de penas, e se a alma repete em meu Querer seu te amo, sua adoração, oração, e sofre n‟Ele, meu Querer surge, forma as ondas altíssimas de amor, de orações e de penas, as quais vão descarregar no mar interminável do Eterno, de maneira a pôr em comum o amor de Deus e o da criatura, porque uma é a Vontade de um e do outro. Por isso quem se faz dominar por minha Vontade possui tantos mares por quantos atos faz n‟Ela, e enquanto há pouco tem muito, tem um Querer Divino que se deleita em fazer do pequeno ato da criatura um mar, e só com estes mares pode impor o suspirado Reino do Fiat Divino, por isso se necessitava a nossa recém-nascida, a pequena filha de meu Querer, que convertendo suas pequenas penas, seu te amo e tudo o que faz em mares que se comunicam com o mar do Eterno, pode ter ascendência para pedir o reino de minha Vontade”.

(5) Depois disto pensava em mim: “Meu doce Jesus quando fala de seu Querer toca sempre, em grande parte a Criação, por que será?” E Jesus, movendo-se de novo, disse-me:
(6) “Minha filha, quem deve viver no Reino do Fiat Supremo deve ter, pelo seu princípio, a sua origem e tudo o que a minha Vontade fez por amor seu, e que está fazendo, porque não se ama
minha Vontade se não se conhece. Agora, a Criação é a Vida falante da minha Vontade, em todas as coisas criadas Ela está escondida como uma nobre Rainha, que para sair quer ser conhecida, o conhecimento romperá o véu que a esconde para sair a reinar no meio de seus filhos. E quem mais que a Criação pode fazer conhecer, porque é vista e tocada por todos, com um ato sempre presente o que faz minha Vontade por amor das criaturas? Olha minha filha o amor apaixonado desta nobre Rainha, Ela chega a velar-se de terra para torná-la firme, a fim de que o homem possa caminhar seguro sobre ela, e enquanto caminha sobre o véu de terra que a esconde, lhe toma as solas dos pés entre suas mãos nobres e reais, para que o homem não vacile, para lhe dar o passo firme, e enquanto se estreita a seu nobre seio por meio da mãe terra as plantas do homem, Ela gostaria de sair, gostaria de se desfazer do véu de terra que a cobre, mas o homem caminha sobre ela sem sequer prestar atenção para ver quem lhe sustenta a passagem, quem lhe mantém tão firme aquela grande massa de terra para fazer que ele não vacile, e a nobre Rainha continua velada pela terra e espera com uma paciência indescritível, que só uma Vontade Divina pode possuir, que seja reconhecida para fazer-se amar e dizer-lhe sua longa história, que coisa tem feito por amor do homem velada por esta terra. E é tanto seu amor, que muitas vezes sente a necessidade de romper aquele véu de terra que a cobre, e fazendo uso de seu domínio sacode a terra e esconde em seu seio, com o seu império, cidades e nações, a fim de que o homem saiba que dentro daquela terra, debaixo dos seus pés, há uma Vontade imperante e dominante, que ama e não é amada e sofredora, sacode-se para se fazer conhecer. No Evangelho lê-se com espanto quando Eu prostrado aos pés dos meus apóstolos lhes lavei os pés e não omiti nem sequer o pérfido Judas, este ato, certamente muito humilde e de indescritível ternura, do qual a Igreja faz memória, mas foi só uma vez que Eu fiz este ato. Em troca minha Vontade desce mais no baixo, se põe sob os pés com um ato contínuo para sustentá-los, para tornar firme a terra, a fim de que não se precipitem no abismo, porém nenhuma atenção. E a nobre Rainha espera com paciência invicta, velada por tantos séculos em todas as coisas criadas, que sua Vontade seja conhecida, e quando for conhecida romperá seus tantos véus que a escondem e fará conhecer que coisa tem feito durante tantos séculos por amor do homem, dirá coisas inéditas, excessos de amor jamais pensados por ninguém. Eis por que falando-te de minha Vontade te falo frequentemente da Criação, porque Ela é vida de todas as coisas criadas e por meio delas dá vida a todos, e esta vida quer ser conhecida para que venha o Reino do Eterno Fiat. Minha Vontade está velada em tudo:

Está velada no vento e desde dentro daqueles véus leva-lhe seu refrigerante frescor como acariciando-o, e seu alento regenerador para regenerá-lo continuamente a nova vida sempre
crescente de graça, e a nobre Rainha velada no vento se sente transformar suas carícias em ofensas e seu frescor em ardores de paixões humanas, e seu fôlego regenerador em troca de
alento mortal a sua Graça, e Ela sacode seus véus e o vento se transforma em furor, e com a sua impetuosidade arrasta nações, cidades e regiões como se fossem penas, fazendo conhecer o
poder da nobre Rainha que se esconde no vento. Não há coisa criada na qual minha Vontade não esteja velada, e por isso todas esperam que seja conhecida e que venha o reino do Fiat Supremo e seu pleno triunfo”.

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