Estudo 18 – Vida Intima de Ns Jesus Cristo – Escola da Vontade Divina



MEDITAÇÃO

A PARTIDA PARA O EXÍLIO. MISTÉRIO ESCONDIDO.

Chegada a hora determinada pelo Pai de minha partida para o Egito, estava já preparado para sofrer aquela tribulação, como também minha querida Mãe. Veio José, e tendo comunicado a revelação do anjo a sua esposa, partiram imediatamente com grande pressa, desprovidos de tudo. Oh! Dura partida! Mas realizada por eles com toda prontidão e resignação. No meio das angústias, tinha uma alegria grande, que eles ainda não possuíam por não poderem abranger o mistério ali oculto. Alegravam-se também eles naquela aflição por terem consigo o seu Jesus, que os tornava plenamente consolados. Alegrava-me por saber que à minha chegada ao Egito, deviam jogar-se por terra os ídolos e precipitar-se no inferno grande multidão de demônios, que ali eram adorados. Sabia ainda que os países por onde eu passaria, seriam repletos de bênçãos celestes. Tudo isto trazia-me regozijo muito grande Tanto mais por já saber que naquelas partes por onde eu andava, o Pai devia com o tempo ser honrado por uma multidão de almas penitentes, que seriam mártires de amor. Tudo isso trazia-me muito consolo. Oferecia este consolo ao Pai e suplicava-lhe se dignasse consolar as almas que padecem e se afadigam por sua glória, na salvação do próximo. E este consolo fosse fazê-los colher fruto de suas fadigas, convertendo as almas obstinadas e perversas, e reconduzindo-as ao verdadeiro estado de vida perfeita e à prática das virtudes cristãs. Na verdade, a maior consolação que pode ter alguém que se afadiga pela glória de meu Pai e pela salvação do próximo consiste em ver o fruto de suas canseiras: a conversão dos pecadores. Prometeu-me tudo isso o Pai, como de fato não deixa de fazer para com aqueles que verdadeiramente se empenham nesta obra tão grata a Ele e fazem-no desinteressados sem procurar a vanglória, mas só glória de meu Pai e o bem da alma do próximo. Quem se emprega-se e aproveita do fruto da própria fadiga reta, na vida conversão dos pecadores, e muito mais disto fruirá na presente, com a outra vida, com a glória eterna. Quem age, porém, com fim diverso, não usufrui nem de uma consolação, nem de outra. Via ainda que muitas  destas almas, empenhadas em ministério tão grato ao Pai, perderiam o mito ao fazerem esta obra por interesse próprio, por vaidade, para conquistarem crédito junto dos homens, ensoberbecendo-se devido aos seus talentos. Estas lançam suas fadigas ao vento, sem fruto algum para as almas, pois a palavra divina não produz efeito nos corações dos homens, se é explicada por um coração soberbo e com ânimo vão e ambicioso. Sentiam luz superior para conhecerem a própria loucura. Prometeu-me fazê-lo o pai de aflição por estes e podia ao Pai dar-lhes todo cumula a graça e dignasse polir querem se prevalecer disto e por isto prejudicam-se a si mesmos, querendo aderir ao amor próprio e não à luz e à graça que lhes é comunicada por meu Pai. Espalham em vão as próprias fadigas, ficam privados de qualquer mérito junto do Pai, usurpando a glória que, com toda razão, só ao Pai é devida. Como todo o bem vem e procede do Criador, a de Deus,  deve Pai para as obras de seu serviço e de sua maior glória. endereçar-se e não à criatura, simples instrumento do qual se serve meu manifestada pelo anjo, logo a querida Mãe e José, genuflexos, adoraram

EM VIAGEM.

Quando José participou seu sonho e a ordem dos decretos divinos. Estreitou-me ela a seu peito virginal, e puseram-se a caminho. Andavam louvando e bendizendo ao Pai e eu falava com Ele Entre os sofrimentos, alegrava-me muito ao ver essas almas tão prontas a seguirem as ordens de meu Pai e conformadas com sua vontade. Considerava-me, porém, naquela viagem, pobre, humilhado e sujeito ao furor de um Rei iníquo, que com tanto ardor procurava dar-me a morte. Oferecia tal abaixamento e submissão ao Pai, em desconto do que fazem meus irmãos os quais se ensoberbecem diante das ordens de seus maiores, não querendo submeter-se a quem devem, e tanto menos às ordens divinas, recusando sujeitarem-se à Lei de meu amado Pai, Lei de amor doce e suave. E vendo-me submisso às ordens e aos rigores de um Rei temporal, eles não se envergonham de levantar a cabeça e contradizerem às ordens divinas.

NOS BRAÇOS DE JOSÉ.

Caminhando assim de noite, em tempo rígido, sofria frio e outras incomodidades. Estava nos braços, ora da querida Mãe, ora de José — embora ele por pouco tempo me segurasse; ordenava-o à minha Mãe, quando o ânimo de José estava angustiado pelo sofrimento, cansaço e outras aflições provenientes da estação contrária. Ao receber-me nos braços, ficava inteiramente consolado e cheio de alegria. —Tinha tal caridade para com José, por ordem de meu Pai, porque não fazia coisa alguma sem o seu beneplácito. Nestas ocasiões suplicava ao Pai que fizesse também qualquer alma aflita por meu amor experimentar semelhante doçura, manifestando-se-lhe ao coração, por meio das consolações divinas, a fim de que com isto viesse a adquirir mais força e vigor no caminho da virtude que às vezes se torna um pouco áspero aos sentidos e causa tédio à fraca humanidade. O Pai prometeu-me fazê-lo e deveras não deixa de executá-lo, fazendo muitas vezes experimentarem consolos celestes, aqueles que caminham pela estrada das aflições e das cruzes, imitando-me. Quando ficava privada de mim, a querida Mãe achava-se inquieta de amor, pois não podia o seu coração amante suportar, nem por um só momento, a privação de seu tesouro. Estava, porém, toda conformada com a vontade divina. Eu, contudo, quando não estava em seus braços, fazia-a mo sentir que lhe falava ao coração e com palavras de amor ardente á confortava, e assim ficava de algum modo consolada.

ANSIAS E CANTOS.

Caminhando asso, porque a querida Mãe e seu esposo José assim pelo restante da noite, ao raiar o dia, apressavam mais o passo, receiavam muito ser detidos, e embora seguros, o amor que me dedicavam fazia-os tremer muito. Estando um tanto longe, deram algum alívio a seu cansaço e pondo-se ambos a mirar meu rosto ficaram plenamente consolados e contentes. Recomeçando a caminhada com maior pressa, pôs-se a querida Mãe a cantar hinos de louvor ao Pai eterno e a mim. Naquele canto paradisíaco jubilava a alma do casto José, e não percebia nem sentia a fadiga do caminhar. Alegrava-me também eu, esposa minha, ao ouvir aquele canto, que me estimulava a amor mais forte para com minha cara Mãe. E entre aqueles deleites parecia que voávamos, caminhando com ligeireza, como se fôssemos levados a vôo. Os anjos todos ficavam admirados e muito se regozijavam, especialmente os que faziam a corte a sua Rainha, vendo-a cantar tão suavemente. Oferecia esse prazer ao Pai e suplicava-lhe se dignasse fazer com que experimentassem semelhantes delícias, embora não do mesmo modo, todas as almas que se apressam pelo caminho do céu, a fim de não sentirem tanta labuta, nem se cansarem pelo caminho tão longo. E efetivamente, todas são bem consoladas e reconfortadas com visitas celestes, por meio da graça divina.

ALIMENTAM-SE.

Caía a tarde, e sentindo a necessidade de algum alimento, no meio do campo, sentados, procuravam dar-me algum conforto. Embora sentissem eles disso grande necessidade, quiseram, todavia, primeiro dar-me a mim o alimento. Aceitei o leite puríssimo da Mãe dileta, e um pouco confortado, comecei a repousar. Então, José tomou um pedaço de pão que trazia, reconfortando-se com a sua santa esposa. Durante este tempo, oferecia ao Pai o sofrimento e a extrema pobreza, em desconto das excessivas comodidades procuradas por meus irmãos. Pedi ao Pai que assim como Maria e José, antes de tomarem alimento para si, quiseram nutrir-me, fizesse que todos meus irmãos primeiro procurassem fazer as obras do serviço do meu Pai, e depois as que lhes fossem necessárias; antes pensassem em alimentar o espírito com as contemplações divinas e as obras santas, e em seguida cuidassem da manutenção do corpo. O Pai prometeu-me fazê-lo e dar a todos tantas graças quantas lhes fossem indispensáveis para poderem agir deste modo, e inspirar-lhes ao coração tão santas obras. Mas reconheci que as criaturas quase todas abusariam de tal graça, querendo a maior parte pensar antes no corpo do que na alma e nutrindo aquele, deixam a esta morrer de fome e largam para trás as obras de meu Paí, vivendo delas quase totalmente esquecidas. Sentia por causa disto grande pesar e oferecia-o ao Pai para suprir as falhas de todos os meus irmãos e especialmente daqueles que têm mais o dever de fazê-lo e não o fazem, porque têm mais conforto e por isso são mais obrigados. O Pai aceitava tudo com grande amor e mostrava-se muito satisfeito com minhas ofertas. Estando, pois, no meio de tão grande pobreza, no campo, desprovido de tudo, indigente de todo o necessário, dizia ao Pai: «Vede, dileto Pai, vosso amado Filho, a que estado de pobreza e sofrimento está reduzido para cumprir a vossa vontade e por amor de vossas criaturas! Eis-me, ó me todo a vós, querendo Pai dileto, pronto a sofrer ainda mais! Ofereço-fazer somente aquilo que quereis de mim. Aceitai, Pai meu, estes minhas ofertas e desejos, vos têm, em suplência do que deviam fazer os meus irmãos ingratos e não fazem por negligência e devido ao fraco amor que vos têm.

Estas súplicas agradavam muito ao Pai que se demonstrava pronto a fazer tudo o reclamava, mas fazia-me ver como a dureza do coração humano torna-se cada vez mais indigna das graças divinas. Não deixava, porém, o Pai de conceder-lhes a graça que então me prometeu e se esta não produz os efeitos próprios, o fato provém da malícia da criatura e não de que meu Pai tenha jamais falhado, nem de que não cumpra a promessa feita a mim.

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