A luz da Divina Vontade faz perder a vida de todas as outras coisas


Agosto 7, 1932  Vol 31

A luz da Divina Vontade faz perder a vida de todas as outras coisas, dá o frescor divino, e  quem vive nela é confirmado no bem e adquire o direito de cidadão do Céu. 

(1) Estou nos braços da Divina Vontade, ainda que sob o tormento das privações de meu  dulcíssimo Jesus; sem Ele as horas são séculos, os dias são intermináveis, e Oh! Como choro ao  não ter sua doce e amável presença, e sinto toda a dureza de meu longo exílio. Mas enquanto  gemo e suspiro, o Fiat Divino faz correr sua luz sobre minha dor, e acalmando-a faz-me correr nas  ondas eternas de seus atos para unir os meus com os seus, e fazer deles um só. Ah! me parece  que não me dá tempo nem sequer para me doer de estar privada d‟Aquele que tanto me ama e  amo, sua luz se impõe sobre tudo, eclipsa e absorve tudo, quer tudo para Si, não permite perder  tempo, mesmo sobre as coisas mais santas, qual é a privação de Jesus. Mas enquanto nadava no  mar da dor, minha querida vida apenas como relâmpago que foge, visitando minha pequena alma  me disse: 

(2) “Boa Filha, ânimo, deixa-te guiar pela luz da minha Divina Vontade, a qual te saberá converter  as dores, as penas, as minhas mesmas privações em paz perene, e em conquistas divinas. A  natureza de sua luz é eclipsante, corroborante, fortificante, e onde chega sua luz, a dor perde a  força e a vida, e o muda em conquistas e em alegrias, porque a força de sua luz supera tudo, e onde toma seu posto todas as outras coisas perdem a vida; e se diante da luz de minha Divina Vontade se sentem outros efeitos e desejos, significa que a plenitude de sua luz não é plena na  alma, nem reina nela em modo absoluto; seu reino é reino absoluto, não condicionado, por isso tem o direito supremo de absorver tudo, de fazer perder a vida a todas as outras coisas e de  converter tudo em Vontade Divina. Tu deves saber que cada vez que a criatura faz seus atos em  minha Vontade, um orvalho benéfico lhe cai em cima, o qual lhe conserva a frescura divina e dá o analgésico a tudo aquilo que não pertence a Ela, e oh! como é belo vê-la sempre fresca em seus atos,  fresca em seu amor, em sua dor, na espera de receber seu orvalho para receber o analgésico, para  convertê-lo em doce conquista do Querer Divino. A frescura torna amável, atraente, tanto a uma  pessoa como a um objeto; as coisas velhas não gostam de ninguém, e por isso Eu amo tanto a  quem vive em minha Divina Vontade, porque sinto nela nossa frescura divina, nossos suaves  perfumes, em resumo, é coisa nossa, e teu Jesus encerra em seu coração divino a esta amada  criatura, e vou formando-a, crescendo toda de minha Vontade. Assim que esta nobre legião dos  filhos do meu Querer, será formada no meu santíssimo coração, como tantas rainhas, filhas do  grande Rei”. 

(3) Depois continuando meu estado de opressão pelas privações de meu doce Jesus, pensava  entre mim: “No entanto, apesar de estar privada d’Aquele que é para mim mais que minha própria  vida, não obstante sinto uma profunda paz, nem temo nada, nem tenho nenhum temor se é por  culpa minha que o Celestial Jesus me priva dele, nem tenho nenhum medo de que me pudesse  perder, não sinto nenhuma outra coisa em minha pequena alma, senão um mar plácido, que se  bem murmura, mas seu murmúrio não é outro que, „te amo‟, e este meu pequeno „te amo‟ não te  pede outra coisa senão que venha o reino da tua vontade sobre a terra, e sem jamais deixar de  murmurar, formo as minhas pequenas ondas, muito frequentemente, para livrar-me de meu exílio e  tomar o Céu por assalto para fechar-me em minha pátria celestial”. Mas o que, tudo é em vão, as  minhas ondas caem no meu mar e continuo tranquilamente murmurando, „te amo, te amo!‟ E ponho  o Céu e a Terra a pedir-te o teu Fiat. Mas enquanto minha mente pensava desatinos, meu Sumo  Bem Jesus, estreitando-me em seus braços, com toda ternura me disse: 

(4) “Minha recém-nascida da minha Vontade, parece que vais buscando como te perturbar, mas Eu  não quero isso, não quero as tempestades no mar da tua alma, mas sim paz perene. Os temores,  os medos, as dúvidas, são as tempestades, e estas impediriam o contínuo murmúrio de teu plácido, te amo, que deve correr e murmurar sempre para vencer a teu Criador, a fim de que mande seu  Querer a descer sobre a terra para fazê-lo reinar. 

(5) Agora, você deve saber que em quem se faz dominar por minha Vontade e vive nela, os males  perdem a vida; o temor de me ofender, os medos, as perturbações, perdem a semente para renascer, a alma e o corpo ficam confirmados no bem, encontra-se nas condições dos bem aventurados, para os quais o mal não tem mais vida, porque nas regiões celestiais, na minha  Vontade, o absolutamente mal não pode entrar, assim que quem vive nela, pode-se chamar e  adquire o direito de cidadão do Céu, e se se encontra sobre a terra, é como um cidadão extraviado  da pátria celestial, na qual o tem minha Divina Vontade para seus grandes desígnios, e para bem  da miserável humanidade. Mas apesar de estar sobre a terra não perde os direitos de ser cidadão  do Céu, nem de não viver com as mesmas propriedades da pátria celestial, e se bem se sente  como extraviada, mas por direito deve possuir o Céu em sua alma, para viver não de terra, mas de  Céu. Ah! o viver em minha Vontade chama o Céu à terra, e sua luz escreve sobre sua testa, com  caracteres indeléveis: Amor perene, paz imperturbável, confirmação de todos os bens, filha do  Ente Supremo’. Por isso sempre em minha Vontade te quero, a fim de que goze as propriedades  de sua pátria celestial, que são: Amor contínuo, suma paz e Vontade Divina como vida de todos os  bem-aventurados”. 

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