O Tratado da Verdadeira Devoção e o Reino


O Tratado e o Reino

Gosto muito quando se fala da Virgem Maria como um LUGAR. Neste texto pretendo lançar luz sobre algumas palavras-chave do Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem Maria – de São Luiz Maria Grignon de Monfort, que nos trazem revelações e confirmações sobre o papel de Maria no final dos tempos e sobre o Reino da Divina Vontade.
Antes de tudo, é importante verificarmos que o Tratado foi escrito por São Monfort em 1712, e ficou escondido por cerca de 130 anos. Ele e Luisa Piccarreta não foram contemporâneos, mas sem o saber, e por inspiração Divina, São Luiz desenhou as primeiras linhas proféticas que seriam desenlaçadas depois, através das Revelações de Jesus a Luisa Piccarreta sobre o final dos tempos e o Reino da Divina Vontade.
Assim, quem leu o tratado como sendo um livro de grandes elogios a Nossa Senhora, faço questão de pedir que o leia novamente após entender as próximas linhas.
Maria é um LUGAR

Obviamente Maria é pessoa, criatura de Deus. Pensada e gerada sem o pecado Original para que dela nascesse o Salvador, como já sabemos. Porém em vários momentos São Luiz a desenha como um LUGAR:

“Ela é o Santuário e LOCAL de repouso da Santíssima Trindade, onde Deus habita num esplendor maior e mais divino do que em qualquer outro lugar do universo.” (Tratado da verdadeira devoção, nº5)

“Maria é o PARAÍSO terrestre de Jesus Cristo, o novo Adão” (Tratado da verdadeira devoção, nº 6)
Nos Salmos o interior de Maria é o LOCAL descrito acima: “Toda a Gloria da Filha do Rei lhe vem do interior” (sl 44,14)
A Divina Vontade é justamente o dom de Deus infundido na alma, ou seja é algo completamente interior. Quando lemos em gênesis que Adão e Eva viviam no Jardim do Éden e Deus caminhava entre eles, podemos crer firmemente que o Éden é o interior dessas primeiras criaturas, onde Deus andava livremente, falava com o homem livremente. Quando o homem perde a participação na Divina Vontade, realizando os atos de sua própria vontade, ele automaticamente perde seus direitos adquiridos e perde o Éden que existia em seu coração. Quando lemos que o homem foi expulso do Éden, significa dizer que Deus saiu do interior, da intimidade do Homem.
Durante todos esses anos, desde a criação do mundo, apenas Adao e Eva possuíram o dom. Na Redenção Maria é a portadora do dom, e na sua humildade permanece com este dom oculto em si, porém participando efetivamente de toda a vida e vontade Divinas.
Enquanto Maria é a Rainha neste Reino da Divina Vontade, Luisa Piccarreta é a Filha, a primogênita. Segue abaixo a narrativa do seu diário, de quando recebeu o dom da Divina Vontade diante da Santíssima Trindade:
“…Quando uma voz saiu deles e disse: ‘Não temas, tenha coragem, viemos para confirmá-la por nossa causa e tomar posse do seu coração’. Como essa voz dizia, vi que a Santíssima Trindade desceu ao meu coração e o pegou e formou seu assento ali. Quem pode dizer a mudança que aconteceu em mim? Eu me senti divinizada; Eu não vivia mais só, pois Eles moravam em mim. Pareceu-me que meu corpo era como uma habitação e que o Deus vivo vivia dentro Dele, porque senti a presença real sensivelmente no meu interior” (Diário da Serva de Deus, Luisa Piccarreta, Volume 1 nº 47)

Claramente o Novo Céu e Nova Terra entendemos que será manifestação da Glória de Deus totalmente no interior do Homem, comunicando-se e vivendo neste novo Reino as criaturas bem mais próximas do céu e da Santíssima Trindade como Adão e Eva. Os seres humanos herdarão todos os Dons do Espirito Santo que foram retidos lá em Adão, que são completamente diferentes dos dons de Pentecostes.

Continuando o trajeto neste Lugar Santo, o coração de Maria, compreendemos que o TRIUNFO DO SEU IMACULADO CORAÇÃO é justamente o triunfo do Reino que está dentro dEla, da qual é a Rainha e Mestra.

São Luiz Maria Grignon de Monfort diz : “Se é certo que o conhecimento e o Reino de Jesus Cristo se estabelecerão no mundo, não será mais do que uma consequência necessária do conhecimento e do Reino da Santíssima Virgem Maria. Ela deu Jesus Cristo ao mundo a primeira vez, e há de fazê-lo resplandecer também a segunda vez”. (Tratado da Verdadeira devoção, nº13).

Assim podemos concluir que o Reino virá também pelas mãos de Maria. Ela vai gerar os filhos da Divina Vontade; tanto os que já estão sendo gerados antes, como também aqueles que serão gerados durante e após a Grande Tribulação.

Em Apocalipse vemos : “ Farei do vencedor uma coluna do Templo de meu Deus, de onde jamais sairá, e escreverei sobre ele o nome de meu deus, e o nome da Cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus enviada por meu Deus, assim como meu nome novo.” (apocalipse 3,12). A Cidade de meu Deus, que é um local, é a própria Virgem Maria, ela descerá dos céus enviada por Deus no aviso e também para ensinar, ser a mestra dos que suportaram a tribulação e tiveram o direito de habitar esta nova Terra. Mais uma vez Maria é colocada como um Lugar.

São Luiz já explica este nome desde 1712, ao mencioná-la “…Com a outra mão construirão o templo do verdadeiro Salomão e a cidade Mística de Deus – a Virgem Santíssima, que é chamada pelos padres da igreja o TEMPLO DE SALOMAO E A CIDADE DE DEUS. Por palavras e exemplos levarão todos os homens a uma verdadeira devoção sua e, se bem que cercados por inimigos, conseguirão muitas vitórias e tanto mais Gloria a Deus somente”. (Tratado da Verdadeira Devoção, nº48)

Nos Salmos também vemos esta descrição de Maria: “De ti se anuncia um glorioso destino, ó cidade de Deus.” (sl 86,3)

Assim, nós os filhos gerados na Divina Vontade, seja em que grau de entrega estivermos, precisamos compreender o papel de Maria nestas linhas finais, fazermos nossa Consagração sabendo que o destino do mundo estará em Suas Mãos preciosíssimas por desígnio de Deus e não temer as intempéries, pois ela será a ARCA que levará os filhos da Divina Vontade até o final da tempestade. Maria é Lugar de descanso e de provisão. Nada faltará quando estivermos sob seus cuidados, dentro do seu Reino. Neste tempo que antecede a Grande Tribulação, formemos celeiros de fé e confiança em Deus e na Poderosa Arma de Deus no final dos tempos: Nossa Senhora.
Não é tempo de Armazenarmos comida, provisões, dinheiro, bens. É tempo de enchermos os celeiros de amor, de fé, de Conhecimento de Deus. Chegou o tempo da prova. Seja Feita tão somente a Vontade de Deus.

Fiat!

Lígia Toscano Meira Fernandes

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