Livre Arbítrio na Divina Vontade


Volume 6 – 13 de novembro de 1904
A criatura jamais teria sido digna do amor divino sem o livre arbítrio.

(1) Continuando em meu habitual estado, minhas amarguras vão sempre aumentando pelas privações e
silêncio do meu Santíssimo e único Bem. Tudo é, em suas visitas, sombra e relâmpago, e foge. Sinto-me
oprimida e tola, não compreendo mais nada, porque Aquele que contém a luz está distante de mim, e como
relâmpago que enquanto estoura clareia, mas depois se faz mais escuro que antes. Minha única herança que
me resta é o Querer Divino. Então, depois de ter esperado muito e sentir que não podia seguir adiante, por
breves instantes veio e me disse:
(2) “Minha filha, minha Humanidade, sendo Homem e Deus, via presentes todos os pecados, os castigos, as
almas perdidas; teria querido agarrar em um só ponto tudo isto e destruir pecados, castigos e salvar as almas,
assim que teria querido sofrer não um dia de Paixão, mas todos os dias para poder conter tudo em Si estas
penas, e poupá-las às pobres criaturas. Com tudo isso que ele teria desejado, e poderia, ter destruído o livre
arbítrio das criaturas e destruído esse acúmulo de males, mas o que seria do homem sem méritos próprios?
Sem a sua vontade para fazer o bem? Que papel faria ele? Seria objeto digno de mim Sabedoria Criadora?
Não, certamente. Não teria sido como um filho em uma família estranha, que não tendo trabalhado junto com
os próprios filhos não tem nenhum direito e alguma herança? E por isso, se come, se bebe, está sempre cheio
de rubor, porque sabe que não fez nenhum gesto propício para testemunhar o seu amor para com aquele pai;
e por isso jamais pode ser digno do amor daquele pai para com ele, Assim, a criatura  jamais
teria sido digna do Amor Divino sem o livre arbítrio. Por outro lado, minha Humanidade não devia infringir
minha Sabedoria criadora, devia adorá-la como a adorou e se resignou a receber os vazios da justiça na
Humanidade, mas não na Divindade, porque estes vazios da justiça divina são preenchidos com castigos nesta
vida, no inferno e no purgatório. Então, se a minha humanidade se resignou a tudo isto, talvez tu quisesses
superar-me e não receber nenhum vazio de sofrer sobre ti, para não me fazer castigar as pessoas? Filha,
unifique-se Comigo e esteja em paz”.

Volume 8 – 23 de novembro de 1907
Se a alma sofre distrações na comunhão, é sinal de que não se deu toda a Deus.

(1) Tendo-me inteirado por uma pessoa, que facilmente se distraía na comunhão, estava dizendo em meu
interior: “Como é possível distrair-se estando Contigo? Não fica toda absorvida em Ti?”  Depois,
encontrando-me em meu habitual estado, estava fazendo minhas habituais coisas internas, e via como se
quisesse entrar em mim alguma distração, e a Jesus bendito que pondo suas mãos impedia que entrasse, e
depois me disse:
(2) “Minha filha, se a alma sofre distrações, distúrbios, é sinal de que não se deu toda a Mim, porque quando
a alma se deu toda a Mim, sendo minha coisa sei ter bem guardado meu dom; enquanto que, quando em
virtude do livre arbítrio não me dão tudo, Eu não posso ter essa custódia especial, e sou obrigado a sofrer as
coisas irritantes que perturbam minha união com elas, enquanto que quando é toda minha, a alma não faz
nenhum esforço para estar tranquila, o empenho é todo meu para não deixar entrar nada que pudesse
perturbar nossa união”.

Volume 17 – 30 de maio de 1925
O conhecimento abre as portas do bem que se conhece para possuí-lo. O livre arbítrio no Céu e o viver na
Divina Vontade na terra.
(1) Sentia-me oprimida pela perda do meu adorável Jesus, oh, como suspirava o seu regresso! Chamava-o com
o coração, com a voz, com os pensamentos, que a sua privação me tornava inquieta. Oh! Deus, que longas
noites sem Jesus, enquanto junto com Ele passam como um suspiro. Então dizia: “Meu amor, vem, não me
deixes, sou muito pequena, tenho necessidade de Ti, e Tu sabes que minha pequenez não pode estar sem Ti,
entretanto me deixas? Ah, volta, volta oh Jesus!” Nesse momento me pôs um braço no pescoço e se fez ver
como menino, apoiava forte sua cabeça em meu peito, e dava com sua cabeça golpes em meu peito e me
sentia como romper, tanto que eu tremia e tinha temor, e Jesus, com voz forte e suave me disse:.
(2) “Minha filha, não temas, sou Eu, não te deixo, e além disso, como posso te deixar? Viver em minha Vontade
torna a alma inseparável de Mim, minha Vida é para ela mais que alma ao corpo, e assim como o corpo sem
a alma se converte em pó, porque falta a vida que o sustenta, assim tu, sem minha Vida em ti ficarias vazia de
todos os atos de minha Vontade em ti, não ouvirias mais no fundo de tua alma minha repetida voz que te
sugere o modo de fazer-te cumprir teu ofício em minha Vontade; se está minha voz, há também a minha Vida
que a emite. Quão fácil é para pensar que posso te deixar, não posso, primeiro deveria você deixar minha
Vontade, e logo poderia pensar que Eu te deixei; mas para minha Vontade te deixar será muito difícil, por não
te dizer quase impossível. Você se encontra quase semelhante às condições em que se encontram os bem
aventurados no Céu, eles não perderam o livre arbítrio, isto é um dom que dei ao homem, e o que Eu uma vez
dou não o retiro jamais. No Céu não entrou jamais a escravidão, sou Deus dos filhos, não dos escravos; sou Rei
que faço reinar a todos; não há divisão entre Eu e eles, mas no Céu é tal e tanto o conhecimento de meus bens,
de minha Vontade e de minha felicidade, que todos ficam cheios deles até a borda, até transbordar fora, tanto
que sua vontade não encontra lugar para obrar, e enquanto são livres, o conhecimento de uma Vontade infinita
e de bens infinitos nos quais estão imersos, leva-os com uma força irresistível a usar de sua vontade como se
não a tivessem, considerando isto como suma fortuna e felicidade, mas espontaneamente livres e de toda sua
vontade.

Assim tu, filha minha, Fazer-te conhecer a minha Vontade foi a maior graça que te fiz, e enquanto és
livre de fazer ou não fazer a tua vontade, diante da minha a tua se sente incapaz de agir, se sente anulada, e
conhecendo o grande bem da minha Vontade aborreces a tua, e sem que ninguém te force, amas fazer a minha
em vista do grande bem que te vem. Além disso, os muitos conhecimentos que te manifestei da minha Vontade
são vínculos divinos, cadeias eternas que te circundam, posse de bens celestes; e fugir destas correntes eternas,
romper estes vínculos divinos, perder estas possessões celestes, ainda em vida, a tua vontade, Embora livre,
não encontra o caminho para sair, revolve-se, vê sua pequenez e temendo de si mesma, rapidamente se lança
e se aprofunda com mais amor espontâneo em minha Vontade. O conhecimento abre as portas daquele bem
que se conhece, e por quantos conhecimentos de mais te manifestei sobre a minha Vontade, outras tantas
portas de bens te abri, de luz, de graça e de participações divinas.

Estas portas são abertas para você e quando
estes conhecimentos chegarem no meio das criaturas, se abrirão estas portas para elas, porque o
conhecimento faz surgir o amor ao bem conhecido, e a primeira porta que abrirei será a minha Vontade, para
fechar a pequena porta da sua vontade. Minha Vontade fará aborrecer a sua, porque frente a minha Vontade,
a humana é incapaz de obrar, com a luz da minha vê como é insignificante e boa para nada, por isso, como
consequência as criaturas farão a um lado a própria vontade. Além disso, tu deves saber que, quando eu te
manifestar o conhecimento da minha vontade, então eu decido abrir-te outra porta do meu conhecimento,
quando tu fizeres entrar na tua alma todo o bem do que eu te manifestei; se assim não for, seria tua só a
notícia desse bem, não sua posse, e Eu isto não sei fazer, quando falo Eu quero que se possua o bem que
manifesto, por isso sê atenta no exercício de minha Vontade, a fim de que te abra outras portas de meu
conhecimento e você entre mais nas posses divinas”..

Volume 18 – 9 de Agosto de 1925
Corresponder a Deus em amor por todas as coisas criadas, é o primeiro dever da criatura. A Divina
Vontade foi dada como Vida primária da criatura.

(1) Jesus meu, dá-me a força, Tu que vês a grande repugnância que sinto ao escrever, que se não fosse pela
bendita obediência e o temor de te desagradar jamais teria escrito uma só palavra. Suas longas privações me
atordoam e me tornam incapaz de tudo, por isso tenho necessidade de maior ajuda para pôr no papel o que
seu Santo Querer me sugere. Então me dê a mão e esteja sempre junto comigo.

(2) Agora, enquanto eu estava fundindo-me no Santo Querer Divino para corresponder em amor a Deus por
tudo o que fez na Criação por amor das criaturas, o pensamento me dizia que não era necessário fazê-lo, nem
era agradável a meu Jesus este modo de orar, Dizia-me que era tudo invenção da minha cabeça. E meu sempre
amável Jesus, movendo-se em meu interior me disse:.

(3) “Minha filha, tu deves saber que este modo de orar, isto é, corresponder a Deus em amor por todas as
coisas criadas por Ele, é um direito divino e entra no primeiro dever da criatura. A Criação foi feita por amor
do homem, aliás, foi tanto nosso amor, que se tivesse sido necessário teríamos criado tantos céus, tantos sóis,
estrelas, mares, terras, plantas, e todo o resto, por quantas criaturas deviam vir à luz deste mundo, a fim de
que cada uma tivesse uma Criação para si, um universo todo seu, como de fato quando tudo foi criado, só
Adão foi o espectador de tudo o criado, ele podia gozar todo o bem que queria. E se não o fizemos foi porque
o homem podia gozar igualmente tudo como se fora dele, apesar de que os demais também o gozam. Com
efeito, quem não pode dizer: o sol é meu e gozar da luz do sol por quanto quiser, quem não pode dizer a água
é minha e tirar a sede e servir-se dela onde a necessita, quem não pode dizer que o mar, a terra, o fogo, o ar
são coisas minhas? E tantas outras coisas criadas por Mim, e se alguma coisa parece que ao homem falta, que
se fatiga para consegui-la, é o pecado que obstruindo o passo a meus benefícios impede às coisas criadas por
Mim ser magnânimas para com a criatura ingrata..
(4) Portanto, sendo assim, que em todas as coisas criadas Deus ligava seu amor a cada criatura, nela entrava
o dever de corresponder a Deus com o seu pequeno amor, com a sua gratidão, com a sua gratidão por quem
tanto fizera por ela. O não corresponder em amor a Deus por tudo o que fez na Criação para o homem, é a
primeira fraude que a criatura faz a Deus, é um usurpar seus dons  sem sequer
reconhecer de onde vêm, nem a quem tanto a amou; por isso é o primeiro dever da criatura, e é tão
indispensável e importante este dever, que Aquela que levou a peito toda nossa glória, nossa defesa, nosso
interesse, não fazia outra coisa que girar por toda parte, desde a mais pequena até à maior das coisas criadas
por Deus para imprimir a sua correspondência de amor, de glória, de agradecimento por todos e em nome de
todas as gerações humanas. Ah, sim, foi propriamente a minha Mãe Celestial que encheu Céus e Terra de
correspondência por tudo o que Deus tinha feito na Criação! Depois de Ela foi a minha humanidade que
cumpriu este dever tão sacrossanto, ao qual a criatura tinha faltado tanto, tanto, assim que foram as minhas
orações e as de minha inseparável Mãe que fizeram propício a meu Pai Celestial para com o homem culpado.
Não queres repetir as minhas orações? “Aliás, por isso te chamei em meu Querer, a fim de que te associes
conosco e sigas e repitas nossos atos”.

(5) Então eu buscava por quanto podia, girar por todas as coisas criadas para dar a meu Deus a
correspondência do amor, da glória, do agradecimento por tudo o que havia feito na Criação. Parecia-me ver
em todas as coisas a correspondência de amor da minha Imperatriz Mãe e do meu amado Jesus. Essa
correspondência formava a mais bela harmonia entre o Céu e a Terra, e ligava o Criador à criatura. Cada
correspondência de amor era uma tecla, uma Sonatina de música celestial que seqüestrava, e meu doce Jesus
adicionou:.

(6) “Minha filha, todas as coisas criadas não foram outra coisa que um ato de nossa Vontade que as pôs fora,
elas não podem afastar-se de seu lugar, nem mudar efeitos, nem posição, nem o ofício que cada uma recebeu
de seu Criador; elas não são outra coisa que espelhos onde o homem devia olhar os reflexos das qualidades de
seu Criador: Onde a potência, onde a beleza, em outras coisas criadas a bondade, a imensidão, a luz, etc., em
suma, cada coisa criada prega ao homem as qualidades do seu Criador, e com vozes mudas dizem-lhe o quanto
o amo. Ao contrário, ao criar o homem não foi só a nossa Vontade, mas uma emanação que saiu do nosso seio,
uma parte de nós mesmos que infundimos nele, e por isso o criamos livre de vontade, a fim de que crescesse
sempre em beleza, em sabedoria, em virtude; À semelhança da nossa, ele podia multiplicar os seus bens, as
suas graças. Oh, se o sol fosse livre de vontade e pudesse fazer de um, dois sóis; de dois, quatro sóis, etc., que
glória, que honra não daria a seu Criador, e quanta glória também para ele mesmo! No entanto, o que as
coisas criadas não podem fazer porque estão privadas de livre arbítrio e porque foram criadas para servir ao
homem, pode ser feito pelo homem, porque ele devia servir a Deus, Então todo o nosso amor estava
concentrado no homem e por isso colocamos tudo o que foi criado à sua disposição, tudo ordenado em torno
dele, para que o homem se servisse das nossas obras como de tantos degraus e caminhos para vir a nós para
nos conhecer e para nos amar.

Mas qual não é nossa dor ao ver o homem por debaixo de nossas coisas criadas,
mas bem, transformada pelo pecado em fealdade sua bela alma dada por Nós, e não só não crescido no bem,
mas horrível ao ver-se? Não obstante, como se tudo o que foi criado para ele não bastasse ao nosso amor,
para guardar este livre arbítrio fizemos-lhe o dom maior que superou todos os demais dons, isto é, demos-lhe
a nossa Vontade como preservativo, como antídoto, como preventivo e ajuda a sua livre vontade; assim que
nossa Vontade se pôs a sua disposição para dar-lhe todas aquelas ajudas das quais o homem tivesse
necessidade; assim que nossa Vontade lhe foi dada como vida primária e ato primeiro de todas suas obras.
Devendo ele crescer em graça e beleza, tinha necessidade de uma Vontade Suprema que não só fizesse
companhia à sua vontade humana, mas que se substituísse ao agir da criatura; mas também este grande dom
desprezou e não o quis conhecer. Vê então como nossa Vontade entra na vida primária da criatura, e enquanto
tem seu ato primeiro, sua vida, a criatura cresce sempre em graça, em luz, em beleza, conserva o vínculo do
ato primeiro de sua criação, e nós recebemos a glória de todas as coisas criadas, porque servem a nossa
Vontade que opera na criatura, única finalidade de toda a Criação. “Por isso te recomendo que nossa Vontade
seja para você mais que vida, e o ato primeiro de todas suas ações”..

Volume 20 – 13 de Outubro de 1926
A Divina Vontade formará o eclipse à vontade humana.

(1) Estava fundindo-me toda no Santo Querer Divino, e enquanto girava n‟Ele fazendo minhas ações, meu
amado Jesus se moveu dentro de mim e me disse:

(2) “Minha filha, cada ato, oração e pena que a alma faz entrar na luz da minha Vontade, transforma-se em
luz e forma um raio a mais no Sol do Eterno Querer; estes raios formam a glória  mais bela que
a criatura pode dar ao Fiat Divino, de modo que vendo-se tão glorificado por sua mesma luz, investe estes raios
com novos conhecimentos seus, que convertendo-se em vozes, manifestam à alma outras surpresas de minha
Vontade, mas sabes tu que coisa formam estes meus conhecimentos à criatura? Formam o eclipse da vontade
humana; quanto mais forte é a luz, quanto mais raios há, tanto mais a vontade humana fica deslumbrada e
eclipsada pela luz de meus conhecimentos, de maneira que quase se sente impotente para agir e dá o campo
à ação da luz de minha Vontade; a vontade humana fica ocupada na ação da minha e lhe falta tempo, lugar
para fazer obrar à sua; é como o olho humano quando olha fixamente ao sol, a força da luz investe a pupila e
dominando-a a faz incapaz de ver outras coisas, mas apesar disso não perdeu a vista, é a força da luz que tem
esta potência, que qualquer um que a olhe tira qualquer outro objeto e não a deixa ver outra coisa senão luz.
Eu não tirarei jamais o livre arbítrio à vontade humana, dom grande dado às criaturas ao criá-las e que as
fazem distinguir se querem ser verdadeiras filhas minhas ou não, senão que melhor, com a luz dos
conhecimentos de minha Vontade, formarei mais que raios solares, que quem quiser conhecê-los e olhá-los
ficará revestido por esta luz, de modo que a vontade humana eclipsada sentirá gosto e amor em olhar a luz, e
se sentirá afortunada de que a ação da luz tome lugar em vez da sua, e perderá o amor, o gosto das demais
coisas. Por isso estou dizendo tanto sobre minha Vontade, para formar a luz forte, porque quanto mais forte
é, tanto mais é o eclipse que forma para manter ocupada a vontade humana.

Olhe o céu, é imagem disto, se você o vê de noite, o vê cravado de estrelas, mas se o vê de dia, as estrelas não existem mais para o olho
humano, mas no céu continuam em seu lugar como estão na noite; quem teve esta força de fazer desaparecer
as estrelas enquanto estão em pleno dia? O sol com a força de sua luz as eclipsou, mas não as destruiu, assim
é verdade, que assim que o sol começa a se pôr, assim voltam a fazer-se ver na abóbada do céu, parece que
têm medo da luz e se escondem para dar o campo à ação da luz do sol, porque sabem em sua linguagem muda
que o sol contem mais efeitos de bens para a terra, e é justo que deem todo o campo à grande ação do sol, e
que elas como homenagem a ele se façam eclipsar por sua luz, mas quando termina o eclipse se deixam ver
que estão em seu lugar. Assim será entre o sol dos conhecimentos do Fiat Supremo e entre as vontades
humanas que se farão iluminar por estes raios de luz de meus conhecimentos, estes levarão o eclipse às
vontades humanas, as quais vendo o grande bem da ação de sua luz, terão vergonha, medo de agir com a
vontade humana e darão livre campo à ação da luz do Querer Divino, por isso quanto mais rezas e sofres n‟Ele,
tantos mais conhecimentos atrais para manifestar-te, e mais intensa se forma a luz para poder formar o doce
eclipse à vontade humana, assim poderei estabelecer o reino do Fiat Supremo”.

Volume 21 – 22 de Maio de 1927
Como na Criação foi estabelecido o número de todas as coisas, até dos atos humanos. Como Jesus
encerrou tudo n’Ele.

(1) Estava em pânico junto com meu doce Jesus em seu Divino Querer para multiplicar meus pensamentos
com os seus, alinhando-me sobre cada pensamento de criatura e assim poder também eu dar ao meu Criador
tantos atos de homenagem, de glória, de amor, por todos os pensamentos de cada uma das criaturas. Mas,
enquanto fazia isto, pensava entre mim: “Como fez o meu amado Jesus que fez tantos atos, tantos
pensamentos, tantos passos, etc., por quantos deviam fazer todas as criaturas?” E Jesus movendo-se dentro
de mim disse-me:
(2) “Minha filha, assim como na Criação minha Divina Vontade estabelecia o número de todas as coisas criadas,
tudo foi numerado: as estrelas, as plantas, as espécies e até as gotas de água; cada coisa não pode nem perder
algo dela, nem crescer, segundo a ordem estabelecida pelo Fiat Supremo, assim também minha Vontade
estabelecia todos os atos humanos de todas as criaturas, só que em virtude do livre arbítrio concedido a elas,
podiam fazer estes mesmos atos bons ou maus, mas fazer de mais ou de menos não lhes é concedido, mas
tudo está estabelecido pelo Divino Querer.

(3) Agora, na Redenção, o eterno Fiat reinante em minha Humanidade sabia todos os atos que deviam fazer
todas as criaturas, todos os pensamentos, palavras, passos, nada lhe escapava, portanto não é maravilha que
multiplicava meus atos por cada ato das criaturas, para fazer que a glória do Pai Celestial fosse completa por
minha parte em nome de cada criatura e por cada ato delas, e que o bem que conseguia delas fosse com toda
a plenitude, de modo que cada ato delas, pensamento, palavra e passo, devia ter o meu ato por ajuda dos
seus; cada pensamento meu, como ajuda e luz de cada pensamento delas, e assim de todo o resto das criaturas.
Tudo encerrei em Mim, formei em Mim a nova criação de todos os atos das criaturas, para lhes poder dar de
novo tudo, nada me escapou, de outra maneira não teria sido obra digna do teu Jesus; se ainda um
pensamento me tivesse escapado, a criatura teria encontrado o vazio do meu e querendo-o, não teria
encontrado a ajuda, a força, a luz para aquele seu pensamento. Agora, minha filha, quero-te na minha Vontade
Divina, a fim de que junto Comigo formes esta nova criação de todos os atos humanos das criaturas, para
poder obter do meu Pai Celestial o Reino do Fiat Supremo, e as criaturas encontrem a tripla ajuda de força, de
luz, em todos os seus atos, para retornar ao Reino da minha Vontade, e estas triplas ajudas universais são: O
feito pela Soberana Rainha, os atos do teu Jesus e os da pequena filha do meu Divino Querer”.
(4) Depois disto pensava entre mim e perguntava: “Que coisa é esta Divina Vontade?” E Jesus acrescentou:
(5) “Minha filha, Vontade Divina significa: dar Deus a Deus, desabafo divino e transformação de natureza
humana em Divina, comunicação de virtude criadora, abraçar o infinito, elevar-se no Eterno e tomar como em
um punho a eternidade para dizer a Deus: Desde a eternidade eu te amava, Tua Vontade não tem princípio, é
eterna Contigo, e eu nela te amava com amor sem princípio e sem fim’. O que é a minha vontade? É tudo”

Volume 26 – 4 de maio de 1929
Poder, encantamento, império de uma alma que vive na Vontade Divina; como tudo gira em torno dela e
[ela] domina o mesmo Criador.

(1) Meu abandono no Fiat Divino continua e minha pobre mente agora para em um ponto agora no outro,
mas não sabe como sair de dentro da imensidão de seus infinitos limites; de fato, não encontra meios nem
portas para sair dele; e enquanto ele caminha na Vontade Divina, deixo-o para trás e, enquanto o deixo para
trás, ele avança com sua majestade, direita e esquerda, logo abaixo dos meus passos e me diz:
(2) “Sou tudo a seu favor, para lhe dar minha vida e treiná-la em você; para que não haja mais nada para você
além da minha vontade divina e adorável. ”
(3) Agora, enquanto minha pequena mente verdadeira se perdia nela, meu doce Jesus se moveu em meu
interior e me disse:
(4) “Minha filha, que vive na minha Divina Vontade, sente em si o ato contínuo e constante da obra divina do
meu Divino Fiat. Esse ato contínuo, gerado por seu poder na criatura, mantém essa força, esse império acima
de tudo, que cativa a todos com seu doce encantamento, para que todos se voltem para ela. Os Anjos, os
Santos, a Santíssima Trindade, as esferas e toda a Criação, todos querem ser espectadores para desfrutar de
uma cena tão doce, encantadora e bela, do contínuo ato de criação no Fiat Divino: entra no banco do ‘Corpo
supremo e unindo-se no ato contínuo de seu Criador, ela não faz nada além de expor com seu ato contínuo as
inúmeras belezas, os sons mais doces, as raridades insuperáveis das qualidades de seu Criador
.
(5) E o que mais sequestra e é ver sua pequenez que, toda ousadia e corajosa, sem medo, como se quisesse
dominar o mesmo Criador, agradá-lo, sequestrá-lo, pedir-lhe o Reino de Sua Vontade na terra, tira e expulsa
do banco divino todas as nossas alegrias e felicidades, como se quisesse esgotá-las e, visto que não as esgotam,
não se cansa, repete seu ato contínuo, para que todos esperem que ela termine; e, ao não verem o seu fim,
apertam-se a seu redor, tanto que ela se torna um lugar central e todo mundo se vira, para não perder uma
cena tão consoladora e nunca vista, ou seja: o contínuo ato de pequenez humana na Unidade do Fiat Supremo;
muito mais do que o trabalho contínuo é somente de Deus e, ao vê-lo repetido pela criatura, desperta as
maiores surpresas, que surpreendem os céus e a terra.

(6) Minha filhinha, se você soubesse que isso significa um ato contínuo em minha vontade! Este ato é
incompreensível para a mente criada; é a bilocação do nosso ato contínuo, entra em nosso ato e faz surgir e
mostra a todos nossa rara beleza, nosso amor invencível, nosso poder que pode fazer tudo, nossa imensidão
que abraça tudo; ele gostaria de dizer a todos: ‘Olha quem é o nosso Criador!’ E nós fazemos isso e gostamos
de ver que a pequenez da criatura quer nos dar nosso Paraíso e nosso Ser Divino, como nosso e como dele. O
que aqueles que vivem em nosso Fiat não podem fazer e nos dar? Tudo! Muito mais do que estar na terra esta
criatura feliz, em virtude do livre-arbítrio ela mantém a virtude conquistadora – que nem mantêm os santos no
céu! E com isso pode conquistar e multiplicar o bem que deseja. E a nossa vontade que a mantém dentro de si
mesma a torna conquistadora do nosso ser divino ”.

Volume 28 – 26 de fevereiro de 1930
Como é necessário desejar um bem

Se o povo não for formado para a Vontade Divina, [Ele] não pode ter seu Reino.
Como quem mora no Fiat é senhor, quem faz sua vontade é servo.
E Jesus acrescentou:
“Minha filha, se é necessário falar-te do meu Divino Fiat, [o] que servirá de convite, seduções, doces e fortes
vozes para chamar todos a viver no palácio da minha Divina Vontade para que não sejam mais servos e sim
senhores, por isso é necessário falar-lhes também dos males da vontade humana, porque jamais tirarei o livre
arbítrio do homem; portanto, é necessário que no Reino da minha Divina Vontade eu tenha os guardas
montados, as nobres sentinelas que mantêm as criaturas em guarda, fazendo-as conhecer o grande mal da
vontade humana, para que que estejam atentos e, aborrecendo-o, amem a felicidade e o domínio que a minha
Divina Vontade lhes dá ”.

Volume 28 – 9 de novembro de 1930
Diferença entre amor criado e amor criador.
Dote com o qual Deus dotou a criatura.
Exemplo.
(1) Vivo em contínuas privações do meu doce Jesus, ah, sem Ele não consigo encontrar o meu centro onde
alçar voo para descansar! Não encontro o guia em que posso confiar, não encontro Aquele que com tanto
amor, agindo como Mestre, me deu as mais sublimes lições; suas palavras foram chuvas de alegrias, de amor,
de graças sobre minha pobre alma. E agora tudo é silêncio profundo … Eu gostaria que o céu, o sol, o mar,
toda a terra se derretesse em lágrimas para chorar por Aquele que não encontro mais e não sei para onde deu
seus passos!
(2) Mas, infelizmente, ninguém aponta para mim, ninguém se move para ter pena de mim! Ah, Jesus, volte!
Volte para aquela a quem Você mesmo disse que não queria nada mais do que viver apenas para Você e com
Você; e agora está tudo acabado! Meu pobre coração está cheio e quem sabe quantas coisas isso significa da
dor que sente pela privação de meu Jesus, de sua vida, de seu tudo; portanto, dou um passo à frente e faço …
(3) Donde, enquanto estava no calor da amargura, estava seguindo os atos da Vontade Divina; em um instante
ele estava todo presente para mim, e meu sempre amável Jesus, mostrando-se toda ternura, me disse:
(4) “Minha filha, coragem, o meu amor nunca acaba, por isso amo a criatura com um amor infinito e
insuperável. Se você diz que me ama, qual é a diferença entre amor criado e amor criativo? A criação dá a você
uma imagem da diferença. Olhe para o sol: sua luz e seu calor preenchem seus olhos, ele investe sua pessoa
inteira, mas quanta luz você consegue? Muito pouco, apenas uma sombra própria, e o que resta da luz do sol
é tão vasto que pode cobrir toda a terra; símbolo do seu pequeno amor criado que, por mais cheio que você se
sinta até a borda, é sempre pequeno.
(5) O amor do seu Criador, mais do que o sol, permanece sempre imenso e infinito, que superando tudo conduz
a criatura ao seu triunfo de amor, fazendo-a viver sob a chuva contínua do seu amor criador. Outro símbolo é
água; você bebe, mas quanto você bebe em comparação com a água que existe nos mares, rios, poços, nas
entranhas da terra? Muito pouco se pode dizer, e o que resta simboliza o amor criativo, que por sua própria
virtude possui mares imensos e sabe amar a criaturinha com amor imenso. A própria terra diz a você seu
pequeno amor: [de] quanta terra você precisa para descansar seus pés? Só um pouco de espaço, e o que
ultrapassa, ai, quanto é muito! [de] quanto solo você precisa para descansar os pés? Só um pouco de espaço,
e o que ultrapassa, ai, quanto é muito!
(6) Para que uma diferença distante e incomensurável passe entre o amor do Criador e o da criatura. Além
disso, você deve adicionar que o Criador ao criar o homem dotou-o de suas propriedades, portanto, dotou-o
de seu amor, sua santidade, sua bondade, dotou-o de inteligência e beleza; enfim, dotamos o homem de todas
as nossas qualidades divinas, dando-lhe o livre arbítrio para que negociasse nosso dote, ampliando-o cada vez
mais conforme crescia mais ou menos, colocando também seus atos em nossas próprias qualidades divinas,
como tarefa de trabalho que recebeu para preservar e aumentar o dote por Nós dado. Porque a nossa infinita
Sabedoria não quis despender a obra das nossas mãos criativas, do nosso nascimento e do nosso filho, sem
nos dar o nosso.
(7) Nosso amor não suportaria expô-lo à luz do dia, despojado e sem propriedades, não teria sido digno de
nossas mãos criativas; e se nada lhe tivéssemos dado, o nosso amor não sentiria tanto por amá-lo: porque é
nosso, é nosso e custou tanto ao nosso amor, tanto o amamos a ponto de colocarmos a minha vida nele.
Quando as coisas não custam nada e não se dá nada, não nos amamos, e é precisamente isso que mantém
sempre acesa a estaca do nosso amor, sempre viva: porque demos muito e ainda damos à criatura.
(8) Você vê então que grande diferença existe entre o amor da criatura e o amor do Criador? Se ela nos ama,
ela toma das nossas mesmas propriedades que lhe foram dadas para nos amar; amores, [e] apesar do fato de
que o amor criado é pequeno em comparação com o amor incriado, ainda queremos esse pequeno amor; na
verdade, ansiamos por ele, ansiamos por ele, e quando ele não o dá, deliramos.
(9) Acontece para Nós como [a] um pai que ama seu filho, que dota seu filho com suas propriedades, e esse
filho que ama seu pai muitas vezes, muitas vezes, tira os frutos das propriedades que lhe foram dadas e os
envia como um presente a seu pai. Oh, como o pai se alegra, apesar de não ter necessidade, em receber
presentes! No presente que ele se sente amado por seu filho, o presente é o amor falado e ativo de seu filho; e
o amor do pai sempre cresce por ele e ele se sente honrado, satisfeito por ter dado suas propriedades a quem
o ama e que nutre o carinho por seu pai. Mas qual seria a dor desse pai se o filho nunca lhe mandasse nada
dos bens que lhe foram dados? Isso quebraria o mais sacrossanto dos deveres, o amor entre filho e pai, e
converteria a alegria e a felicidade da paternidade em dor.
(10) Mais do que o Pai, amamos a criatura, e toda a nossa felicidade está em sermos amados de volta; e se ele
não nos amasse, se pudesse, ele converteria nossa paternidade em dor. Portanto, minha filha, quanto mais
você nos ama, mais presentes você envia ao seu Pai celestial, que tanto nos agradam porque são frutos das
nossas propriedades divinas dadas com tanto amor pelo seu Criador ”.

Volume 28 – 8 de fevereiro de 1931
Acusações, calúnias, condenação.
Como custa mais a Deus querer do que poder.

Efeitos da vontade divina desejada e efeitos da vontade divina permissiva.
Rodada de punições que ele fará por todas as nações.
(1) Faz tempo que não escrevo, porque meu pobre coração inchado de intensa amargura, a ponto de me
oprimir nas mais altas e tempestuosas ondas de dor e profundas humilhações, não tinha forças para colocar
no papel uma página, a mais dolorosa das minhas. existência aqui. No calor da minha dor repeti várias vezes
o dito de nosso Senhor:
(2) “Procurei um consolador em tantas dores e não o encontrei, um amigo que me defendesse e não havia
ninguém, aliás, que tivesse que me apoiar e me dar um sopro de coragem, senti-o mudado como se fosse o
meu pior inimigo ”. Ai sim! Posso repetir com o meu doce Jesus: “Um bando de cães me rodeou para me
dilacerar e me devorar”. Acredito que os Céus choraram por meu difícil destino, assim como meu doce Jesus
chorou comigo tantas vezes.
(3) Oh, como é verdade que só Jesus permanece na dor e na humilhação! As criaturas sabem estar por perto
quando tudo sorri para nós e nos traz glória e honra, mas quando acontece o contrário elas fogem e deixam a
pobre vítima sozinha e abandonada. “Oh, meu Supremo Bom Jesus, não me deixes só neste período tão
doloroso da minha vida! Saia comigo ou me leve com você. Eu me sinto afogada, minhas forças me faltam; oh
me ajude, me ajude, oh Jesus! ” E então o que mais me atormenta são as mesmas lutas que tenho de suportar
com meu doce Jesus.
(4) Por causa da pressão da vontade divina, eles me acusam no Santo Ofício de coisas que eu não sei, nem
onde da onde tiram, nem onde estão e estão tão longe de mim essas acusações, quanto o céu da terra. Vivo
de cama há quarenta e seis anos, pode-se dizer que sou uma pobre enterrada vivo, não conheço a terra nem
me lembro que tive amor e interesse, meu doce Jesus sempre zelou pelo meu coração e o guardou por inteiro;
agradeço sempre ao Senhor! Também difamaram no Santo Ofício a vinda do sacerdote que vem me chamar
a obedecer no estado de meus sofrimentos; daí as imposições e proibições. Daí uma luta se abre aqui com o
meu amado Jesus: eu oro para que Ele me liberte ou que faça de tudo, ou seja, para me fazer cair em dores e
me libertar quando Ele quiser, e Jesus disse toda a bondade:
(5) “Minha filha, mas você acredita que eu não posso? Eu posso, mas não quero. Custa-Me mais querer do que
poder; para mim, poder não é nada, em um instante posso fazer céu e terra, em outro instante posso destruílo,
tal é a força de meu poder, mas para destruir um ato de minha vontade, nem eu quero nem posso: eu
destruiria o ordem dos atos de minha Vontade que são estabelecidas pela Divindade desde a eternidade, eu
iria contra minha Sabedoria, contra meus próprios desígnios, contra meu Amor; Eu faria isso não por Deus,
mas como um homem, que muda facilmente conforme as coisas vão de acordo com seu gosto ou desgosto, e
como eles pensam e gostam. Tenho o imutável e não me mudo nos desígnios e atos que meu Santo Fiat
estabeleceu para fazer, e com suprema Sabedoria, minha Divina Vontade.
(6) E então eu não faria isso de Deus; só porque queriam acusá-lo de calúnias negras usando sua autoridade e
perversa perfídia até o Santo Ofício – porque lá se chega quando um mal atinge um excesso e que nenhuma
outra autoridade pode remediar, e só daí se vê a grande perfídia .
(7) Devo mudar meus projetos e as maneiras que mantive acima de você por tantos anos? Oh, se soubesses a
dor que causaram ao meu Coração, que, não podendo suportar o tormento, sou forçado a golpear todos
aqueles que contribuíram para tal acusação negra! E não acredite que farei isso hoje; pelo tempo e pelas
circunstâncias! Minha Justiça arma o braço contra eles: ninguém, ninguém será poupado! A dor que eles me
deram é demais! ”
(8) E eu: “Meu amor, se Você me deixar cair e não me ajuda a me libertar, como vou fazer? Não queres mudar
os teus modos que me controlaste e, se as autoridades que querem o diferente não quiserem ceder ao que tu
queres, como farei? Ao menos me assegure que me leva ao Céu e continuaremos sendo Você, eu e eles, todos
felizes; você não pode ver em que labirinto eles me colocaram? Eu sou a acusada, a condenada, como se tivesse
me tornado a criatura mais infame que existe na terra, e uma maldição cai sobre minha pobre existência. Jesus,
Jesus! Ajude-me, não me abandone, não me deixe sozinha; se todo mundo foi tão bárbaro que me deixou, você
não faria isso comigo, não faria, oh Jesus? ” E minha dor foi tanta que dei vazão a lágrimas amargas. E Jesus,
deixando-se também chorar, disse-me:
(9) “Boa filha, coragem! Você deve saber que minha Divina Vontade atua de duas maneiras: de forma
deliberada e de forma permissiva. Quando age voluntariamente, são desígnios que realiza, santidade que se
forma, e a criatura que recebe este ato desejado de minha Vontade o recebe dotado de luz, graça, ajuda; Esta
criatura afortunada não deve faltar nada para realizar este ato desejado por minha vontade. Em vez disso,
quando [minha Vontade] age permissivamente, e isso acontece quando as criaturas, com o livre arbítrio da
vontade que têm, tentam amarrar as mãos do Todo-Poderoso, pois nisso querem de você, querem mudar as
coisas para o caminho deles e não como o Meu, com tanto amor e para o bem de todos, tenho disposto até
hoje, e eles me obrigam a agir com permissividade, e minha vontade permissiva é, com justiça e castigo.
(10) Então vou agir com minha Vontade permissiva! Já que não o querem da maneira que eu quero,
vou mantê-los suspensos do estado de vítima, e minha Justiça, não encontrando seu apoio, se manifestará livremente
contra o povo. Estou fazendo a primeira viagem por todas as nações, tanto é que muitas vezes te suspendo do
estado de vítima, porque te vejo muito amargurada por minha causa e pelo que eles querem e por tanta
perfídia que tiveram contra ti e, em te ver tão amargurada que não me dá o coração para lançá-lo no seu
estado de dor habitual, que você recebeu com tanto amor e eu lhe comuniquei com maior amor. Portanto, dou
um passo à frente, mas se conhecesses a minha dor!
(11) E na minha dor repito: ‘Ingratidão humana, quão horrível você é!’ E estou prestes a retomar a segunda
rodada de punições para todas as nações, repetindo terremotos, mortalidade, fenômenos inesperados, males
de todo gênero, para lançar terror e susto. As punições choverão como névoa espessa sobre os povos e muitos
permanecerão nus e jejuando; e quando eu terminar o segundo turno, farei o terceiro, e onde as punições
aumentarão, haverá as guerras e revoluções mais amargas.
(12) Minha filha, o que eu recomendo para você: paciência! Oh, não me venha com a dor de que sua vontade
se opõe à Minha! Lembre-se de quantas graças Eu te dei, quanto amor Eu não queria que você ganhasse minha
Santa, e suprema Sabedoria da minha Divina Vontade.
(13) Dou-te um passo à frente, não te comunico as minhas dores para que tua vontade se torne minha; se você
quiser me fazer feliz, garanta que nunca, jamais, fará a sua vontade ”.
(14) E embora assegure a Jesus que eu nunca quero fazer minha vontade, as circunstâncias atuais são tantas
que vivo com um medo contínuo – que me envenena continuamente – de que possa incorrer no grande
infortúnio de nem sempre fazer a vontade divina. Meu Deus, que dor, que tormento para o meu pobre
coração, muito mais para o meu estado de inconstância!
(15) Porque passo dias sem cair em estado de sofrimento, e depois me torturo porque Jesus me deixou, não
terei mais o bem de vê-lo, e na minha dor repito: “Adeus a Jesus, nunca mais nos veremos, acabou tudo!” , e
choro por Aquele que foi para mim mais do que a minha própria vida, e passo dois, três dias nestas torturas;
e quando estou convencida de que não vou mais cair naquele estado de dor, então Jesus de repente me
surpreende e me faz cair em sofrimentos, e então sou torturada: como vou fazer para obedecer? De maneira
que, de uma forma ou de outra, sinto tanta tristeza e amargura que eu mesma não sei como posso continuar
a viver e, na minha dor, espero que meu doce Jesus tenha misericórdia de mim e traga seu pobre exílio em
sua Pátria Celestial.
(16) Só te imploro, ó Jesus, que acabes com esta tempestade; com o teu comando de poder que se acalme, e
dando luz aos que o despertaram, possam conhecer o mal que fizeram, para que possam usá-lo para se
santificarem.

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